Galatéa

António Joaquim de Carvalho · Capítulo 9 de 40

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Galatéa

Laurindo.

Vive feliz, e logra o teu amante:

Oh justos Ceos, que dor tão penetrante! Mal posso respirar, que até o alento

Me soffoca a violencia do tormento.

Vai-te, amigo, e me deixa só hum pouco, Que eu não estou em mim, eu estou louco: Oh! Venha embora a morte rigorosa

Acabar-me esta vida tão penosa.

 

LAURINDO.

Deixa, amigo, esse louco desvario,

Que o ser de homem deslustra, offende o brio: E que o mundo dissesse pertendias,

Que por huma mulher enlouquecias?

 

POLYFEMO.

Tambem dirá, que não me altéra a offensa, Pois toléro a inimiga na presença.

 

LAURINDO.

Perdoando-lhe tu por generoso,

Que ha de o Mundo dizer? Que és virtuoso. Mas se a fraca mulher ímpio punias,

Só de cubarde o nome vil terias.

 

POLYFEMO.

Sim, perdoada está: eu lhe perdoo,

Pois da sua fraqueza me condoo;

Tambem, porque talvez seja innocente, Se bem que a culpa a accuse delinquente; Galatéa he honesta, he recatada: