Galatéa
Laurindo.
Vive feliz, e logra o teu amante:
Oh justos Ceos, que dor tão penetrante! Mal posso respirar, que até o alento
Me soffoca a violencia do tormento.
Vai-te, amigo, e me deixa só hum pouco, Que eu não estou em mim, eu estou louco: Oh! Venha embora a morte rigorosa
Acabar-me esta vida tão penosa.
LAURINDO.
Deixa, amigo, esse louco desvario,
Que o ser de homem deslustra, offende o brio: E que o mundo dissesse pertendias,
Que por huma mulher enlouquecias?
POLYFEMO.
Tambem dirá, que não me altéra a offensa, Pois toléro a inimiga na presença.
LAURINDO.
Perdoando-lhe tu por generoso,
Que ha de o Mundo dizer? Que és virtuoso. Mas se a fraca mulher ímpio punias,
Só de cubarde o nome vil terias.
POLYFEMO.
Sim, perdoada está: eu lhe perdoo,
Pois da sua fraqueza me condoo;
Tambem, porque talvez seja innocente, Se bem que a culpa a accuse delinquente; Galatéa he honesta, he recatada: