Portal das Reencarnações
Portal das Reencarnações – Parte 23
Introdução 23
[Nesta introdução o Ari explica uma questão muito particular, que se refere às pessoas que são espancadas por anjos dentro de seus túmulos. [Em hebraico, Chibut Hakêver: ser espancado dentro do túmulo.] A intensidade deste espancamento depende do nível de maldade das pessoas, uma vez que a intenção é separar a alma das camadas de Klipot que podem ter se agarrado a elas.
Assim, quanto mais perversa a pessoa foi em vida, mais duro é o espancamento.
Os justos mal precisam ser espancados, porque eles dedicam suas vidas a estudar Torá e cumprir Mitsvot que os ajuda a remover a Klipá de sua alma, enquanto ainda estão vivos.
Mais um assunto explicado é a importância do nome das pessoas: a Klipá tem um nome que se relaciona com o nome particular de cada pessoa. O nome também descreve o pecado específico cometido por Adão e se relaciona com a alma de qualquer pessoa individualmente. E também a questão de embora haja justos que não merecem morrer por causa dos seus pecados pessoais, que foram expiados, eles morrem por causa da Serpente que contaminou a semente de Adão e Eva. Esta contaminação é muito profunda e só pode ser expiada pela morte.]
Agora trataremos dos castigos e sofrimentos que a pessoa sente no túmulo. Já sabemos o que os Sábios, de abençoada memória, escreveram nos Pirkê do Rabi Eliezer, justamente no artigo chamado de Chibut Hakêver — espancamento no túmulo: Lá está dito que quando uma pessoa morre um anjo vai até o seu túmulo e lhe pergunta qual é o seu nome. A pessoa, então, responde: "O Santíssimo, bendito seja, bem sabe que eu não sei qual é o meu nome".
E sem dúvida temos que investigar isso, pois que necessidade há de o anjo fazer essa pergunta?
E também por que a pessoa esquece o próprio nome? E o que isso tem a ver com o seu castigo?
Saiba que todas as almas estavam incluídas no corpo de Adão antes que ele pecasse, como já explicamos algumas vezes.
Quando ele pecou, os seus órgãos caíram dele, sendo que estes órgãos representam as próprias almas que estavam inclusas nele, e que caíram no fundo das Klipot.
Em Adão propriamente dito só ficou o equivalente a cem cúbitos [de altura] de almas, como já foi explicado no devido lugar. Portanto nem todas as almas são iguais, pois elas não têm o mesmo tipo de mácula.
Os órgãos que estavam mais envolvidos com o pecado [literalmente: que estavam segurando mais firmemente no pecado] cometido por Adão caíram com mais profundidade nas Klipot do que os outros órgãos que estavam mais distantes dessa mácula.
Certamente, nem todas as almas são iguais.
Basta ver que há almas que se unem ao mal e perseguem mais o pecado e gostam dele mais do que outras.
E o que se vê, então, é que dependendo da gravidade da mácula da alma, varia a profundidade da queda dela no fundo das Klipot. É sabido que ‘Elohim fez tudo um oposto ao outro', tudo em paralelo, e, portanto, do mesmo modo que há um Adão da Santidade, há também um Adão das Klipot [Adam Blial].
Ele também possui 248 órgãos e 365 tendões.
O órgão que pecou em Adão caiu no mesmo nível de órgãos no Adão das Klipot.
Sendo assim, as almas saíram de um dado órgão de Adão e se revestiram dentro das Klipot no mesmo órgão em que estavam, de modo que a Klipá ficou servindo como uma vestimenta para o mesmo nível que aquela alma tinha antes, "porque todos Seus caminhos são justiça." Isso significa que cada alma caiu de acordo com seu nível em um órgão do Adão das Klipot, e esse órgão é o oposto do órgão em que ela estava. E, portanto, todas as almas que caíram de Adão estavam vestidas com roupagens de santidade antes que ele pecasse. [Estas roupagens são espirituais, e podem ser entendidas como camadas de energia espiritual que cobrem a alma.]
E depois que caíram nas Klipot, ficaram despidas de suas vestimentas de beleza e esplendor para vestir trapos de sombra, que são as Klipot. [Então, estes trapos podem ser percebidos como camadas de energia escura que bloqueiam a Luz do Criador para entrar na pessoa e nutrir a alma; esta Luz sendo a fonte de abundância e de bem-estar. A partir disso podemos entender a causa raiz para a depressão e para a depressão crônica, quando uma pessoa pode ser tomada pelas forças das trevas das Klipot.
Isso pode acontecer se uma pessoa resiste a corrigir a sua parte do pecado que se relaciona com o pecado de Adão.]
E o que decorre daí é que não há uma alma sequer que não possua um grau de Klipá correspondente a ela, e que se torna como uma roupagem para ela.
Tudo ocorre de acordo com o nível e grau do pecado e conforme o local em que a alma estava inserida em Adão quando pecou, conforme mencionamos.
E a Klipá correspondente sempre reveste a alma e fica em torno dela todos os dias de sua vida, pois a alma é santa e espiritual mas fica revestida por aquela Klipá contaminada.
E esse é o segredo do versículo "Foram vossas iniquidades que vos separaram."
A Klipá que é criada por causa do pecado fica revestindo a alma e separando-a do Santíssimo, bendito seja, da onde ela foi tirada. E a Luz que flui para ela do Santíssimo, bendito seja, não chega mais a ela, por causa da Klipá que a está rodeando.
E isso foi aludido no que disseram nossos Sábios, de abençoada memória, quando falaram que a serpente se relacionou com Eva e instilou nela a sua impureza.
E o mesmo vale para o homem e sua semente até os dias do Messias. E, sendo assim, não há ser humano que escape da serpente, pois todos já estavam inclusos em Adão quando ele pecou.
E isso é o que há de igual em todas as almas, todas elas morreram por causa da serpente, já que em todas as almas se alojou a impureza mencionada.
No entanto, por outro lado, nem todas as almas são de fato iguais, e há diferenças entre elas, como foi ensinado, pois cada alma foi maculada conforme seu grau, nível e proximidade do pecado que Adão cometeu. E saiba que todos os pecados e todas as violações que o ser humano comete por sua conta própria, além daquilo cometido por Adão, certamente atraem para si a Klipá e a impureza da serpente, conforme a extensão do seu pecado.
Mas por meio do arrependimento a pessoa consegue tirar de si a impureza que se uniu a ela por conta de seu pecado, mesmo que se trate de pecados enormes.
Mas, a impureza da Klipá que se aderiu a todas as almas quando Adão pecou não pode ser eliminada pelo arrependimento, e a pessoa tem que morrer.
E depois aquela mácula [criada por Adão] é corrigida pela morte. Apesar de o Santíssimo, bendito seja, ter aceitado o arrependimento de Adão e ter expiado os seus pecados, mesmo assim a impureza da Klipá que se aderiu a ele quando ele pecou não foi retirada e nem se separou dele enquanto ele não morreu.
E isso aconteceu porque o pecado de Adão era sobremaneira grande, por motivos que não nos cabe explicar agora.
E esse é o segredo daqueles que morreram somente por causa da serpente: Benjamin, Ishai, Calev, Levi e Josué, filho de Nun. Este último não estava envolvido no pecado do bezerro de ouro, como mencionado no Zôhar, Porção Semanal de Tissá. Isso quer dizer que todos eles, apesar de não terem nenhum pecado, tiveram que morrer, porque a impureza das Klipot se aderiu a eles por causa do pecado de Adão e não poderia se separar deles sem que eles morressem.
Esse é o segredo do que falaram os nossos Sábios a respeito destas pessoas que morreram por causa da serpente, ou seja, por causa da contaminação que a serpente instilou em Adão e Eva. [Isto significa que, embora eles fossem justos e não morreram por causa de seus próprios pecados, ainda assim, no entanto, eles morreram por causa da contaminação da serpente que contaminou toda a humanidade. Isso nos ensina o quanto é importante que toda a humanidade corrija o pecado original.]
