Até o verão terminar

Colleen Hoover · Capítulo 28 de 37

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Até o verão terminar

Vinte e seis

— Ah, minha linda — suspira Alana, compassiva. Afasta-se um pouco e me olha com delicadeza. — Vou te dar um zolpidem, mas vai ser só desta vez.

Assinto.

— Prometo que nunca mais vou pedir.

Vinte e seis

Meu sono foi pesado demais. Parece que meu cérebro está esmagado do lado direito da cabeça.

Eu me sento na cama e olho para fora. Já é quase noite. Olho o celular e vejo que já passa das sete. Meu estômago está roncando tanto, que deve ter sido isso o que me acordou.

Deixei o toque do telefone no volume máximo, mas não ouvi nada, e não há chamadas perdidas.

Mais quatorze horas até que eu possa vê-lo.

Estendo o braço ao chão e pego a mochila de Samson. Viro o conteúdo em minha cama e começo a vasculhar.

Literalmente todos os pertences dele estão agora sobre a minha cama.

Há dois shorts e duas camisetas da marca de Marcos. Ele estava usando short e camiseta quando foi preso, então será que só tem três mudas de roupa? Eu percebi que ele repetia bastante as mesmas camisetas, mas imaginei que fosse para dar uma força a Marcos. Devia lavar roupa com frequência, para que ninguém percebesse.

Dentro de um saquinho há uns produtos de higiene. Pasta de dentes, desodorante, escova de dente, cortador de unha. Mas não vejo carteira.

Será que ele realmente perdeu a carteira antes de fazermos as tatuagens, ou nunca teve carteira nenhuma? Se vive sozinho desde a morte do pai, como foi que conseguiu habilitação para dirigir?

Tenho tantas perguntas. E durante a visita de amanhã não terei tempo de ouvir todas as respostas.

No fundo da mochila, encontro um saquinho de fecho hermético, repleto de papéis dobrados. Estão todos meio desbotados e amarelados, então com certeza são velhos.

Abro o saquinho, pego uma das folhas e desdobro.

Garotinho

Corroído como eu pelo festejar

Com olhos cheios de exaustão

Ele sente raiva do mar

Mais cansado que deveria estar

Cansado de livre vagar

—Rake Bennett

13-11-07

Samson mencionou que Rake escrevia poesias. Encaro o texto, tentando compreender.

Será que é sobre Samson? Será que todas as anotações são do pai dele? Pela data, Samson devia ter uns doze anos de idade. Um ano antes do furacão.

Cansado de livre vagar.

O que significa esse verso? Será que o pai achava que Samson estava cansado de levar a vida no mar, com ele?

Pego as outras folhas de papel. Preciso ler cada uma delas. Todas têm data de antes do furacão, todas escritas pelo pai.

Ela vive

Quando você nasceu, sua mãe nasceu também.

Enquanto você viver,

ela viva estará.

—Rake Bennett

30-08-06

Partida

Conheci sua mãe na praia,

os pés enterrados no chão.

Me arrependo de não ter me ajoelhado, catado um pouco daquela areia

na palma de minha mão.

Será que algo em que a gente toca já foi pisado pelos pés dela?

Ou terá a maré levado todos os grãos de areia que ela já roçou?

—Rake Bennett

16-07-07

Querido Shawn, Toda criança uma hora deseja estar num novo lugar.