Civilização: Ocidente X Oriente
Vergonha negra
Fiquei muito feliz porque não sabia o que era uma guerra. Então foi uma espécie de curiosidade –
saber o que era uma guerra, e o que era ser um soldado [...] E por isso fiquei feliz, [acreditando]
que descobriria novas experiências. Eu não sabia. 108
Ele descobriria logo, logo. Seu comandante, o general Charles Mangin,
pensou que conhecia uma ou duas coisas sobre os africanos. Ele havia sido
membro da expedição do major Marchand no incidente de Fachoda. Em
1910, como um ambicioso jovem tenente-coronel, ele e um grupo de
cientistas percorreram a África Ocidental com ordens de aumentar o
recrutamento. Mangin estava familiarizado com as últimas novidades da
ciência racial. Sua equipe, após examinar recrutas com a gama completa de
métodos pseudocientíficos, concluiu que, graças a seu sistema nervoso
supostamente subdesenvolvido, os soldados africanos sentiriam menos dor
que seus congêneres europeus. Eles, portanto, seriam excepcionalmente
leais na linha de fogo. Em 1917, Mangin conseguiu colocar sua teoria à
prova. Sob sua liderança, Mboup e seus colegas tirailleurs foram colocados
contra aqueles que, possivelmente, eram os soldados mais bem treinados
que o Ocidente já havia produzido: a máquina de guerra que era o exército
imperial alemão.
Vergonha negra
Em abril de 1917, Demba Mboup e seus companheiros nos Corpos
Coloniais franceses, parte do Sexto Exército do general Charles Mangin e
do Décimo Exército do general Denis Duchêne, enfrentaram as posições
extremamente fortificadas do Sétimo Exército alemão sob o comando do
general Hans von Boehn no Chemin des Dames – o Caminho das Damas,
assim chamado devido a seu uso pelas duas filhas de Luís XV no século
XVIII. Em março de 1814, os soldados de Napoleão haviam lutado por essa
mesma estrada contra os exércitos invasores da Áustria e da Rússia. A
estrada foi essencial para a posição defensiva dos alemães no fronte
ocidental.
O comandante francês, o general Robert Nivelle, estava confiante de que
seria o homem que alcançaria o tão esperado avanço no fronte ocidental. Os franceses construíram 480 quilômetros de novas linhas ferroviárias a fim de
abastecer a ofensiva com 872 carregamentos de munição. Ao todo, mais de
um milhão de homens ficaram em prontidão para o ataque, distribuídos ao
longo de um fronte de 40 quilômetros. Esperava-se que dias de barragem de
artilharia fizessem os alemães ceder. Então, às 6 da manhã do dia 16 de
abril, as tropas coloniais subiram as colinas que, com a chuva e a neve,
haviam se convertido em um mar de lodo. Mangin havia colocado os
senegaleses na primeira onda de ataque. Mas ele, quase certamente, tinha
um motivo oculto: poupar vidas francesas. De acordo com o tenente-
coronel Debieuvre, comandante do 58o Regimento de Infantaria Colonial,
os africanos eram “afinal, e acima de tudo, excelentes tropas de ataque
possibilitando que seja poupada a vida dos brancos, os quais, atrás deles,
exploram seu sucesso e organizam as posições que eles conquistam”.109
Das trincheiras alemãs, o capitão Reinhold Eichacker assistiu
horrorizado:
Os negros senegaleses, gado da França rumo ao matadouro. Centenas de olhos belicosos, fixos,
ameaçadores, mortais. E eles vieram. Primeiro isoladamente, em grandes intervalos. Tateando o
caminho, como os braços de uma terrível sépia.Ávidos, agarrando tudo, como as garras de um
monstro poderoso. Assim eles se aproximaram depressa, tremulando e às vezes desaparecendo em
sua nuvem. Homens fortes e selvagens, arreganhando os dentes feito panteras. Horríveis seus
olhos cheios de sangue, ardentes, tão escancarados que nem pareciam naturais.
Continuavam vindo, uma parede sólida e negra em movimento, subindo e descendo, arfando e
oscilando, impenetrável, interminável.
“Fechem o cerco! Atirem em um de cada vez! Mirem com cuidado!” Minhas ordens soaram
nítidas e claras.
Os primeiros negros caíram de cabeça em nossos obstáculos de arame, dando cambalhotas como
palhaços em um circo. Grupos inteiros evaporaram. Corpos desmembrados, terra pegajosa, rochas
despedaçadas, tudo misturado na mais completa desordem. A nuvem negra parou, hesitou, cerrou
suas fileiras e se aproximou cada vez mais, irresistível, esmagando, devastando!
Uma parede de chumbo e ferro subitamente se arremessou contra os atacantes e os emaranhados
de arame bem diante de nossas trincheiras. Então, se ouviu uma ensurdecedora comoção de
batidas e fragores, golpes e estampidos, pancadas e estrondos, lançando tudo à terra em um clamor
de estourar os ouvidos e abalar os nervos. Nossas metralhadoras haviam flanqueado os negros!
Como uma mão invisível, elas devastaram os homens e os atiraram à terra, mutilando-os e
rasgando-os em pedaços! Um por um, em linhas e colunas, em montes, os negros sucumbiram.
Um ao lado do outro, um atrás do outro, um em cima do outro. 110
Onze dias antes da batalha, de fato, um suboficial francês capturado havia
fornecido planos detalhados do ataque aos alemães. Eles estavam bem
protegidos do bombardeio francês graças a um sistema de pedreiras
profundas conhecido como a Gruta do Dragão, que usaram como abrigos
contra as bombas. E quando a infantaria avançou, os alemães estavam
prontos, com as mais sofisticadas metralhadoras móveis. Só no primeiro
dia, as tropas ofensivas sofreram 40 mil baixas. Em 10 de maio, um em
cada cinco soldados franceses estava morto ou ferido. Para Demba Mboup,
que ficou mutilado devido à explosão de uma granada, essa foi uma
revelação da realidade marcadamente incivilizada da vida europeia em
tempos de guerra total. Os africanos estavam tão desiludidos que alguns
deles se uniram ao grande motim que posteriormente tomou conta do
exército francês e forçou o governo a substituir Nivelle. Em agosto, 200
homens do 61o Batalhão dos Tirailleurs Sénégalais – conhecido como o
Batalhão Malafosse, por seu comandante – se recusaram a assumir posições
ao longo do Chemin des Dames. Como um deles afirmou de maneira
sucinta: “o Batalhão Malafosse não tem utilidade alguma. Nenhum
descanso, sempre guerreando, sempre matando negros”.111 Vários dos
rebeldes foram levados à corte marcial, e quatro condenados à morte,
embora nenhuma das sentenças tenha de fato sido executada.
Embora Blaise Diagne protestasse contra o uso imprudente de seus
compatriotas, ele logo estava de volta ao Senegal à procura de novos
recrutas, dessa vez armado com uma garantia de que lutar significava não
só a cidadania como também uma Croix de Guerre (condecoração militar
francesa). Em 18 de fevereiro de 1918, Clemenceau defendeu o reinício do
recrutamento militar diante de um grupo de senadores, tornando claro como
exatamente os franceses viam os senegaleses:
Embora eu tenha infinito respeito por esses negros bravos, eu preferiria ver dez negros mortos do
que um único francês, porque acredito que já foram mortos franceses suficientes, e é necessário
sacrificá-los o mínimo possível112.
Ao todo, mais de 33 mil africanos ocidentais morreram na guerra, um
quinto dos que participaram. O número de soldados franceses mortos em
combate foi menos de 17% desse total. Já o índice de mortalidade entre as
tropas indianas britânicas foi a metade do dos soldados do Reino Unido.113
A guerra é um inferno. Quando o poeta inglês Rudyard Kipling visitou uma
seção francesa do fronte ocidental em 1915 – não muito antes da morte de
seu próprio filho na Batalha de Loos –, ele deparou com a realidade da
grande guerra pela civilização:
“O mesmo trabalho. Sempre o mesmo trabalho!”, disse [um] oficial [referindo-se à escavação de
trincheiras]. “E você pode caminhar daqui até o mar ou até a Suíça naquele fosso – e encontrará
sempre o mesmo trabalho sendo feito em toda parte. Não é guerra.”
“É melhor que isso”, disse outro. “É a devoração de um povo. Eles vêm e enchem as trincheiras e
morrem, e morrem; e mais são enviados, e estes também morrem. Nós fazemos o mesmo, é claro,
mas – veja!”
Ele apontou para as grandes ondas de fumaça se renovando ao longo da praia amarelada. “Aquela
é a fronteira da civilização. Eles têm toda a civilização contra si – aqueles brutos mais ao longe
[referindo-se aos alemães]. Não é das vitórias locais das velhas guerras que estamos atrás. É dos
bárbaros – de todos os bárbaro [sic]. Agora você viu a coisa toda em miniatura.” 114
Mas a guerra também pode impulsionar o progresso humano. Conforme
vimos, as rixas incessantes entre os Estados europeus auxiliaram, e não
dificultaram, os avanços impressionantes da Revolução Científica. Isso
também é válido para o choque de impérios entre 1914 e 1918. A
carnificina do fronte ocidental foi como um grande e sinistro laboratório
para a ciência médica, produzindo avanços significativos em cirurgia, sem
falar da psiquiatria. Inventaram-se o enxerto de pele e a irrigação
antisséptica de feridas. Ocorreram as primeiras tentativas de transfusão de
sangue. Pela primeira vez, todos os soldados britânicos foram vacinados
contra a febre tifoide, e os soldados feridos recebiam rotineiramente
injeções antitetânicas115.
Não que esses avanços, no entanto, tenham ajudado os tirailleurs.
Quando não eram mortos nas trincheiras, morriam de pneumonia. Por quê?
De acordo com os médicos franceses, eles tinham uma predisposição racial
para a doença.
