Civilização: Ocidente X Oriente
Prefácio à edição britânica
Estou tentando lembrar onde foi, e quando foi, que me dei conta. Será que
foi durante minha primeira caminhada pelo Bund em Xangai, em 2005? Ou
foi em meio à poluição e à poeira de Chongqing, escutando um membro do
Partido Comunista local descrever um vasto monte de entulho como o
futuro centro financeiro do sudoeste da China? Isso ocorreu em 2008, e de
alguma forma me impressionou mais que toda a pompa sincronizada da
cerimônia de abertura das Olimpíadas de Pequim. Ou será que foi, ainda, no
Carnegie Hall em 2009, enquanto assistia, hipnotizado, à apresentação de
Angel Lam, a jovem e incrivelmente talentosa compositora chinesa que
personifica a orientalização da música clássica? Acho que talvez tenha sido
só aí que realmente entendi a primeira década do século XXI, logo quando
esta se encerrava: que estamos chegando ao fim de 500 anos de supremacia
ocidental.
A principal pergunta abordada por este livro parece ser, cada vez mais, a
pergunta mais interessante que um historiador da era moderna pode fazer:
por que, começando por volta de 1500, algumas pequenas organizações
políticas no extremo ocidental do continente eurasiático passaram a
dominar o restante do mundo, inclusive as sociedades mais populosas e, em
muitos aspectos, mais sofisticadas do Leste da Eurásia? Minha pergunta
subsidiária é: se conseguirmos pensar em uma boa explicação para a
supremacia do Ocidente no passado, será que seremos capazes, então, de
fazer um prognóstico de seu futuro? Estamos realmente vivenciando o fim do mundo ocidental e o advento de uma nova época oriental? Em outras
palavras, será que estamos testemunhando o fim de uma era em que a maior
parte da humanidade esteve de algum modo subordinada à civilização que
surgiu na Europa Ocidental no despertar do Renascimento e da Reforma – a
civilização que, impulsionada pela Revolução Científica e pelo Iluminismo,
se espalhou pelo Atlântico tão rapidamente quanto os antípodas, e enfim
chegou a seu apogeu durante as Eras da Revolução, da Indústria e do
Império?
O próprio fato de que quero apresentar tais perguntas diz alguma coisa
sobre a primeira década do século XXI. Nascido e criado na Escócia,
educado na Academia de Glasglow e na Universidade de Oxford, presumi,
entre meus 20 e 30 anos, que seguiria carreira acadêmica em Oxford ou em
Cambridge. Comecei a pensar em me mudar para os Estados Unidos porque
um eminente patrono da Stern School of Business da Universidade de Nova
York, o veterano de Wall Street Henry Kaufman, havia me perguntado por
que alguém interessado na história do dinheiro e do poder não vinha até
onde o dinheiro e o poder de fato estavam. E em que outro lugar poderiam
estar senão no centro de Manhattan? Com a chegada do novo milênio, a
Bolsa de Valores de Nova York passou a ser, visivelmente, o centro de uma
imensa rede econômica global que fora concebida por norte-americanos e,
em grande medida, pertencia a norte-americanos. A bolha da internet estava
desinflando, e uma breve recessão levou os democratas a perderem a Casa
Branca justo quando sua promessa de pagar a dívida interna começava a
soar quase plausível. Mas, apenas oito meses depois de se tornar presidente,
George W. Bush se viu diante de um acontecimento que ressaltou
muitíssimo o caráter central que Manhattan representa para o mundo
dominado pelo Ocidente. A destruição do World Trade Center por
terroristas da al-Qaeda prestou uma terrível homenagem a Nova York. Esse
era o alvo número um para todos aqueles que desejavam desafiar
seriamente a supremacia ocidental.
Os acontecimentos seguintes esbanjaram arrogância. O Talibã derrubado
no Afeganistão. Um “eixo do mal” pronto para uma “mudança de regime”.
Saddam Hussein expulso do Iraque. O “texano tóxico” subindo nas pesquisas, a caminho da reeleição. A economia norte-americana se
recuperando graças aos cortes de impostos. A “velha Europa” – sem
mencionar a América liberal – bufando, impotente. Fascinado, eu me vi
lendo e escrevendo cada vez mais sobre impérios, em particular sobre as
lições dos britânicos aos norte-americanos; o resultado foi meu livro
Império – Como os britânicos fizeram o mundo moderno (2003). Conforme
eu refletia sobre a ascensão, o domínio e a provável queda do império
norte-americano, ficou claro para mim que havia três déficits fatais no cerne
do poder dos Estados Unidos: um déficit de força militar (botas
insuficientes em solo afegão e iraquiano), um déficit de atenção
(entusiasmo insuficiente do povo com relação à ocupação dos países
conquistados durante um longo período) e, acima de tudo, um déficit
financeiro (economias insuficientes com relação ao investimento e impostos
insuficientes com relação ao gasto público).
