Civilização: Ocidente X Oriente
De Istambul a Jerusalém
restabelecimento do governo absoluto de Abdul Hamid II.
Em um canto de um dos muitos vastos salões do palácio de Dolmabahçe
está um relógio extraordinário, que é também termômetro, barômetro e
calendário. Foi um presente do quediva do Egito ao sultão. Tem até mesmo
uma inscrição em árabe: “Que cada minuto seu valha uma hora, e que cada
hora valha cem anos”. Parece uma obra de arte da tecnologia oriental – com
exceção de um detalhe: foi feito na Áustria, por Wilhelm Kirsch. Como o
relógio de Kirsch ilustra perfeitamente, a mera importação da tecnologia
ocidental não eximia os otomanos da necessidade de uma modernização
vinda de dentro. Os turcos precisavam não só de um novo palácio, mas de
uma nova constituição, de um novo alfabeto – com efeito, de um novo
Estado. O fato de eles finalmente terem conseguido todas essas coisas se
deveu, em grande medida, aos esforços de um único homem. Seu nome era
Kemal Atatürk. Sua ambição era se tornar o Frederico, o Grande, da
Turquia.
De Istambul a Jerusalém
Tenho sérias razões para supor que o planeta de onde veio o Pequeno Príncipe é o asteroide
conhecido como B-612. Esse asteroide foi visto uma única vez ao telescópio – por um astrônomo
turco, em 1909. O astrônomo apresentou sua descoberta no Congresso Internacional de
Astronomia, em uma grande demonstração. Mas ele usava roupas turcas, e por isso ninguém lhe
deu crédito [...] No entanto, felizmente para a reputação do asteroide B-612, um ditador turco
criou uma lei obrigando seus súditos, sob pena de morte, a se vestirem à moda europeia. Então, em
1920, o astrônomo repetiu sua demonstração, em trajes de impressionante elegância e estilo. E
desta vez todos acreditaram.
Em O pequeno príncipe, Antoine de Saint-Exupéry zomba gentilmente da
modernização da Turquia. Sem dúvida, os turcos mudaram sua forma de se
vestir após a Primeira Guerra Mundial, adequando-se cada vez mais às
normas ocidentais, assim como os japoneses haviam feito após a
Restauração Meiji (ver Capítulo 5). Mas quão profunda era a mudança que
isso representava? Em particular, a nova Turquia era mesmo capaz de atuar
na mesma liga científica que as potências ocidentais?
Ao contrário de Frederico, o Grande, Mustafá Kemal não nasceu para o
poder. Um viciado em mulheres e álcool, Kemal foi beneficiário da
reformulação do exército otomano no fim do século XIX, inspecionada por
Colmar Freiherr von der Goltz (Goltz Pasha) nos anos 1880 e início dos
1890. Goltz era a personificação da Prússia criada por Frederico, o Grande:
nascido na Prússia Oriental, filho de um soldado e fazendeiro medíocre,
chegou ao posto de marechal de campo graças a uma combinação de
inteligência e bravura. Kemal aprendeu a maneira alemã de guerrear e
colocou a teoria em prática em 1915, quando desempenhou um papel
fundamental na bem-sucedida defesa turca contra a força invasora britânica.
Após a guerra, com o Império Otomano se desintegrando e um exército
grego marchando sobre a Anatólia, foi Kemal quem organizou o contra-
ataque decisivo e se proclamou o pai – Atatürk – de uma nova república
turca. Embora tenha transferido a capital de Istambul para Ankara, no
coração da Anatólia, Atatürk não tinha dúvida de que o Estado que ele
havia forjado deveria se voltar para o Ocidente. Durante séculos, segundo
afirmou, os turcos haviam “caminhado do Oriente em direção ao
Ocidente”.106 “Podemos nomear uma única nação”, perguntou ao escritor
francês Maurice Pernot, “que não tenha se voltado para o Ocidente em sua
busca por civilização?”.107
Uma parte essencial da reorientação da Turquia promovida por Atatürk
foi a reforma radical do alfabeto, que ele introduziu pessoalmente. A escrita
árabe não só simbolizava a dominação do Islã, como também se adequava
parcamente aos fonemas da língua turca e, portanto, ler ou escrever não era
nada fácil para a maior parte da população. Atatürk deu o primeiro passo no
parque Gülhane, outrora um jardim do palácio de Topkapı, numa noite de
agosto de 1928. Dirigindo-se a um grande público de convidados, ele pediu
a alguém capaz de ler turco que recitasse o texto de um papel em sua mão.