Os europeus tinham ido à África afirmando que a tornariam civilizada. Mas
até mesmo os franceses, com todas as suas boas intenções, foram incapazes
de implantar mais do que uma versão limitada da civilização ocidental
naquele continente. Em outros lugares, os desafios dos terrenos inóspitos e
da resistência tribal revelaram o lado mais destrutivo dos europeus, de
maneira mais evidente, mas não exclusiva, nas colônias alemãs. Os métodos
de guerra total, vivenciados primeiro em povos como os hereros, foram
importados para a Europa e combinados com a geração seguinte de
artilharia industrializada, com efeitos devastadores. E, em uma última
reviravolta cruel, os africanos foram atraídos para a Europa e sacrificados
em uma das ofensivas mais estúpidas da guerra.
O legado da guerra em território africano foi tão profundo na Europa
quanto na África. O general Paul Emil von Lettow-Vorbeck, que havia
desempenhado seu papel no genocídio contra os hereros, também liderou a
campanha contra as forças britânicas na África Oriental. Com o fim da
guerra, Lettow-Vorbeck voltou à Alemanha, mas não demorou muito para
que ele e seus veteranos agissem novamente. À medida que sua terra natal
submergiu na revolução, eles marcharam para o interior de Hamburgo para
detectar a ameaça de uma república soviética alemã. A guerra civil se
alastrou não só nas grandes cidades alemãs, mas também ao longo da
fronteira oriental da Alemanha, onde os chamados Freikorps, liderados por
veteranos como Franz Xavier Ritter von Epp e Hermann Ehrhardt, travaram
guerra contra nacionalistas eslavos e bolcheviques como se fossem tribos
africanas, diferindo apenas na cor da pele.
Para Epp e Ehrhardt, isso veio naturalmente; ambos haviam sido oficiais
nas guerras contra os hereros e os namas116.
Embora o teórico racial Eugen Fischer tenha ido parar no lado perdedor, a
Primeira Guerra Mundial se mostrou surpreendentemente frutífera para seu
campo de pesquisa. À medida que as tropas coloniais eram enviadas para os
campos alemães de prisioneiros de guerra, estas proporcionavam a
especialistas da ciência racial, como Otto Reche, um novo e conveniente
suprimento de espécimes117. O livro Hereditariedade humana e higiene
racial, que Fischer escreveu em coautoria com Erwin Baur e Fritz Lens, publicado em 1921, logo se tornou uma obra de referência no campo em
rápida expansão da eugenia. Adolf Hitler o leu enquanto esteve na prisão
após o golpe fracassado a Munique em 1923, e se referiu a ele em Minha
luta. Para Hitler, poucas ideias eram mais pavorosas que a de que os
soldados senegaleses situados na Renânia após a guerra houvessem
engravidado mulheres alemãs. Essa foi a notória “vergonha negra” que
produziu os “bastardos da Renânia” – novos indícios da conspiração para
poluir o sangue da raça ariana. Considerando que ele era agora o diretor do
novo Instituto de Antropologia, Hereditariedade Humana e Eugenia do
kaiser Guilherme, fundado em Berlim em 1927, a influência de Fischer era
tão ampla quanto maligna. Ele, mais tarde, serviu como um dos cientistas
da Comissão Especial Número Três da Gestapo, que planejou e executou a
esterilização forçada dos “bastardos da Renânia”. Entre seus estudantes
estava Josef Mengele, responsável pelos experimentos notadamente
desumanos com prisioneiros em Auschwitz118.
Para os muitos ex-soldados coloniais que se uniram ao partido nazista –
de seus antigos uniformes vêm as primeiras camisas pardas da SA –, era
perfeitamente natural que as teorias nascidas nos campos de concentração
da África fossem levadas à “colonização” nazista da Europa Oriental e às
políticas raciais assassinas que produziram o Holocausto. Não foi mera
coincidência que o Reichsmarschall a cargo da Luftwaffe – a força aérea
alemã – fosse o filho do Reichskommissar do Sudoeste Africano. Não foi
coincidência que Hans Grimm, autor de Povo sem espaço (1926), tenha
passado 14 anos no sul da África. Não foi coincidência que o homem que
Hitler nomeou como governador provincial de Posen em 1939, Viktor
Böttcher, tenha sido um servidor público na colônia alemã de Camarões.
Ele foi um dos muitos funcionários nazistas que procuraram “executar
agora, no Leste do Reich, a obra construtiva que um dia realizaram na
África”. Os nazistas sempre pretenderam considerar “de um ponto de vista
colonial” os territórios que anexavam na Europa Oriental, a ser “explorados
economicamente com métodos coloniais”119.
A principal diferença, que mais chamou a atenção dos homens daquela
época, foi que, na Europa Oriental, os colonizados eram da mesma cor que os colonizadores. “Nenhuma nação que pertencesse à raça branca jamais foi
submetida a tal situação”, escreveu Eugene Erdely, um dos primeiros a
comentar sobre o governo imperial nazista. Mas isso não representou uma
dificuldade para os nazistas, graças à engenhosidade desvirtuada de suas
próprias teorias raciais. Para Heinrich Himmler, o chefe da SS, os povos
eslavos eram todos “tipos mongóis” que deveriam ser substituídos por
“arianos” a fim de criar uma nova “província loira” no Oriente. Para Hitler,
os russos poderiam ser facilmente equiparados aos “peles-vermelhas”. Se
Auschwitz marcou o ápice da violência de Estado contra populações
estrangeiras definidas racialmente, a guerra contra os hereros e os namas
foi, sem dúvida, o primeiro passo naquela direção.