Em Colosso – Ascensão e queda do império americano (2004), alertei
para o fato de que os Estados Unidos, pouco a pouco, passaram a confiar no
capital do leste asiático para financiar suas contas fiscais e transações
correntes desajustadas. O declínio e a queda do império não declarado dos
Estados Unidos talvez se devam, portanto, não aos terroristas nos portões,
nem aos regimes aberrantes que os financiaram, e sim a uma crise
financeira no cerne do próprio império. Quando, no fim de 2006, Moritz
Schularick e eu cunhamos a palavra “Chimérica” – um trocadilho com
“quimera” – para descrever aquela que víamos como uma relação
perigosamente insustentável entre a China parcimoniosa e a América
esbanjadora, identificamos um dos principais elementos da crise financeira
global que estava por vir. Pois sem a disponibilidade de mão de obra
chinesa barata e capital chinês barato para os consumidores norte-
americanos, a bolha dos anos 2002-2007 não teria sido tão grave.
A ilusão do “hiperpoder” norte-americano foi destruída não uma, mas
duas vezes durante a presidência de George W. Bush. A vingança chegou
primeiro às ruelas do bairro Cidade Sadr e aos campos de Helmand, que
expuseram não só os limites do poderio militar norte-americano como
também, e mais importante, a ingenuidade das visões neoconservadoras de uma onda democrática no Grande Oriente Médio. E os acertou uma
segunda vez com o agravamento da crise hipotecária do subprime de 2007,
culminando na crise creditícia de 2008 e, finalmente, na “grande recessão”
de 2009. Após a bancarrota do Lehman Brothers, as falsas verdades do
“Consenso de Washington” e da “Grande Moderação” – o equivalente ao
“fim da história” entre os banqueiros centrais – estavam fadadas ao
esquecimento. Por um tempo, uma segunda Grande Depressão pareceu
assustadoramente possível. O que havia dado errado? Em uma série de
artigos e palestras que começaram em meados de 2006 e culminaram na
publicação de A ascensão do dinheiro – A história financeira do mundo em
novembro de 2008 – quando a crise financeira estava em sua pior fase –,
afirmei que todos os principais componentes do sistema financeiro
internacional foram desastrosamente enfraquecidos devido ao
endividamento excessivo de curto prazo nos balanços patrimoniais dos
bancos, aos títulos com garantia hipotecária e outros produtos financeiros
estruturados (literalmente superestimados e muito mal calculados), à
política monetária excessivamente frouxa por parte do Federal Reserve, a
uma bolha imobiliária politicamente orquestrada e, por fim, à venda
irrestrita de apólices de seguro fictícias (conhecidas como derivativos),
oferecendo falsa proteção contra incertezas incognoscíveis, em oposição a
riscos quantificáveis. A globalização das instituições financeiras surgidas
no Ocidente teria prenunciado uma nova era de volatilidade econômica
reduzida. Foi preciso conhecimento histórico para prever como uma crise
de liquidez antiquada poderia fazer ruir todo o edifício precário erguido por
alavancagem financeira.
O perigo de uma segunda Depressão diminuiu após o verão de 2009,
embora não tenha desaparecido por completo. Porém, mesmo assim, o
mundo havia mudado. Seria de esperar que o impressionante colapso do
comércio global causado pela crise financeira, quando o crédito para
financiar as importações e as exportações secou de uma hora para outra,
devastasse as grandes economias asiáticas, dependentes – como se supunha
que fossem – das exportações ao Ocidente. No entanto, graças a um
programa de estímulo governamental extremamente eficaz baseado na massiva expansão de crédito, a China sofreu apenas uma desaceleração no
crescimento. Esse foi um feito notável que poucos especialistas haviam
previsto. Apesar das visíveis dificuldades de administrar uma economia
continental de 1,3 bilhão de pessoas como se fosse uma Singapura gigante,
há uma grande probabilidade – maior até que no momento em que este livro
está sendo escrito (dezembro de 2010) – de que a China continue a avançar
com sua revolução industrial e que, em uma década, supere os Estados
Unidos em relação ao Produto Interno Bruto, assim como (em 1963) o
Japão superou o Reino Unido.
Visivelmente, o Ocidente desfrutou de uma vantagem real e contínua
sobre o Oriente durante grande parte dos 500 anos anteriores. A distância
entre a receita ocidental e a chinesa já se fazia notar por volta de 1600, e
continuou a aumentar até 1970, ou até depois disso. Mas, daí em diante,
diminuiu com surpreendente rapidez. A crise financeira cristalizou minha
próxima questão histórica: a vantagem do Ocidente deixou de existir?
Espero encontrar a resposta para isso ao compreender em que exatamente
consistiu essa vantagem.
