Portal das Reencarnações
Portal das Reencarnações – Parte Final
Introdução 40
Shemuel disse: Eu ainda encontrei um pequeno panfleto entre os meus arquivos com algumas citações do Sêfer Haticunim e do Sêfer Hazôhar que merecem ser examinados.
Eu não quis confiar na minha mente [memória] ou revisá-las no seu lugar, porque talvez aquela seleção [de citações] fosse esquecida. Por causa disso, eu resolvi colocá-las em um livro e que fossem gravadas; e para que qualquer pessoa que as busque, venha a encontrá-las nesse lugar. É isso que comecei fazer, com auxilio do El, meu Redentor. No Sêfer Haticunim, Ticun 22, folha 67b, linha 23, está escrito "Pois com alegria saireis do cativeiro, e em paz havereis de chegar."
"Com alegria": [hebraico Bessimchá] se relaciona ao valor numérico de: " (65) - Adonai, se tirarmos o Shin, que vale 300. Deste modo, "com alegria": tem as mesmas letras de: - [Machshavá = Pensamento]; e Shin são os três patriarcas. O resto da palavra, tirando o Shin, forma a palavra: - [Bechamá - no Sol], que dá 65, e alude à Shechiná.
E pode-se fazer uma objeção, pois: [no Sol] dá 55, e não 65. Então é preciso analisar isso melhor.
Shemuel disse:
Também na hora de imprimir o livro, quem fez a revisão também possuiu este mesmo equívoco.
Eu fiz uma nova revelação: Talvez as letras da palavra: em forma detalhada: " " " " são 10, e com 55 = 65. Ali no Sêfer Haticunim, Ticun 47, folha 83a, na linha 21, [HaSulam par.6] está escrito: "Façamos o Homem (Hebraico = Adam)"; isto alude ao preceito de circuncidar o prosélito, e se ele cumprir o preceito de Ibum e Chalitsá, então ele é "em Nossa Imagem, e em Nossa Semelhança". É difícil aceitar isso porque se o nascimento dos dois [o prosélito e seu irmão] não foi realizado em santidade, então um não pode fazer o Ibum ou a Chalitsá para a esposa de seu irmão [falecido]. E no caso que o nascimento deles foi em santidade, então não seriam prosélitos, mas os descendentes de prosélitos, e então seriam considerados completamente Israel.
No Zôhar, Porção Semanal de Valerá, p.120a, linha 18, [HaSulam par. 495] está comentado o versículo "e [Avraham] viu o lugar de longe." Isso significa que ele viu Iaacov, já que está escrito "de longe, isto é, que não mereceu, etc."
Ele viu com os seus olhos; porque quando Iaacov veio, Avraham faleceu e partiu do mundo, etc.
Quando analisamos seus anos de vida, vemos que Iaacov tinha treze anos de vida quando Avraham morreu.
Os nossos Sábios comentaram no versículo "Iaacov havia cozido um guisado" que ele estava cozinhando lentilhas em sinal de luto por Avraham, que tinha falecido cinco anos antes, para não ver Eissav ir para uma cultura ruim aos treze anos.
E tem que adicionar ao que foi mencionado, que até o momento em que foi escrito: "E os garotos cresceram" — isso significa que fizeram treze anos e se tornaram homens maduros e completos.
Foi então que ficou evidente que Eissav virou perverso e Iaacov se tomou uma pessoa ingênua que habitava em tendas [o que alude ao estudo da Torá].
Antes disso não foi claro.
Essa é a prova de que Avraham não o viu completo [Iaacov], conforme era preciso.
Portanto, de fato era uma visão física, com os seus próprios olhos, que ele o viu.
No Zôhar, Porção Semanal de Toledot, p. 135a, linha 32, [HaSulam par. 7], está dito: "Agora que Abrahão faleceu, a imagem e a figura de Abrahão ficaram em Isaac, de modo que todo mundo que via Isaac dizia: 'Este certamente é Abrahão', etc."
E é difícil compreender isso, pois os nossos Sábios disseram que Isaac estava sempre na imagem de Abrahão [desde que tinha nascido e não só depois da morte do seu pai].
Isso para que aqueles que zombam não dissessem que foi Avimélech que engravidou Sara.
E aqui está dito "Agora que Abrahão faleceu, a imagem e a figura de Abrahão ficaram em Isaac."
Esse é o segredo de "Elohim abençoou a Isaac, seu filho." A benção foi justamente o fato de que ele ficou com a imagem do seu pai, para provar que era filho dele.
