A História de Lula, o Filho do Brasil
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Quando se tornou operário, Frei Chico conheceu novas ideias e formas de ver o mundo e de organizar o trabalho. Começou a frequentar o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Mais tarde, sem que ninguém de sua família suspeitasse, se filiou clandestinamente ao Partido Comunista Brasileiro, o “Partidão”. Aprendeu o significado das expressões “ideologia”, “exploração”, “luta de classes”. Um vocabulário muito diferente daquele que aprendeu em casa. Foi na militância sindical que ele, que era ateu, recebeu o apelido de Frei Chico. Uma brincadeira por causa da sua careca franciscana.
No ano de 1968, quando Frei Chico trabalhava na Carraço, uma indústria de carrocerias de caminhão, seu desejo era ser candidato à direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Ele não sabia que naquele momento o destino armava uma peça. Como outro operário da mesma fábrica já era diretor do Sindicato, Frei Chico não poderia ser também. Sem poder fazer parte da disputa, teve a ideia de arrastar Lula para ficar temporariamente no seu lugar no sindicato:
Frei Chico e Lula, ainda adolescente, em São Paulo
— Lula, vamos... Vamos pro sindicato comigo, vem!
— Frei Chico, sindicato? E eu tenho a minha mãe na zona pra ir pra sindicato?
— Mãe na zona? Quem disse que no sindicato só dá filho de puta?
— Todo mundo sabe, Frei Chico, não precisa dizer...
— Você tá falando bobagem! Ô cara alienado...
— Eu? Alienado? Não enche o saco, Frei Chico. Deixa eu assistir minha novela.
— Novela, Lula?
— É bem melhor ver novela do que encher linguiça no sindicato.