Galatéa

António Joaquim de Carvalho · Capítulo 32 de 40

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Galatéa

Ácis.

Sobre os hombros a ponho, e vim fugindo, Do furto alegre, de alegria rindo.

Trepando huma deserta ribanceira,

Ouço hum grito, ólho a traz, vejo á carreira Seguindo-me a gritar o vil roupeiro:

"Ó ladrão! Larga a Ovelha! Ó ratoneiro!

Eu, que vejo o meu credito infamado,

Páro, e com ira mostro-lhe o cajado.

Prudente parto: segue-me as pizadas:

Torço a vareda, corre-me ás pedradas.

Dellas me affasto; e por final prejecto.

Na leve funda grossa pedra metto.

Agito a funda: corro então mais perto:

Desparo a pedra, no vil peiro acérto.

Fica o ladrão sem tino: quer suster-se:

Não póde: cahe: forceja para erguer-se: Outra vez cahe de costas: vai rolando:

Péga-se ás pedras, mas em vão pegando, Que as mesmas pedras, em que busca abrigo Rólão sobre elle por maior castigo;

E despenhado assim pela barreira

Vai té parar na margem da ribeira.

 

GALATÉA.

Ah! Que dizes! Mataste o desgraçado?

 

ÁCIS.

Não ficou morto, não, mas maltratado,

Eu vi... com quanta dor o estive vendo!

Cahio mortal; depois se ergueo gemendo. Olhou-me então com iras, e ameaços;

E trémulo partio com lentos passos.

É