Galatéa
Laurindo.
Em vão, em vão se cança, se o intenta;
Que em vez de alivio dar-me, a dor me augmenta. Agora mais me vejo impaciente,
Que até me afflige a vista de hum vivente: Mas elle vem, não posso resistir-lhe,
Já não posso esconder-me, nem fugir-lhe; Se fujo desta parte, he ribanceira,
Se daquella, me affogo na ribeira;
Pois nella acabarei, morrer não temo;
De huma só morte acabe Polyfemo.
LAURINDO.
Detem-te, amigo, e espera, que fazias?
A ti mesmo matar-te pertendias?
Seres comtigo mesmo ímpio tyranno,
Para hum damno evitar com maior damno!
POLYFEMO.
Deixa, deixa, que eu morra por piedade,
Porque morrendo, evito a crueldade
Dos ímpios Deoses: ah! Viver não quero, Pois vida tão penosa não toléro:
Tu contarás á falsa Galatéa,
Que por ella me expuz á morte feia;
Porém no peito o coração me estalla,
Vendo, que Ácis tyranno ha de logralla:
Mas logre-a, logre-a, embora, oh que tormento! Que eu só, por tal não ver, morrer intento.
LAURINDO.