Vetores da doença de Chagas no Brasil

Cleber Galvão · Capítulo 31 de 65 · parte 1/4

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Vetores da doença de Chagas no Brasil

8. Vetores conhecidos no Brasil

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.

 

(Cleber Galvão & Rodrigo Gurgel-Gonçalves)

“A área de disseminação parece cobrir todo o paiz, possuindo o Instituto exemplares provindos dos confins da Guiana Ingleza, de Minas, S. Paulo, Mato Grosso e Goiaz e tendo ainda informações, que lhe denunciam a prezença nos estados de Sergipe, Piauí e Pernambuco.”

(Arthur Neiva, 1910)1

 

Dos 18 gêneros de barbeiros conhecidos, dez possuem representantes no Brasil e até o momento 65

das 148 espécies conhecidas foram encontradas no território nacional (Figura 8.1). Ao longo do capítulo, ilustrado com fotos coloridas, são apresentadas as características morfológicas gerais, a etimologia, as sinonímias, os principais habitats, a distribuição geográfica (estados de ocorrência, limites da distribuição conhecida e distribuição potencial) e em alguns casos curiosidades sobre cada uma dessas espécies.

 

Figura 8.1: Exemplos de espécies ocorrentes em diferentes regiões, estados ou grupos de estados do

Brasil. A partir do Estado do Pará, no sentido horário: Rhodnius pictipes, Triatoma brasiliensis, T.

vitticeps, T. tibiamaculata, T. rubrovaria, T. sordida, T. baratai, T. guazu, Panstrongylus lignarius e T.

maculata.

 

As descrições completas da maioria das espécies estão incluídas na obra de Lent & Wygodzinsky (1979), entretanto, para as espécies descritas após esse ano é preciso consultar as publicações originais. Informações mais detalhadas sobre habitat e fauna relacionada podem ser obtidas em Carcavallo et al. (1998).

Com exceção de Alberprosenia malheiroi, Belminus laportei, Microtriatoma trinidadensis, Panstrongylus diasi, P. lenti, Parabelminus yurupucu, Rhodnius amazonicus, Tritoma baratai, T. jatai e T. pintodiasi todas as demais espécies já foram encontradas naturalmente infectadas por tripanosomatídeos no Brasil.

O estudo da distribuição geográfica de triatomíneos é fundamental para a compreensão de aspectos epidemiológicos relacionados à transmissão do Trypanosoma cruzi e deve ser considerado para orientar as ações de vigilância e controle da doença de Chagas. Com esse objetivo Silveira et al. (1984) mapearam a distribuição geográfica de 30 espécies de triatomíneos capturados em ambiente domiciliar no Brasil (com exceção de São Paulo e região amazônica), sendo um estudo pioneiro e até hoje usado como referência em análises geográficas por pesquisadores interessados em vigilância da doença de Chagas no Brasil. Entretanto, após 29 anos, novas espécies foram descritas, novos registros de espécies conhecidas foram relatados e estudos em áreas não avaliadas por Silveira et al. (1984) foram realizados, principalmente na região amazônica. Além disso, o padrão de transmissão da doença de Chagas tem mudado após o controle do Triatoma infestans, que foi a principal espécie domiciliada. Nesse cenário, com o aumento da relevância da infecção por via oral e da transmissão extra-domiciliar por triatomíneos nativos, há a necessidade de melhorar, atualizar e refinar a distribuição geográfica dos vetores conhecidos no Brasil.

Neste capítulo foram incluídas as 32 espécies de triatomíneos não analisadas no estudo de Silveira et al. (1984) e utilizados métodos de análise geográfica baseados em variáveis ecológicas, não considerados nos mapas produzidos por Carcavallo et al. (1999). Apresenta-se o mapeamento geográfico das 65 espécies de triatomíneos que ocorrem no Brasil, incluindo limites da distribuição conhecida e a distribuição potencial, que pode ser predita usando a modelagem de nicho ecológico. Essa abordagem tem sido usada nos últimos anos para analisar a distribuição geográfica de triatomíneos e vem produzindo bons resultados (Costa et al. 2002, Gorla 2002, Peterson et al. 2002, López-Cárdenas et al. 2005, Sandoval-Ruiz et al. 2008, Gurgel-Gonçalves & Cuba 2009, Gurgel-Gonçalves & Silva, 2009, Arboleda et al. 2009, Ibarra-Cerdeña et al. 2009, Batista & Gurgel-Gonçalves, 2009).

A modelagem da distribuição geográfica potencial é baseada no conceito de nicho ecológico, um conjunto de condições (bióticas e abióticas) necessárias para a manutenção de populações de uma espécie (Grinnell 1917). Na modelagem de nicho ecológico, são utilizados pontos de ocorrência da espécie obtidos em museus, coleções particulares e registros georreferenciados. A partir dos valores de latitude e longitude de cada ponto de ocorrência é possível acessar as características ecológicas locais (valores de temperatura, precipitação, altitude, cobertura vegetal) e relacionar com as características ecológicas de toda área de estudo, obtidas a partir de bases de dados ambientais disponíveis. A partir da aplicação de algoritmos ou modelos matemáticos há a definição dos limites

ecológicos de distribuição que são usados na produção dos mapas de distribuição potencial (Figura

8.2). Vários métodos podem ser utilizados para predizer a distribuição geográfica potencial de espécies utilizando modelagem de nicho ecológico baseados em pontos de ocorrência e análise de variáveis ambientais. Essa modelagem representa uma aproximação de nicho ecológico da espécie, não considerando barreiras geográficas e interações bióticas como competição e predação (Anderson et al. 2003). Entretanto, a comparação entre a distribuição potencial e a conhecida permite levantar hipóteses sobre fatores históricos, barreiras geográficas e interações que inviabilizam a ocorrência das espécies em áreas com condições ecológicas favoráveis. Esses modelos também possibilitam prever efeitos de variações climáticas em determinadas espécies e, no caso de vetores, permite prever áreas de risco de transmissão de patógenos.

Figura 8.2: Esquema mostrando os elementos básicos da modelagem de nicho ecológico.