Por isso, aparece o termo "seu filho", que é supérfluo, já que "Elohim abençoou, etc." aparece logo em seguida de: "Abrahão teve Isaac como filho" — isso tudo era para especificar a questão da bênção que estava sendo dada.
E mais ainda dificil é o termo 'apesar disso' que foi dito antes. O Rabino Iossi disse: O motivo de que até aqui não foi escrito 'filho de Avraham', e aqui disse: "Apesar disso, e Elohim abençoou a Itschak, seu filho" — agora que Avraham tinha falecido.
Então, o termo `apesar disso' é equívoco e em oposto a do que teria sido esperado de ser dito, e deveria ter sido dito, 'por causa de' — (Veja no Zôhar, HaSulam, Toldot — par. 7) — e isso exige ser mais estudado.
No Zôhar, Porção Semanal Vaietsê, página 151a, linha 27 está escrito: "O Rabino Chia e o Rabino Chizkia estavam sentados embaixo das árvores no campo de Ono, etc. Elias apareceu e disse: Eu vim anunciar que Jerusalém está para ser destruída, juntamente com as cidades em que os Sábios moram,".
É difícil entender isso, pois sabemos que Jerusalém foi destruída na época do Rabino Iochanan ben Zacai.
E depois disso, havia a geração de Rabino Eliezer; e depois, a do Rabino Akiva; e depois, a do Rabino Shimon bar Iochai; e depois, a do Rabino Chía e do Rabino Chizkia mencionados aqui.
Seria possível dizer que voltou a ser populada por pessoas sob o governo do César romano, o perverso, e estava sendo avisado que agora também a cidade ia ser destruída, de novo.
Mas mesmo isso é difícil de entender, pois sabemos que o Sinédrio foi exilado dez vezes [de Jerusalém], sendo a última vez em Tiberiades. Aparentemente, não havia mais assentamento em Jerusalém depois da destruição por Tito.
É possível dizer, então, que ambos, o Rabino Chía e o Rabino Chizkia, eram Sábios da época do Rabino lochanan ben Zacai, e eles não são da geração do Rabino Shimon bar Iochai.
Revisor (Rabino Tsvi Brandwein):
No Zôhar, comentário de HaSulam, par. 85 está explicado que Jerusalém alude a Nukvá, que é Julgamento severo (Din) e ela se sustenta de Julgamento, e ela está para ser destruída, etc.
Enquanto a Torá seja despertada por baixo, isto é, que haja pessoas que a estudam, a Árvore da Vida não se separa de Jerusalém de cima. Uma vez que a Torá seja abandonada, isto é, que as pessoas a abandonem, aludindo à Árvore da Vida, que é Zeir-Anpin, abandona o mundo, que alude a Nukvá.
Nukvá é o mundo e é chamado de Jerusalém, como é sabido. Conclusão: isso não se refere a Jerusalém de baixo (terrestre), porque esses sábios viveram muitos anos depois da destruição de Jerusalém.
No Zôhar, Porção Semanal Vaietsê, folha 153b, linha 25, está escrito: "Portanto, José e Benjamin são ambos justos, etc. E nós aprendemos a respeito disso: Na hora em que José perguntou a Benjamin quantos filhos ele tinha, etc." [Gênesis 46:21 cita os nomes dos filhos. A ideia de que José perguntou pelos filhos de Benjamin se encontra em Bereshit Rabá 46.] É preciso primeiro corrigir a linguagem do Zôhar, pois ela não está correta. Então, vou escrever aqui sua versão corrigida, conforme o que se encontra em livros antigos, conforme o seguinte:
O Zôhar diz: "Nós aprendemos a respeito disso: Na hora em que José perguntou a Benjamin: 'Você tem uma esposa?', ele respondeu: Sim, tenho'. Aí ele perguntou: 'Você tem filhos?', e ele disse: `Não!". Mas, ele tinha filhos.
E José continuou a perguntar: "E quando tiver filhos, como você os chamará?"
E ele respondeu: "Eu vou chamá-los pelo nome do meu irmão (José); Achai, Rosh, Guera e Naaman, etc."
Então é preciso examinar cuidadosamente a questão de Benjamin ser chamado de justo por não ter tido relações conjugais com sua esposa durante todos os anos em que Iaacov ficou de luto por José. O Zôhar comentou e disse que quando ele desceu ao Egito, José lhe perguntou se ele tinha filhos, e ele respondeu que ainda não. José, então, disse: "E se você tiver, quais serão os seus nomes?" E ele respondeu que os chamará conforme o nome de José; Achai (meu irmão), Rosh (líder), como dito na Guemará.