Os parágrafos a seguir tratam da metodologia histórica; os leitores
impacientes podem passar direto à Introdução. Escrevi este livro porque
tinha a forte impressão de que hoje em dia as pessoas prestam insuficiente
atenção aos mortos. Ao observar meus três filhos crescendo, eu tinha a
inquietante sensação de que eles estavam aprendendo menos história do que
eu havia aprendido na idade deles, não só porque tinham professores ruins,
mas também porque tinham livros de história ruins e sistemas de avaliação
ainda piores. Examinando a crise financeira que se desvelava, percebi que
isso estava longe de ser exclusividade deles, pois parecia que só algumas
poucas pessoas nos bancos e tesouros do mundo ocidental tinham mais do
que informações superficiais sobre a última Depressão. Por quase 30 anos,
os jovens nas escolas e nas universidades ocidentais foram formados com a
ideia de uma educação liberal, sem a essência do conhecimento histórico.
Eles aprendiam “módulos” isolados, não narrativas, e muito menos
cronologias. Foram preparados para analisar excertos de documentos, mas
não para adquirir a habilidade essencial de ler muito e depressa. Foram encorajados a sentir empatia por centuriões romanos imaginados ou por
vítimas do Holocausto, e não a escrever ensaios sobre por que e como tais
situações ocorreram. Em The History Boys, o dramaturgo Alan Bennett
apresentou um “trilema”: a história deve ser ensinada como um modo de
argumentação contrária, como uma comunhão com a Verdade e a Beleza
passadas, ou simplesmente como “uma coisa depois da outra”? Ele, é claro,
não estava ciente de que os alunos que estão terminando o ensino médio
atualmente não aprenderam nenhuma das três – quando muito, aprenderam
uma porção de “coisas” sem nenhuma ordem específica.
O ex-reitor da universidade onde leciono um dia confessou que, quando
era estudante no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, sua mãe
implorou para que fizesse pelo menos um curso de história. O brilhante
jovem economista respondeu desdenhosamente que estava mais interessado
no futuro que no passado. É uma predileção que hoje ele sabe ser ilusória.
De fato, não há futuro no singular; só futuros, no plural. Há, sem dúvida,
várias interpretações da história, nenhuma delas definitiva – mas há apenas
um passado. E, embora o passado esteja encerrado, há duas razões pelas
quais ele é indispensável para que possamos compreender o que
vivenciamos hoje e o que há diante de nós amanhã e depois. Primeiro, a
atual população mundial corresponde a aproximadamente 7% de todos os
seres humanos que já viveram. Há muito mais mortos que vivos, em outras
palavras, 14 para 1, e ignoramos a experiência acumulada de uma enorme
maioria da humanidade por nossa conta e risco. Segundo, o passado é, com
efeito, nossa única fonte de conhecimento confiável sobre o presente
efêmero e os vários futuros à nossa frente, só um dos quais irá de fato
acontecer. A história não é apenas como estudamos o passado; é também
como estudamos nosso próprio tempo.
Primeiro, devemos reconhecer as limitações do tema. Os historiadores
não são cientistas. Eles não podem (nem devem tentar) estabelecer leis
universais da “física” social ou política com poderes confiáveis de previsão
do futuro. Por quê? Porque não há possibilidade de repetir o experimento
único e multimilenário que constitui o passado. O tamanho de amostra da
história humana é um só. Além disso, as “partículas” nesse vasto experimento têm consciência, a qual é atravessada por todos os tipos de
tendências. Isso significa que o comportamento dessas partículas é ainda
mais difícil de prever do que se fossem partículas giratórias insensatas e
sem vontade própria. Entre as muitas peculiaridades da condição humana
está a de que as pessoas evoluíram aprendendo quase instintivamente com
sua própria experiência pregressa. Portanto, seu comportamento é
adaptativo; muda com o tempo. Não vagamos ao acaso, mas percorremos
caminhos, e o que encontramos no percurso determina a direção que
escolhemos quando o caminho se bifurca – como acontece com frequência.
Então, o que os historiadores podem fazer? Primeiro, ao imitarem
cientistas sociais e se apoiarem em dados quantitativos, os historiadores
podem conceber “leis abrangentes”, na noção de Carl Hempel: afirmações
gerais sobre o passado que parecem abarcar a maioria dos casos (por
exemplo, quando um ditador assume o poder em vez de um líder
democrático, aumentam as chances de que o país em questão vá à guerra).
Ou então – embora as duas abordagens não sejam mutuamente excludentes
– o historiador pode comungar com os mortos reconstruindo
imaginariamente suas experiências da maneira descrita pelo grande filósofo
de Oxford, R. G. Collingwood, em sua Autobiografia, de 1939. Esses dois
modos de investigação histórica nos permitem transformar as relíquias
sobreviventes do passado em história, um corpo de conhecimento e
interpretação que organiza e ilumina retrospectivamente a condição
humana. Toda afirmação preditiva que se preze sobre os possíveis futuros
que podemos vivenciar se baseia, implícita ou explicitamente, em um
desses procedimentos históricos, ou em ambos. Do contrário, pertence à
mesma categoria que o horóscopo no jornal desta manhã.
A ambição de Collingwood, surgida da desilusão com as ciências naturais
e a psicologia que se seguiu à carnificina da Primeira Guerra Mundial, era
trazer a história à era moderna, deixando para trás aquela que ele
considerava a “história como recorte e colagem”, em que os historiadores
“só repetem, com diferentes arranjos e diferentes estilos de decoração, o
que outros disseram antes deles”. Seu processo de pensamento é, por si só,
digno de ser reconstruído:
1
. “O passado que um historiador estuda não é um passado morto, mas um passado que em certo sentido continua existindo no presente” na forma de vestígios (documentos e artefatos) que sobreviveram.
2
. “Toda história é a história do pensamento”, no sentido de que um indício histórico não significa nada se não se pode inferir seu pretenso propósito.
3
. Esse processo de inferência requer um salto imaginativo no tempo: “O conhecimento histórico é a reencenação, na mente do historiador, do pensamento cuja história ele está estudando”. 4
. Mas o verdadeiro significado da história vem da justaposição de passado e presente: “O conhecimento histórico é a reencenação de um pensamento passado encapsulado em um contexto de pensamentos presentes que, por contradizê-lo, o confinam a um plano diferente do deles”.
5
. O historiador, portanto, “pode muito bem estar para o não historiador assim como o homem conhecedor da floresta está para o viajante ignorante. ‘Não há nada aqui além de árvores e grama’, pensa o viajante, e segue em frente. ‘Veja’, diz o homem da floresta, ‘há um tigre na grama’”. Em outras palavras, argumenta Collingwood, a história oferece algo “totalmente diferente das regras [científicas], sobretudo a percepção”.
6
. A verdadeira função da percepção histórica é “informar [as pessoas] sobre o presente, uma vez que o passado, seu assunto aparente, [está] encapsulado no presente e [constitui] uma parte deste que não está imediatamente visível para um olho não treinado”.
7
. Quanto à nossa escolha do assunto para a pesquisa histórica, Collingwood deixa claro que não há nada de errado com o que seu
contemporâneo de Cambridge Herbert Butterfield condenou como “estudar o passado com os olhos do presente”: “Os verdadeiros problemas históricos surgem de problemas práticos. Estudamos história para entender mais claramente a situação na qual somos convocados a agir. Daí que o plano em que, em última instância, todos os problemas surgem é o plano da vida ‘real’, e aquele ao qual recorremos para sua solução é a história”.
Um polímato versado tanto em arqueologia como em filosofia, um
oponente convicto da conciliação e um dos primeiros inimigos do Daily
Mail,1 Collingwood foi meu guia durante muitos anos, mas nunca foi tão
indispensável quanto durante a redação deste livro. Pois o problema de por
que as civilizações caem é importante demais para ser deixado aos que se
encarregam da história como recorte e colagem. É, verdadeiramente, um
problema prático de nosso tempo, e este livro pretende guiá-lo por ele como
um habitante da floresta. Pois há mais do que um tigre escondido nessa
grama.
Ao reconstruir com diligência o pensamento passado, sempre tentei lembrar
uma verdade simples sobre o passado que os historicamente inexperientes
são propensos a esquecer: a maioria das pessoas no passado morreu jovem
ou esperava morrer jovem, e aqueles que não o fizeram choraram repetidas
vezes a perda de seus entes queridos, que morreram jovens. Consideremos o
caso de meu poeta favorito, o mestre jacobino John Donne, que viveu até os
59 anos, 13 anos a mais do que eu tenho ao escrever este livro. Advogado,
membro do Parlamento e, após renunciar à fé católica romana, padre
anglicano, Donne se casou por amor e, em consequência, perdeu o emprego
como secretário do tio da noiva, Sir Thomas Egerton, o lorde guardião do
Selo Real.2 No espaço de 16 anos de penúria, Anne Donne deu ao marido
12 filhos. Três deles, Francis, Nicholas e Mary, morreram antes dos dez
anos de idade. A própria Anne morreu após dar à luz o décimo segundo
filho, natimorto. Depois da morte de Lucy, sua filha predileta, que o próprio
John Donne acompanhou de perto até o túmulo, ele escreveu suas
Devotions upon Emergent Occasions (1624), que contêm a maior de todas as exortações a se compadecer dos mortos: “A morte de qualquer homem
me diminui, porque sou parte da humanidade; portanto, nunca pergunte por
quem os sinos dobram; eles dobram por ti”. Três anos mais tarde, a morte
de um amigo próximo o inspirou a escrever “A Nocturnal upon St Lucy’s
Day, Being the Shortest Day”:
Observem-me, então, vocês que serão amantes
No próximo mundo, isto é, na próxima primavera;
Pois eu sou cada coisa morta,
Em quem o Amor forjou nova alquimia.
