A História de Lula, o Filho do Brasil
O Parto
Era o ano de 1952. De pés descalços e lenço puído amarrando o cabelo, Lindu ouvia a voz do escrivão. Estava ansiosa. Seu coração parecia querer galopar para fora do peito. Naquele cartório em Caetés, estava prestes a receber sua própria certidão de nascimento. O papel significava o início de uma nova vida.
A cada instante, a possibilidade de deixar o sertão e migrar para São Paulo se tornava mais real. Lindu havia sido informada por amigos de que, na cidade grande, sua presença, sua palavra de nada valiam. Era preciso que ela existisse oficialmente. E só um papel poderia comprovar isso. Enquanto a mão do oficial deslizava tingindo o documento de azul, Lindu, registrada como Eurídice Ferreira de Melo, acreditava que nascia para o mundo. Nascia como retirante.