E é preciso explicar por que a morte faz com que a Klipá se separe do homem.
Saiba que a Santidade é chamada de vida, como está escrito "Vê que pus diante de ti hoje a vida e o bem," e também "E vós, que vos ligastes a Adonai, vosso Elohim, estais todos vivos hoje."
Isso ocorre porque o Santíssimo, bendito seja, dá Luz e Sustento para todas as Suas criaturas.
Mas a Sitrá Achará [literalmente: o Outro Lado, referindo-se ao lado das Forças das Trevas], que afasta a abundância e a vitalidade das criaturas, é chamado de Morte, como está escrito "a morte e o mal". Por isso a pessoa que peca atrai para si a Sitra Achra, que é chamada de ‘morte'.
Por isso essa Klipá não se separa da pessoa antes que ela morra. É quando ela é enterrada e sua carne é consumida pela terra que a Klipá que estava colada nela por causa da impureza da serpente, instilada em Eva e Adão, se separa dela.
[É interessante notar que o homem, tendo que morrer, é purificado da contaminação da Serpente.
Neste caso, é a própria morte que o purifica da contaminação da Serpente que fica no seu corpo.
Do ponto de vista da alma, e, em tal caso, a morte é um evento libertador que a ajuda a se separar da corrupção energética que reside no interior do corpo.]
É com isso que entenderemos o assunto do "Espancamento no Túmulo", que é assim:
Depois da morte do homem e depois de ser enterrado na terra, no mesmo momento e imediatamente, aparecem quatro anjos e retiram terra do túmulo, empurrando a pessoa para baixo, sendo que fica um espaço no túmulo igual à altura de quem está enterrado ali dentro. Isso está explicado no capítulo que mencionamos, sobre o "Espancamento do Túmulo".
Depois disso, estes anjos devolvem a sua Néfesh ao corpo, como era em vida.
Isso é feito porque a Klipá ainda está grudada e colada na Néfesh e no corpo e aglutinada neles, sem ter se separado dali. Por isso é preciso que a sua Néfesh volte a se juntar ao corpo. E então os anjos mencionados seguram a pessoa, um de cada lado, e a chacoalham, e batem nela com estacas de fogo, como se faz com um Talit, que é segurado pelas pontas e chacoalhado para tirar a poeira dele. Isso é feito até que a Klipá seja separada completamente. [Talit é um xale usado em cima das roupas durante as orações.] Por isso esse processo é chamado de "Espancamento do Túmulo", que é um processo similar ao de pegar o Talit e sacudi-lo. E é por isso que é preciso aprofundar o tamanho do túmulo, para que haja espaço vazio suficiente para chacoalhá-la e sacudi-la. Mas o julgamento não é o mesmo para todas as pessoas. Os justos, que em vida, se afastavam do Mau Impulso e se subjugavam [ao desejo do Divino] e 'se espancavam' pelo tormento que tinham passado [na vida], além de se engajar na Torá e nos seus Preceitos, o que exaure as forças da pessoa, quando chega então a hora de eles partirem do mundo e receber os 'Espancamentos do Túmulo' — não precisam passar por muita agonia.
No caso deles, uma pequena sacudidela é suficiente para que a Klipá se separe
Isto não é assim no caso dos ímpios, que, pelo contrário, desde o início se engajam nos prazeres deste mundo e prendem e aglutinam mais fortemente ainda a Klipá ao seu corpo e sua Néfesh. E assim entendemos o segredo do por que nenhuma pessoa escapa do "Espancamento do Túmulo", como está dito no capítulo que trata disso. E como explicamos anteriormente, aqueles que morreram apenas por causa da serpente não possuem outro jeito de se separar dela [da Klipá] a não ser com a morte e o "Espancamento do Túmulo". Isto se refere à pessoas além daquelas mencionados nos capítulos do "Espancamento do Túmulo", que ficam isentos disso através de preceitos muito especiais. [Um exemplo desses preceitos é a quarta refeição de Shabat, feita depois da Havdalá. Ela tem a virtude de salvar as pessoas do "Espancamento do Túmulo". E também quem é enterrado na sexta feira depois das onze horas, é isento disso, porque a Luz e a Santidade da Shabat cancelam todos os decretos. Existem ainda outros preceitos, como hospedagem, dar caridade, orar com plena intenção do coração, etc. ] Mas todos os outros seres humanos precisam passar pelo "Espancamento do Túmulo" e o que varia é o tempo necessário para eliminar totalmente a Klipá de cada um.