Alguns impérios são piores que outros. É um aspecto simples que os
críticos absolutos do imperialismo quase sempre ignoram. Para se ter uma
ideia do modo de atuação do Império Francês no período entreguerras, vale
a pena assistir La Croisière noire, um documentário feito nos anos 1920
pela empresa de carros Citroën. Quando Georges-Marie Haardt e Louis
Audoin-Dubreuil partiram em automóveis semilagartas na Expédition
Citroën Centre-Afrique em outubro de 1924, não estavam apenas tentando
vender mais carros. Essa foi uma tentativa de divulgar o governo benévolo
da França na África, que se estendia até mesmo ao “l’inconnu de la forêt
équatoriale”. Uma celebração das “conquistas da civilização”, o filme
justapõe cenas de “feiticeiros brancos” maravilhando africanos com suas
proezas técnicas ao lado de cenas dos “pequenos gnomos estranhos”
(pigmeus) na floresta. Termina com a bandeira tricolore sobrevoando
orgulhosamente todo o continente africano, de Algiers a Dacar, de
Brazzaville a Madagascar. Não seria difícil zombar dessa expressão clássica
da aspiração imperialista francesa120. Mas essa aspiração não foi de todo
infrutífera. No Senegal, conforme vimos, o governo colonial esteve
associado com uma elevação contínua na expectativa de vida, que
aumentou dez anos em média, passando de 30 a 40.
A Argélia e a Tunísia viram melhorias comparáveis.121 A melhoria nos
cuidados médicos – em particular, a redução da mortalidade infantil e da
infertilidade prematura – foi o motivo pelo qual as populações da África
francesa começaram a crescer tão rapidamente após 1945122. Na Indochina,
foram os franceses que construíram mais de 30 mil quilômetros de rodovias
e mais de 3 mil de ferrovias, abriram minas de carvão, estanho e zinco e
estabeleceram plantações de borracha123. Em 1922, por volta de 20 mil
vietnamitas receberam cidadania francesa – ainda uma pequena minoria em
uma população de 3 milhões, mas não um número insignificante124. Nas
colônias francesas do Sudoeste Africano, a concessão foi estendida a um
milhão de africanos em 1946 e outros 3 milhões cinco anos mais tarde125. A
doença do sono, que fora o flagelo de Camarões sob o governo alemão, foi
praticamente erradicada sob o governo francês126.
Já os belgas administraram o pior de todos os impérios africanos no
Congo127, ao passo que o Terceiro Reich merece ser considerado o pior de
todos os impérios europeus – a reductio ad absurdum e ad nauseam da
noção novecentista de missão civilizatória, porque seu efeito real sobre os territórios que controlou brevemente foi a barbarização. O objetivo,
conforme Himmler concebeu em setembro de 1942, era que “os povos
germânicos” crescessem em número, de 83 milhões para 120 milhões, e
recolonizassem todos os territórios que a Alemanha havia tomado da
Tchecoslováquia, da Polônia e da União Soviética. Eles prosseguiriam e se
multiplicariam em províncias totalmente novas, com nomes como
Ingermanland. Autopistas e ferrovias de alta velocidade conectariam um
“colar de pérolas” – entrepostos alemães fortificados – chegando ao Don,
ao Volga e, finalmente, até mesmo aos Urais. Nas palavras de Himmler, a
conquista alemã do “Oriente” seria “a maior obra de colonização que o
mundo já viu”128.
Na realidade, o Império Nazista se revelou a obra de colonização mais
fracassada que já se viu. Lançada em 1938, a campanha para se expandir
além das fronteiras alemãs de 1871 chegou ao auge no fim de 1942, época
em que o império incluía cerca de um terço do continente europeu e quase
metade de seus habitantes – 244 milhões de pessoas. Mas, em outubro de
1944, quando o Exército Vermelho entrou na Prússia Oriental, já se havia
acabado, tornando-se um dos impérios mais breves de toda a história, e
também um dos piores. Essa duração fugaz, é claro, seria explicada
primordialmente em termos militares. Uma vez que o Terceiro Reich se
envolveu em uma guerra não só com o Império Britânico, mas também com
a União Soviética e os Estados Unidos, seu império estava certamente
condenado. Mas há uma explicação secundária, endógena, para o fracasso
do Terceiro Reich como império.
Do ponto de vista da demografia simples, não havia, de fato, nada
implausível no projeto de colocar 80 milhões de alemães no controle do
continente europeu. Em teoria, deveria ter sido mais fácil para a Alemanha
governar a Ucrânia do que foi para a Grã-Bretanha governar Uttar Pradesh.
Primeiro, Kiev estava mais perto de Berlim do que Kanpur de Londres.
Segundo, os alemães eram genuinamente bem-vindos como libertadores em
muitas partes da Ucrânia em 1941. E não só lá. Em toda a União Soviética
Ocidental, havia minorias étnicas a quem Stalin havia tratado com
desconfiança e violência nos anos 1930. A maioria presumiu que o governo alemão seria uma melhoria com relação ao governo russo. Mas os alemães
foram totalmente incapazes de explorar essas vantagens.