 

A maioria dos registros de ocorrência das espécies de triatomíneos no Brasil foi obtida em Lent & Wygodzinsky (1979), Silveira et al. (1984), Carcavallo et al. (1985), Carcavallo et al. (1999). Novos registros foram obtidos em Luitgards-Moura et al. (2005), Leite et al. (2007), Oliveira et al. (2007), Almeida et al. (2008), Massaro et al. (2008), Abad-Franch et al. (2009), Carbajal de la Fuente et al. 2009, Gurgel-Gonçalves & Cuba (2009), Gurgel-Gonçalves & Silva (2009), Pavan (2009) e descrições de espécies após 1999 (Carcavallo & Jurberg 2000, Carcavallo et al. 2001, Papa et al. 2002, Costa et al. 2006, Costa & Felix 2007, Jurberg et al. 2009, 2013, Rosa et al. 2012, Gonçalves et al. 2013). Foram analisados também os registros das coleções Rodolfo Carcavallo e Herman Lent do Laboratório Nacional e Internacional de Referência em Taxonomia de Triatomíneos do Instituto Oswaldo Cruz, FIOCRUZ e informações das Secretarias Estaduais de Saúde, principalmente da Bahia, Pará, Pernambuco, São Paulo e Tocantins. No caso de estudos que descreveram apenas os nomes das localidades, as coordenadas geográficas (longitude e latitude da sede da localidade) foram obtidas

usando a base de dados do IBGE (http://www.ibge.gov.br).

Os mapas de distribuição geográfica potencial foram produzidos usando o algoritmo Maxent (Phillips et al. 2006), que faz previsões ou inferências a partir de informações incompletas. Os modelos foram construídos somente para as espécies com mais de 10 registros de ocorrência. Vinte variáveis foram usadas para construção dos modelos no Maxent, entre elas altitude, valores de temperatura (p. ex: média diurna, máxima, mínima, anual, trimestral) e precipitação (p. ex: media anual, máxima, mínima,

trimestral). Essas variáveis foram obtidas do projeto Worldclim (http://www.worldclim.org/), descritas por Hijmans et al. (2005). Os modelos foram baseados também na distribuição das ecorregiões da América Latina descrita pela WWF-TNC (2001). A base de dados ambientais utilizada nas análises com Maxent cobre todo o território brasileiro apresentando uma resolução espacial de 2,5 minutos (5 x 5 km por pixel). Para a modelagem de nicho ecológico foram usados os parâmetros pré-definidos do software versão 3.2.1.

Nos mapas produzidos, a adequabilidade ambiental para a ocorrência das espécies de triatomíneos foi indicada por uma escala de vermelho. As áreas em vermelho claro representam menores condições ambientais para a ocorrência da espécie enquanto as áreas em vermelho-escuro mostram alta adequabilidade ambiental. As linhas pontilhadas indicam os limites da distribuição geográfica conhecida das espécies. Para as espécies com menos de 10 registros de ocorrência foram mantidos os pontos de ocorrência em vermelho. Em alguns casos de registros muito distantes dos limites de ocorrência conhecidos também foram mantidos os pontos vermelhos no mapa. Abaixo algumas considerações sobre a distribuição geográfica de algumas espécies.

Apesar de R. prolixus já ter sido registrado no Brasil (Silveira et al. 1984, Diotaiuti et al. 1984, Pinho et al. 1998) estudos recentes usando morfometria geométrica, sistemática molecular e biogeografia (Abad-Franch & Monteiro 2007, Gurgel-Gonçalves et al. 2008, Abad-Franch et al. 2009) mostram que essa espécie ocorre somente ao norte da Amazônia e os registros no Brasil podem ter sido erros de identificação, já que R. prolixus é muito similar a R. robustus sendo difícil a distinção. Os registros de R. prolixus feitos pelas Secretarias Estaduais de Saúde da região Centro-Oeste e Nordeste também devem ter sido erros de identificação em relação a R. neglectus e R. nasutus, respectivamente. O único registro de R. prolixus no Rio de Janeiro pode ter sido acidental, já que a espécie nunca mais foi capturada neste estado, muito distante geograficamente da área principal de ocorrência de populações silvestres de R. prolixus na Venezuela. A ausência de R. prolixus no Brasil central tem um significado epidemiológico importante já que esta espécie apresenta grande potencial de domiciliação, sendo muito frequente em casas em sua área de ocorrência, e portanto, responsável pela transmissão vetorial da doença de Chagas em vários países da América Latina (Gurgel-Gonçalves et al. 2008).

Estudos recentes de sistemática molecular têm detectado espécies crípticas em R. robustus (Monteiro et al. 2003), T. brasiliensis (Monteiro et al. 2004) e R. pictipes (Pavan 2009). No complexo T. brasiliensis duas espécies foram descritas (T. juazeirensis e T. melanica) e seus mapas foram incluídos no presente trabalho. No caso dos complexos R. robustus e R. pictipes mantivemos a distribuição conhecida atribuída a cada táxon, sem considerar diferenças geográficas entre as linhagens detectadas.

Algumas espécies de triatomíneos apresentam distribuição geográfica muito ampla no Brasil. Uma das explicações para esse padrão seria a capacidade de dispersão passiva por animais que têm grande potencial de dispersão, como pássaros (p. ex: furnarídeos no caso de P. tertius e R. neglectus), mamíferos voadores (p. ex: morcegos no caso de C. pilosa), e terrestres (gambás e tatus no caso de P. megistus e P. geniculatus). A dispersão pode ser facilitada pelo mecanismo de aderência dos ovos ao substrato (p. ex: penas), já demonstrado para várias espécies, principalmente as da tribo Rhodniini. Outro mecanismo possível seria transporte de ninfas entre as penas. Um das evidências desse tipo de dispersão é a coincidência entre a distribuição de algumas espécies de Rhodnius como R. neglectus e pássaros como Phacellodomus ruber (graveteiro) e Pseudoseisura cristata (casaca de couro) (Gurgel-Gonçalves & Cuba 2009). Em alguns casos a distribuição ampla pode ser atribuída à dispersão passiva pelo transporte marítimo, como no caso de T. rubrofasciata.

