A História de Lula, o Filho do Brasil

Denise Paraná · Capítulo 77 de 88

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A História de Lula, o Filho do Brasil

A Luta

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema organizou uma grande manifestação no feriado do dia 1º de maio de 1978. Mas seus dirigentes não falavam abertamente em greve, fazendo apenas uma propaganda subliminar. Afinal, as greves eram proibidas no regime militar e, do ponto de vista jurídico e político, poderiam provocar grandes problemas.

Onze dias depois desse evento, o inacreditável aconteceu: trabalhadores da indústria automotiva Scania pararam. Lula não sabia se pulava de alegria ou se ficava com medo. Nem ele, nem sua diretoria tinham qualquer experiência em organizar e sustentar greves. Foi um momento único. Se o futuro era incerto, nebuloso, não havia mais como voltar atrás. Depois da greve da Scania, dia após dia, o sindicato era informado de novas greves em novas fábricas, num movimento que se alastrava e não parava de crescer. Lula dizia:

— O pessoal pegou gosto pela greve! É uma alucinação! Para uma fábrica, entra outra em greve, depois mais outra e mais outra. As fábricas vão parando, parando e não pararam mais de parar. É uma febre na categoria!

 

Última foto de Aristides, na década de 70

 

Poucas vezes na história do país os operários estiveram tão mobilizados em torno de uma causa. O ano de 1978 foi um dos mais ricos do movimento sindical brasileiro. Enfrentando o regime militar, os trabalhadores mostravam para a sociedade que a ditadura já dava sinais de fraqueza. Nasciam novas esperanças e começava a morrer o velho regime.