Os “alemães do Reich, arrogantes e autoritários”, desfilando em seus
uniformes pomposos, afastavam até mesmo os de etnia alemã que eles
supostamente deveriam estar libertando da opressão estrangeira. E, o que é
pior, eles se orgulhavam de fazer os povos subjugados passarem fome. “Eu
vou exaurir até o último recurso deste país”, declarou o Reichskommissar
Erich Koch, quando colocado a cargo da Ucrânia. “Eu não vim até aqui
para disseminar a felicidade [...].” Göring se gabava de “não se importar
nem um pouco” se os não alemães estavam “morrendo de fome”129. Um
claro indício do que tais atitudes desumanas implicavam era o tratamento
dado aos prisioneiros de guerra do Exército Vermelho após a Operação
Barbarossa. Em fevereiro de 1942, apenas 1,1 milhão dos 3,9 milhões
capturados originalmente continuava vivo. Arrebanhados em cercas de
arame farpado, eles foram simplesmente deixados à mercê da desnutrição e
da doença. Mas os nazistas não se contentavam em fazer os conquistados
passarem fome. Eles também tinham prazer em submetê-los à violência,
desde surras improvisadas (que podiam ser infligidas porque um prisioneiro
não fez a saudação de Hitler ou porque o fez de maneira presunçosa,
conforme a preferência) até o genocídio industrializado. Esse foi, de fato, a
Hererolândia em versão ampliada.
Alguns poucos alemães entenderam a estupidez que isso significava. Nas
palavras de Gauleiter Alfred Frauenfeld em fevereiro de 1944:
O princípio de brutalidade implacável; o tratamento dado ao país [Ucrânia], de acordo com pontos
de vista e métodos usados em séculos passados contra povos escravos de cor; e o fato, desafiando
toda política razoável, de que o desprezo por aquele povo foi não só expresso em ações contra
indivíduos como também em palavras, em cada ocasião possível e impossível [...], tudo isso é
testemunho da completa falta de instinto com relação ao tratamento dos povos estrangeiros, o que,
tendo em vista suas consequências, só pode ser considerado [...] desastroso.130
Foi, conforme afirmou um oficial no Ministério do Oriente, uma “obra-
prima de tratamento equivocado [...] que, em um ano, tenhamos adentrado
bosques e pântanos para perseguir, como guerrilheiros, um povo que era absolutamente a favor dos alemães e nos havia saudado alegremente como
seus libertadores”131.
Além da arrogância, da frieza e da brutalidade, houve a mais completa
inépcia. Já em 1938, um oficial do Estado-Maior da Wehrmacht (Forças
Armadas) observou o “nível grosseiro” da “incapacidade do Estado para
governar” na Sudetenland recém-adquirida. O Ministério do Oriente (Ost-
Ministerium) de Alfred Rosenberg logo foi apelidado “Ministério do Caos”
(Cha-Ost-Ministerium). A SS almejou estabelecer algum tipo de controle
centralizador sobre o império, mas Himmler e seus lacaios arruinaram até
mesmo a recolonização de 800 mil alemães étnicos. Otto Ohlendorf – que,
como leal comandante de um Einsatzgruppe (grupo de intervenção), foi
responsável pelo assassinato em massa de dezenas de milhares de judeus
soviéticos – lamentou que a especialidade de Himmler fosse “organizar a
desordem”132. Mas o verdadeiro responsável pelo caráter disfuncional do
Império Nazista não foi Rosenberg nem Himmler, e sim seu mestre. Afinal,
era Hitler quem estava a cargo do Terceiro Reich. (Das 650 principais
ordens legislativas emitidas durante a guerra, apenas 72 não foram decretos
ou ordens emitidos em seu nome.) Foi Hitler quem afirmou, logo após a
invasão da União Soviética, que, “tendo em vista o vasto tamanho dos
territórios conquistados a leste, as forças disponíveis para manter a
segurança nessas áreas só seriam suficientes se, em vez de punir a
resistência com sentenças em um tribunal de direito, as forças ocupantes
espalhassem terror de modo a oprimir, entre a população, qualquer
disposição para resistir”. Era Hitler quem preferia, como método para
pacificar os territórios ocupados, “atirar em todos aqueles que, de alguma
forma, parecessem suspeitos”. Aos olhos de Werner Best (uma das raras
figuras no Terceiro Reich com um conceito razoavelmente são de governo
imperial), Hitler era um Gêngis Khan moderno – um especialista em
destruição, cujo império de barbarismo não podia esperar perdurar133.