Pois sua arte de fato expressava
Uma quintessência até mesmo do nada,
Das privações obtusas, e do vazio insípido;
Ele me arruinou, e eu fui re-criado
De ausência, escuridão, morte – coisas que não são.
Todos aqueles que desejam entender melhor a condição humana na época
em que a expectativa de vida era menos da metade da de hoje deveriam ler
essas linhas.
A morte, que então tinha muito mais poder de eliminar as pessoas em sua
juventude, não só fazia a vida parecer precária e cheia de sofrimento, mas
também significava que a maioria das pessoas que construíram as
civilizações do passado era jovem quando deu suas contribuições. O grande
filósofo judaico-alemão Baruch de Espinosa, que supôs que só há um
universo material de existência e causalidade determinista, e que “Deus” é
essa ordem natural do universo tal como a apreendemos superficialmente e
nada mais, morreu em 1677 aos 44 anos de idade, provavelmente devido às
partículas de vidro que inalava durante seu trabalho regular de polir lentes.
Blaise Pascal, o pioneiro da teoria das probabilidades e da hidrodinâmica e
autor de Pensamentos, a maior de todas as apologias à fé cristã, viveu
somente até os 39; ele teria morrido ainda mais jovem se o acidente que
reavivou seu lado espiritual tivesse sido fatal. Quem sabe que outras
grandes obras esses gênios poderiam ter produzido se tivessem vivido a
quantidade de anos desfrutada, por exemplo, pelos grandes humanistas Erasmo (69) e Montaigne (59)? Mozart, compositor da mais perfeita de
todas as óperas, “Don Giovanni”, morreu quando tinha apenas 35. Franz
Schubert, compositor do sublime “Quinteto de Cordas em Dó” (D956),
sucumbiu, provavelmente de sífilis, aos 31. Mas eles foram prolíficos; que
mais poderiam ter composto se tivessem contado com os 63 anos
desfrutados pelo impassível Johannes Brahms ou os ainda mais
excepcionais 72 concedidos ao tedioso Anton Bruckner? O poeta escocês
Robert Burns, que escreveu a expressão suprema do igualitarismo, “A
Man’s a Man for A’That”, tinha 37 anos quando morreu em 1796. Que
injustiça que o poeta que mais desprezava o status hereditário (“O status é
nada mais que o selo impresso na moeda, / O homem é o ouro de que é
feita”) tenha morrido muito antes daquele que mais reverenciava esse
mesmo status: Alfred Lord Tennyson, que morreu com todas as honras aos
83. E quão diferentes seriam hoje as galerias de arte do mundo se o
meticuloso Jan Vermeer tivesse vivido até os 91 anos e o tão prolífico Pablo
Picasso tivesse morrido aos 39, e não o contrário?
A política também é uma arte – faz parte de nossa civilização tanto
quanto a filosofia, a ópera, a poesia ou a pintura. Mas o maior artista
político na história dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, só concluiu um
mandato na Casa Branca, pois foi vítima de um assassino rancoroso apenas
seis semanas depois de seu segundo discurso inaugural. Ele tinha 56 anos.
Teria sido diferente a era da Reconstrução se esse titã self-made, nascido em
uma cabana rústica de madeira, autor do majestoso “Discurso de
Gettysburg” – que redefiniu os Estados Unidos como “uma nação,
concebida em liberdade, e dedicada à proposição de que todos os homens
nascem iguais”, com um “governo do povo, pelo povo, para o povo” –,
tivesse vivido tanto quanto o grande Franklin Delano Roosevelt, jogador de
polo e posteriormente acometido pela pólio, e quem a ciência médica
manteve vivo por tempo suficiente para exercer quase quatro mandatos
como presidente antes de morrer aos 63 anos?
Uma vez que nossa vida é tão diferente da vida da maioria das pessoas do
passado, sobretudo quanto à sua provável duração, mas também quanto ao
nível de conforto físico, precisamos exercitar a imaginação de maneira um tanto vigorosa para compreender os homens e as mulheres do passado. Em
sua Teoria dos sentimentos morais, escrita um século e meio antes da
autobiografia de Collingwood, o grande economista e teórico social Adam
Smith definiu por que uma sociedade civilizada não é uma guerra de todos
contra todos – porque é baseada na empatia:
Como não temos nenhuma experiência imediata do que os outros homens sentem, não podemos
formar ideia alguma da maneira como são afetados, mas apenas conceber o que nós mesmos
sentiríamos em tal situação. Por mais que nosso irmão esteja sofrendo, enquanto estivermos numa
situação confortável, nossos sentidos jamais serão capazes de nos informar o que ele sofre. Eles
nunca nos levaram, e nunca podem nos levar, para além de nós mesmos, e é só por meio da
imaginação que podemos ter alguma noção das sensações dele. E tampouco essa faculdade pode
nos ajudar de alguma outra forma que não representando para nós o que sentiríamos se
estivéssemos no lugar dele. São somente as impressões de nossos próprios sentidos, e não as dele,
que nossa imaginação reproduz. Pela imaginação, nós nos colocamos em seu lugar.