Quando o voluntário, visivelmente desconcertado, examinou o que estava
escrito na folha, Atatürk disse à multidão: “Este jovem está perplexo porque
ele não conhece o verdadeiro alfabeto turco”. Então, entregou a folha a um
colega, que leu em voz alta:
Nossa língua rica e harmoniosa agora será capaz de se mostrar com novas letras turcas. Devemos
nos libertar desses sinais incompreensíveis que durante séculos detiveram nossa mente em uma
morsa de ferro [...] Vocês devem aprender depressa as novas letras turcas [...] Considerem isso um
dever nacional e patriótico [...] Pois é vergonhoso que uma nação consista de 10% ou 20% de
letrados e 80% ou 90% de iletrados [...] Devemos reparar esses erros [...] Nossa nação mostrará,
com esta escrita e com sua inteligência, que seu lugar é no mundo civilizado. 108
A ocidentalização do alfabeto foi só uma parte de uma revolução cultural
mais ampla projetada por Atatürk para incluir a Turquia no século XX. As
roupas foram ocidentalizadas tanto para os homens quanto para as
mulheres; o fez e o turbante foram substituídos pelo chapéu ocidental, e o
uso do véu foi desestimulado. Adotou-se o calendário ocidental, e inclusive
os anos passaram a seguir a numeração cristã. Mas o que Atatürk fez de
mais importante foi estabelecer a nova Turquia como um Estado secular,
completamente separado de toda autoridade religiosa. O califado foi
abolido em março de 1924; um mês depois, as cortes religiosas foram
fechadas e a lei sharia foi substituída por um código civil baseado no da
Suíça. Aos olhos de Atatürk, nada fora mais responsável por retardar o
avanço do Império Otomano que a interferência religiosa no domínio da
ciência. Em 1932, após consultar Albert Malche, da Universidade de
Genebra, ele substituiu a antiga Darülfünun (Casa das Múltiplas Ciências),
que estivera firmemente nas mãos dos imames, pela Universidade de
Istambul, de estilo ocidental, que mais tarde abriu as portas para cerca de
cem acadêmicos alemães fugindo do regime nacional-socialista porque
eram judeus ou porque pertenciam à esquerda política. “Para tudo no
mundo – para a civilização, para a vida, para o sucesso”, ele declarou em
palavras inscritas no principal edifício da Universidade de Ankara, “o guia
mais verdadeiro é o conhecimento e a ciência. Procurar outro guia que não
o conhecimento e a ciência é [um sinal de] negligência, ignorância e
aberração”.109
Ao dissolver o Império Otomano e impelir seu centro turco em direção ao
secularismo, a Primeira Guerra Mundial impulsionou – ainda que sem
querer – os valores da Revolução Científica e do Iluminismo. Para
assegurar vitória, no entanto, os britânicos procuraram mobilizar inimigos internos contra o sultão, entre eles os árabes e os judeus. Para os árabes, os
britânicos prometeram reinos independentes. Para os judeus, um novo “lar
nacional para o povo judeu” na Palestina. Essas promessas, conforme
sabemos, se mostraram incompatíveis.
Embora sagrada para todas as três religiões monoteístas, Jerusalém hoje
às vezes parece o equivalente moderno de Viena em 1683 – uma cidade
fortificada na fronteira da civilização ocidental. Fundada em maio de 1948
como um Estado judeu – por judeus mas não exclusivamente para judeus –,
o Estado de Israel se considera um posto avançado ocidental. Mas está
cercado por todos os lados. Israel, que reivindica Jerusalém como sua
capital,110 é ameaçado por forças muçulmanas que colocam em risco sua
própria existência: pelo Hamas, nos territórios ocupados de Gaza (que
atualmente controla) e da Cisjordânia; pelo Hezbollah, no Líbano vizinho; e
pelo Irã, a leste; sem falar da Arábia Saudita. No Egito e na Síria, os
israelenses veem os islamitas fazendo progresso contra governos seculares.
