Civilização: Ocidente X Oriente

Niall Ferguson · Capítulo 25 de 33

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Civilização: Ocidente X Oriente

Pijamas e véus

consumo que a União Soviética e seus satélites fracassaram. Não foi por

acaso que os protestos populares de 2006 contra o regime incorrigivelmente

autoritário na Bielorrússia consistiram em usar jeans – embora Minsk ainda

esteja esperando sua Revolução do Jeans128.

 

Pijamas e véus

 

Com a Revolução Comunista de Mao Tsé-Tung em 1949, a China se tornou

a sociedade mais sombria do mundo. Os últimos vestígios da seda da era

Qing haviam desaparecido, assim como os trajes ocidentais favoritos dos

nacionalistas entre as guerras. Na busca pela igualdade estrita, todos

receberam vestimentas que eram muito parecidas com pijamas. Cinza. Mas

hoje, ao caminhar por uma típica rua chinesa, o que vemos é um

caleidoscópio de estilos de roupa ocidentais. Outdoors publicitários em

todas as grandes cidades exaltam as virtudes das marcas ocidentais, de

Armani a Ermenegildo Zegna. Assim como em todas as outras revoluções

industriais, a da China começou com a produção têxtil. Até recentemente, a

maioria das peças manufaturadas nas Zonas Econômicas Especiais da costa

era destinada à exportação para o Ocidente. Hoje, com a demanda em baixa

nas economias ocidentais em recessão, o principal desafio que as

autoridades de Pequim enfrentam é como fazer o trabalhador chinês poupar

menos e consumir mais; em outras palavras, comprar mais roupas. É como

se o triunfo da sociedade de consumo do Ocidente estivesse próximo de ser

completo. Ou não?

Istambul é uma cidade cosmopolita, onde as roupas e os acessórios da

civilização ocidental há muito são lugar-comum nas ruas. Caminhando

pelos principais centros de compras de İstiklâl Caddesi, a sensação é de que

poderíamos estar em praticamente qualquer lugar no mundo mediterrâneo.

Mas basta ir a outra parte na mesma cidade – na área de Fatih, perto de

Sultão Ahmed, por exemplo – e as coisas parecem muito diferentes. Para os

muçulmanos devotos, as normas ocidentais de indumentária feminina são

inaceitáveis, porque revelam mais do que permite a religião.129 E é por isso que, em um país que é majoritariamente muçulmano, o turbante, o véu

(niqāb ou khimār) e a capa preta solta (abaya) estão de volta.

Isso representa uma importante mudança de direção para a Turquia.

Conforme vimos no Capítulo 2, o fundador da república turca, Kemal

Atatürk, tratou de ocidentalizar o modo como os turcos se vestiam,

proibindo o uso de roupas religiosas em todas as instituições estatais. O

governo militar secularista que chegou ao poder em 1982 ressuscitou essa

política proibindo as estudantes de usar véu na universidade. Essa

proibição, no entanto, não foi rigorosa até 1997, quando o Tribunal

Constitucional determinou explicitamente que o uso de véu em locais

acadêmicos – incluindo escolas e universidades – violava o artigo 2 da

Constituição, que preserva o caráter secular da república. (O uso de barba

comprida por estudantes do sexo masculino também foi declarado

inconstitucional.) Quando as autoridades nas escolas e universidades

convocaram a tropa de choque para fazer valer essa medida, o país

mergulhou na crise. Em outubro de 1998, por volta de 140 mil pessoas

protestaram contra a proibição, dando as mãos para formar uma corrente

humana em mais de 25 províncias. Em Istambul, milhares de garotas

optaram por perder as aulas em vez de tirar o véu; algumas mantiveram

vigílias diárias do lado de fora dos portões da escola. Na Universidade de

Inönü, na Anatólia Oriental, uma manifestação contra a proibição se tornou

violenta, levando à prisão de 200 protestantes. Uma série de mulheres

jovens na cidade oriental de Kars chegou a cometer suicídio em protesto,130

e um juiz que defendeu a proibição foi assassinado no tribunal, em maio de

2006. Em 2008, o governo islâmico, liderado desde 2003 pelo Partido de

Justiça e Desenvolvimento de Recep Tayyip Erdogan, alterou a

Constituição para permitir o uso de véu nas universidades, mas a decisão foi

derrubada pelo Tribunal Constitucional. A Corte Europeia de Direitos

Humanos também defendeu a proibição do véu.