Isso, é claro, é precisamente o que Collingwood diz que o historiador
deve fazer, e é o que pretendo que o leitor faça ao encontrar nestas páginas
os pensamentos ressuscitados dos mortos. O ponto fundamental do livro é
entender o que fez essa civilização se expandir de maneira tão espetacular
em sua riqueza, influência e poder. Mas não pode haver compreensão sem
essa empatia que nos coloca, por um ato de imaginação, na situação deles.
Esse ato tende a ser muito mais difícil quando tratamos de ressuscitar os
pensamentos dos cidadãos de outras civilizações – aquelas que o Ocidente
subjugou ou, no mínimo, subordinou. Pois eles são membros igualmente
importantes do elenco deste drama. Esta não é uma história do Ocidente, e
sim uma história do mundo, em que a supremacia ocidental é o fenômeno a
ser explicado.
Em um verbete de enciclopédia que escreveu em 1959, o historiador francês
Fernand Braudel assim definiu uma civilização:
Em primeiro lugar, um espaço, uma “área cultural” [...], um lócus. Com o lócus [...] você deve
imaginar uma grande variedade de “bens”, de características culturais, desde a forma das casas, o
material com que são construídas, seus telhados, até habilidades como a colocação de plumas em
flechas, um dialeto ou grupo de dialetos, as preferências culinárias, uma determinada tecnologia,
uma estrutura de crenças, um modo de fazer amor, e até mesmo o compasso, o papel, a imprensa.
É o agrupamento regular, a frequência com que determinadas características ocorrem, sua
ubiquidade em uma área precisa [combinada com] [...] alguma espécie de permanência temporal
[...]
Braudel, no entanto, era melhor para delinear estruturas do que para
explicar a mudança. Hoje em dia, muitas vezes se afirma que os
historiadores devem contar histórias; sendo assim, este livro oferece uma
grande história – uma metanarrativa de por que uma civilização transcendeu
os limites que haviam atado todas as anteriores – e muitas narrativas
menores ou micro-histórias dentro dela. No entanto, a revivificação da arte
da narrativa é só uma parte do que é necessário. Além das histórias, também
é importante que haja perguntas. “Por que o Ocidente dominou o restante
do mundo?” é uma pergunta que demanda algo mais que uma história
cuidadosa em resposta. A resposta precisa ser analítica, precisa ser
corroborada por evidências e precisa ser verificável por meio da pergunta
contrafatual: se as inovações cruciais que identifico aqui não tivessem
existido, o Ocidente teria dominado o Oriente da mesma maneira, por
alguma outra razão que eu esqueci ou subestimei? Ou o mundo teria se
revelado muito diferente, com a China no topo, ou alguma outra
civilização? Não devemos nos iludir pensando que nossas narrativas
históricas, como normalmente são construídas, são algo mais que
readaptações. Para os que viveram no passado, conforme veremos, o
resultado da supremacia ocidental não parecia o mais provável dos futuros
concebíveis; o cenário de derrota desastrosa muitas vezes pareceu mais
iminente na cabeça do ator histórico do que o final feliz concedido ao leitor
atual. A realidade da história como uma experiência vivida é que ela se
parece muito mais com uma partida de xadrez que com um romance, muito
mais com um jogo de futebol que com uma peça de teatro.
Nem tudo era bom. Nenhum escritor sério afirmaria que o domínio da
civilização ocidental era imaculado. Mas há aqueles que insistem que não
havia absolutamente nada de bom nele. Essa posição é absurda. Assim
como em todas as grandes civilizações, a do Ocidente tinha duas faces: era
capaz de nobreza e também capaz de torpeza. Talvez uma analogia melhor seja a de que o Ocidente lembrava os dois irmãos rivais de Memórias e
confissões íntimas de um pecador justificado (1824), de James Hogg, ou de
O senhor de Ballantrae, de Robert Louis Stevenson (1889). Concorrência e
monopólio; ciência e superstição; liberdade e escravidão; cura e assassinato;
trabalho duro e preguiça – em cada caso, o Ocidente foi o pai do bom e do
ruim. Mas, assim como no romance de Hogg ou no de Stevenson, o melhor
dos dois irmãos finalmente saiu por cima. Também devemos resistir à
tentação de romantizar os perdedores da história. As outras civilizações
invadidas pelo Ocidente, ou transformadas por este de forma mais pacífica,
tanto por meio de empréstimos quanto de imposições, também tinham seus
defeitos, dos quais o mais óbvio é que foram incapazes de fornecer a seus
habitantes qualquer melhoria prolongada na qualidade material da vida
deles. Uma dificuldade é que nem sempre podemos reconstruir os
pensamentos passados dessas pessoas não ocidentais, pois nem todas
existiram em civilizações que contavam com meios de registrar e preservar
o pensamento. No fim, a história é primordialmente o estudo das
civilizações, porque sem os registros escritos o historiador volta a depender
de pontas de lança e de fragmentos de cerâmica, dos quais se pode inferir
muito menos.