Até mesmo a Turquia, tradicionalmente amigável, hoje claramente se
inclina para o islamismo e o antissionismo, sem falar de uma política
externa neo-otomana. Em consequência, muitas pessoas em Israel se sentem
tão ameaçadas quanto os vienenses em 1683. A principal pergunta é até que
ponto a ciência pode continuar a ser o atributo que confere a uma sociedade
ocidental como Israel uma vantagem sobre seus inimigos.
Num grau notável para um país tão pequeno, Israel está na vanguarda da
inovação científica e tecnológica. Entre 1980 e 2000, o número de patentes
registradas em Israel foi 7.652, em comparação com 367 para todos os
países árabes juntos. Em 2008, inventores israelenses se apresentaram para
registrar 9.591 novas patentes. O número equivalente para o Irã foi 50 e,
para todos os países de maioria muçulmana, 5.657.111 Israel tem mais
cientistas e engenheiros per capita que qualquer outro país, e produz mais
artigos científicos per capita. Com relação ao PIB, seus gastos com
pesquisa e desenvolvimento civil são os mais altos do mundo112. O
banqueiro judeu-alemão Siegmund Warburg não estava errado quando, na
época da Guerra dos Seis Dias, comparou Israel com a Prússia do século
XVIII. (Warburg ficou especialmente impressionado com o Instituto de Ciência Weizmann em Rehovoth, um centro de pesquisa fundado em 1933
por Chaim Weizmann, o notável químico que se tornaria o primeiro
presidente de Israel.)113 Uma caixa de areia cercada de inimigos, cada país
precisava de ciência para garantir sua sobrevivência estratégica. Hoje, nada
ilustra melhor o nexo entre ciência e segurança do que a sala de controle da
vigilância policial no coração de Jerusalém. Literalmente, cada rua
movimentada na velha cidade tem sua própria câmera de circuito fechado,
permitindo à polícia monitorar, registrar e, onde necessário, demover
suspeitos de terrorismo.
Mas hoje essa distância científica finalmente mostra sinais de estar sendo
superada. Embora seja uma república islâmica, o Irã abriga dois festivais de
ciência anuais – o Festival Internacional de Ciências Elementares de
Kharazmi e o Festival Anual de Investigação em Ciências Médicas Razi –
concebidos para fomentar pesquisas de ponta tanto no campo teórico quanto
no aplicado. Recentemente, o governo iraniano destinou 150 bilhões de
riyal (em torno de 17,5 milhões de dólares) à construção de um novo
observatório, como parte de um importante investimento em astronomia e
astrofísica. De maneira surpreendente, tendo em vista a rigidez da aplicação
da lei sharia por parte do regime, hoje cerca de 70% de seus estudantes de
Ciência e Engenharia são mulheres. De Teerã a Riad, passando pela escola
privada para garotas muçulmanas, financiada por sauditas (a qual visitei ano
passado em West London), o tabu contra a educação feminina está
diminuindo. Isso, por si só, é um avanço bem-vindo. O que é muito menos
bem-vindo é o uso que o Irã vem fazendo de sua recém-fundada literatura
científica.
Em 11 de abril de 2006, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad
anunciou que o Irã havia conseguido enriquecer urânio. Desde então, apesar
da ameaça de sanções econômicas, o país está cada vez mais perto de seu
antigo sonho de ser uma potência nuclear. Ostensivamente, esse é um
programa projetado para produzir energia nuclear. Na realidade, é um
segredo conhecido por todos que Mahmoud Ahmadinejad aspira ter uma
arma nuclear. Isso, no entanto, não faria do Irã a primeira potência nuclear
islâmica. Graças ao trabalho pioneiro do inescrupuloso Dr. A. Q. Khan, o Paquistão vem sendo, há anos, a principal locomotiva de proliferação de
armas nucleares. No momento em que escrevo este livro, não está nada
claro se Israel, sozinho, tem uma resposta militar viável para a ameaça de
um Irã munido de armas nucleares.
