Portal das Reencarnações

Isaac Luria · Capítulo 9 de 35

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Portal das Reencarnações

Portal das Reencarnações – Parte 9

Introdução 9

[Nesta introdução o Ari discorre sobre o seguinte: A obrigação de reencarnar se aplica aos homens e não às mulheres. Mulheres, ou almas femininas, podem reencarnar por livre-arbítrio para ajudar a sua alma-gêmea, ou pode ser que nem seja a alma gêmea do homem.

No entanto, ela reencarna por sua causa.

O Guehinóm, purgatório, não é um castigo.

É um lugar de purificação.

O estudo da Torá isenta as almas masculinas de entrar no Guehinóm. Almas masculinas podem reencarnar em corpos femininos e vice-versa. Isso explica o caso de homossexuais masculinos e femininos.]

Esta introdução tem a ver com uma das quatrocentas perguntas que Doeg e Achitofel fizeram sobre a Torre flutuando no ar. [No Talmud, este conceito tomou-se um símbolo de perguntas ligadas a temas provocativos que podem estar fora de contexto ou que não tem uma "base factível".

Doeg e Achitofel eram gênios em seus estudos bíblicos, mas nem sempre eles usavam sua sabedoria de forma ética, especialmente quando eles tentaram provar que a descendência do Rei David tinha sido "contaminada" por uma semente estranha e impura, referindo-se a Rute, a Moabita.]

Saiba que as reencarnações, na verdade, se aplicam somente aos homens e não às mulheres.

Esse é o significado secreto do versículo "Vai-se uma geração e vem outra, perdura somente a terra."

"Vai-se uma geração e vem uma outra" refere-se aos homens, que reencarnam.

No entanto, as mulheres são chamadas de "terra"; sendo que elas perduram.

Isto é, elas não voltam por meio da encarnação. A razão para isso é que os homens cumprem o preceito do estudo da Torá e, por conta disso, eles não podem entrar no Guehinóm, já que o fogo do Guehinóm não os afeta é dito sobre Elishá, filho de Abuiá. Ele não foi julgado no Guehinóm porque tinha aprendido Torá, mas também não lhe deram o Mundo Vindouro, pois ele tinha pecado. Assim, os homens precisam reencarnar para apagar os seus pecados, em vez de ir ao Guehinóm.

As mulheres, por outro lado, que não têm obrigação de se envolver com o estudo da Torá, podem ir ao Guehinóm para apagar seus pecados, e, portanto, não precisam reencarnar.

[Qual foi o pecado de Elishá ben Abuia?

Alguns dizem que ele viu a língua [do corpo mutilado] do justo Chutspit sendo arrastada na rua pelos porcos.

Ele lamentou e chorou: "A boca que proferiu pérolas da Torá agora lambe o pó da terra."

Depois disso, ele rejeitou a observância da Torá e se tomou um pecador - Tratado de Kidushin 39b.

Ele foi um dos rabinos que entrou no Pardês (Pomar), mas tornou-se um herege - Beraita do Tratado de Chaguigá 14b.]

Apesar de as mulheres não precisarem reencarnar, às vezes elas podem vir por meio do Ibur em uma mulher, junto com centelhas novas de almas femininas.

Saiba também que existe ainda outra possibilidade quando elas vêm por meio do Ibur em outra mulher.

Se essa mulher conceber, engravidar e der à luz uma menina, então a alma feminina que veio como Ibur pode reencarnar agora como uma encarnação de fato na filha que acaba de nascer.

[Aqui o Ari está antecipando um caso que deve ser explicado posteriormente.]

Saiba também, que às vezes um homem pode reencarnar no corpo de uma mulher por causa de um pecado, como o fato de ter relações homossexuais ou algo similar.

Essa mulher que é uma encarnação de alma de um homem não será capaz de conceber e de engravidar, porque ela não tem a capacidade de elevar as Águas Femininas para receber a gota das Águas Masculinas. Essa mulher, então, precisará de muito mérito para poder engravidar e dar à luz.

O único modo de fazer isto é se uma alma feminina entrar nessa mulher pelo segredo do Ibur.

E com a força da união dessa alma com ela, ela vai conseguir elevar as Águas Femininas, conceber e dar à luz.

No entanto, ela não conseguirá dar à luz a filhos homens, por dois motivos: o primeiro é que existe um versículo que diz: "A mulher, quando emitir sementes e der à luz um homem."

Porém, neste caso, a mulher está funcionando como se fosse um homem, como se fosse seu marido, então ela não poderá dar à luz meninos, mas somente meninas.

O segundo motivo é que a alma feminina que entrou nela só o fez por meio do Ibur, para ajudá-la a engravidar e dar à luz. Uma vez que esta mulher der à luz, essa alma não precisa mais ficar ali, pois não há mais motivo para isso.

No momento em que ela der à luz, aquela alma feminina do Ibur entra no feto como uma encarnação de fato, e não como Ibur, como ocorreu antes. É por isso que a criança que vai nascer será menina e não menino. Em resumo, qualquer mulher que tenha uma alma masculina, como explicado anteriormente, não poderá dar à luz meninos, mas apenas meninas.

A menina que nascer desta mulher terá a mesma alma feminina que originalmente entrou na mulher por Ibur para ajudá-la. No entanto, se houver um grande mérito, às vezes pode ser possível que no momento do nascimento da criança a alma feminina que estava ali pelo segredo do Ibur vá embora e siga seu caminho e que uma alma masculina entre no feto e a criança seja um menino.

Se isso ocorrer, depois será impossível a esta mulher dar à luz de novo, a não ser que a mesma alma feminina volte como Ibur na mulher, como ocorreu de início.

Portanto, se a primeira criança que nasceu foi uma menina, essa menina terá que morrer [ela morre, porque ela é a mesma alma que tem que voltar por Ibur na mãe mais uma vez] e talvez a alma feminina consiga voltar como Ibur na mulher, como foi no início.

Ela então conceberá, engravidará e dará à luz a uma filha cuja alma será a alma feminina que estava ali como Ibur.

Essa sequência, de Ibur e de reencarnações, pode ocorrer diversas vezes. Essa é a lei que se aplica neste caso sempre.

No entanto, se a mulher deu à luz um menino, esta criança não precisa morrer, porque a alma feminina que estava como Ibur na mãe se foi no momento do nascimento, como mencionado anteriormente. Em seguida, essa alma feminina deve voltar uma segunda vez como Ibur na mulher para que ela possa conceber e dar à luz uma menina. Isso também exige grande mérito!

Às vezes também é possível que, apesar de a primeira criança a nascer ser uma menina, ela não precise morrer, pois é possível que uma alma feminina diferente entre no corpo da mulher como Ibur, e ela conceberá e dará à luz uma menina.

E essa alma [feminina] reencarnará no corpo dela [da menina] como se fosse uma encarnação de fato.

É possível que esses elementos sejam intercambiados desse modo gravidez após gravidez, sempre que esta mulher conceber. No entanto, este fenômeno também requer grande mérito e um poderoso milagre.

Isso se dá por causa de uma lição fundamental que nós sabemos no que diz respeito ao segredo do Ibur.

Nenhuma alma entra no corpo de um homem ou de uma mulher pelo segredo do Ibur durante sua vida a não ser que haja uma grande afinidade entre ambos.

Assim, essa mulher que tem uma raiz de alma masculina precisa de um Ibur de uma alma feminina.

Essa alma feminina deve conter todas as qualidades que são necessárias para este Ibur.

Além disso, ela deve ter uma afinidade ou similaridade com a mulher. Consequentemente, isso exige um grande mérito e ainda mais se for preciso que ela venha como Ibur várias vezes, como foi explicado. E é um milagre ainda maior encontrar várias almas femininas com as condições ideais para que possam vir como Ibur, cada uma separadamente e no mesmo período [de vida da pessoa]. Isso precisa, de fato, de muitos méritos e grandes milagres!

Continua