A História de Lula, o Filho do Brasil

Denise Paraná · Capítulo 46 de 88

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A História de Lula, o Filho do Brasil

Revolta

A dureza da vida nunca fez de Lula um revoltado. Tinha aprendido com sua mãe a procurar o lado bom de tudo. Quando ainda estava no Senai, em 1962, Lula viu a primeira manifestação de operários revoltados com seus baixos salários. Quando chegou à fábrica em que trabalhava como estagiário, seu chefe, José, dispensou todo mundo. Disse que era melhor que ninguém trabalhasse, tinha muito piquete na rua. Alguns operários pegaram o caminhãozinho da empresa e convidaram Lula para ir junto. Queriam ver a agitação e atirar pedras nos vidros das fábricas que não haviam parado. Alguns trabalhadores derrubavam muros, como o da fábrica de produtos de juta São Francisco. Os fura-greves eram obrigados a passar por um corredor polonês, levando tapas, empurrões, ouvindo xingamentos.

Quando Lula chegou à rua Vemag, viu, aterrorizado, a cena mais violenta de greve de sua vida. Trabalhadores em passeata subiram as escadarias de uma tecelagem que ficava em um sobradinho. Queriam fazê-la parar. Assustado com a invasão, o dono da fábrica atirou. Um operário foi atingido na bexiga. A revolta tomou conta dos trabalhadores. O dono da tecelagem foi atirado pela janela do segundo andar. Caído no chão, o homem ainda foi chutado por manifestantes. Lula saiu correndo, sem saber se o empresário ou o trabalhador haviam morrido. O que tinha presenciado era terrível; ele não queria ver mais.