O que se passa é que cada um sofre de acordo com seu castigo, conforme o nível de Klipá e o grau de adesão a ela.
Até aqueles que ficam isentos do "Espancamento do Túmulo" através dos preceitos virtuosos, que separam a Klipá de si sem agonia depois da sua morte, precisam morrer, mesmo assim, como foi dito em relação ao assunto dos que 'morreram por causa da serpente'. [Cada um de nós tem seus próprios preceitos para realizar, e eles se relacionam com o próprio pecado específico em relação a Adão. Ao cumprirmos esses preceitos podemos corrigir aquela porção especifica que é ligada à nossa alma e que trouxe a morte ao mundo, a fim de atingir o objetivo de cancelar o decreto da morte.
Enquanto não fizermos aquilo, teremos que passar pela morte e pelo "Espancamento do Túmulo".
Para facilitar a transição da Néfesh do mundo físico para o mundo espiritual, sem que ela precise passar pelo "Espancamento do Túmulo", existem preceitos especiais que podem ajudar nisso, conforme mencionado nos 'Capítulos do Rabi Eliezer'. Eles foram mencionados acima.]
E eu escutei do meu mestre, de abençoada memória, que todo aquele que é enterrado na sexta-feira, antes da entrada da Shabat, na quinta hora do dia e depois da quinta hora, não passa pelo "Espancamento do Túmulo", pois a santidade da Shabat separa dele a Klipá sem a agonia do "Espancamento do Túmulo".
E esse é o segredo do artigo definido extra [a letra hebraica — Hê] ao falar do sexto dia — , lom Hashishi, cujo valor numérico é cinco, porque a partir da quinta hora da sexta-feira a santidade da Shabat já fica brilhando [no mundo].
E com isso fica explicado por que os perversos esquecem os seus nomes, conforme foi mostrado.
Dissemos acima que não existe alma no mundo que não tenha uma vestimenta de Klipá derivada da impureza da serpente, e essa Klipá é o segredo do Mau Impulso, que entra no ser humano assim que ele nasce. Pois por causa do pecado de Adão o Mau Impulso ficou enraizado nele e se grudou a ele.
E aquela Klipá permanece com aquela mesma alma desde o momento em que Adão pecou e dali em diante.
Assim, elas, a alma e a Klipá, se tomam quase como uma massa só, a farinha e o farelo misturados juntos, totalmente aglutinados. E com isso é fácil entender o segredo de por que o Mau Impulso tem tanta força para conduzir o homem e levá-lo ao caminho ruim; pois ele já vem totalmente integrado no corpo do homem desde o inicio, como foi dito. E com isso também podemos entender que nem todas as Klipot são iguais entre si, pois cada uma delas é uma centelha de uma Néfesh ruim da Sitra Achra.
Cada uma delas é de um órgão específico dos 248 órgãos do Adão de Impureza [hebraico: Adam Blial], como foi explicado anteriormente quando falamos das centelhas de almas de Santidade.
Lá dissemos que cada uma delas é uma centelha de um órgão específico que está no Adão Superior de Santidade [e que passou a ser o seu paralelo de Impureza].
E sabemos que cada uma das almas de Santidade possui um nome específico e conhecido, conforme o órgão da onde ela saiu, e conforme o que os nossos Sábios disseram sobre o versículo "Vinde e percebei as obras do Santíssimo que espalhou desolação na terra." Não se deve ler "desolação" - - Shamot, mas "nomes" - - Shemot. [Ambas as palavras são escritas igual em hebraico, com exceção das vogais. "Desolação" se diz "Shamot" e "Nomes" se diz "Shemot".] Assim, cada uma das centelhas da Klipá tem um nome conhecido e específico a ela.
