Galatéa

António Joaquim de Carvalho · Capítulo 34 de 40

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Galatéa

Galatéa.

A Aldêa, que por ti chorava agora,

Qual bom Filho, que a Mãi perdida chora.

 

GALATÉA.

Chora a Pátria, por mim? Quanta amizade Devo aos bons, que se nutrem da piedade!

 

LAURINDO.

És bella, e inda mais bella por virtuosa;

Que a virtude inda a feia faz formosa.

Porém vê, que a Virtude cultivada,

Cresce, bem como a planta, que he regada; Mas se falta a cultura, vai murchando;

E qual planta sem agua vai secando.

Hide: a benção do Ceo sobre vós desça:

Aos vossos olhos branda relva cresça;

E nella apascenteis grossas manadas

De prenhes vaccas gordas, e malhadas. Tantas as cabras, tantos os cordeiros,

Que enchão os valles, enchão os oiteiros. Hide, que he longe a Aldêa: hide, que he tarde: O Ceo vos abençôe, o Ceo vos guarde. A benção gere em vós dois bons Esposos, Que fructos dêm ao Ceo, fructos ditosos.

 

ÁCIS.

Adeos, meu bom Pastor, meu caro amigo, Gloria dos campos, deste povo abrigo.

 

GALATÉA.