Vetores da doença de Chagas no Brasil

Cleber Galvão · Capítulo 39 de 65

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Vetores da doença de Chagas no Brasil

11. Ecologia dos vetores

 

(Carlos Eduardo Almeida, Marli Maria Lima & Jane Costa)

 

Na ansiedade do irrealizado

A angústia da frustração.

Na espera do porvir

O não chegar à solução.

Na decadência física a vir

O sentido último da vida

Da realização, a vaidade

Da mediocridade ambiente, a resistência

Do ideal que se foi, a persistência

Da pureza juvenil, a saudade”

(Oswaldo Paulo Forattini, 1979)1

 

O termo ecologia foi proposto pela primeira vez por Haeckel (1869,

apud Acot 1990), como a ciência que estuda os ecossistemas e a

interação entre as diferentes espécies de seres vivos, e destes com

fatores abióticos (não vivos, como elementos minerais e climáticos).

Esta ciência apresenta diversos ramos, como ecologia vegetal,

ecologia animal, ecologia da conservação, agroecologia, entre

outros. Já a epidemiologia aborda o estudo da determinação causal

das doenças para o ser humano. Ambas as ciências demandam

uma interação transdisciplinar, apresentando um relativo grau de

dependência de outras áreas de estudo, como por exemplo, da

geologia, zoologia, botânica, genética, etc. (MacMahon & Pugh

1975). Surge então, a eco-epidemiologia, que integra as duas

ciências (Susser & Susser 1996).

 

A ecologia dos vetores da doença de Chagas será apresentada

neste capítulo sob um âmbito eco-epidemiológico. Como alguns

termos e conceitos utilizados na ecologia dos vetores são pouco

usuais na ecologia geral, o seu uso adequado, a sua origem e a aplicabilidade neste campo de estudo também serão aqui discutidos