Hoje, então, mais de três séculos após o cerco de Viena, a questão
principal é até que ponto o Ocidente continua sendo capaz de manter a
liderança científica na qual – entre muitas outras coisas – há muito se apoia
sua superioridade militar. Ou talvez a questão possa ser formulada em
outros termos. Será que uma potência oriental pode realmente esperar se
beneficiar do conhecimento científico ocidental se continuar a rejeitar esta
outra parte fundamental da fórmula vencedora do Ocidente: a terceira
inovação institucional dos direitos de propriedade privada, o Estado
democrático de direito e um governo verdadeiramente representativo?
Ver, em geral, Bakar, Tawhid and Science; Morgan, Lost History; Lyons, The House of Wisdom.
Freely, Aladdin’s Lamp, p. 163.
Lyons, The House of Wisdom, p. 5.
De maneira crucial, tanto os muçulmanos Shi’a, da Pérsia, quanto os mongóis – menos doutrinários –
na Índia rejeitaram as pretensões otomanas sobre o califado e resistiram a elas.
O título completo de Solimão era: “Sua majestade imperial, o sultão Solimão I, soberano da Casa
Imperial de Osman, sultão dos sultões, khan dos khans, comandante dos fiéis e sucessor do profeta do Senhor do Universo, protetor das cidades sagradas de Meca, Medina e Jerusalém, imperador das três cidades de Constantinopla, Adrianopla e Bursa, e das cidades de Damasco e Cairo, de toda a Armênia, do Magris, de Barka, de Cairuão, de Aleppo, do Iraque árabe e de Ajim, de Basra, de Al-Hasa, de Dilen, de Raka, de Mossul, de Partia, de Diyarbakır, da Cilícia, dos vilaietes de Erzurum, de Sivas, de Adana, de Karaman, de Van, da Berbéria, da Abissínia, da Tunísia, de Trípoli, de Damasco, de Chipre, de Rodes, de Candia, do vilaiete da Moreia, do mar de Mármara, do mar Negro e também de seu litoral, da Anatólia, da Rumélia, de Bagdá, do Curdistão, da Grécia, do Turquistão, da Tartária, da Circássia, dos dois territórios de Cabárdia, da Geórgia, da planície de Kipshak, de todo o território dos tártaros, de Kefa e de todos os territórios vizinhos, da Bósnia e de suas dependências, da cidade e do forte de Belgrado, do vilaiete da Sérvia, com todos os castelos, fortes e cidades, de toda a Albânia, de todo Iflak e Bogdania [...]”.
İhsanoğlu, Science, Technology and Learning in the Ottoman Empire, p. 16 ss.
Mansel, Constantinople, p. 62.
Hamdani, “The Ottoman Response to the Discovery of America and the New Route to India”.
Forster e Daniel (Org.), The Life and Letters of Ogier Ghiselin de Busbecq, p. 221.
0 Hess, “The Evolution of the Ottoman Seaborne Empire in the Age of the Oceanic Discoveries”.
1 Leopoldo personificava a capacidade da família Habsburgo para adquirir territórios por nascimento
em vez de por guerra e, ao mesmo tempo, as dificuldades decorrentes da endogamia. Ele foi batizado Leopoldo Ignácio José Baltazar Feliciano de Habsburgo, e seu título completo, quando foi eleito sacro imperador romano, era “Leopoldo I, pela graça de Deus eleito Sacro Imperador Romano, para sempre Augusto, rei da Alemanha, rei da Hungria, rei da Boêmia, da Dalmácia, da Croácia, da Eslavônia, de Rama, da Sérvia, da Galícia, da Lodoméria, da Cumânia, da Bulgária, arquiduque da Áustria, duque de Borgonha, de Brabante, da Estíria, da Caríntia, Carníola, marquês da Morávia, duque de Luxemburgo, da Alta e da Baixa Silésia, de Württemberg e Teck, príncipe da Suábia, conde de Habsburgo, Tirol, Kyburg e Gorizia, landgrave da Alsácia, marquês do Sacro Império Romano, da Burgóvia, do Enns, da Alta e da Baixa Lusácia, lorde do marquesado da Eslavônia [e] de Pordenone e Salines”. Atormentado por um maxilar inferior especialmente protuberante (o notório “maxilar de Habsburgo”), Leopoldo se casou três vezes: primeiro, com a espanhola Margarita Teresa, sua sobrinha e prima em primeiro grau, depois com a arquiduquesa tirolesa Claudia Felicitas e, por último, com a princesa Leonor de Neuburgo. Teve 16 filhos ao todo, só quatro dos quais continuavam vivos quando ele morreu.
