Vetores da doença de Chagas no Brasil

Cleber Galvão · Capítulo 44 de 65

Páginas do PDF

Vetores da doença de Chagas no Brasil

Fauna associada

O ambiente ruderal difere do ambiente silvestre stricto senso

principalmente porque neste último ocorre uma grande variedade de

animais silvestres. Ressalta-se que alguns animais reconhecidos

como tais por alguns autores, como o gambá (Didelphis spp.),

tratam-se na verdade de animais sinantrópicos e importantes

reservatórios naturais de T. cruzi (Ruiz-Piña & Cruz-Reyes 2002).

 

Fauna associada

 

A coabitação e utilização de hemolinfa de barata (Blaptica dubia)

como fonte alimentar de triatomíneos que ocorrem em pedregais no

Rio Grande do Sul (T. rubrovaria e T. circummaculata) foi

demonstrada por Lorosa et al. (2000) em laboratório. Em seguida,

Almeida et al. (2002, 2009b) mencionam que uma terceira espécie

de triatomíneo pode ocupar esse mesmo ambiente (T. carcavalloi),

junto com esta mesma espécie de barata. A estreita afinidade

filogenética entre os triatomíneos acima citados (Almeida et al.

2009b) pode indicar que T. carcavalloi também se alimente desta

barata.

 

Sob o ponto de vista eco-epidemiológico, a fauna de vertebrados

(especialmente mamíferos, veja capítulo 7) que coabita com os

triatomíneos e os predadores apresentam interesse particular.

Salvatella & Rodrigues (1983) sugeriram que um reduvídeo (Zelurus

femoralis) possa atuar como predador natural de triatomíneos no

Rio Grande do Sul. De acordo com Costa Lima (1928), Pellegrino

(1950), Rabinovich (1970) e Fernandes et al. (1990) os triatomíneos

podem apresentar seus ovos atacados por um himenóptero

(Telenomus fariai) no habitat natural (P. megistus, T. infestans e M.

phyllosomus) e sob condições de laboratório (P. megistus e T.

viticeps). Ninfas e adultos de T. brasiliensis (e possivelmente de

outras espécies de triatomíneos) podem apresentar Megaselia

scalaris (Diptera, Phoridae) como parasitoide (Costa et al. 2007).

 

Almeida et al. (2009a) listaram 20 morfoespécies de aracnídeos

como possíveis predadores de triatomíneos em Gentio do Ouro,

Bahia, destacando que aranhas do gênero Isoctenus (Ctenidae) podem atuar no controle natural de populações domiciliares de T.