Galatéa

António Joaquim de Carvalho · Capítulo 25 de 40

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Galatéa

Laurindo.

A causa fui! Eu sou féra impestada,

Que fizesse aquella alma invenenada?

 

LAURINDO.

A causa foste, sim, porque o amaste,

E por Ácis, sem culpa, o desprezaste.

 

GALATÉA.

Pelos Deoses do Olympo Soberano

Juro que nunca amei tal monstro insano.

 

LAURINDO.

Pois se he certo, que amor não lhe tiveste, Porque falsas promessas lhe fizeste?

 

GALATÉA.

Porque assim o meu Ácis defendia

Da vingança, que o vil lhe promettia.

 

LAURINDO.

Ah! Pois quiz com violencia... ( que loucura!) Gerar amor, que nasce da ternura!

 

GALATÉA.

Sim, com rigor queria, que o amasse,

E que o meu peito ao meu Pastor fechasse. Clamando irado assim: "Cruel Pastora,