Mas, [no texto ele voltou a perguntar: Mas, vemos que ao descerem [os irmãos] para o Egito está escrito [na Bíblia] que os filhos de Benjamin eram Béla, Becher, etc.]
Estes filhos incluíam as setenta almas que desceram ao Egito. E explicou assim: Depois que Beniamin (Benjamin) veio para a casa de José no Egito, e se apresentou a José quando ele se expôs a eles, dizendo que era o irmão deles, Benjamin voltou com seus irmãos à terra de Canaã, e teve união conjugal e aí lhe nasceram filhos.
Isso é, como foi dito [no Zôhar ali] que Beniamin voltou a sua casa e voltou a ter relações conjugais, etc.
Isso exige um exame, porque o que aparece da questão de Judá é que seus ossos ficaram amarrados num caixão, por causa da promessa que tinha feito: "Se eu não o trouxer de volta e não o colocar bem aqui na tua presença, serei então culpado diante de ti pelo resto da minha vida"— isso significa que Benjamin não voltou para a terra de Canaã. E se dissermos que voltou, e o fato que seus ossos ficaram amarrados é porque seu voto era condicional e precisava ser anulado por si mesmo, e se não foi obrigado a cumpri-lo, também é difícil aceitar, porque logo depois de ter levado o seu irmão [de Iossef, Beniamin (Benjamin)] para a terra de Canaã, acompanhados com as carruagens, trouxeram o Iaacov com eles para o Egito.
Então, não havia como Benjamin ter sequer um filho, quanto mais dez! Mesmo que ele tivesse dez mulheres, porque todos desceram ao Egito já nascidos, com exceção de Iochéved, que nasceu 'entre as muralhas'. Ainda mais quando todas as tribos [filhos de Iaacov] nasceram com uma irmã gêmea e com ela se casaram.
Então, é impossível dizer que Benjamin, que é chamado de justo, se casou com mais outras nove mulheres amaldiçoadas do povo Cananeu - como o Rabino Nechamia se opôs ao Rabino Iehudá no Midrash. E se dissermos que nasceram dez gêmeas com ele, isto seria um milagre e tanto.
Mesmo assim, não haveria tempo suficiente para elas engravidarem e darem à luz a todos [os seus filhos] antes de descer ao Egito. [Zôhar Comentario HaSulam par. 139: E não precisa levantar a questão como pode ser que em tempo tão curto — isto é, desde a hora em que voltaram as tribos com as carruagens do Faraó ao seu pai e até a sua volta ao Egito — ele podia ter dez filhos. Porque a verdade é que o Zôhar não está falando em eventos físicos, mas em acontecimentos nos mundos superiores, onde não há ordem de tempo como no mundo físico. O 'tempo espiritual' ocorre por causa de mudança de formas e degraus, que são além de espaço e de tempo.]
Shemuel disse: A isso acrescentamos o fato que é fundamental dizer que todos morreram antes de descerem ao Egito.
E conforme a explicação de Rashi a respeito das gêmeas que nasceram com cada tribo [cada filho, que virou cabeça de uma das 12 tribos], é preciso dizer que todas elas morreram antes de descer ao Egito, pelo fato que não foram contadas entre as setenta almas, com exceção de Sérach, filha de Asher, ou Iochéved, como é sabido.
No Zôhar, Porção Semanal Vaietsê, folha 161a, linha 5 [HaSulam par. 296], está escrito: "'E naquele mesmo dia tirou os bodes.' O Rabino Elazar começou a discussão com o versículo ‘Quem habitará em Teu Tabernáculo?' E ele responde [HaSulam par. 297]: Iaacov estava examinando a hora da sorte [hebraico: Mazal] dele. É permitido para um homem examinar a hora da sorte dele antes de voltar para o seu país; isto é, sé a sua sorte estiver com ele, tudo está bem. Se não, o homem não deverá partir até que a sorte esteja ao seu lado."
É preciso examinar esse assunto, porque toda esta página não faz sentido, no que foi dito: "É permitido para um homem examinar a hora da sorte dele antes de voltar para o seu país; isto é, se a sua sorte estiver com ele, etc.". E quando o Santíssimo, bendito seja, queria que Iaacov pegasse seu salário [de Labão, Lavan], encontrou só dez de cada tipo, até que o Rabino Elazar disse, etc.
Isso exige ser examinado — [Veja HaSulam ensaio 'Os galhos', a partir do parágrafo 303]
No Zôhar, Porção Semanal Mishpatim, página 115b, linha 2713, está escrito: "É óbvio que um juramento [hebraico. Sh’vuá] só pode ser efetivo quando feito sobre algo com substância, mas um voto [hebraico: Nêder] é válido até mesmo em algo insubstancioso, e isso foi estabelecido nos estudos dos Tanaim [na Mishná]".