Em muitos aspectos, então, o Império Nazista foi a última encarnação
abominável de um conceito que, em 1945, era obsoleto. Durante séculos,
parecera plausível que o caminho para a riqueza fosse a exploração de
povos estrangeiros e suas terras. Muito antes de a palavra Lebensraum [espaço vital] ter sido cunhada, conforme vimos, os impérios europeus
haviam competido por novos lugares para colonizar, novos povos para
tributar – e, antes deles, os impérios asiáticos, americanos e africanos. Mas,
no decurso do século XX, pouco a pouco se tornou claro que uma economia
industrial poderia funcionar perfeitamente bem sem colônias. De fato, as
colônias talvez fossem um fardo desnecessário. Em 1942, o economista
Helmut Schubert observou que o verdadeiro futuro da Alemanha era como
“uma grande área industrial”, dependente de uma “presença permanente e
cada vez maior de trabalhadores estrangeiros”. A germanização do Oriente
era uma impossibilidade; a orientalização da Alemanha era muito mais
provável, já que a mão de obra continuava a migrar da agricultura para a
indústria. As exigências da economia de guerra confirmavam essa visão. No
fim de 1944, cerca de 5 milhões de estrangeiros haviam sido recrutados
para trabalhar nas fábricas e minas do velho Reich. Por uma fina ironia, o
sonho do império racialmente puro havia transformado a própria Alemanha
em um Estado multiétnico, embora um Estado escravo. A substituição, após
a guerra, de escravos do Leste Europeu por “trabalhadores convidados” da
Turquia e da Iugoslávia não alterou o argumento econômico. A Alemanha
moderna, de fato, não precisava de “espaço vital”. Precisava de imigrantes
vitais.
O Império Francês nunca foi tão irremediavelmente bárbaro quanto o
Império Nazista. Se tivesse sido, sem dúvida teria sido impossível reviver
grande parte dele após a Segunda Guerra Mundial – e até mesmo reafirmar
a antiga ambição de assimilação sob o novo rótulo “União Francesa”.
Mesmo os dez anos entre a Conferência Brazzaville de 1944 e o golpe
duplo da derrota em Dien Bien Phu e da revolta na Argélia excederam a
duração total do império extra-alemão de Hitler. No entanto, as guerras
mundiais foram o terrível castigo que se seguiu à arrogância da mission
civilisatrice, quando todos os impérios europeus aplicaram uns contra os
outros os métodos que haviam explorado pela primeira vez (embora com
graus variáveis de crueldade) contra os africanos. A ciência médica, que
parecera um salvador universal na guerra contra as doenças, acabou sendo
pervertida pelo preconceito racial e pela pseudociência da eugenia, transformando até mesmo alguns médicos em assassinos. Em 1945, a
“civilização ocidental” de fato parecia uma contradição de termos, tal como
Gandhi havia afirmado. A rápida dissolução dos impérios europeus nos
anos pós-guerra pareceu uma sentença bastante justa, independentemente de
a maioria das colônias estar ou não preparada para o autogoverno134.
O grande enigma é que, de alguma forma, dessa época atroz de
destruição, emergiu um novo modelo de civilização centrado não na
colonização e sim no consumo. Em 1945, era hora de o Ocidente abaixar as
armas e pegar as sacolas de compra – tirar o uniforme e vestir um jeans
azul.
Para uma formulação clássica, ver o discurso de Jules Ferry de 28 de julho de 1885, citado em
Brunschwig, French Colonialism, p. 76 ss.
Gandhi, Hind Swaraj, cap. VI.
Twain, Following the Equator, p. 321.
Lenin, Imperialism, cap. X.
Collier, The Bottom Billion.
Moyo, Dead Aid. Ver também Easterly, The White Man’s Burden.
O purificador de água de Dean Kamen, simples mas eficaz, poderia ser distribuído facilmente por
intermédio da incomparável rede de distribuição da Coca-Cola – das fábricas de produção aos pontos de venda –, que se estende por todo o mundo em desenvolvimento. Considerando o enorme número de vidas perdidas a cada ano por água potável contaminada, isso sem dúvida enterraria para sempre o termo pejorativo “coca-colonização”.
A frase aludia tanto à cor da pele dos habitantes do continente quanto a seu atraso econômico relativo
(assim como a “idade das trevas”). Hoje, a África continua sendo o Continente Negro no sentido de que, visto à noite do espaço, há comparativamente pouca luz artificial para ser vista, com exceção dos extremos no Norte e no Sul.
Gandhi, The Collected Works of Mahatma, vol. LIV, p. 233 ss.
http://www.gandhiserve.org/cwmg/VOL054.PDF.
0 Riley, “The Timing and Pace of Health Transitions around the World”, esp. figura 2, tabela 1.
1 Ibid., p. 750, 752.
2 Shaw, “Preface on Doctors”, p. lxvii–lxviii.
3 Burke, Reflections on the Revolutions in France, p. 151.
4 Ferguson, The Ascent of Money, p. 154.
5 http://avalon.law.yale.edu/18th_century/rightsof.asp.
6 Burke, Reflections on the Revolutions in France, p. 190 ss.
7 Rousseau, The Social Contract.
8 Burke só não foi capaz de prever a adoção da guilhotina como uma solução tipicamente racionalista
da Revolução ao problema de como colocar fim a uma vida humana da maneira mais eficiente possível.
9 Burke, Reflections on the Revolutions in France, p. 291.
0 Schama, Citizens. Continua sendo o relato inglês mais fácil de ler.
1 Tocqueville, Democracy in America, p. 148-51.
2 Ibid., p. 153.
3 Carter et al. (Orgs.), Historical Statistics of the United States, tabela Ed1-5.
4 http://users.erols.com/mwhite28/wars18c.htm.
