A História de Lula, o Filho do Brasil
Catando Pontas de Cigarro
Comprando maços de cigarro em sociedade, Lula e Lambari não precisavam mais varrer com os olhos as calçadas para catar do chão pontas jogadas fora. Já tinham seus próprios cigarros. Nos dias mais difíceis, os dois dividiam também doses de cachaça. Ou uma garrafa de cerveja quando sobrava algum dinheirinho. De tanto dividir as coisas, chegaram a aproveitar uma liquidação de coletes e compraram peças idênticas para usar juntos por toda a parte, como uma dupla caipira.
Lula nunca se esqueceu do dia em que, com Lambari, Frei Chico e alguns outros amigos, foram tirar retrato. O fotógrafo emprestou cigarros para eles fazerem pose. Todos conseguiram sapatos emprestados, menos Lula. Envergonhado, mal conseguia fazer cara de galã, pensando no chinelo de dedo que denunciava sua dureza. E lembrava da primeira foto de sua vida, quando tinha 3 anos e um fotógrafo lhe emprestou um sapato maior do que seu pé. Só foi usar sapato depois dos 7 anos, quando chegou a Vicente de Carvalho e começou a trabalhar.
A vida de adolescente ao lado de Lambari era muito divertida. Os amigos não perdiam um bailinho nas redondezas, embalados por Ray Conniff, Roberto Carlos e os boleros quentes de Carlos Alberto e Benevindo Granda. Eles tinham entre 17 e 18 anos. Lambari se considerava um verdadeiro bailarino e tentava ensinar ao desengonçado Lula alguns passos. Às vezes, o amigo Olavo saía junto com eles. Tímido, Lula era considerado o bobo da turma. E enquanto Lambari sabia tudo sobre mulheres, Lula era um principiante.