E é difícil entender isso quando olhamos o Tratado de Nedarim e de Sh'vuót e vemos que eles ensinam o contrário: O rigor aplicado ao juramento feito sobre algo que não tem substância é igual ao juramento feito sobre o que tem substância; algo que não é aplicado aos votos. Isto é igual a o que o Rambam, de abençoada memória, escreve no Hilchot Nedarim, capítulo 3.
E se quisermos mudar as palavras do Zôhar para que condigam com as palavras da Mishná mencionada, não é possível, pois ele está dizendo que a severidade é maior no voto do que no juramento. Pois foi isso que ele escreveu: Não só isso, mas eles continuaram dizendo que votos são mais importantes do que juramentos; cada um que faz um juramento, jura em nome do próprio Rei, e cada um que assume um voto, é como se fosse assumindo um voto pela Vida do Rei. Tudo isso mostra a maior severidade que os votos carregam. Inclusive, mais adiante, eles explicam explicitamente ao dizerem: Certamente, o mundo vindouro é Biná, e os votos são aplicados sobre algo que não tem substância.
Shemuel disse:
Talvez possamos comentar sobre o Zôhar e dizer que a severidade dos votos é aplicada sobre algo ligado ao preceito opcional [e não ao preceito obrigatório]; o que não é aplicado nos juramentos.
No Zôhar, Porção Semanal Tetsavê, página 180b, linha 2, está dito: "Portanto, no 'Salmo de David' uma [letra] Vav — , está escrita antes de cada letra [que começa uma de todas as palavras], exceto por duas letras que estão sem o Vav, a saber que a letra Vav é o Nome do Santíssimo, bendito seja".
Em cima disso, ele as menciona e disse que são "Resh - , e Kuf - , que oferecem suporte a ele [referindo a Sitra Achará — forças negativas] pois suportam a palavra — - Shêker — Mentira ou falsidade. Mas estas letras são as mais conhecidas do que as demais", e por isso está dito: "Portanto, no 'Salmo de David', etc."
Há uma dificuldade aqui, porque seguindo este raciocínio, há um erro em nossos livros de Salmos, que aparece no versículo: "Ele realizará os desejos daqueles que O temem, e seus clamores [hebraico: Ve-et Shavatam] ouvirá e os salvará"; onde deveria ser escrito 'Et Shavatam' — sem a letra Vav segundo o que foi dito no Zôhar.
E no versículo: "Piedoso e pleno de bondade [hebraico: Verachum] é Adonai, tardio em irar-Se, e transbordante de graça [U'gdal Chassed]" esta escrito Verachum com Vav, U'gdal com Vav.
E talvez, o mesmo se aplique no que está mencionado na Porção Semanal de Pinchás do Raia Mehemna, folha 254a [HaSulam par. 792] sobre o versículo "No dia em que Moisés acabou [ — lido: calot)" e o Zôhar diz que se deve ler: — Calát [como se estivesse escrito sem Vav], que significa 'noiva'.
Neste mesmo local questionaram esse assunto, dizendo que na Torá a palavra — está escrita com Vav. E responderam que ela está escrita sem Vav na Torá que fica em cima nos céus, que não é igual à Torá que foi nos dada, onde aconteceram mudanças.
Talvez por isso também esteja dito "Ele realizará os desejos daqueles que O temem, e seus clamores [heb. Ve-et Shavatam], etc." sem Vav, pois é assim que aparece nos Salmos que ficam em cima, nos céus. De acordo com o comentário do autor de HaSulam — Rabino Iehudá Ashlag, ficou esclarecida a observação do Shmuel:
Em relação a essas palavras que estão escritas em versão curta (sem as letras vogais) que ensinam como se estivessem escritas em versão extensa (com as letras vogais), e outras com letras vogais como se estivessem sem, e também a respeito de diversos comentários que os Sábios podem fazer para adornar a Noiva, que é a Torá, com os ornamentos dela — o Santíssimo, bendito seja, nos ordenou fazer como eles nos guiarão, e acreditar neles, como está escrito: "Procedam de acordo com a Torá que eles [os Sábios] lhes mostrarem, etc."
Ali, no livro do Zôhar, Porção Semanal Tetsavê, folha 183a, linha 11 [HaSulam par. 75], está escrito "E ainda mais no dia de Shavuot, quando o pão celestial está presente e é uma cura completa!" Isso é entendido, porque o pão ázimo [Matsá] de Pêssach é Makhut, mas o pão de Shavuot é feito com fermento [Chamets] e corresponde ao pão celestial, a saber, Tiferet, que é a Torá escrita, e a saúde da Noiva, como está escrito: "saúde para todo o seu corpo."