2 İnalcik e Quataert, An Economic and Social History of the Ottoman Empire, p. xviii.
3 Stoye, The Siege of Vienna, p. 32.
4 Ibid., p. 119. Cf. Panaite, The Ottoman Law of War and Peace.
5 Goodwin, Lords of the Horizons, p. 229.
6 A história pode ter surgido com Alfred Gottschalk, autor da primeira edição da Larousse
Gastronomique (1938). Primeiro ele atribuiu o croissant ao cerco de Budapeste em 1686, quando um padeiro supostamente alertou as autoridades sobre as escavações turcas. Em uma publicação posterior, Gottschalk mudou o cenário para Viena em 1683.
7 Lewis, What Went Wrong?, p. 18 ss.
8 Özmucur e Pamuk, “Real Wages and Standards of Living in the Ottoman Empire”; Quataert,
Ottoman Manufacturing in the Age of the Industrial Revolution. Assim como na Índia, a manufatura têxtil tradicional foi duramente afetada pela competição europeia no início do século XIX, mas a economia otomana se saiu melhor no período posterior a 1850.
9 Rafeq, “Making a Living or Making a Fortune”; Pamuk, “Institutional Change and the Longevity of
the Ottoman Empire”.
0 Grant, “Rethinking the Ottoman ‘Decline’”.
1 Steinberg, Five Hundred Years of Printing, p. 22-5.
2 Eisenstein, The Printing Revolution in Early Modern Europe, p. 168.
3 Luther, Concerning Christian Liberty (1520).
4 Crofts, “Printing, Reform and Catholic Reformation in Germany”, p. 376.
5 Holborn, “Printing and the Growth of a Protestant Movement in Germany”, p. 134 ss.
6 Dittmar, “Ideas, Technology, and Economic Change”.
7 Walsham, “Unclasping the Book?”, p. 156.
8 A Versão Autorizada (como veio a ser conhecida a Bíblia do rei Jaime, de 1611) está, ao lado das
obras de William Shakespeare, entre as maiores obras da literatura inglesa. Os tipógrafos reais falharam uma única vez com a equipe de 47 estudiosos que a produziram: a edição de 1631 – conhecida como “a Bíblia perversa” – omitiu a palavra “não” do mandamento “Não deverás cometer adultério”.
9 Hall, “Intellectual Tendencies”, p. 390 ss.
0 Bohnstedt, “The Infidel Scourge of God”, p. 24.
1 Clark, “The Publication of the Koran in Latin”, p. 9.
2 Thomas, Religion and the Decline of Magic; Levack, The Witch-Hunt in Early Modern Europe.
3 Entre os avanços científicos mais importantes do mundo – 369 eventos mencionados em quase todas
as obras de referência sobre a história da ciência –, uma proporção incrivelmente alta (38%) ocorreu entre o início da Reforma e o início da Revolução Francesa. O papel da liberdade de pensamento, tanto religiosa quanto política, é uma variável essencial na teoria das realizações humanas de Charles Murray, notável mas negligenciada. Murray também identifica as contribuições da urbanização e, talvez paradoxalmente, do conflito militar. Conforme veremos, a relação entre a guerra e o progresso científico era de fato muito próxima.