O historiador e estadista francês François Guizot disse que a história da
civilização é “a maior de todas [...] e compreende todas as outras”. Deve
transcender as várias fronteiras disciplinares erigidas pelos acadêmicos,
com sua compulsão por especializar, entre história econômica, intelectual,
política, militar e internacional. Deve abarcar uma boa porção de tempo e
espaço, porque as civilizações não são pequenas nem efêmeras. Mas um
livro como este não pode ser uma enciclopédia. Àqueles que reclamam do
que foi omitido, não posso fazer mais que citar o idiossincrásico pianista de
jazz Thelonious Monk: “Não toque tudo (ou o tempo todo); deixe que
algumas coisas escapem [...] O que você não toca pode ser mais importante
do que o que você toca”. Eu concordo. Muitas notas e acordes foram
omitidos nas páginas a seguir. Mas foram deixados de fora por uma razão.
Poderia dizer que a seleção reflete as inclinações de um escocês de meia-
idade, o arquetípico beneficiário da predominância ocidental? Muito provavelmente. Mas tenho esperança de que tal seleção não desagrade aos
mais ardentes e eloquentes defensores dos valores ocidentais de hoje, cujas
origens étnicas são muito diferentes das minhas – de Amartya Sen a Liu
Xiaobo, de Hernando de Soto àquela a quem dedico este livro.
Um livro que pretende cobrir 600 anos de história mundial é
necessariamente um esforço colaborativo, e devo agradecer a muitas
pessoas. Sou grato aos funcionários dos seguintes arquivos, bibliotecas e
instituições: AGI Archive, Musée Départemental Albert Kahn, Bridgeman
Art Library, British Library, Charleston Library Society, Zhongguo guojia
tushuguan (Biblioteca Nacional da China) em Pequim, Corbis, Institut
Pasteur em Dacar, Deutsches Historisches Museum em Berlim, Geheimes
Staatsarchiv Preussischer Kulturbesitz em Berlin-Dahlem, Getty Images,
Greenwich Observatory, Heeresgeschichtliches Museum em Viena, Irish
National Library, Library of Congress, Missouri History Museum, Musée
du Chemin des Dames, Museo de Oro em Lima, National Archives em
Londres, National Maritime Museum, Başbakanlık Osmanlı Arşivleri
(arquivos otomanos) em Istambul, PA Photos, Peabody Museum of
Archaeology and Ethnology em Harvard, Archives Nationales du Sénégal
em Dacar, South Carolina Historical Society, School of Oriental and
African Studies, Sülemaniye Manuscript Library e, é claro, a incomparável
Widener Library, de Harvard. Seria errado não incluir uma linha de
agradecimento ao Google, hoje uma fonte inigualável de recursos para
acelerar a pesquisa histórica, assim como a Questia e a Wikipedia, que
também tornam mais fácil o trabalho do historiador.
Minhas pesquisas contaram com a valiosíssima ajuda de Sarah
Wallington, bem como a de Daniel Lansberg-Rodriguez, Manny Rincon-
Cruz, Jason Rockett e Jack Sun.
Como de costume, este é um livro publicado pela Penguin dos dois lados
do Atlântico, cuja edição, como sempre, contou com a habilidade e o
entusiasmo de Simon Winder, em Londres, e de Ann Godoff, em Nova
York. O inigualável Peter James fez mais que preparar o texto. Obrigado
também a Richard Duguid, Rosie Glaisher, Stefan McGrath, John Makinson
e Pen Vogler, e a muitos outros numerosos demais para mencionar.
Assim como quatro de meus últimos cinco livros, Civilização foi, desde o
começo, uma série de televisão e um livro. No Channel 4, na Inglaterra,
Ralph Lee evitou que eu fosse obscuro ou simplesmente incompreensível,
com a assistência de Simon Berthon. Nem a série nem o livro poderiam ter
sido feitos sem a extraordinária equipe reunida pela Chimerica Media:
Dewald Aukema, um príncipe entre os cinematógrafos, James Evans, nosso
produtor assistente para os filmes 2 e 5, Alison McAllan, nossa
pesquisadora de arquivo, Susannah Price, que produziu o filme 4, James
Runcie, que dirigiu os filmes 2 e 5, Vivienne Steel, nossa gerente de
produção, e Charlotte Wilkins, nossa produtora-assistente para os filmes 3 e
4. Joanna Potts também desempenhou um papel essencial na fase inicial do
projeto. Chris Openshaw, Max Hug Williams, Grant Lawson e Harrik
Maury lidaram habilmente com a filmagem na Inglaterra e na França. Com
sua paciência e generosidade para com o autor, meus colegas da Chimerica,
Melanie Fall e Adrian Pennink, garantiram que continuemos sendo uma
ótima propaganda para o triunvirato como forma de governo. Meu amigo
Chris Wilson mais uma vez se certificou de que eu não perdesse nenhum
voo.