A questão ilustra, mais uma vez, como nossas roupas e acessórios podem

ter um significado mais profundo. O lenço de cabeça ou o véu são

meramente uma expressão da fé pessoal, que qualquer sociedade

ocidentalizada deveria tolerar com base no princípio de liberdade de expressão? Ou são símbolos antiquados da desigualdade social determinada

pelo Islã, que uma sociedade secular deveria proibir? A questão é encarada

por islamitas como a jornalista Nihal Bengisu Karaca como uma questão de

liberdade individual e direitos humanos:

 

Queremos ser tratadas da mesma maneira que as mulheres que não usam o lenço. Somos iguais,

nada é diferente, queremos ser tratadas da mesma maneira. Temos os direitos que elas têm [...] Só

queremos uma democracia entre as mulheres que não usam lenço e as que usam. 131

 

O argumento islamita é que cobrir o corpo é não mais que uma opção

inofensiva, que algumas mulheres escolhem exercer livremente. O véu,

segundo dizem, é apenas mais uma forma de indumentária feminina,

disponível nas lojas de Istambul em todos as cores e estilos, com brilhos

para as exibicionistas. A realidade, é claro, é que promover o véu é parte de

um plano mais amplo de limitar os direitos humanos por meio da

implementação da lei sharia na Turquia, alcançando pouco a pouco o que

foi alcançado de maneira muito mais repentina no Irã após a Revolução de

1979 – uma reação contra a “intoxicação ocidental” (gharbzadegi) do Irã,

promovida pelo xá, que o aiatolá Khomeini converteu em uma drástica

contrarrevolução sexual132. Já é possível ver burcas nas ruas de Istambul,

cobrindo as usuárias da cabeça aos pés, deixando-as com apenas uma

minúscula abertura para enxergar – ocultando tão absolutamente sua

identidade que, em 2010, a Assembleia Nacional Francesa votou pela

proibição total dessas roupas. Não é nenhuma casualidade que essa

mudança na indumentária tenha sido acompanhada de uma mudança na

política externa da Turquia. Outrora um pilar pró-americano da Otan e

candidata a membro da União Europeia, a Turquia está cada vez mais se

voltando para o Oriente, competindo com a República Islâmica do Irã pela

liderança do mundo muçulmano, ressuscitando memórias dos tempos do

poder otomano.

Em suma (ou em detalhe, se preferir), o que as pessoas vestem é

importante. Os dois grandes saltos do Ocidente – a evolução industrial e a

sociedade de consumo – estiveram, em grande medida, associados com roupas: primeiro tornando-as mais eficientes, e então usando-as de maneira

mais reveladora. A disseminação do modo de vestir ocidental foi

inseparável da disseminação do modo de vida ocidental, assim como a

reação contra o modo de vestir ocidental no mundo islâmico é uma

revivificação do islamismo no mundo. Os revolucionários iranianos

referiam-se pejorativamente aos promotores da ocidentalização como

fokoli, da palavra francesa faux-col (gravata-borboleta), e os homens em

Teerã hoje rechaçam o uso de gravatas133. Com o crescimento das

comunidades muçulmanas na Europa Ocidental, as mulheres usando véu

são hoje uma cena tão comum nas ruas de Londres quanto as camisetas de

futebol do Manchester United nas ruas de Xangai. A Grã-Bretanha deveria

seguir o exemplo dos franceses e proibir a burca? Ou a sociedade de

consumo do Ocidente tem um antídoto para o véu que seja tão efetivo

quanto o jeans azul foi um dia contra os pijamas maoistas?

Talvez, pensando bem, essas não sejam as perguntas corretas, pois

implicam que todas as conquistas da civilização ocidental – o capitalismo, a

ciência, o Estado de direito e a democracia – foram reduzidos a um mero

local de compras. A terapia do varejo talvez não seja a resposta para todos

os nossos problemas. Talvez a ameaça definitiva ao Ocidente venha não do

islamismo radical, nem de outra força externa, e sim de nossa falta de

compreensão e de fé com relação a nossa própria herança cultural.

 

Kahn, um aluno do filósofo Henri Bergson, foi arruinado pela Depressão, o que pôs fim a seu grande

projeto fotográfico. Uma seleção das imagens pode ser vista em http://www.albertkahn.co.uk/photos.html.

Okuefuna, The Wonderful World of Albert Kahn.

Galeano, Open Veins of Latin America, p. 47.

Clark’s, a empresa que a construiu (e que forneceu a Kenneth Clark os meios para ser um estudioso de

elite), foi fundada em 1812. A tecelagem que conhecemos atualmente foi construída em 1886 em um estilo utilitário que Jeremy Bentham teria admirado. Encerrou suas atividades em 1968, quando deixou de ser rentável, como a maior parte da indústria têxtil britânica, devido à competição japonesa.

Crafts, “British Economic Growth”, tabela 6.1.

Clark, A Farewell to Alms, figura 9.2.

Gildea, Barricades and Borders, p. 6, 145, 181.

Mokyr, The Economics of the Industrial Revolution, p. 109.

A população da Inglaterra aumentou em mais de um terço entre as décadas de 1740 e de 1790; nos

anos 1860, era mais de três vezes maior. A idade média ao se casar caiu de 26 para 23 anos, menos mulheres permaneciam solteiras e havia mais nascimentos ilegítimos. Gregory Clark afirmou que a tendência de que os filhos dos indivíduos mais ricos vivessem por mais tempo que os dos pobres explica a Revolução Industrial, já que “os valores da classe média e a orientação econômica tinham mais probabilidade de se espalhar por meio da vantagem reprodutiva [...] A parcimônia, a prudência, a negociação e o trabalho duro estavam sendo infundidos em comunidades outrora esbanjadoras, violentas, impulsivas e amantes do ócio” (Clark, Farewell to Alms, p. 132, 166). Mas, supostamente, as crianças ricas francesas e italianas também se davam melhor do que as pobres.

0 Esteban, “Factory Costs, Market Prices, and Indian Calicos”, figura 1.

1 Allen, The British Industrial Revolution in Global Perspective, p. 156.

2 Morris, Why the West Rules, p. 497.

3 Jones, “Living the Enlightenment and the French Revolution”.

4 Morris, Why the West Rules, p. 491.

5 Ver especialmente McKendrick et al., The Birth of a Consumer Society.

6 Berg, “In Pursuit of Luxury”.

7 Vries, “Between Purchasing Power and the World of Goods”.

8 Berg, “From Imitation to Invention”.

9 Findlay e O’Rourke, Power and Plenty, tabelas 6.2 e 6.4.

0 La Porta et al., “Law and Finance”, “Investor Protection and Corporate Governance”.

1 O’Brien et al., “Political Components of the Industrial Revolution”. Ver também Leunig, “A British

Industrial Success”, p. 93.

2 Vantagem comparativa significa a capacidade de um país para produzir um bem ou serviço com

custo de oportunidade mais baixo/eficiência relativa mais alta do que outro. O famoso exemplo de David Ricardo diz respeito ao comércio entre a Inglaterra e Portugal. Em Portugal, é possível produzir vinho e tecido com mais facilidade e a um custo mais baixo que na Inglaterra, mas na Inglaterra é muito mais difícil e, portanto, mais caro produzir vinho do que tecido. Portanto, ambos os lados saem ganhando se Portugal foca na produção de vinhos, onde sua vantagem comparativa é maior, deixando à Inglaterra a produção exclusiva de tecido. O primeiro obtém mais tecido do que seria o caso se produzisse internamente; o último obtém vinho mais barato. Essa teoria, quando aplicada à Irlanda, teve resultados catastróficos. A especialização na produção de carne para o mercado inglês levou a uma dependência excessiva da batata para alimentar os trabalhadores rurais e, portanto, a uma grande vulnerabilidade à praga desse vegetal, a Phytophthora infestans, que se alastrou em meados dos anos 1840. Fiel aos princípios de Ricardo, o governo britânico se recusou a enviar alimentos emergenciais para aliviar a fome; um milhão de pessoas morreu, confirmando não as previsões de Ricardo, mas as de Thomas Malthus, o autor do Ensaio sobre o princípio de população (1798), que previu tais calamidades. Aos irlandeses sobreviventes só lhes restou emigrar, em sua maioria para os Estados Unidos.

3 Guinnane et al., “Putting the Corporation in its Place”; Lamoreaux, “Scylla or Charybdis?”

4 Allen, The British Industrial Revolution in Global Perspective.

5 Parthasarathi, “Rethinking Wages and Competitiveness in the Eighteenth Century”.

6 Pollard, Peaceful Conquest.

7 Ver Fowler Mohanty, Labor and Laborers of the Loom, esp. p. 76. Sobre as ramificações mais

amplas do cultivo de algodão, ver Dattel, Cotton and Race in the Making of America.

8 Clark, A Farewell to Alms, p. 267.

9 Farnie, “The Role of Merchants as Prime Movers”, p. 20 ss.

0 Darwin, On the Origin of Species, caps. 3, 4 e 14.

1 Ferguson, “An Evolutionary Approach to Financial History”.

2 As “tecelagens sombrias e satânicas” do texto podem muito bem se referir às tecelagens de Albion

Flour, construídas por Boulton e Watt em Londres em 1769 e destruídas por um incêndio em 1791.

3 Carlyle, Past and Present, Livro I, caps. 1-4, Livro IV, caps. 4, 8.

4 Kaelble, Industrialization and Social Inequality in 19th-Century Europe.

5 Evans, Death in Hamburg.

6 Grayling, Toward the Light of Liberty, p. 189-93.

7 Wilde, De Profundis, p. 21, 23, 33.

8 Berger e Spoerer, “Economic Crises and the European Revolutions of 1848”.

9 Ver, por exemplo, Fowler, Lancashire Cotton Operatives and Work.

0 Allen, “The Great Divergence in European Wages”. Sou grato a Robert Allen por compartilhar

comigo seus dados sobre salários.

1 Allen et al., “Wages, Prices, and Living Standards in China, Japan and Europe”.

2 Mazzini, “To the Italians”.

3 Bismarck, Reflections and Reminiscences, vol. I, cap. 13.

4 Schorske, Fin-de-Siècle Vienna.

5 A lista de nomes a seguir fala por si só: Donna Karan, Calvin Klein, Estée Lauder, Ralph Lauren,

Helena Rubenstein, Levi Strauss. Assim como a lista de lojas de departamento: Abraham & Straus, Bergdorf Goodman, Bloomingdale’s, Macy’s, Neiman Marcus, Saks e Sears, sem esquecer da varejista britânica de roupas Marks & Spencer.

6 H. C. Martin, “Singer Memories”: http://www.singermemories.com/index. html.

7 Maddison, The World Economy, tabelas B-10, B-21.

8 Kennedy, Rise and Fall, p. 190.

9 Bairoch, “International Industrialization Levels from 1750 to 1980”.

0 Broadberry, “Total Factor Productivity”.

1 Fordham, “‘Revisionism’ Reconsidered”.

2 Clark e Feenstra, “Technology in the Great Divergence”, tabela 8.

3 Dyos e Aldcroft, British Transport, tabela 4.

4 Maurer e Yu, Big Ditch, p. 145.

5 Clark e Feenstra, “Technology in the Great Divergence”.

6 Clark, A Farewell to Alms, tabela 15.3.

7 McKeown, “Global Migration”, p. 156.

8 Carter et al. (Orgs.), Historical Statistics of the United States, tabelas Ad354-443.

9 Mitchell, Abstract of British Historical Statistics, p. 333 ss.

0 Na realidade, um quimono não requer o tipo de pesponto curto produzido por uma máquina de

costura.

1 James Poole, o pai de Henry Poole, começou trabalhando em Londres como “alfaiate” no início dos

anos 1800, estabelecendo suas instalações no número 4 da Old Burlington Street, com outra entrada no número 32 da Savile Street, em 1828. Ele começou a produzir uniformes militares. A vitória de seu filho foi conceber um traje gracioso para os civis que fosse aceito pela nobreza.

2 Sou grato a Simon Cundey, da Henry Poole, por me permitir consultar os antigos livros de pedidos e

outros documentos úteis da empresa.

3 Beasley, Japan Encounters the Barbarian.

4 Ver Hirano, The State and Cultural Transformation, p. 124.

5 Keene, Emperor of Japan, p. 12. Ver a fotografia do Imperador de 1873, de Uchida Kyuichi:

http://ocw.mit.edu/ans7870/21f/21f.027j/throwing_off_asia_01/emperor_02.html.