4 Kuhn, The Structure of Scientific Revolutions.
5 Henry, The Scientific Revolution and the Origins of Modern Science, p. 74.
6 Shank, The Newton Wars and the Beginning of the French Enlightenment, p. 239.
7 Murray, Human Accomplishment, esp. p. 257 ss., 297 ss. Ver também Basalla, “The Spread of
Western Science”.
8 Smith, “Science and Technology in Early Modern Islam”. Cf. Clark, “Aristotle and Averroes”.
9 Deen, Science under Islam, p. 122 ss; Huff, The Rise of Early Modern Science, p. 92.
0 Huff, The Rise of Early Modern Science, p. 75.
1 Deen, Science under Islam, p. 4 ss.; Faroqhi, Subjects of the Sultan.
2 Mansel, Constantinople, p. 45.
3 Lewis, What Went Wrong?, p. 43.
4 Barkey, Empire of Difference, p. 232 ss.; İhsanoğlu, Science, Technology and Learning in the
Ottoman Empire, p. 20. Ver também Mansel, Constantinople, p. 46; Vlahakis et al. Imperialism and Science, p. 79.
5 İhsanoğlu, Science, Technology and Learning in the Ottoman Empire.
6 Barkey, Empire of Difference, p. 233.
7 Sprat, The History of the Royal Society of London, p. 63 ss.
8 Fernández-Armesto, Pathfinders, p. 281.
9 Gribbin, The Fellowship, p. 253 ss.
0 Hall, Philosophers at War.
1 Stewart, The Rise of Public Science, p. 258.
2 Allen, The Steam Engine of Thomas Newcomen; Allen, The 1715 and Other Newcomen Engines.
3 Goldstone, Revolution and Rebellion in the Early Modern World, p. 367. Cf. Gerber, “The Monetary
System of the Ottoman Empire”; Pamuk, “Prices in the Ottoman Empire”.
4 Goffman, The Ottoman Empire and Early Modern Europe, p. 119.
5 Shaw, History of the Ottoman Empire and Modern Turkey, p. 207.
6 Lewis, The Middle East, p. 126. Ver também Goldstone, Revolution and Rebellion in the Early
Modern World, p. 378 ss.
7 Lewis, The Emergence of Modern Turkey, p. 23.
8 Coles, The Ottoman Impact on Europe, p. 163.
9 Mansel, Constantinople, p. 86-96; Goodwin, Lords of the Horizons, p. 168.
0 Clark, Iron Kingdom, p. 240.
1 T. R. Ybarra, “Potsdam of Frederick the Great – After William II”, New York Times, 10 de setembro
de 1922.
2 Clark, Iron Kingdom, p. 189.
3 Chakrabongse, The Education of the Enlightened Despots, p. 52 ss.
4 Fraser, Frederick the Great, p. 29 ss.
5 Clark, Iron Kingdom, p. 215.
6 Frederick, Anti-Machiavel, cap. 26.
7 Clark, Iron Kingdom, p. 231.
8 Ibid., p. 241 ss.
9 Haffner, The Rise and Fall of Prussia, p. 37, 43 ss.
0 Gerber, “Jews and Money-Lending in the Ottoman Empire”. Ver também Quataert, Manufacturing
and Technology Transfer in the Ottoman Empire.
1 Clark, Iron Kingdom, p. 187.
2 Blanning, The Culture of Power and the Power of Culture, p. 108 ss.
3 Em suas viagens, Cândido, Cunegonde e os leibnizianos dr. Pangloss e Cacambo vivenciam ou
testemunham fustigações, guerra, sífilis, naufrágio, estrangulamento, um terremoto, escravidão, bestialidade, doença e morte por pelotão de fuzilamento.
