A História de Lula, o Filho do Brasil
Mulheres e Política
Quando Frei Chico se tornou um militante de esquerda, era apenas um garoto de 18 anos. Ele trabalhava como operário não especializado numa indústria metalúrgica paulista chamada Metalac. Nessa época, procurou o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo por um motivo nada político: como era jovem e queria namorar sábado, foi reclamar de seu turno de trabalho, que se esticava até as dez e meia da noite, tomando justamente o melhor horário para conquistar garotas.
Foi essa casualidade que fez o namorador Frei Chico entrar em contato com o mundo sindical, deixar de pensar só em meninas e descobrir outros prazeres. Ele começou a aprender o que era um sindicato, como funcionava, a conhecer seus dirigentes e suas disputas políticas. A partir desse momento foi tomando gosto pela coisa e, quatro anos mais tarde, aos 22, quando já se considerava um revolucionário, foi demitido por justa causa como “cabeça de greve”. Em 1970, Frei Chico era militante clandestino do Partido Comunista Brasileiro, o PCB, então proibido pelo governo militar. Mas ele não tentou arrastar seu irmão para a militância clandestina. Uma única tentativa de convencer Lula nesse sentido foi feita por outro quadro do PCB em 1973. Para não criar qualquer suspeita, um militante marcou encontro com Lula num local público, num banco da praça da Igreja Matriz de São Bernardo. Lula o ouviu com atenção, porque costumava escutar com atenção todo mundo. Mas preferiu ficar de fora. Sua intuição o salvou. Se tivesse se vinculado a um partido clandestino, teria passado pelo horror que seu irmão viveu.