A maioria das espécies de triatomíneos no Brasil apresenta distribuição geográfica mais restrita, com poucos registros em determinadas ecorregiões, principalmente na região amazônica, como por exemplo, A. malheiroi e R. amazonicus. Entre os fatores que explicam esse padrão estariam: a) são espécies estritamente silvestres e de difícil detecção e b) a região amazônica ainda não foi bem amostrada em relação à fauna de triatomíneos, apesar de alguns estudos terem sido feitos nos últimos anos (p. ex: Abad-Franch & Monteiro 2007). Em outros casos, os poucos registros de ocorrência são devido ao fato da espécie ter sido descrita recentemente, como no caso de R. milesi, R. montenegrensis, T. baratai, T. jatai, T. klugi, T. pintodiasi e T. vandae.

Analisando os padrões de diversidade observa-se que 42 das 65 espécies registradas (64%) só ocorrem no Brasil. A Bahia é o estado com maior riqueza de espécies (23) seguido do Mato Grosso

(20). Os estados com menor número de espécies registradas são Acre, Amapá e Rondônia (Tabela

8.1). Agrupando as espécies por bioma de ocorrência principal (mais de 50% das ocorrências)

observamos que a maioria das espécies habita os biomas Cerrado e Amazônia (Figura 8.3). A distribuição geográfica de algumas espécies coincide fortemente com a distribuição do bioma, como é o caso de R. neglectus e T. sordida com o Cerrado, R. nasutus e P. lutzi com a Caatinga, R. robustus e R. pictipes com a Amazônia, R. domesticus e T. tibiamaculata com a Mata Atlântica, T. rubrovaria e P. tupynambai com os Pampas e, finalmente, T. baratai e P. guentheri com o Pantanal (ver mapas respectivos ao longo do capítulo). Outras espécies como P. geniculatus e P. megistus ocorreram em mais de 20 estados brasileiros e em pelo menos três biomas, mostrando grande potencial de adaptação a diferentes condições ecológicas. Um dos motivos para a maior riqueza de espécies registrada na Bahia pode ser a variedade de biomas e eco-regiões no estado, incluindo Cerrado, Caatinga e Mata atlântica. Esses padrões de diversidade também indicam os estados nos quais a fauna de triatomíneos precisa ser mais amostrada, principalmente Acre, Amapá e Rondônia.

Tabela 8.1: Distribuição das 65 espécies de triatomíneos conhecidas nas 27 unidades da federação do

Brasil. A última linha indica o total de espécies registradas na unidade da federação e a última coluna

indica o número total.

 

Especies AC AL AM AP BA CE DF ES GO MA MG MS MT PA PB PE PI PR Rl RN RO RR RS SE SP S

Alberprosenia • malheroi

Belminus • laportei

Cavernicola •

lenti

C. pilosa • • • • • • Eratyrus • • • • mucronatus

Microtriatoma • • • • borbai

M. trinidadensis • • Panstrongylus • • • • • • • diasi

P. geniculatus • • • • • • • • • • • • • • • • • • P. guentheri • P. lenti • P. lignarius • • • P. lutzi • • • • • • • • P. megistus • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • P. • • • rufotuberculatus

P. tupynambai • Parabelminus • carioca

P. yurupucu

Psammolestes • • coreodes

P. tertius • • • • • • • • • • • • Rhodnius •

amazonicus

R. brethesi •

R. domesticus • • • • • • R. milesi • R. • montenegrensis

R. nasutus • • • • • • R. neglectus • • • • • • • • • • • R. paraensis • • R. pictipes • • • • • • • • R. robustus • • • • • • • • • R. stali • R. zeledoni • Triatoma • • arthurneivai

T. baratai •

T. brasiliensis • • • • • • • • • • T. carcavalloi • T. • circummaculata

T. costalimai • • • T. deaneorum • • T. delpontei • T. guazu • T. infestans • • T. jatai

T. juazeirensis •

T. jurbergi • T. klugi • T. lenti • • T. maculata • T. • matogrossensis

T. melanica • T. • • • • melanocephala

T. oliveirai • T. petrocchiae • • • T. pintodiasi • T. platensis • T. • • • • • • • • • • • • • pseudomaculata

T. rubrofasciata • • • • • • • • • T. rubrovaria • T. sherlocki •

T. sordida • • • • • • • • • • • T. tibiamaculata • • • • • • • • • T. vandae • • T. vitticeps • • • • T. williami • • • T. wygodzinsky • • Total 2 7 10 3 23 7 7 7 14 14 15 13 20 15 10 12 11 7 8 8 4 4 12 8 11 4

Figura 8.3: Riqueza relativa das espécies de triatomíneos nos biomas brasileiros.

 

1 Alberprosenia malheiroi Serra, Atzingen & Serra, 1987

Etimologia: O nome genérico Alberprosenia é uma homenagem a Alberto F. Prosen, entomólogo Argentino.

Características gerais: Comprimento total dos machos de 7,9 a 8,2 mm, das fêmeas de 8,0 a 8,3 mm. Coloração geral marrom escuro com pilosidade castanho escura. Hemiélitro de coloração mais clara, com mancha amarela em forma de triângulo. Cabeça de comprimento similar à largura na região dos olhos. Região inter-ocular maior que a largura de um olho em vista dorsal. Região anteocular de comprimento quase igual a pós-ocular. Olhos grandes, globosos. Ocelos grandes, bem visíveis. Genas curtas apenas alcançando o bordo do clípeo. Tubérculos anteníferos inseridos imediatamente adiante dos olhos. Proporções entre os artículos antenais =1:2,5:2,7:3.1. Proporções entre os segmentos do rostro =1:1,5:0,5. Pronoto com superfície rugosa, lóbulo posterior com linha mediana longitudinal e duas carenas laterais que alcançam o bordo posterior. Escutelo com comprimento maior que o pronoto e processo escutelar longo. Pernas de coloração castanho-escuro avermelhado, articulação fêmur-tibial mais clara em todas as pernas. Coxas e trocânteres lisos; fêmures com fileiras de dentículos em todas as pernas. Fossetas esponjosas visíveis nas tíbias anteriores e medianas, tarsos mais claros, quase amarelados. Abdômen com o conexivo sem manchas, uniformemente escuro. Para descrição completa veja Carcavallo et al. (1995).

Material tipo: depositado na Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo.

Habitat: Em tronco oco da palmeira “Bacaba” (Oenocarpus bacaba) associado a morcegos (Pteropterix sp.); em tronco seco da palmeira do “Açaí” (Euterpe oleracea); em ninhos de pica-pau (Picidae) (Carcavallo et al. 1995).

Curiosidades: Esses triatomíneos são ágeis e voam com facilidade. Em laboratório alimentaram-se em morcegos, pombos e humanos, mas recusaram alimentação em rato, camundongo e hamster. O desenvolvimento de ovo a adulto em laboratório durou em média de 132 dias (Carcavallo et al. 1995).

Distribuição: Pará.

 

2 Belminus laportei Lent, Jurberg & Carcavallo, 1995

Etimologia: o nome genérico Belminus vem do latim “bel” que significa belo e “minus” que significa pequeno, uma referência a beleza e ao tamanho diminuto desses triatomíneos. O epíteto específico laportei é uma homenagem a Francis de Laporte (1810-1880), naturalista francês que realizou expedições à América do Sul e foi o criador do gênero Triatoma.

 

Características gerais: Comprimento total dos machos de 8,5 a 8,9 mm, das fêmeas de 8,2 a 9,4 mm. Coloração geral negra com áreas claras e alaranjadas em diversas regiões do pronoto, abdômen e pernas. Cabeça rugosa e granulosa, 2,8 vezes mais longa que larga ao nível dos olhos e mais longa do que o pronoto (proporção =1:0,7). Clípeo truncado e reto. Região interocular maior que a largura de um olho em vista dorsal (proporção =1,6:1). Região anteocular mais longa que a pós-ocular (proporção=1:0,35). Ocelos pequenos. Genas distintamente mais longas que o clípeo. Tubérculos anteníferos sem projeções espinhosas laterais. Rostro atingindo o nível do lobo anterior do pronoto (proporções = 1:0,7:0,4). Pronoto com bordos do lobo anterior divergentes, carenas longitudinais não alcançando o bordo posterior do pronoto. Escutelo com processo apical subcilíndrico e alaranjado. Hemiélitros totalmente negros. Pernas com todas as coxas, trocânteres e a maior parte da face ventral dos fêmures de coloração alaranjada. Conexivo com metade de cada segmento alaranjada. Para descrição completa veja Lent et al. (1995). Uma chave dicotômica para identificação de todas as espécies do gênero Belminus foi publicada por Sandoval et al. (2007).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro e no Museu Emílio Goeldi, Pará.

Habitat: Desconhecido.

Curiosidades: Única espécie de Belminus encontrada até hoje no território nacional.

Distribuição: Pará.

 

3 Cavernicola lenti Barrett & Arias, 1985

 

Etimologia: o nome genérico Cavernicola vem do latim “cavern”. Cavernícola significa aquele que vive em cavernas ou apresenta hábitos cavernícolas. O epíteto específico lenti é uma homenagem a Herman Lent (1911-2004), notável entomólogo brasileiro e maior autoridade mundial em taxonomia de triatomíneos.

Características gerais: Comprimento total dos machos de 9,5 a 10 mm, das fêmeas de 11 a 12 mm. Coloração geral negra com exceção de áreas amareladas no quinto segmento conexival, metade posterior do abdômen e partes da membrana e cório dos hemiélitros. Tegumento liso e muito piloso com discretos grânulos e áreas com rugosidades. Cabeça globular em vista dorsal, ligeiramente mais curta que o pronoto. Região inter-ocular com mais que o dobro da largura de um olho em vista dorsal (proporção = 2,3-2,5:1). Região anteocular mais curta que a pós-ocular (proporção =1:1,1-1,2). Olhos pequenos mas muito projetados lateralmente. Ocelos pequenos, situados logo após o sulco pós-ocular. Tubérculos anteníferos sem dentículos, inseridos próximos ao bordo anterior dos olhos. Primeiro artículo antenal ultrapassando o nível do ápice do clípeo. Proporções entre os artículos antenais =1:2,3:3:3,1-3,3. Rostro com primeiro segmento atingindo o nível do ápice do tubérculo antenífero, terceiro segmento mais curto que o primeiro. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:2,5:0,7. Pronoto com declive abrupto anteriormente, lobo anterior quase obscurecendo o colar em vista dorsal. Escutelo com processo apical mais longo que o comprimento do corpo do escutelo. Pernas predominantemente negras, raramente com trocânteres e base dos fêmures mais clara que a porção distal dos fêmures em espécimes secos. Fossetas esponjosas ausentes em ambos os sexos. Para descrição completa veja Barret & Arias (1985) e Oliveira et al. (2007).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, no Instituto de Pesquisas da Amazônia, Manaus, no National Museum of Natural History, Smithsonian Institution, Washington D.C. EUA e no American Museum of Natural History, Nova Iorque, EUA.

Habitat: ocos de árvores em associação com Eratyrus mucronatus (Triatominae), Rhipidomys sp. (Rodentia) e Phyllostomus elongatus (Microchiroptera) (Barrett & Arias 1985).

Curiosidades: quando um dos membros da colônia é tocado, os demais espécimes se movem freneticamente numa reação em cadeia. Em laboratório podem se alimentar de camundongos, pombos, galinhas e no ser humano.

Distribuição: Amazonas.

 

4 Cavernicola pilosa Barber, 1937

Etimologia: o epíteto específico pilosa vem do latim “pilos” que significa peludo uma referência ao aspecto piloso do inseto.