Depois está escrito [HaSulam par. 76]: "Por isso oferecemos o pão fermentado para ser queimado no altar", que não é fácil entender, porque como que é sabido, os dois pães do Atséret [o dia em seguida da festa] são fermentados, e não são oferecidos no altar, e também não foram queimados, mas sim comidos pelos sacerdotes. E isso está conforme o que escreveu o Rambam, de abençoada memória, no Hilchot Maassê Hacorbanut, capítulo 12, e no Hilchot Tamidin Umossafin, capítulo 8.
Portanto, estes foram os dois erros que ele escreveu; [um] que eles foram queimados e [outro] que foram [oferecidos] sobre o altar; e incluindo o que ele disse que outros dois pães foram oferecidos como um — é um erro, porque os próprios dois pães são os pães fermentados. Se a oferenda de Nesachim que vem todo dia juntamente com a oferenda diária [ou permanente -Tamid], é Pão Ázimo [Matsá], como mencionado no Hilchot Maassê Hacorbanót, capítulo 12.
Então aqui quando disse: "dois outros pães, e pão fermentado [Chamets] queimado juntamente com eles" — isso indica que o pão fermentado [Chamets] não é os "dois pães", especialmente quando ele disse que "foi queimado entre eles", o que indica que são três: um pão fermentado [Chamets] e dois pães ázimos [Matsá].
E os três foram queimados — o que é uma mentira bem famosa. E saiba que existe outra versão na que não aparece a palavra "outros" e nem a palavra "entre eles".
Conforme esta versão, se fala apenas em dois pães. Mas mesmo assim ainda temos uma dificuldade, pois eles não foram queimados, mas comidos pelos sacerdotes.
Se alguém disser que se trata de uma parte do pão, que foi queimada no altar — é impossível aceitar, pois não existe uma parte para os dois pães, como mencionado em Hilchót Maassê Hacorbanót, capítulo 12. Ainda é possível dizer que se trata de dois pães que não eram casher, e por isso foram queimados, como mencionado no Hilchot Tamidin Umossafin, capítulo 8.
Mesmo assim, e com tudo isso, ainda há dificuldade em aceitar o fato que o Zôhar faz uma correlação aos dois cordeiros. [oferecidos no Mussafim], pois está usando as palavras do próprio versículo..
Observação do revisor (R. Zvi Brandwien): Veja no comentário do HaSulam par. 76, no ensaio ‘Lêchem (o Pão de) Habicurim (Shavuót)' que explica as palavras do Zôhar de acordo com o sentido oculto do assunto, e perceba que não há nem conflito e nem paradoxo: "Por isso oferecemos pão fermentado, que é o mau instinto, para ser queimado no altar, isto é, pelas oferendas que são oferecidas no altar. E oferecemos dois outros pães, levantando todos juntos — aqui o termo outros significa além das oferendas. E o pão fermentado, que é o mau instinto, fica se queimando pelo fogo do altar, pelas outras oferendas. E assim, ele não tem como dominar e prejudicar Israel".
No Zôhar, Porção Semanal Vaicrá, página 2b, linha 1 [HaSulam par. 7], o que está dito: "E Moisés não pôde entrar na tenda da reunião porque a nuvem pousara sobre ele." exige ser bem examinado. A pergunta que ele fez é: Já que está escrito: "Moisés não pôde entrar na tenda porque a nuvem pousara sobre ele" — então, por que está escrito: "e a nuvem cobriu o monte"; "E Moisés entrou na nuvem, e foi subindo o monte, e permaneceu no monte quarenta dias e quarenta noites"? E o Zôhar explica que isso foi necessário para que pudesse receber a Torá pela segunda vez.
Mas existe uma dificuldade aqui, pois este versículo alude às Primeiras Tábuas, como aparece no fim da Porção Semanal Mishpatim. E com relação ao segundo período de quarenta dias, não está escrito que ele subiu [e entrou] na nuvem.
Depois também vemos que o Rabino Iossi disse: Se é assim, por que está escrito "E Moisés fez levantar o Tabernáculo" (Êxodo 40:18) E também está escrito: "e Moisés permaneceu no monte" (Êxodo 24:18) e "E chamou a Moisés" (Levítico 1:1).
Tudo isso significa que Moisés estava no monte quando ele foi chamado. Esta é uma boa pergunta: porque o versículo: "E Moisés permaneceu" aparece no fim de Mishpatim, então como fizeram uma pausa, e o inseriram entre o fim da Porção Pecudê, depois do versículo "E Moisés não pôde", e no início de Vaicrá.
