Galatéa
Laurindo.
A causa fui! Eu sou féra impestada,
Que fizesse aquella alma invenenada?
LAURINDO.
A causa foste, sim, porque o amaste,
E por Ácis, sem culpa, o desprezaste.
GALATÉA.
Pelos Deoses do Olympo Soberano
Juro que nunca amei tal monstro insano.
LAURINDO.
Pois se he certo, que amor não lhe tiveste, Porque falsas promessas lhe fizeste?
GALATÉA.
Porque assim o meu Ácis defendia
Da vingança, que o vil lhe promettia.
LAURINDO.
Ah! Pois quiz com violencia... ( que loucura!) Gerar amor, que nasce da ternura!
GALATÉA.
Sim, com rigor queria, que o amasse,
E que o meu peito ao meu Pastor fechasse. Clamando irado assim: "Cruel Pastora,