Vetores da doença de Chagas no Brasil

Cleber Galvão · Capítulo 5 de 65

Páginas do PDF

Vetores da doença de Chagas no Brasil

As respostas ao controle

seguintes), garantindo a necessária continuidade das ações e

intervenções em áreas sempre adjacentes e progressivamente

crescentes. O controle foi basicamente químico, com o expurgo

extensivo com inseticidas de ação residual das localidades

infestadas, nos dois ciclos iniciais de operação, e com um intervalo

de seis meses a um ano entre eles. A esse “ataque estendido” se

seguia o tratamento seletivo de unidades domiciliares ainda

positivas, conhecidas por pesquisa domiciliar prévia realizada

naquelas localidades que se mostraram infestadas nos ciclos

anteriores, suas limítrofes e uma amostra de localidades antes

dadas como negativas. Até 1982 o inseticida empregado foi o

heclorobenzeno (BHC), a partir de quando foram introduzidos os

piretróides de síntese, o que representou um grande avanço, em

termos de eficácia, como também em função de sua menor

toxicidade para o ser humano e animais domésticos. O ganho em

eficácia se deveu antes de tudo à sua ação insetífuga, além de

inseticida, pelo desalojamento dos insetos.

 

As respostas ao controle

 

As respostas ao controle químico foram bastante diversas no caso

do vetor introduzido (T. infestans) e de espécies nativas (Silveira &

Máximo 1985). Enquanto para T. infestans a infestação foi sendo

progressiva e consistentemente focalizada, as espécies autóctones

mantinham sua dispersão inicial, mesmo que as populações fossem

sendo reduzidas e as colônias intradomiciliares extintas. Esses

resultados eram já esperados, com a eliminação de T. infestans em

muitas áreas e persistência da infestação por espécies nativas, pela

possibilidade de re-invasão das casas desde seus focos naturais

e/ou permanência de populações residuais no peridomicílio, onde a

ação dos inseticidas se sabia menos duradoura.

 

Embora tenha-se que examinar com alguma reserva os dados

constantes da tabela 2.4, pois não se conhece exatamente a

cobertura das ações em um e outro momento, além de se cotejar

um dado acumulado (as linhas de base foram construídas ao longo de um período de alguns anos) com aqueles conhecidos em um ano

determinado (2007) os números revelam, de forma inquestionável,

que o impacto das ações foi notavelmente maior para T. infestans, o

que fica especialmente evidente pela participação dessa espécie no

total de capturas feitas. A diferença é de tal ordem que não resta

qualquer dúvida de que assim ocorreu.

 

Tabela 2.4: Número de exemplares de triatomíneos capturados das

principais espécies consideradas vetoras domiciliares da doença de

Chagas no Brasil, e percentual de participação delas no total de

capturas. Dados de base (levantamento Triatomínico) em 2007.

 

Espécie Exemplares capturados

 

Dados de 2007 Redução

Base

N % N % DB/2007

(%)

Triatoma sordida 189.260 26,1 50.731 36,9 - 73,2

Triatoma infestans 162.136 22,3 205 0,2 - 99,9

Panstongylus 149.248 20,6 3.593 2,6 -97,5

megistus

Triatoma 125.634 17,3 44.332 32,2 - 64,7

pseudomaculata

Triatoma 99.845 13,7 672 28,1 - 61,2

brasiliensis 38.

Total 726.123

 

Fonte: SUCAM e SVS/MS

 

Note-se também que P. megistus apresentou resposta próxima à

que foi observada para T. infestans. Isso se explicaria pelo alto grau

de domiciliação da espécie no litoral úmido (zona da mata) no

nordeste do país e pela grande degradação da mata atlântica,

originalmente aí existente. Não é despropositado se considerar que em muitas áreas seria vetor estritamente domiciliário, como na