Isso significa que "E Moisés permaneceu no monte" alude à Autorga da Torá, no dia de Shavuót.
E o versículo "E Moisés não pôde" alude ao início do mês de Nissan do segundo ano [da saída do Egito].
É preciso analisar bem isso.
No Zôhar, Porção Semanal Bechucotai, página 113a, linha 21 [HaSulam par. 16, 17], está escrito: "Se vocês seguirem as Minhas Leis e observarem os Meus estatutos.", isso é como é dito: "um estatuto ao Elohim de Iaacov." É preciso examinar esses versos porque parece redundante usar a palavra "estatuto" neste parágrafo.
E na Torá ali está escrito: "e guardarem os Meus mandamentos". Talvez seja preciso determinar que isso é ligado a outro versículo, da porção semanal de Behar: "E guardareis as Minhas Leis e observareis os Meus estatutos, e os aplicareis".
Então esta explicação deveria estar naquele lugar, mas os copistas se enganaram e puseram este trecho aqui, nesta porção. Observação do revisor (R. Zvi Brandwien): Veja no comentário HaSulam ali, qup o Zôhar explica o assunto de 'Lei e Estatuto', que são Zeir-Anpin e Malchut.
Por esse Motivo ele menciona o versículo de Behar, em que está escrito — Estatuto, que é Zeir-Anpin.
O que não se aplica ao termo mandamento, porque também é Malchut.
No Zôhar, Porção Semanal Chucát, página 180a, linha 24 [HaSulam par. 11, 12, 13], está escrito: "E é preciso atirar o sapato do falecido e ele não anda com ele, etc. " — não foi encontrado algum fundamento para aquilo. Existe outra versão mais correta, e é a seguinte: Com este sapato, aquele falecido, anda entre os vivos.
Isso significa que, por meio da cerimônia de Chalitsá a esposa faz com que o seu marido falecido não seja desemparado entre os vivos nesse mundo, pedindo desesperadamente descanso para si, ou seja, ele não consegue subir para seu lugar [de descanso] como ocorre com o resto dos falecidos. E o Zôhar continua dizendo, que por meio desse sapato: "a esposa o acolhe [o marido falecido dela], etc.”
E assim, o corpo do falecido encontra o seu descanso.
No Zôhar, Porção Semanal Haazinu, página 288a, linha 8; [HaSulam par. 30], está escrito "Enquanto estava sentado, ele Rabino Shimon Bar Iochai disse, já que o Rabino Pinchás ben Iair está aqui...". Parece que o Rabino Shimon bar Iochai, de abençoada memória, faleceu depois do Rabino Pinchás, seu sogro.
Na Guemará nós vemos um relato do Rabeinu HaCadosh [Rabino Iehudá Hanassi] onde ele convidou o R. Pinchás, que não aceitou. Assim, a separação aumentou [literalmente: o monte cresceu] entre eles. Então, ele já era naquela hora Nassi.
Enquanto aqui, na hora do falecimento de Rabino Shimon Bar Iochai, Rabeinu HaCadosh não era Nassi, e nem idoso, porque Rabeinu HaCadosh e Rabino Elazar, filho de Rabino Shimon Bar Iochai, eram da mesma idade, como é sabido.
É possivel, que se trate de dois Rabinos [distintos com o nome] Pinchás, onde o primeiro era o sogro do Rabino Shimon bar Iochai e morreu primeiro.
O outro era o filho do filho [neto] deste primeiro, e ainda era vivo na época do Rabenu HaCadosh.
Relato de um espírito — uma história de exorcismo O jovem Shemuel Vital disse:
Hoje, vou apresentar fatos misteriosos que aconteceram comigo no Egito; em um evento que ocorreu com Ester, filha do Rav Iehudá Vaisser, que ficou 'atingida' e permaneceu assim com dores no coração [depressão crônica], por mais de dois meses depois de ter casado. Depois de isso ter ocorrido, certo dia me imploraram que eu fosse visitá-la. Eu fui visitá-la e vi-a no estado dos 'atingidos' [possessos]. Fiquei em dúvida se havia ali um maligno ou um demônio, ou ainda um espírito ruim do povo de Israel.
Eu os aconselhei a trazer um padre dos gentios para vir visitá-la, e assim fizeram.
Neste meio tempo, o maligno que estava nela falou com uma voz bem alta e disse que era gentio e que tinha entrado nela porque a tinha desejado. Entre as suas palavras ele disse, ainda, que tinha me ferido de leve na minha perna, e que era por isso que eu estava sentindo aquela dor na perna.