Características gerais: Comprimento total dos machos de 11 a 11,5 mm, das fêmeas de 12 a 13,8 mm. Coloração geral negra com áreas amareladas principalmente nos hemiélitros. Corpo piloso. Tegumento liso no pronoto e abdômen, com granulação discreta na cabeça e rugosidade na meso e metapleura. Cabeça fusiforme em vista dorsal, em vista lateral muito convexa dorsalmente. Região anteocular igual ou levemente mais longa que à região pós-ocular (proporção =1: 0,96). Base do tubérculo antenífero alcançando o bordo anterior do olho. Olhos inseridos na linha mediana da cabeça. Ocelos muito pequenos, quase imperceptíveis, inseridos ao nível do tegumento, situados sobre ou logo após o sulco pós-ocular. Rostro com primeiro segmento muito curto, não atingindo o nível do ápice do tubérculo antenífero; segundo segmento muito longo, atingindo o nível do bordo posterior da cabeça, terceiro segmento curto. Proporções entre os segmentos do rostro =1:4,2:1,2. Pronoto mais largo que longo (proporção =1: 0,73) e mais curto que a cabeça (proporção =1:0,93), estriado entre os lobos anteriores e posteriores. Lobo anterior castanho pálido. Escutelo triangular, processo apical muito pequeno. Cório castanho enfumaçado, com duas manchas amareladas com bordas indistintas. Membrana glabra, castanha enfumaçada, com nervuras amareladas distintas. Abdômen castanho escuro. Pernas castanho escuro, exceto coxas e trocânteres e bases dos fêmures que são amarelados. Fêmures dilatados, fusiformes, sem dentículos. Fossetas esponjosas ausentes em ambos os sexos. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979) e Oliveira et al. (2007).

Material tipo: depositado no National Museum of Natural History, Smithsonian Institution, Washington, D.C., EUA.

Habitat: ocos de árvores e cavernas habitadas por morcegos, há registros de raros encontros em domicílios (Gomes & Pereira 1977, Barbosa et al. 2005).

Distribuição: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná e Tocantins.

Distribuição fora do Brasil: Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Panamá, Peru e Venezuela. 5 Eratyrus mucronatus Stål, 1859

 

Etimologia: o nome genérico Eratyrus vem do grego “erat” que significa encantador, adorável. O epíteto específico mucronatus vem do latim “mucro” que significa ponta afiada, uma referência aos espinhos presentes no pronoto.

Sinônimos: Conorhinus mucronatus Walker, 1873

Características gerais: Comprimento total dos machos de 23 a 27 mm, das fêmeas de 25,5 a 29 mm. Coloração geral marrom escuro ou negra, com as laterais do pescoço amareladas; cório com manchas avermelhadas subapicalmente, anteriormente não atingindo o nível da veia transversa m-cu. Tegumento liso com pelos curtos. Cabeça duas ou uma e meia vezes mais longa que larga na região dos olhos (proporção=1:0,4) e distintamente mais longa que o pronoto (proporções=1:0,75-0,80). Região anteocular cerca de três vezes mais longa que pós-ocular (proporção=1:0,30-0,35). Genas cônicas apicalmente, jugas rombas apicalmente. Olhos em vista lateral atingindo o nível da superfície superior e inferior da cabeça. Tubérculos anteníferos situados no centro da região anteocular. Primeiro artículo antenal atingindo ou ultrapassando levemente o ápice do clípeo; proporções entre os artículos antenais = 1:4,6-5,0:3,6-3,9:2,9-3,2. Rostro com cerdas muito curtas e esparsas com exceção do terceiro segmento com pelos mais longos. Proporções entre os segmentos rostrais = 1:1,05-1,25:0,25-0,35. Pescoço negro, amarelado nos lados. Pronoto com lobo anterior com 1+ 1 espinhos discais fortes; ângulos humerais do pronoto nitidamente espinhosos. Tubérculos discais na forma de espinhos aguçados. Húmeros com distintas projeções espiniformes suberectas de comprimento variado, mas invariavelmente mais curtas que os espinhos do lobo anterior. Projeções ântero-laterais do pronoto proeminentes, alongadas, subcônicas mas não espiniformes. Escutelo com processo apical espinhoso, inclinação do espinho escutelar extremamente variável, formando um ângulo entre o espinho e o hemiélitro que varia de 30 a 60 graus. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: depositado no Zoologisches Museum, Berlin, Alemanha.

Habitat: cavernas e árvores ocas habitadas por morcegos e roedores, palmeiras, ninhos de mamíferos. Já foi encontrada associada com Cavernicola pilosa e Triatoma maculata e também em domicílios da Bolívia, Colômbia e Venezuela (Noireau et al.1995, Carcavallo et al. 1998, Molina et al. 2000, Vivas et al. 2001).

Distribuição: Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins.

Distribuição fora do Brasil: Bolívia, Colômbia, Equador, Guatemala, Guiana, Guiana Francesa, Panamá, Peru, Suriname, Trinidad e Venezuela.

 

6 Microtriatoma borbai Lent & Wygodzinsky, 1979

Etimologia: o nome genérico Microtriatoma vem do grego “micro” que significa pequeno, uma referência ao pequeno tamanho dos insetos desse gênero. O epíteto específico borbai é uma homenagem a Antonio Mário Borba, professor aposentado do Departamento de Patológica Básica, Universidade Federal do Paraná, que encontrou a espécie em bromélias.

Características gerais: Comprimento total dos machos de 7 a 8 mm, das fêmeas 7,5 mm. Coloração geral marrom escuro a negra. Cabeça robusta em vista lateral, em vista dorsal mais longa que larga (proporção = 1:0,8) e mais curta que o pronoto (proporções 1:1,1-1,2). Região anteocular variando de ligeiramente mais longa a tão longa quanto a região pós-ocular (1:0,9-1,0). Região pós-ocular semicircular, muito curta. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular =1:2,5. Proporções entre os segmentos antenais = 1:1,5-1,9:1,3-1,4:1,5-1,9. Proporções entre os artículos rostrais =1:1,8-2,0:1,0. Pronoto com os lobos anterior e posterior quase contínuos, não formando um ângulo muito marcado; ângulos ântero laterais pontudos. Ápice dos hemiélitros dos machos alcançando o bordo posterior do VII tergito, das fêmeas apenas alcançando o bordo basal do VII tergito. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro e no American Museum of Natural History, Nova Iorque, EUA.

Habitat: em bromélias próximas a refúgios de roedores e marsupiais (Lent & Wygodzinsky 1979). Na copa da palmeira Mauritia flexuosa (Gurgel-Gonçalves, dados não publicados)

Curiosidades: no laboratório recusaram alimentação em pombos, galinhas, ratos, ou humanos (Lent & Wygodzinsky 1979).

Distribuição: Goiás, Mato Grosso, Paraná e Rio de Janeiro.

 

7 Microtriatoma trinidadensis (Lent, 1951)

Etimologia: o epíteto específico trinidadensis é uma referência a ilha de Trinidad, onde esses insetos foram encontrados pela primeira vez.

Sinônimos: Bolbodera trinidadensis Lent, 1951; Microtriatoma mansosotoi Prosen & Martínez, 1952.

Características gerais: Comprimento total dos machos de 7,5 a 8,0 mm, das fêmeas 7,5 mm. Coloração geral marrom-escuro ou negra. Cabeça estreita em vista lateral. Em vista dorsal a cabeça é cerca de uma, a uma vez e meia mais longa que larga (1:0,6-0,7), e tão longa ou ligeiramente mais curta que o pronoto (1:1,0-1,2). Região anteocular variando de ligeiramente mais longa a ligeiramente mais curta que a pós-ocular (1:0,8-1,1). Região pós-ocular variando de sub-retangular a semicircular, invariavelmente mais larga que longa.Proporção entre largura de um olho e região interocular =1:2,2. Proporções entre artículos antenais = 1:1,3-2,1:1,3-2,1:1,7-2,3. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:1,5-1,7:0,7-0,8.Pronoto com lobos anterior e posterior quase contínuos, não formando um ângulo evidente. Ângulos ântero-laterais do pronoto de rombos a distintamente pontudos. Escutelo com depressão no centro. Pernas escuras com coxas e trocânteres amarelados.Fêmur dianteiro mais largo no terço anterior, quase quatro vezes mais longo que largo. Hemiélitro com cório distintamente piloso; de cor escura com manchas claras na membrana. Áreas brancas maiores na metade apical do clavo, ao nível do ápice do processo escutelar, em áreas adjacentes a membrana, e em uma faixa estreita da membrana adjacente a porção apical do cório.Ápice do hemiélitro alcançando o bordo posterior do VII tergito em ambos os sexos. Conexivo dorsal e ventral com estreita faixa amarelada antes de cada sutura intersegmental, próxima margem externa mais larga dos segmentos. Espiráculos amarelados. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: de M. trinidadensis depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro. De M. mansosotoi depositado na Misión de Estudios de Patologia Regional (MEPRA), Buenos Aires, Argentina.

Habitat: palmeiras e cavidades de árvores, escondido entre as folhas, dentro de ninhos de gambás (Didelphis marsupialis). Na Bolívia foi encontrada uma colônia peridomiciliar em um galinheiro construído com folhas da palmeira Attalea phalerata (De la Riva et al. 2001).

Curiosidades: Em laboratório recusaram alimentação em galinhas, ratos e humanos, entretanto, uma ninfa realizou coprofagia nas fezes de Rhodnius (De la Riva et al. 2001).

Distribuição: Mato Grosso, Pará e Tocantins.

Distribuição fora do Brasil: Bolívia, Colômbia, Guiana Francesa, Peru, Trinidad e Venezuela.

 

8 Panstrongylus diasi Pinto & Lent, 1946

 

Etimologia: o nome genérico Panstrongylus vem do grego “pan” que significa todo e “strongylus” que significa redondo, roliço, corpulento, uma referência ao corpo robusto e arredondado do inseto. O epíteto específico diasi é uma homenagem a Ezequiel Dias (1880-1927), um dos pioneiros no estudo dos vetores da doença de Chagas no Brasil.

Características gerais: Comprimento total dos machos 26 mm, das fêmeas 27 mm. Coloração geral marrom amarelado com áreas marrom-escuro no pronoto, pleura, escutelo, cório e conexivo. Superfície do corpo aparentemente glabra. Cabeça muito mais curta que o pronoto (1:1,3). Região anteocular com menos que o dobro do comprimento da pós-ocular (1:0.60-0.65). Genas não atingindo o nível do ápice do clípeo. Jugas rombas no ápice. Cabeça não nitidamente elevada entre os olhos. Olhos em vista lateral alcançando o nível da superfície ventral de cabeça, mas não alcançando a superfície dorsal. Proporção entre a largura de um olho e região interocular = 1:2,3-2,8. Tubérculos anteníferos com processo apicolateral pequeno, mas distinto. Primeiro artículo antenal se estendendo além do nível do ápice do clípeo. Rostro com primeiro segmento quase alcançando o nível da margem anterior de olhos, o segundo alcançando o nível da base do pescoço. Primeiro e segundo segmentos rostrais quase completamente glabros ou com cerdas curtas e escassas, terceiro segmento com numerosa pilosidade. Proporções entre os segmentos rostrais = 1:1,45:0,60-0,65. Pronoto marrom avermelhado com diversas áreas escuras. Lobo anterior do pronoto sem tubérculos discais e laterais. Margens laterais do lobo anterior e posterior quase contínuas, não formando um ângulo distinto. Ângulos humerais arredondados. Ângulos ântero-laterais curtos e rombos. Processo apical do escutelo aproximadamente do comprimento do corpo principal do escutelo. Hemiélitro se estendendo até o ápice do abdômen; de cor marrom amarelado, com grande área central do cório marrom escuro. Membrana enfumaçada. Pernas esguias, fêmures anteriores com um par de dentículos subapicais robustos seguido ou não de um dentículo adicional pequeno; fêmures medianos com dentículos semelhantes, ou sem dentículos. Fossetas esponjosas presentes nas tíbias anteriores e medianas em ambos os sexos. Conexivo com mancha sub-retangular preta adjacente a sutura intersegmental. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: habitats silvestres desconhecidos, encontrado em domicílios e peridomicílios (Carcavallo et al. 1998).

Distribuição: Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Tocantins.

Distribuição fora do Brasil: Bolívia.

 

9 Panstrongylus geniculatus (Latreille, 1811)

Etimologia: o epíteto específico geniculatus vem do latim “geniculatus”, “geniculata”, “geniculatum” e significa intrincado, cheio de nós.

Sinônimos: Reduvius geniculatus Latreille, 1811; Conohrinus lutulentus Erichson, 1848; Lamus geniculatus Stål, 1859; C. corticalis Walker, 1873; C. geniculatus Walker, 1873; L. corticalis Lethierry & Severin, 1896; Triatoma geniculata Chagas, 1912; T. tenuis Neiva, 1914; T. fluminensis Neiva & Pinto, 1922; Mestor geniculatus Brindley, 1931; Panstrongylus parageniculatus Ortiz, 1971.

Características gerais: Comprimento total dos machos de 22 a 28 mm, das fêmeas de 22,5 a 29,5 mm. Coloração geral marrom claro ou marrom alaranjado, com elementos escuros em várias partes de corpo. Cabeça mais longa que larga na altura dos olhos (proporção = 1:0,70-0,75) e mais curta que o pronoto (1:1,15-1,30). Região anteocular com cerca de duas vezes o comprimento da pós-ocular (1:0,45-0,55). Genas atingindo o nível do ápice do clípeo. Juga em forma de gancho incipiente. Proporção entre largura de um olho e região interocular= 1:1,45-1,9. Tubérculo antenífero, com processo apicolateral pronunciado. Antena variando de marrom avermelhado ao negro. Primeiro artículo antenal ultrapassando ligeiramente o nível do ápice do clípeo; proporções entre os artículos antenais = 1:3,0-3,7:2,35–2,80:2,5-2,7. Rostro marrom escuro com o primeiro segmento se aproximando ou ultrapassando ligeiramente o nível da margem anterior dos olhos; segundo segmento atingindo o nível do meio do pescoço. Proporção entre segmentos rostrais = 1:1,0-1,3:0,45-0,55. Pronoto marrom alaranjado. Lobo anterior do pronoto com marca central negra em forma de trevo de quatro folhas, e 1+1 marcas laterais negras. Lobo posterior com faixa preta ao longo da margem posterior excluindo a região humeral. Tubérculos discais e laterais de pequenos a obsoletos. Ângulos ântero-laterais arredondados. Escutelo e seu processo preto. Hemiélitro de cor global marrom amarelado, com veias da membrana, escuras. Fêmures dianteiros com 2-6 dentículos subapicais em duas filas. Fossetas esponjosas presentes nas tíbias anteriores e medianas em ambos os sexos. Coxas e trocânteres amarelados ou alaranjados. Fêmures e tíbias marrom escuro ou preto, com anel apical laranja. Abdômen marrom alaranjado com manchas negras. Conexivo amarelado com mancha negra no terço anterior de cada segmento. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: de P. geniculatus, C. lutulentus e P. parageniculatus desconhecidos, de C. corticalis depositado no British Museum (Natural History), Londres, Inglaterra, de T. tenuis e T. fluminensis depositados na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: tocas de tatus e pacas, em cavernas, sob cascas de árvores, próximos a ninhos de aves, em várias espécies de palmeiras e associados a porcos nos peridomicílios (Carcavallo et al. 1998, Valente 1999).

Curiosidades: Espécie com grande variabilidade morfológica. É considerada silvestre, porém, os adultos são atraídos pela luz e encontrados com frequência no interior de domicílios humanos.

Distribuição: Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, São Paulo e Tocantins.

Distribuição fora do Brasil: Argentina, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Guiana, Guiana Francesa, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai, Trinidad e Venezuela.

 

10 Panstrongylus guentheri Berg, 1879

 

Etimologia: o epíteto específico guentheri é uma homenagem a Albrecht K.L.G. Günther (1830-1914), zoólogo alemão.

Características gerais: Comprimento total dos machos de 22 a 25 mm, das fêmeas de 24 a 27 mm. Coloração geral marrom alaranjado, com elementos marrom escuro em áreas do pronoto, pleura, escutelo, cório e conexivo. Superfície de corpo aparentemente glabra. Cabeça uniformemente marrom alaranjada, uma vez e meia mais longa que a largura na altura dos olhos (1:0,6-0,7), e muito mais curta que o pronoto (1:1,4-1,5). Região anteocular com menos de duas vezes o comprimento da pós-ocular (1:0,55-0,65). Genas não atingindo o nível do ápice do clípeo. Cabeça fortemente elevada dorsalmente entre os olhos. Olhos em vista lateral comparativamente pequenos, afastados da superfície dorsal da cabeça. Proporção entre a largura dos olhos e a região interocular = 1:2,10-2,5. Ocelos circundados por anelação escura. Tubérculo antenífero com pequeno processo apicolateral. Primeiro artículo antenal muito longo ultrapassando o nível do ápice do clípeo. Proporções entre os artículos antenais = 1:2,8-3,2:2,2-2,5:?. Rostro com primeiro segmento atingindo a margem anterior dos olhos, segundo segmento estendendo-se até o nível da base do pescoço. Proporções entre os segmentos rostrais = 1:1,55-1,70:0,55-0,70. Pronoto marrom avermelhado a totalmente marrom escuro. Lobo anterior visivelmente convexo; tubérculos discais obsoletos, tubérculos laterais ausentes. Pronoto com distinto ângulo formado entre os lobos anterior e posterior. Ângulos ântero-laterais proeminentes. Escutelo marrom escuro, com processo apical tão longo quanto o corpo principal do escutelo. Hemiélitro alcançando o ápice do sétimo urotergito. Cório marrom escuro exceto por uma região subtriangular na base. Fêmures anteriores e medianos com duas colunas de três a cinco dentículos cada. Pequenos dentículos adicionais irregularmente posicionados próximos à base do fêmur. Fosseta esponjosa presente nos fêmures anteriores e medianos dos machos, nas fêmeas muito pequenas. Pernas avermelhadas, ou alaranjadas. Conexivo marrom alaranjado, com marca escura de formato irregular. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: de P. guentheri depositado no Museo de La Plata, Argentina; de P. larroussei depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro; de P. seai desconhecido.

Habitat: abrigos de roedores e outros mamíferos, ninhos de aves, sob cascas de árvores e pilhas de lenha. Adultos são ocasionalmente encontrados em domicílios (Carcavallo et al. 1998, Almeida et al. 2008).

Distribuição: Mato Grosso do Sul.

