Galatéa

António Joaquim de Carvalho · Capítulo 18 de 40

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Galatéa

Galatéa

SONETO.

Novo exemplo aqui tens, mísero humano, Que incensas os Altares da vaidade,

Aqui te mostro a estrada da verdade,

Por onde ao Templo vás do desengano:

De Polyfemo o lamentavel damno,

De Galatéa a horrenda falsidade

Te excitem a fugir da crueldade,

Que he premio certo desse amor tyranno!

Elle consome os bens, a honra offende,

O socego perturba, arrisca a vida,

E o coração mais livre assalta, e rende.

Ah! Destróe essa mão féra, humicida,

Rompe os duros grilhões, com que te prende, Quebra-lhe as setas, ficará vencida.

 

GALATÉA