Ele tinha feito isso para que eu não pudesse andar e fosse curar a menina. Depois disso, chegou o padre gentio e se esforçou por ela. E disse que já tinha prendido o maligno em um frasquinho e depois o enterrou na terra, como ele costumava fazer.
Em seguida, de repente uma voz começou a gritar, saindo da boca da menina.
A voz dizia: "Eis que eu fiquei sozinho e totalmente isolado no corpo desta menina. Eu sou um espírito de um judeu, por isso, apressem-se e chamem o Rabino Shemuel Vital, para que me cure e me faça sair daqui." Foi assim que me chamaram imediatamente.
E eu senti uma obrigação de ir e visitá-la por respeito aos que vieram me chamar.
Na hora que entrei e fiquei ao seu lado, eu ainda estava em dúvida se era um espírito de judeu, um demônio, ou um maligno. Eu sentei ao seu lado e ela estava deitada como uma pedra muda, coberta com uma manta branca.
Por conta de minha dúvida, eu disse "Paz sobre Israel". Imediatamente, os lábios da menina se mexeram, e ela respondeu: "Bem vindo. Que a paz esteja convosco, que sejas abençoado e fiques bem". Eu perguntei: "Você é judeu?"
Ele respondeu: "Sim".
Eu lhe disse: "Se você é judeu, recite o Shemá Israel". Ele o recitou.
Então eu comecei a conversar com ele, e ele me respondia honestamente tudo o que eu perguntava.
Até mesmo quando lhe perguntei quem ele era, quem era o pai dele, de qual pais ele era, quando tinha morrido, onde tinha sido enterrado, quantos anos viveu, qual foi sua punição, quais foram seus pecados, quem tinha sido reencarnado aqui; se foi a Néfesh ou o Rúach, quem é o encarregado por ele, se ele estava sozinho naquele corpo, ou se tinha um vigia consigo. Tudo isso ele me respondeu de maneira correta e precisa. Em nenhuma das perguntas ele desviou do assunto ou se recusou a responder, sem que eu precisasse colocar um decreto nele, como um juramento, igualmente ao que ocorre com outros espíritos; como é sabido o jeito deles para todos que entendem essa ciência.
Depois eu lhe perguntei: "Agora, o que você quer?" Ele respondeu que queria que eu o retificasse e o tirasse daquele corpo por meio da minha grande sabedoria.
Ele disse que me conhecia do que anunciam sobre mim no céu. Eu lhe perguntei: "Então, se é assim, como você disse com orgulho; Eu feri Chaim Vital na perna para que ele não viesse a mim?". Ele me respondeu que não foi ele, mas que tinha sido aquele gentio maligno que estava com ele.
E foi ele que disse que tinha me ferido, mas é uma mentira. Foi para se glorificar que ele disse assim.
Mas ele não tinha como tocar em mim.
Eu disse para ele: "Se é assim, por que você apareceu para mim em um sonho na noite de terça-feira, dia 17 de Tamuz e me deixou angustiado?" Ele me respondeu: "É verdade que fui eu quem apareceu, mas quem te fez ficar angustiado foi aquele maligno gentio, eu não fiz nada de mal contigo". Eu lhe disse: "E por que você veio junto com ele?" Ele disse: "Para pedir retificação a você".
Finalmente, eu lhe disse.
"Agora, o que você quer?"
Ele respondeu: "Meu desejo é que você retifique a minha Néfesh e o meu Rúach, e que me tire deste corpo".
Eu lhe disse: "Vou fazer isso amanhã".
Ele repetiu [o seu pedido] e me disse: "Por que você vai deixar dois espíritos neste estado de angústia? O meu Rúach e o Rúach desta menina, enquanto você pode fazer isso agora?".
E ficou me implorando intensivamente.
Finalmente, eu o fiz jurar um severo juramento, para ele não mentir, e depois de sair daí, não voltar a entrar nela.
Além disso, para ele não fazer prejuízo em sua saída; nem para a própria menina nem para a sua família, e nem para alguém que esteja presente quando for sair do corpo.
E também, para não machucar ninguém do povo de Israel e para não ficar mais aqui no Egito.
E ele teria que pegar imediatamente o seu caminho e ir ao Guehinóm para se curar lá.
Inclusive, eu coloquei sobre ele um decreto severo de excomunhão e extirpação, [para ele cumprir] tudo que foi dito acima. Depois eu lhe disse para ele dar um sinal verdadeiro ao sair, e que deverá falar "A paz esteja convosco" quando estiver saindo. E ele fez isso, falando a frase três vezes.
Depois disso eu chamei dez alunos de Torá para ficarem lá. Tomei o pulso da mão direita da menina e meditei no versículo "Nomeia sobre eles um homem tão perverso quanto sua iniquidade, e o Satã se poste à sua destra," como está escrito por mim detalhadamente e também nas meditações conhecidas por mim, para corrigir a Néfesh e o Rúach dele. Depois disso, ele mexeu os lábios [da menina] e falou conosco, primeiro em voz alta "Ao mestre do canto, um salmo de David. Que Adonai te responda no dia da tua atribulação".
E também o salmo: "Quem habita na Morada do Altissimo" e o Ana BeCôach inteiro.
Eu meditei no Nome: " " [Crá Satan] [Esse Nome é um acrônimo das letras da segunda frase da prece — Ana BeCôach, e significa 'rasgar' ou 'anular' a influência do Satã.] e em seguida o salmo 4: "Responde-me quando clamo, ó Elohim que me fazes justiça, etc.".
Depois eu fiz esta reza: Em nome do El único, Tú és grande e grande é o Teu nome com Julgamento.
Por favor, Adonai, honrado e temido, grandioso, maravilhoso e santificado, exaltado e abençoado, que examina e investiga, justo e eminente, oculto e velado, envolvido pelos 72 Nomes, o Alef — , único, o imaculado e puro, que ouve os clamores, que aceita as rezas, que responde na [hora de] angústia; abre Teus ouvidos para minha reza, para meu rogo e para meu pedido que oro perante Ti.
Eu Lhe peço que me ouças do Céu, da Tua Morada Celeste, e que recebas com misericórdia e boa vontade este espírito que se encontra diante de nós, e que está encarnado nesta menina, chamada fulana filha de fulano, e cujo nome é fulano filho de fulano.
Aceita nossa reza, que nós oramos por ele, para retificar a Néfesh e o Rúach dele e tirá-lo desta encarnação.
Faze com que ele entre, depois, no local de julgamento do Guehinóm, e protege a Néfesh dele da funda [onde a Néfesh fica rodando costantemente sem descanso, como numa funda] dominada pelos malignos, e da agonia na qual ele está; e que esta encarnação e esta vergonha que ele tinha passado sejam consideradas uma exoneração de todos os seus pecados, transgressões e iniquidades; e que possam nossas palavras serem palavras de advocacia perante Ti em prol desta Néfesh e deste Rúach. Que Tu revela Tua clemência dos Teus Atributos sobre ele, ao recitarmos perante Ti os 13 atributos de Misericórdia: 'El, Rei que se senta num Trono de Misericórdia, etc.'
E no momento em que dizemos os 13 atributos: Adonai, Adonai, El misericordioso e piedoso, tocamos o Shofar, como é costume em Selichót [reza de súplicas e confissões].
Depois eu recitei os 13 atributos de Miqueias, o profeta [7:18], "Quem é um El como Tu, etc.".
Depois eu falei o versículo [salmo 65:4]: "Quando os nossos pecados pesavam sobre nós, etc.", e o versículo [idem 5]: "Como são felizes aqueles que escolhes, etc.", e o versículo [Êxodo 11:8]: "E todos os seus servos conselheiros virão a mim, etc." três vezes.
Depois eu falei "Sai, sai, sai".
Fiz as meditações referentes a este versículo como está escrito por mim. Logo depois de eu terminar dizer a palavra "Sai" pela terceira vez, a perna esquerda da menina se ergueu bem alto na frente de todo mundo, e ele saiu pelo dedinho do pé, e ele gritou bem alto, dizendo: "Que a paz esteja convosco" três vezes.
Eu respondi: "Vá em paz" três vezes.
Imediatamente, a menina se sentou, abriu os olhos e me fitou. Ela ficou com vergonha de mim e disse: "O que todas estas pessoas estão fazendo?"
Ela não tinha nem ideia de tudo que tínhamos feito. Ela beijou a minha mão, comeu e bebeu.
Isso foi feito por mim numa quinta feira, dia 26 de Tamuz do ano de 5426 a partir da formação, aqui no Egito. [Esse dia caiu 29 de julho de 1666 - (isso sem levar em consideração o ajuste de 10 dias que o papa Gergório 8 introduziu no calendário Gregoriano a partir do ano 1582)].
Eu escrevi tudo isso para ficar na memória dos que nos sucederão, para que saibam que há Elohim em Israel.
Assinado: o jovem Shemuel Vital.
Por: Chaim Vital e Joseph Saltoun
Você terminou Portal das Reencarnações
Isaac Luria