Dentre as muitas pessoas que nos ajudaram a gravar a série, várias
colaboraram com a pesquisa usada neste livro. Meus agradecimentos a
Manfred Anderson, Khadidiatou Ba, Lillian Chen, Tereza Horska, Petr
Janda, Wolfgang Knoepfler, Deborah McLauchlan, Matias de Sa Moreira,
Daisy Newton-Dunn, José Couto Nogueira, Levent Öztekin e Ernst Vogl.
Também gostaria de agradecer às muitas pessoas que entrevistei enquanto
percorríamos o mundo, em particular Gonzalo de Aliaga, Nihal Bengisu
Karaca, Pastor John Lindell, Mick Rawson, Ryan Squibb, Ivan Touška,
Stefan Wolle, Hanping Zhang e – por último, mas de forma alguma menos
importante – os alunos da Robert Clack School, em Dagenham.
Tenho muita sorte de contar com Andrew Wylie, o melhor agente literário
do mundo, e com Sue Ayton, sua equivalente na televisão britânica. Meus
agradecimentos também vão para Scott Moyers, James Pullen e a todos os
outros funcionários nos escritórios da Wylie Agency em Londres e em
Nova York.
Uma série de historiadores notáveis leu generosamente o original deste
livro, no todo ou em parte, assim como muitos amigos, alunos e ex-alunos:
Rawi Abdelal, Ayaan Hirsi Ali, Bryan Averbuch, Pierpaolo Barbieri,
Jeremy Catto, J. C. D. Clark, James Esdaile, Campbell Ferguson, Martin
Jacques, Harold James, Maya Jasanoff, Joanna Lewis, Charles Maier,
Hassan Malik, Noel Maurer, Ian Morris, Charles Murray, Aldo Musacchio,
Glen O’Hara, Steven Pinker, Ken Rogoff, Emma Rothschild, Alex Watson,
Arne Westad, John Wong e Jeremy Yellen. Obrigado também a Philip
Hoffman, Andrew Roberts e Robert Wilkinson. Todos os erros
remanescentes são de minha exclusiva responsabilidade.
Na Universidade de Oxford, gostaria de agradecer ao diretor e aos
colegas do Jesus College, a seus pares no Oriel College e aos bibliotecários
do Bodleian. No Hoover Institution, Stanford, devo agradecer a John
Raisian, o diretor, e a sua excelente equipe. Este livro foi concluído no
centro IDEAS da London School of Economics, onde fui muito bem tratado
enquanto ocupei a cadeira de Philippe Roman Professor durante o ano
acadêmico 2010-2011. Minha maior dívida, no entanto, é para com meus
colegas de Harvard. Eu me prolongaria muito agradecendo individualmente
a cada membro do Departamento de História de Harvard, e por isso
permitam-me um muito obrigado coletivo: eu não poderia ter escrito este
livro sem o apoio, o estímulo e a inspiração intelectual de todos vocês, o
que também é válido para meus colegas na Harvard Business School, em
particular os membros de Business and Government no Departamento de
Economia Internacional, bem como para os funcionários e docentes no
Centro de Estudos Europeus. Devo agradecer também a meus amigos no
Weatherhead Centre for International Affairs, no Belfer Centre for Science
and International Affairs, no Workshop in Economic History e na Lowell
House. Mas, acima de tudo, agradeço a todos os meus amigos de ambos os
lados do rio Charles, sobretudo aqueles em minha aula de General
Education, Societies of the World 19. Este livro começou em sua presença e
se beneficiou enormemente de seus ensaios e suas contribuições.
Por fim, meu mais profundo agradecimento à minha família, em
particular meus pais e meus filhos – muitas vezes negligenciados –, Felix, Freya e Lachlan, sem esquecer da mãe deles, Susan, e de nossa família
estendida. Em muitos aspectos, escrevi este livro para vocês, filhos.
É dedicado, no entanto, a alguém que entende melhor que todos que
conheço o que a civilização ocidental realmente significa – e o que ainda
tem para oferecer ao mundo.
Londres
Dezembro de 2010
Segundo ele, o Daily Mail é o “primeiro jornal inglês para o qual a palavra ‘notícia’ perdeu seu antigo
significado de fatos que um leitor deve conhecer […] e adquiriu o novo significado de fatos, ou ficções, que poderiam divertir um leitor”.
Depois que John foi preso por um breve período por ter desafiado o pai de Anne, ela gracejou: “John
Donne – Anne Donne – Un-done” [em inglês, algo como “desfeito”]. Não é de admirar que ele a amasse.
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