6 Malony, “Modernity, Gender and the Empire”.

7 Foi aqui, no Pavilhão Rokumeikan, projetado pelo inglês Josiah Conder, que a elite japonesa colocou

seus vestidos de baile e suas sobrecasacas e dançou quadrilha, valsa, polca e mazurca ao som das últimas canções europeias. Ironicamente, a adoção completa da cultura ocidental coincidiu com o interesse ocidental por arte japonesa – que até mesmo Vincent van Gogh abraçou por um breve período –, embora este tenha sido passageiro.

8 Ver Illustration of the Ceremony Promulgating the Constitution, artista desconhecido (1890).

9 Penn State University, Making Japanese online resource, http://www.east-asian-

history.net/textbooks/MJ/ch3.htm.

0 Keene, Emperor of Japan, p. 295.

1 Gong, The Standard of ‘Civilization’ in International Society.

2 Keene, Emperor of Japan, p. 194.

3 Associação japonesa de fiadores de algodão, Cotton Statistics of Japan: 1903-1924, tabela 1.

4 Wall, Japan’s Century, p. 17.

5 Kamisaka, Cotton Mills and Workers in Modern Japan.

6 Moser, The Cotton Textile Industry of Far Eastern Countries, p. 30.

7 Foram Richard e Francis Trevithick, netos de Richard Trevithick, que ajudaram os japoneses a

construir sua primeira locomotiva em Kobe, em 1893. Eles estiveram entre as chamadas yatoi (máquinas vivas), cujos conhecimentos os japoneses absorveram avidamente na era Meiji.

8 Ibid.

9 Farnie, “The Role of Cotton Textiles in the Economic Development of India”.

0 Clark e Feenstra, “Technology in the Great Divergence”. Sobre a produtividade norte-americana, ver

Copeland, “Technical Development in Cotton Manufacturing since 1860”.

1 Ver, por exemplo, Moser, The Cotton Textile Industry of Far Eastern Countries, p. 102. Ver também

Wolcott e Clark, “Why Nations Fail”.

2 Upadhyay, Existence, Identity and Mobilization.

3 Termo usado para designar trabalhadores braçais asiáticos, atualmente considerado pejorativo. (N.T.)

4 Um excelente exemplo é a xilografia de Mizono Toshikata no Museu de Belas Artes, Boston.

5 Meech-Pekarik, The World of the Meiji Print, p. 145.

6 Lenin, The State and Revolution (1918).

7 Cole et al., “Deflation and the International Great Depression”.

8 Friedman e Schwartz, A Monetary History of the United States.

9 Keynes, Tract on Monetary Reform (1924).

0 Tooze, The Wages of Destruction.

1 A empresa de Boss, com sede em Metzingen, havia ido à bancarrota com a Depressão em 1930.

Quando entrou para o partido nazista no ano seguinte, ele logo se estabeleceu como um dos principais fornecedores de uniformes para o “Movimento Hitler”.

2 Para mais detalhes, ver Ferguson, The War of the World.

3 Harrison, The Economics of World War II.

4 O papel dos judeus na vida intelectual do Ocidente no século XX – sobretudo nos Estados Unidos –

foi de fato desproporcional, insinuando uma vantagem genética e cultural. Correspondendo a 0,2% da população mundial e 2% da população norte-americana, os judeus ganharam 22% de todos os prêmios Nobel, 20% de todas as medalhas Fields de matemática e 67% das medalhas John Clarke Bates para economistas com menos de 40 anos. Também ganharam 38% dos Oscar de Melhor Diretor, 20% dos prêmios Pulitzer para não ficção e 13% dos Grammy Lifetime Achievement Awards.

5 Westad, The Global Cold War.

6 Ferguson, The War of the World, p. 606-17.

7 Dados de Singer e Small, projeto Correlates of War.

8 Piketty e Saez, “Income Inequality in the United States”, esp. figura 20.

9 Hyman, “Debtor Nation”.

00 Sou grato a meu colega Diego Comin por estes dados.

01 Sullivan, Jeans, p. 9, 77.

02 Em inglês, jean genie: o termo remete à música The Jean Genie, de David Bowe, gravada em 1972.

Possivelmente um trocadilho com o nome do autor francês Jean Genet, um ícone da contracultura, a música foi inspirada no cantor Iggy Pop e é uma referência ao estilo de vida rebelde simbolizado por um par de jeans. (N.T.)

