A História de Lula, o Filho do Brasil

Denise Paraná · Capítulo 66 de 88

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A História de Lula, o Filho do Brasil

Presidente Mudo

Em 1975, sob o governo do Presidente Geisel, o Brasil estava mergulhado numa ditadura militar; aos sindicatos sobrava apenas o papel assistencialista, de fornecer apoio médico, odontológico e jurídico, sem entrar de fato na briga pela defesa dos interesses maiores dos trabalhadores. Lula trabalhava o quanto podia para ajudar os sindicalizados nas questões jurídicas relativas aos benefícios aos quais os trabalhadores tinham direitos. Quando chegou ao fim a gestão da diretoria, na qual Lula era primeiro-secretário, foi necessário eleger um novo presidente para o sindicato. O nome de Lula foi se fortalecendo naturalmente, até tornar-se inevitável a sua candidatura à presidência.

O antigo presidente se chamava Paulo Vidal e, embora fosse um homem conservador do ponto de vista político, tinha uma visão modernizadora do que deveria ser um sindicato. Paulo também era inteligente e, acima de tudo, ótimo orador. Nas cerimônias públicas, já havia roubado várias vezes a palavra de Lula. O tímido primeiro-secretário sentia que estava fazendo papel de palhaço, mas só conseguia dizer:

— Olha, gente, o Paulo Vidal já falou tudo.

Quando a diretoria indicou Lula como candidato à presidência para sucedê-lo, Paulo Vidal, muito astuto, aprovou: Lula cativava muitos amigos, mas não conseguia falar em público. Calculou que, assumindo o cargo de secretário-geral, ele, Paulo, seria quem na prática presidiria o sindicato, e não Lula.

Afinal, quem respeitaria um presidente mudo em assembleias?