Galatéa

António Joaquim de Carvalho · Capítulo 31 de 40

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Galatéa

Ácis.

GALATÉA.

Achaste a minha Ovelha! Ah! Onde estava? Bem que eu por ti nem della, me lembrava.

 

ÁCIS.

Visinhos campos, as distantes terras,

Amenos valles, escabrosas serras,

Tudo corri: examinei choupanhas,

Pobres Aldêas, rusticas cabanas.

Perguntei aos campinos, Lavradores:

Rebanhos espreitei: busco aos Pastores: Todos dizem: "Não vimos, não sabemos:

"Nem leve rasto dessa Ovelha temos.

Eu de perdê-la já desenganado,

De magoa afflicto, de buscar cançado,

Voltar queria a ver teu lindo rosto;

Mas dava gosto a mim, e a ti desgosto:

Eu a dor da saudade em mim curava;

Mas na má nova, nova dor te dava.

Nisto pensava triste, e vacilante,

Quando escuto berrar pouco distante,

Parto, gyro, procuro, em vão procuro:

Pois nada vejo: vejo hum bosque escuro, Que o Sol formoso nunca vio por dentro:

Corro, o bosque examino; e lá no centro Vejo hum pobre roupeiro esfrangalhado,

Dormindo, e a Ovelhinha preza ao lado. Eu, que a vejo, e conheço, ó que alegria

Em teu obsequio a minha alma enchia!

Com lentos passos vou muito manso andando, O sussurro das plantas receando,

Se bem que o vento amigo me valia;

Pois nem das folhas o brincar se ouvia.

Chego ao ladrão: observo, que em socego Dorme roncando: na Ovelhinha pego: