Galatéa
Polyfemo.
Quero, porque da injúria se não gave,
Que o proprio sangue a sua culpa lave:
E se neste lugar já o apanhára,
O coração do peito lhe arrancára.
LAURINDO.
Dize: se a Galatéa perdoaste,
Depois que a culpa enorme lhe provaste, O Pastor, que he talvez menos culpado,
Porque não he, como ella, perdoado?
POLYFEMO.
Ella sim: me offendeo; mas obrigada,
E merece perdão por violentada;
Mas elle não he digno de clemencia,
Pois mais culpado está pela violencia.
LAURINDO.
Aqui não ha violencia, ha certa culpa,
Que Amor condemna, e logo Amor desculpa, Delicto immensas vezes praticado
Por quem ama, e pertende ser amado.
POLYFEMO.
Assim se obra; mas sempre he falsidade, Quando offende as leis santas d'amizade.