Distribuição fora do Brasil: Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

 

11 Panstrongylus lenti Galvão & Palma, 1968

Etimologia: o epíteto específico lenti é uma homenagem a Herman Lent (1911-2004), notável entomólogo brasileiro e maior autoridade mundial em taxonomia de triatomíneos.

Características gerais: Comprimento dos machos 18 mm, das fêmeas 19 mm. Coloração geral marrom claro levemente avermelhado, com manchas escuras no pronoto, hemiélitro, pleura e abdômen. Cabeça uma vez e meio mais longa que larga na altura dos olhos (1:0.65) e mais curta que o pronoto (1:1.2). Região anteocular com pouco menos que o dobro do comprimento da pósocular (1:0.55). Clípeo alargado posteriormente. Genas arredondadas apicalmente, atingindo o nível do ápice do clípeo. Olhos em vista lateral ultrapassando o nível inferior da cabeça, mas não alcançando o nível da superfície dorsal. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:2. Tubérculo antenífero com pequeno, porém distinto, processo apicolateral. Primeiro artículo antenal marrom avermelhado não alcançando o ápice do clípeo. Primeiro segmento do rostro atingindo o nível da margem anterior dos olhos, segundo estendendo-se além do nível do meio do pescoço. Primeiro e segundo segmentos rostrais quase glabros, terceiro com pelos longos. Proporções entre os segmentos rostrais = 1:1.1:0,5. Pronoto com tubérculos discais pequenos mas distintos, tubérculos laterais obsoletos. Lobo posterior do pronoto distintamente rugoso. Ângulos humerais arredondados. Ângulos ântero-laterais bem desenvolvidos, subcônicos. Escutelo com processo apical tão longo quanto o corpo do escutelo. Hemiélitro atingindo o ápice do abdômen. Cório e clavo cor de palha, exceto a célula adjacente ao calvo e ápice do cório que são marrons. Membrana marrom, enfumaçada. Pernas uniformemente marrom-amarelado claro. Fêmures com metade apical com três pares de pequenos dentículos. Fossetas esponjosas ausentes. Uroesternitos III e VI com nítidas manchas negras sublaterais. Placas conexivais dorsais III e IV com pequenas manchas escuras próximas ao bordo anterior. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979) e Barata et al. (1997).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro e na Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo.

Habitat: Em Goiás foi encontrada entre as roupas de um viajante (procedência incerta) e também dentro de um domicílio (Galvão & Palma 1968, Lent & Wygodzinky 1979, Barata et al. 1997).

Curiosidades: É a menor e mais rara espécie do gênero Panstrongylus.

Distribuição: Bahia, Goiás.

12 Panstrongylus lignarius (Walker, 1873)

 

Etimologia: o epíteto específico lignarius vem do latim “lignum” que significa madeira, uma referência ao aspecto do inseto que apresenta coloração similar à madeira.

Sinônimos: Conorhinus lignarius Walker, 1873; Eratyrus lignarius Lethierry & Severin, 1896; Conorrhinus lignarius Champion, 1899; Lamus lignarius Distant, 1902; Triatoma lignarius Neiva, 1911; Mestor lignarius Usinger, 1939; Panstrongylus herreri Wygodzinsky, 1948.

Características gerais: Comprimento dos machos de 20,5 a 26 mm, das fêmeas de 23 a 31 mm. Coloração geral marrom claro a amarelado dorsalmente; marrom escuro ou negro ventralmente. Manchas marrom escuro a negro presentes na cabeça, pescoço, pronoto, escutelo, hemiélitro e conexivo. Pernas negras com anelações ou manchas amareladas. Superfície do corpo com cerdas douradas muito pequenas. Cabeça marrom amarelado claro, incluindo parcialmente ou inteiramente as genas e tubérculos anteníferos. Dorsalmente há uma faixa escura longitudinal de forma irregular, estendendo-se do nível das jugas até próximo aos ocelos. Búcula e toda a superfície inferior da cabeça negra. Cabeça uma vez e meio mais longa que larga na altura dos olhos (1:0,60-0,75) e muito mais curta que o pronoto (1:1,1-1,4). Região anteocular três a quatro vezes mais longa que a pós-ocular. Genas atingindo, mas não ultrapassando, o nível do ápice de clípeo. Jugas com projeção pontuda curvada. Olhos grandes em ambos os sexos, em vista lateral ultrapassando o nível inferior, mas não o nível superior da cabeça. Proporção entre os artículos antenais = 1:2,3-2,7:2,1-2,7:1,7-2,1. Rostro negro. Primeiro segmento rostral atingindo o nível do ápice do tubérculo antenífero, segundo alcançando o nível do pescoço. Proporções entre os segmentos = 1:1,3-1,4:0,3-0,5. Pronoto castanho claro ou amarelado, com manchas longitudinais escuras e ângulos humerais atipicamente projetados lateralmente. Lobo anterior do pronoto ligeiramente convexo, com 1+1 pequenos tubérculos discais, seguidos ou não por 1+1 tubérculos menores na base da carena submediana; tubérculos laterais bem desenvolvidos, porém, menores que os discais; 1+1 tubérculos sublaterais adicionais presentes. Todos os tubérculos amarelos, polidos. Escutelo negro e amarelo, com processo apical muito curto. Hemiélitro marrom-claro a amarelado com diversas manchas negras ou marrons. Fêmures anteriores e medianos com 1+1 dentículos subapicais. Tíbias anteriores e medianas com fossetas esponjosas bem desenvolvidas em ambos os sexos. Coxas e metade basal dos trocânteres negros. Ápice dos trocânteres, base e ápice dos fêmures amarelos. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: depositado no British Museum (Natural History), Londres, Inglaterra. De P. herreri depositado no Instituto Miguel Lillo, Tucuman, Peru.

Habitat: palmeiras, árvores ocas, copas de árvores, ninhos de tucanos, bromélias, associada com marsupiais e roedores, galinheiros, e ocasionalmente em domicílios (Carcavallo et al. 1998, Gaunt & Miles, 2000).

Curiosidades: os adultos apresentam uma excelente camuflagem, se confundindo com a folhagem das árvores nas quais eles são encontrados.

Continuar: parte 2 de 4