Galatéa
Galatéa.
A Aldêa, que por ti chorava agora,
Qual bom Filho, que a Mãi perdida chora.
GALATÉA.
Chora a Pátria, por mim? Quanta amizade Devo aos bons, que se nutrem da piedade!
LAURINDO.
És bella, e inda mais bella por virtuosa;
Que a virtude inda a feia faz formosa.
Porém vê, que a Virtude cultivada,
Cresce, bem como a planta, que he regada; Mas se falta a cultura, vai murchando;
E qual planta sem agua vai secando.
Hide: a benção do Ceo sobre vós desça:
Aos vossos olhos branda relva cresça;
E nella apascenteis grossas manadas
De prenhes vaccas gordas, e malhadas. Tantas as cabras, tantos os cordeiros,
Que enchão os valles, enchão os oiteiros. Hide, que he longe a Aldêa: hide, que he tarde: O Ceo vos abençôe, o Ceo vos guarde. A benção gere em vós dois bons Esposos, Que fructos dêm ao Ceo, fructos ditosos.
ÁCIS.
Adeos, meu bom Pastor, meu caro amigo, Gloria dos campos, deste povo abrigo.
GALATÉA.