4 Darnton, The Literary Underground of the Old Regime, p. 25.
5 Terrall, The Man Who Flattened the Earth, p. 181-5.
6 Aldington (Org.), Letters of Voltaire and Frederick the Great, p. 179.
7 Frederick, Anti-Machiavel, p. 400-405.
8 Terrall, The Man Who Flattened the Earth, p. 235.
9 Shank, The Newton Wars, p. 475; Fraser, Frederick the Great, p. 259.
0 Kant, “Answer to the Question: ‘What is Enlightenment?’”
1 Clark, Iron Kingdom, p. 215.
2 Ibid., p. 195.
3 Palmer, “Frederick the Great”, p. 102.
4 Bailey, Field Artillery and Firepower, p. 165 ss.
5 Duffy, Frederick the Great, p. 264.
6 Kinard, Weapons and Warfare, p. 157 ss.
7 Steele, “Muskets and Pendulums”, p. 363 ss.
8 Ibid., p. 368 ss.
9 Agoston, “Early Modern Ottoman and European Gunpowder Technology”.
0 Coles, The Ottoman Impact on Europe, p. 186.
1 Montesquieu, Persian Letters, Letter XIX.
2 Mansel, Constantinople, p. 185 ss.
3 Shaw, History of the Ottoman Empire and Modern Turkey, p. 236-8.
4 Lewis, What Went Wrong?, p. 27.
5 Aksan, An Ottoman Statesman in War and Peace.
6 İhsanoğlu, Science, Technology and Learning in the Ottoman Empire, p. 56. Ver também Levy,
“Military Reform”.
7 Reid, Crisis of the Ottoman Empire, p. 59-64.
8 Mansel, Constantinople, p. 237 ss.
9 Araci, “Giuseppe Donizetti and the Ottoman Court”, p. 51.
00 İhsanoğlu, Science, Technology and Learning in the Ottoman Empire, p. 170 ss.
01 Clarke, “The Ottoman Industrial Revolution”, p. 67 ss.
02 Findley, “Na Ottoman Occidentalist in Europe”.
03 Weiker, “The Ottoman Bureaucracy”, esp. p. 454 ss.
04 Pamuk, “From Bimetallism to the ‘Limping Gold Standard’”, p. 16; Davison, Essays in Ottoman
and Turkish History, p. 64-7. Cf. Farley, Turkey, p. 121 ss.
05 Pamuk, The Ottoman Empire and European Capitalism, p. 55-9.
06 Kinross, Atatürk, p. 386.
07 Mango, Atatürk, p. 396
08 Kinross, Atatürk, p. 442 ss.
09 Mango, Atatürk, p. 412.
10 Jerusalém foi temporariamente cercada por forças árabes em 1948, após uma grande batalha que
levou à expulsão da comunidade judaica e à destruição das antigas sinagogas da cidade. No entanto, na época do cessar-fogo de janeiro de 1949, Israel reivindicou a nova cidade (Jerusalém Ocidental) e o velho bairro judeu. A Transjordânia reivindicou Jerusalém Oriental, com a margem ocidental do Jordão. Por quase duas décadas, a cidade foi dividida em duas (tal como Berlim entre 1961 e 1989), embora sem reconhecimento internacional. Mas então, durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Jerusalém Oriental foi “libertada” pelas Forças de Defesa israelenses, mais uma vez a despeito das Nações Unidas. Sob o prefeito Teddy Kollek, grandes partes da Jerusalém árabe foram destruídas, inclusive o bairro marroquino. A política de construção de assentamentos judeus em Jerusalém Oriental também foi concebida para tornar permanente o controle israelense. Mas ondas recorrentes de violência, notadamente as intifadas lideradas por jovens árabes, tenderam a restaurar a divisão da cidade, enquanto persuadiam muitos israelenses de que um retorno às fronteiras anteriores a 1967 deveria ser parte de um acordo de paz duradouro. No entanto, a lei israelense continua afirmando que “Jerusalém, completa e unificada, é a capital de Israel”. Desde 1988 os palestinos reivindicam a cidade (que eles chamam al-Quds al-Sharif) como sua capital. No momento em que escrevo este livro, qualquer acordo sobre o assunto é difícil de imaginar.
11 Organização Mundial da Propriedade Intelectual, World Intellectual Property Indicators 2010
(Geneva, 2010): http://www.wipo.int/ipstats/en/statistics/patents/.
12 Senor e Singer, Start-Up Nation.
13 Ferguson, High Financier, p. 317 ss.
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