Galatéa
Galatéa
SONETO.
Novo exemplo aqui tens, mísero humano, Que incensas os Altares da vaidade,
Aqui te mostro a estrada da verdade,
Por onde ao Templo vás do desengano:
De Polyfemo o lamentavel damno,
De Galatéa a horrenda falsidade
Te excitem a fugir da crueldade,
Que he premio certo desse amor tyranno!
Elle consome os bens, a honra offende,
O socego perturba, arrisca a vida,
E o coração mais livre assalta, e rende.
Ah! Destróe essa mão féra, humicida,
Rompe os duros grilhões, com que te prende, Quebra-lhe as setas, ficará vencida.
GALATÉA