03 Ibid., p. 214 sq.

04 “Coca-Cola as Sold Throughout the World”, Red Barrel, 8, 3 (março de 1929).

05 Ver Allen, Secret Formula, p. 325.

06 Entrevista com o autor, 2009. Ver também Wolle, Der Traum von der Revolte, esp. p. 56-61.

07 Debray, “The Third World”, http://www.digitalnpq.org/archive/1986_ spring/kalashnikov.html.

08 Suri, Power and Protest.

09 Kurlansky, 1968.

10 Marshall, Demanding the Impossible, p. 551 ss.

11 Para o graffiti de 1968, ver http://www.bopsecrets.org/CF/graffiti.htm.

12 Greer, The Female Eunuch, p. 322.

13 Sullivan, Jeans, p. 131.

14 Sua música de maior sucesso, “Zelva” (Tartaruga), tinha letra evidentemente inspirada na última

fase de John Lennon: “Se não prestar atenção às tartarugas/ Elas podem te enganar./ É difícil pegar tartarugas/ Quando elas estão na água”.

15 Entrevista com o autor, 2009.

16 Entrevista com o autor, 2009.

17 Ramet, “Rock Music in Czechoslovakia”, p. 59, 63.

18 “Eles têm medo da liberdade./ Eles têm medo da democracia./ Eles têm medo da Carta de Direitos

Humanos [das Nações Unidas]./ Eles têm medo do socialismo./ Então por que é que temos medo deles?” (N.T.)

19 Entre os primeiros representantes oficiais que Havel convidou a Praga após tomar posse como

presidente em 29 de dezembro de 1989 estavam Frank Zappa e Lou Reed.

20 Poiger, Jazz, Rock and Rebels, p. 62 ss.

21 Safanov, “You Say You Want a Revolution”.

22 Siefert, “From Cold War to Wary Peace”.

23 Entrevista com o autor, 2009.

24 Bergson, “How Big was the Soviet GDP?” Ver, em geral, Cox (Org.), Rethinking the Soviet

Collapse.

25 A profecia mais assombrosamente precisa foi a do jornalista norte-americano James P. O’Donnell

em um artigo intitulado “O trem-fantasma de Berlim”, publicado na revista Das Beste von Reader’s Digest, da Alemanha Ocidental, em janeiro de 1979, que previu a destruição do Muro dez anos depois e até mesmo a venda de pedaços do Muro como suvenires. Infelizmente, as recompensas para tal previsão são escassas – assim como foram as penalidades que deveriam ter sido pagas por uma geração de acadêmicos “sovietólogos” desnorteados. O negócio da previsão política continua sendo um mercado extremamente ineficaz.

26 Fukuyama, The End of History and the Last Man.

27 Gaddis, The Cold War.

28 Charlotte Sector, “Belarusians Wear Jeans in Silent Protest”, ABC News, 13 de janeiro de 2006.

29 A ideia de cobrir a cabeça (o termo árabe é hijāb) e o corpo (jilbāb) feminino vem do Corão, que

determina que as mulheres “sujeitem os olhos e mantenham a castidade. Elas não devem revelar nenhuma parte do corpo, exceto a que seja necessária. Devem cobrir o peito, e não devem relaxar esse código na presença de outras pessoas que não o marido, o pai, o pai do marido, os filhos, os filhos do marido, os irmãos, os filhos dos irmãos, os filhos das irmãs, outras mulheres, os servos ou empregados cujo impulso sexual haja sido anulado, ou os meninos que ainda não chegaram à puberdade” (Sura 24 (Al-Nur):31). O hadith, que reconta os atos de Maomé, vai ainda mais longe, requerendo que se cubram o pescoço, os tornozelos e os pulsos. Os muçulmanos fervorosos defendem o uso da burca (burqa), um termo normalmente usado para se referir à niqāb e à abaya.

30 Esses acontecimentos inspiraram o primeiro romance de Orhan Pamuk, Neve (2002). Todos aqueles

que desejam entender a psicologia do terrorismo islâmico devem ler a última conversa entre o Diretor de Educação de Kars e seu assassino, tal como imaginada por Pamuk.

31 Entrevista com o autor, 2009.

32 Ferdows, “Women and the Islamic Revolution”; Nashat, “Women in the Islamic Republic of Iran”.

33 Ebadi, Iran Awakening, p. 41 sq.

 

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