Galatéa

António Joaquim de Carvalho · Capítulo 29 de 40

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Galatéa

Ácis.

Assim mesmo são dois lindos diamantes, Quie inda eclipsados, sempre são brilhantes. Mas dize, Galatéa, que motivo

Acendeo esse fogo, tão activo?

 

GALATÉA.

A ausencia de tres dias (longos dias!)

De lagrimas, de sustos, de agonias;

E mais que tudo hum sonho feio, horrivel, Que o não matar-me, não parece crivel: Sonho cruel, que me pintou na idéa

A desgraça maior, scena mais feia:

Que o monstro Polyfemo te arrancára

A amavel vida, que esta vida ampara.

 

ÁCIS.

E credito lhe déste, sendo esperta?

 

GALATÉA.

Sim, que a má nova quasi sempre he certa.

 

LAURINDO.

Se eu não corro a tiralla da vareda,

N'algum despenhadeiro achava a queda.

É