E o Mau Impulso que há em uma pessoa não é como o Mau Impulso de outra pessoa.
Quando um ser humano nasce e os pais lhe dão um nome de acordo com o que desejam e idealizam, isso não ocorre por acaso e nem por acidente, pois é o Santíssimo, bendito seja, quem coloca na boca dos pais o nome que deve ser dado àquela alma.
Isso é o que significa "espalhou nomes na terra," tudo conforme o local do órgão que estava em Adão Superior e de onde a alma saiu. E esse nome fica registrado nas Alturas, no Trono de Glória, como é sabido. Por isso os Sábios disseram que o "nome determina (o destino da pessoa)." Também é por isso que o Rabi Iehoshúa ben Carchá e o Rabi Meir costumavam investigar os nomes dos outros.
E como Elohim fez tudo um ao oposto do outro, assim como há um nome determinado para a alma do lado da Santidade existente no homem, que é o nome dado pelo pai e pela mãe no momento do momento da circuncisão [hebraico: Brit Milá], desse mesmo modo há um nome determinado para a Klipá, ou seja, o Mau Impulso que entra no ser humano no dia do seu nascimento.
E, portanto, podemos dizer que todo ser humano possui dois nomes, um de Santidade e outro da Klipá.
E se o homem, durante a sua vida e sua existência nesse mundo conseguisse descobrir e saber qual é o nome daquela Klipá que está dentro dele, se isso fosse possível, ele conseguiria explorar e saber de onde ela saiu e em que nível do Adão de Impureza ela se encontra. E, dessa maneira, ele saberia em que local está sua mácula e poderia achar qual é o seu ponto de correção e poderia corrigir tudo isso facilmente. E se isso ocorresse, a Klipá se separaria dele ainda vivo, e não seria preciso se separar dele por meio do "Espancamento do Túmulo". Todo esse processo é necessário para a nossa alma, para que ela saiba o nome específico da Klipá que foi criada por ela quando ela cometeu aquele pecado específico.
Aliás, sabemos pelos sábios da Cabala de uma meditação em cima de um versículo que nos ajuda a identificar o nome da Klipá específica que foi criada por nossa alma quando ela se uniu a Adão. Então, para cancelar o julgamento do espancamento do corpo dentro do túmulo, recomenda-se encontrar um versículo do Livro dos Salmos ou da Tora que começa com a primeira letra do nome da pessoa e que termina com a última.
A pessoa deve recitar este versículo no final da oração de Amidá, meditando em cancelar o julgamento que recaiu sobre sua alma. Nesse versículo o bem e o mal da alma são realmente unidos. Através das combinações das letras e das palavras especificamente preparadas pelo Rei David para esse motivo, pode-se separar as duas coisas.
E, portanto, quando um justo falece, não se pergunta o nome da Sitra Achra dele, pois como eles já assumiram em vida o incômodo e o esforço para afastar de si essa Klipá, no momento do "Espancamento do Túmulo" a Klipá se separa completamente deles com máxima facilidade. Mas o perverso, que do início causa um forte laço entre a Klipá e si mesmo, precisa de muitos golpes e castigos severos para separá-la dele no "Espancamento do Túmulo".
E se ele soubesse o nome dele que vem da Sitra Achra ele poderia consertar o que é preciso com facilidade ainda vivo. Mas como isso não acontece, batem nele por não saber o nome da Sitra Achra e não ter sondado o necessário para que o soubesse durante a sua vida, pois não quiseram pensar e se esforçar em seus atos [e em fazer o bem], como os justos o fazem.
Shmuel disse: eu encontrei outra Introdução que fala sobre o assunto do "Espancamento do Túmulo" de uma maneira muito boa. Apesar de termos visto acima do que se trata, vou reproduzir o que se diz. Eis ela:
Já foi dito que quando Adão pecou, ele causou uma mistura do bem e do mal em todas as almas que existem.
Isso está conforme o que explicamos no assunto de Cáin e Hével. E esse é o segredo do versículo "E o homem (Adão) deu nomes." Do mesmo modo que ele deu nome às almas de Santidade, também as nomeou do lado das Klipot.
Ocorreu assim, porque quando Adão pecou na Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, fez com que a alma de Santidade do homem também passasse a existir no nível [em paralelo] da Klipá. E já te informei que no mundo de Assiá o mal prevalece sobre o bem, mesmo sendo misturados.
E em Ietsirá, são iguais e misturados.
E em Beriá o bem prevalece sobre o mal e não são mais misturados mais. [Essencialmente, o mal não existe nesses mundos. Foi apenas depois do pecado de Adão que o mal apareceu e se misturou ao bem]. Há pessoas que possuem a Néfesh de Malchut de Assiá da Klipá, e há aqueles que possuem NaRaN [ ”]das Klipot. Aquele que ainda não se tornou tão mal, pois ainda não recebeu uma Neshamá das Klipot, consegue empreender uma correção simplesmente pelo seu arrependimento e assim consegue fazer os reparos necessários em sua alma.
Quando estas pessoas reencarnam nesse mundo e recebem seus castigos, se assemelham a Jeroboão, filho de Nevat e similares, que "não tinham parte no mundo vindouro."
Ou seja, em vez de suas almas subirem acima do seu nível pelas Águas Femininas pelo Acasalamento Superior de Aba e Ima, chamado de Mundo Vindouro, elas subirão apenas pelo nível das Águas Femininas pelo Acasalamento de Zeir Anpin e Nucvá.
Mas aquele que já possui NaRaN [”]das Klipot precisa que seus ossos apodreçam e sua carne seja consumida.
Esse é o segredo de Rute e Orpá, sendo que esta última "retornou a seu povo e seu Elohim."
E também é esse o segredo do versículo "Os tolos cruzam as mãos em indolência e devoram sua própria carne."
"Sua própria carne" refere-se ao seu Rúach - acabam se devorando. Por isso precisa-se do "Espancamento do Túmulo", para que aquela Néfesh [do lado da Klipá] seja separada dele. [Se não, a pessoa pode contaminar até o seu Rúach]. E até na Terra de Israel existe um pouco de "Espancamento do Túmulo", pois os que nascem em Israel vêm naturalmente separados da Klipá. Mas claro que tudo depende também dos atos do homem; se são para o bem ou para o mal.
E todo aquele que tem ciúmes em relação aos assuntos ligados às palavras divinas [refere-se aos Estudos Sagrados da Torá] - sobre ele os nossos Sábios, de boa memória, disseram: "Um homem não sente ciúme da sua esposa a não ser que tenha entrado nele um Espírito Puro." Mas quem tem ciúmes por causa de coisas mundanas, tem ciúmes vindos das Forças Externas [hebraico: Chitsonim - Forças Negras]. Por esse motivo, seus ossos apodrecem.
Sabemos disso do que foi dito no tratado de Shabat, pelo Rabi Achai bar Ioshia, sobre o versículo "a inveja, porém, faz apodrecer os ossos." Ou seja, aquele que inveja coisas deste mundo faz com que os seus ossos apodreçam e "Como uma roupa usada, envelhecerão todos; a traça (hebraico: ” - Ash) os comerá." E o segredo do assunto é como eu tinha te informado que existem 370 ( ”) Luzes no lado da Santidade, o que em hebraico se diz "Shá", usando as mesmas letras para escrever "traça" (Ash). E quando se tornam ” = 378 Luzes, elas adquirem o mesmo valor numérico de ”, Chasmal que significa "Raio, ou força elétrica" e de ”, malbush, "Vestimenta". [Ambos aludem a um escudo de energia em volta do corpo e da alma]. Elas são um tipo de roupa e veste que circunda os quatro mundos de ABIA. Assim as forças externas não possuem influência sobre essas luzes. E é sabido que as quatro vestimentas revestem os quatro mundos de ABIA [ ”], sendo que uma é mais grossa do que a outra. E a de Assiá é a mais grossa de todas elas, já que é basicamente a este local que as Klipot se grudam, então ela precisa ser a mais grossa de todas. E do mesmo jeito que há 370 Luzes na Santidade, há também este número nas Forças Externas, só que ali elas são chamadas pelo seu nome ao contrário, ou seja, ” o que forma o nome Ash (uma traça). Esse é o segredo do versículo "Pois a traça os comerá como se fossem uma roupa."
Esta traça que os come é a mesma que consome os ossos do morto e faz com que apodreçam.
Mas há vermes [ ” — Tola ou ” — Tola'at] na Santidade, segundo o segredo de "E fizeram sobre as orlas do manto romãs de tecido azul-celeste, púrpura, carmesim e linho torcido;"[literalmente: verme vermelho] [Essa tinta vermelha usada no linho trançado foi tirada de um verme específico.] e também como aquele de "Não temas como um verme, ó Iaacov."
[O verme é uma metáfora para o poder da boca, uma vez que o principal órgão usado pelo verme é a boca.]
E isso é ligado ao Nome Sagrado — - [Letras inicias da primeira frase da oração —Ana Becoach, etc] que tem o mesmo valor numérico de - ” — Tola, "verme", e que também é o segredo da [Sefirá] de Chéssed dos sete nomes derivados do Nome Sagrado de 42 letras. E isso também alude ao Cohen, sacerdote, [já que o sacerdote é a carruagem da Sefirá de Chéssed], de quem se diz "E este será o direito dos sacerdotes sobre o povo: Os que oferecerem sacrifício, seja boi ou cordeiro, darão ao sacerdote a espádua, as queixadas junto com a língua e o bucho." A palavra "darão" — [em hebraico — ” venatan] pela numerologia resulta no nome mencionado, que também é o mesmo valor numérico cabalístico de "Touro" — ” - Shor, sobre o qual se faz alusão quando se fala do touro preto nos dias de Nissan.
Tudo isso é uma referência ao nome de 42, que, neste caso, é uma manifestação severa de Guevurá - Julgamento.
E oposto a isso existem os vermes da Klipá, que comem a carne do morto no túmulo, e a esse respeito se diz: "Os tolos cruzam as mãos em indolência e devoram sua própria carne." ["Cruzam as mãos" - significa que são obstinados e se recusam a mudar, ou se recusam a abrir sua alma para receber a Luz do Criador].
E também há uma referência a eles em "Ainda que sejam como o carmesim [literalmente: como o verme — aludindo-se ao mencionado 'verme vermelho'], tornar-se-ão alvos como a lã”
[A mensagem da passagem acima:
O sistema impuro é julgado com Guevurá (Julgamento Severo), já que ele supera a Chéssed (benevolência e benignidade). Isto é aludido no boi (Guevurá) que aparece em Nissan - o primeiro mês do ano, que se relaciona com Chéssed.
O sistema puro é julgado por Chéssed que supera Guevurá, apresentado pelo verme (Tola - Chéssed) de carmesim (Guevurá). Em ambos os casos os pecados serão purificados, e mesmo que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão puros como a lã branca — isso é o que o Santíssimo promete.]
Mas aqueles que são justos nesse mundo conseguem corrigir tudo que precisam durante sua vida e existência nesse mundo, como o Rav Achai bar Ioshia, que não possuía inveja das coisas mundanas, que é a inveja derivada das Klipot.
Por isso na sua morte nem os vermes conseguiram agir sobre ele e nem as traças das Forças Externas o afetaram.
E quanto ao Rei David, que a paz esteja com ele, ele disse: "regozija-se minha alma, descansa seguro meu corpo [literalmente: minha carne]", pois ele estava incluso naqueles quatro que só morreram por causa da serpente, como nos foi explicado.
Continua