A História de Lula, o Filho do Brasil

Denise Paraná · Capítulo 81 de 88

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A História de Lula, o Filho do Brasil

Terror Psicológico

Em 1980, Lula estava cassado pelos militares, que intervieram no sindicato. Sua casa, comprada pelo BNH, era pequena, mas tinha que comportar dezenas de operários. Era o único “escritório” disponível, já que o sindicato havia sido ocupado pela polícia. Quando se tornava necessário reunir centenas de trabalhadores, combinavam de encontrar-se na igreja Matriz de São Bernardo do Campo. Naquele momento, o governo sabia que os operários não estavam para brincadeira e, como resposta, intensificou a repressão policial. Além das medidas objetivas, instalou o terror psicológico.

Lula e Marisa não tinham como deixar de perceber que sua casa era permanentemente vigiada por policiais. Nas primeiras semanas, os agentes ficavam em cima de um morro em frente, olhando com seus binóculos, registrando quem entrava e quem saía. Depois se tornaram mais ostensivos, instalando-se a três casas dali. Eram quatro ou cinco homens dentro de Veraneios, vigiando, vigiando, vigiando. Noite e dia, dia e noite. E quando Lula ou Marisa saíam de carro, para qualquer lugar que fossem, eram seguidos. Marisa, sem conseguir prever o que aguardava sua família, abraçava os filhos com medo. Foram momentos de uma angústia terrível.

Amigos haviam oferecido passagens e estada no exterior, sugerindo a Lula que deixasse o país e voltasse apenas quando a situação melhorasse. Seria um jeito de resguardar sua vida. Mas ele respondia:

— Não, com essa greve eu vou até o fim. Não vou fugir. Vou enfrentar tudo, até o final. Custe o que custar.