A História de Lula, o Filho do Brasil
O que a Lei Permite
Em 1976, o sindicato de Lula organizou um grande evento de 1º de Maio, em protesto contra as condições nas quais os trabalhadores viviam. No ano seguinte, houve uma ampla campanha de reposição salarial. Cada assembleia realizada levava a outra assembleia maior ainda. Lula começou a fazer tantos discursos contra o governo militar, a dar tantas entrevistas críticas, que parte da diretoria pediu que ele estudasse a Lei de Imprensa, para não ser preso. Afinal, não se podia esquecer que o Brasil estava mergulhado numa ditadura. Mas Lula respondia simplesmente:
— Não. Não vou ficar estudando Lei de Imprensa nenhuma. Se eu for fazer só o que a lei permite, não vai dar pra fazer nada. Prefiro nem conhecer essa lei.
E quando seu advogado e a diretoria do sindicato pediram para Lula ler pelo menos a Lei de Greve, a resposta foi a mesma:
— Eu prefiro nem conhecer essa tal de Lei de Greve. Se a gente for conhecer, vai fazer só o que a lei permite. Aí não vai dar para fazer nada. A gente vai ser um sindicato comum.
Lula ia ouvindo os operários que frequentavam o sindicato. E assim, à medida que eles avançavam, ele também avançava. Se queriam que o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema radicalizasse mais, ele radicalizava. Lula era a fiel tradução dos interesses de seus representados. Nem mais, nem menos. Como os trabalhadores mais assíduos na instituição eram os de esquerda, o sindicato também era. E depois, Frei Chico já havia sido torturado, e Lula, vivido um grande momento de virada. Agora, nada mais lhe botava medo.