5 Composta por Claude-Joseph Rouget de Lisle em abril de 1792: “O estandarte ensanguentado da
tirania/ contra nós se levanta/ […] Ouvis nos campos rugirem/ esses ferozes soldados?/ Vêm eles até nós/ Degolar nossos filhos, nossas mulheres./ Às armas cidadãos!/ Formai vossos batalhões!/ Marchemos, marchemos!/ Nossa terra do sangue impuro se saciará!/ […] Mas esses déspotas sanguinários/ […] Todos esses tigres que, sem piedade,/ Rasgam o seio de suas mães!”.
6 Atual Slavkov na República Tcheca, Austerlitz foi o palco da batalha que levou Napoleão a
encomendar o Arco do Triunfo.
7 Na École Militaire, em Paris, Napoleão fora sabatinado por Pierre-Simon Laplace, um dos pioneiros
da matemática da probabilidade.
8 Todas as citações são de Clausewitz, On War, Livro I, caps. 1, 2, 7; Livro III, cap. 17; Livro VII,
caps. 4, 5, 6, 22; Livro VIII, caps. 1-9.
9 Acemoglu et al., “The Consequences of Radical Reform”.
0 McLynn, Napoleon, p. 664.
1 Tal estratégia consistiu em recuar cada vez mais para o interior do território, destruindo tudo o que
encontravam pelo caminho, para que as tropas napoleônicas não conseguissem abrigo nem alimento. (N.T.)
2 Lieven, Russia against Napoleon.
3 Ferguson, The Ascent of Money, p. 81 ss.
4 Compare “A liberdade guiando o povo” (1830), de Eugène Delacroix, com “Episódio da Revolução
Belga de 1830” (1835), de Gustaf Wappers, e (entre muitos exemplos do século XX) “O arsenal” (1928), do mexicano Diego Rivera.
5 Wagner, de acordo com sua autobiografia, havia “concebido o plano de uma tragédia para a
encenação ideal do futuro, intitulada Jesus de Nazaré”: “Bakunin me implorou para que eu lhe poupasse dos detalhes; e, quando procurei seduzi-lo para meu projeto com algumas insinuações verbais, ele me desejou sorte, mas insistiu que eu deveria, a todo custo, fazer Jesus aparecer como um personagem débil. Quanto à música da obra, ele me recomendou que, entre todas as variações, eu usasse apenas um conjunto de expressões, a saber: para o tenor, ‘Cortem a cabeça dele!’; para o soprano, ‘Enforquem-no!’; e para o baixo contínuo, ‘Atirem! Atirem!’”. A anedota capta muito bem o espírito acalorado de 1848.
6 Taylor, “The 1848 Revolutions and the British Empire”.
7 Blanton et al., “Colonial Style and Post-Colonial Ethnic Conflict in Africa”.
8 Crowder, Senegal, p. 6 ss., 14 ss.; Cruise O’Brien, White Society in Black Africa, p. 39.
9 Klein, Islam and Imperialism in Senegal, p. 118.
0 R. L. Buell, The Native Problem in Africa (1928), citado em Crowder, Senegal, p. 23.
1 Cruise O’Brien, White Society in Black Africa, p. 33.
2 Gifford and Louis, France and Britain in Africa, p. 672.
3 Cohen, Rulers of Empire, cap. 1.
4 Brunschwig, “French Exploration and Conquest in Tropical Africa”.
5 Conklin, A Mission to Civilise, p. 13.
6 Fonge, Modernization without Development in Africa, p. 66.
7 Ibid.
8 Berenson, Heroes of Empire, p. 197 ss.
9 Joireman, “Inherited Legal Systems and Effective Rule of Law”.
0 Cohen, Rulers of Empire, p. 79 ss.
1 Asiwaju, West African Transformations, p. 60.
2 Taithe, The Killer Trail.
3 Echenberg, Colonial Conscripts, p. 18.
4 Cohen, Rulers of Empire, p. 38.
5 Lunn, Memoirs of the Maelstrom, p. 62.
6 Marr, Vietnamese Anticolonialism. Para texto completo em inglês, ver
www.fsmitha.com/h2/y14viet.html.
7 Gardiner, “The French Impact on Education in Africa”, p. 341.
8 Sabatier, “‘Elite’ Education in French West Africa”.
9 Ver, em geral, Acemoglu et al., “Disease and Development in Historical Perspective”.
0 Iliffe, Africans, p. 70.
1 Cohen, Rulers of Empire, p. 23.
2 MacLeod e Lewis (Orgs.), Disease, Medicine and Empire, p. 7.
3 Punch, 16 de setembro de 1903.
4 MacLeod e Lewis (Orgs.), Disease, Medicine and Empire.
5 Echenberg, “Medical Science in Colonial Senegal”; Marcovich, French Colonial Medicine and
Colonial Rule.
6 Ver, por exemplo, Beck, “Medicine and Society in Tanganyika”.
7 Conklin, A Mission to Civilise, p. 56 ss.
8 Ibid., p. 51 ss.
9 Ibid., p. 48 ss.
0 Robiquet (Org.), Discours et opinions de Jules Ferry, p. 199-201, 210-11.
1 Pretensiosamente renomeada École Nationale de la France d’Outre Mer, em 1934.
2 Cohen, Rulers of Empire, p. 74.
3 Ibid., p. 77.
4 Van Beusekom, Negotiating Development, p. 6
5 Schneider, “Smallpox in Africa during Colonial Rule”.
6 Ngalamulume, “Keeping the City Totally Clean”, p. 199.
7 Wright, Conflict on the Nile. Ver também Daly, “Omdurman and Fashoda”; Chipman, French Power,
p. 53.
8 Gide, Travels in the Congo, p. 35.
9 Crowder, Senegal, p. 4 ss.
0 Yansané, “The Impact of France on Education in West Africa”, p. 350; Gifford e Louis, France and
Britain in Africa, p. 697.
1 Betts, “The Establishment of the Medina in Dakar”; Cruise O’Brien, White Society in Black Africa,
p. 54. Cf. Smith, Vietnam and the West, p. 88 ss.
2 Cohen, Rulers of Empire, p. 49. Cf. Betts, Assimilation and Association in French Colonial Theory,
p. 64, 152.
3 Echenberg, Black Death, White Medecine.
4 Rohrbach, Deutsche Kolonialwirtschaft, vol. I, p. 330-33. Cf. Steer, Judgment on German Africa, p.
61.
5 Posteriormente, Galton escreveu um romance, Kantsaywhere, que imagina uma utopia eugenista em
que o direito do indivíduo de se reproduzir dependia de uma avaliação de desempenho e em que “a propagação de filhos por parte dos ineptos é considerada [...] crime pelo Estado”.
6 Madley, “Patterns of Frontier Genocide”, p. 169.
7 Deutsch, Emancipation without Abolition in German East Africa.
8 Steer, Judgment on German Africa, p. 55 ss.
9 Seiner, Bergtouren und Steppenfahrten im Heroland, p. 267-78.
0 Olusoga e Erichsen, The Kaiser’s Holocaust, p. 118.
1 Gewald, Herero Heroes, p. 146 ss.
2 Rust, Krieg und Frieden im Heroland, p. 6-15; Anôn., Die Rheinische Mission, p. 10-6; Leutwein,
Elf Jahre Gouverneur, p. 466-7; Kuhlmann, Auf Adlers Flügeln, p. 42 ss.
3 Olusoga e Erichsen, The Kaiser’s Holocaust, p. 139.
4 Texto completo em Gewald, “The Great General of the Kaiser”, p. 68.
5 Zimmerer, “The First Genocide of the Twentieth Century”, p. 37.
6 Gewald, Herero Heroes, p. 173. Para um relato alemão contemporâneo, Bayer, Mit dem
Hauptquartier, p. 161-7.
7 Drechsler, Südwestafrika unter deutscher Kolonialherrschaft, p. 251-79. Cf. Olusoga e Erichsen, The
Kaiser’s Holocaust, p. 235.
8 Ibid., p. 224.
9 Fischer, Die Rehobother Bastards, p. 302f.
00 Eiermann, “The Good, the Bad, and the Ugly”.
01 Rohrbach, Aus Südwest-Afrikas schweren Tagen, p. 177 ss.
02 Para um bom panorama da vasta literatura disponível atualmente, ver Madley, “From Africa to
Auschwitz”.
03 Strachan, The First World War in Africa.
04 Strachan, The First World War, vol. 1: To Arms, p. 95.
05 Conklin, A Mission to Civilise, p. 146-59.
06 Lunn, Memoirs of the Maelstrom, p. 78.
07 Ibid., p. 69.
08 Ibid., p. 71.
09 Ibid., p. 139.
10 Eichacker, “The Blacks Attack!”
11 Smith et al., France and the Great War, p. 128.
12 Lunn, Memoirs of the Maelstrom, p. 140.
13 Winter, The Great War and the British People, p. 75; Beckett and Simpson (Orgs.), A Nation in
Arms, p. 11.
14 Kipling, “France at War”, p. 341 ss.
15 Ver, em geral, McCullum, Military Medicine.
16 Olusoga e Erichsen, The Kaiser’s Holocaust, p. 284 ss.
17 Evans, “Anthropology at War”.
18 Madley, “From Africa to Auschwitz”, p. 453 ss. Ver, em geral, Weindling, Health, Race and
German Politics.
19 Mazower, Hitler’s Empire, p. 147, 584.
20 Levine, “Film and Colonial Memory”.
21 Riley, “The Timing Pace of Health Transitions around the World”, tabela 4.
22 Iliffe, Africans, p. 251-3.
23 Singer e Langdon, Cultured Force, p. 20.
24 Tai, “The Politics of Compromise”.
25 Saxe, “The Changing Economic Structure of French West Africa”.
26 Centre d’Informations Documentaires, Work of France, p. 17.
27 Hochschild, King Leopold’s Ghost.
28 Mazower, Hitler’s Empire, p. 205.
29 Ibid., p. 152, 286.
30 Ibid., p. 137.
31 Ibid., p. 149.
32 Ibid., p. 256.
33 Ibid., p. 248.
34 Fieldhouse, Black Africa.
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