Galatéa

António Joaquim de Carvalho · Capítulo 11 de 40

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Galatéa

Polyfemo.

Quero, porque da injúria se não gave,

Que o proprio sangue a sua culpa lave:

E se neste lugar já o apanhára,

O coração do peito lhe arrancára.

 

LAURINDO.

Dize: se a Galatéa perdoaste,

Depois que a culpa enorme lhe provaste, O Pastor, que he talvez menos culpado,

Porque não he, como ella, perdoado?

 

POLYFEMO.

Ella sim: me offendeo; mas obrigada,

E merece perdão por violentada;

Mas elle não he digno de clemencia,

Pois mais culpado está pela violencia.

 

LAURINDO.

Aqui não ha violencia, ha certa culpa,

Que Amor condemna, e logo Amor desculpa, Delicto immensas vezes praticado

Por quem ama, e pertende ser amado.

 

POLYFEMO.

Assim se obra; mas sempre he falsidade, Quando offende as leis santas d'amizade.