Galatéa
Ácis.
GALATÉA.
Achaste a minha Ovelha! Ah! Onde estava? Bem que eu por ti nem della, me lembrava.
ÁCIS.
Visinhos campos, as distantes terras,
Amenos valles, escabrosas serras,
Tudo corri: examinei choupanhas,
Pobres Aldêas, rusticas cabanas.
Perguntei aos campinos, Lavradores:
Rebanhos espreitei: busco aos Pastores: Todos dizem: "Não vimos, não sabemos:
"Nem leve rasto dessa Ovelha temos.
Eu de perdê-la já desenganado,
De magoa afflicto, de buscar cançado,
Voltar queria a ver teu lindo rosto;
Mas dava gosto a mim, e a ti desgosto:
Eu a dor da saudade em mim curava;
Mas na má nova, nova dor te dava.
Nisto pensava triste, e vacilante,
Quando escuto berrar pouco distante,
Parto, gyro, procuro, em vão procuro:
Pois nada vejo: vejo hum bosque escuro, Que o Sol formoso nunca vio por dentro:
Corro, o bosque examino; e lá no centro Vejo hum pobre roupeiro esfrangalhado,
Dormindo, e a Ovelhinha preza ao lado. Eu, que a vejo, e conheço, ó que alegria
Em teu obsequio a minha alma enchia!
Com lentos passos vou muito manso andando, O sussurro das plantas receando,
Se bem que o vento amigo me valia;
Pois nem das folhas o brincar se ouvia.
Chego ao ladrão: observo, que em socego Dorme roncando: na Ovelhinha pego: