Galatéa

António Joaquim de Carvalho · Capítulo 33 de 40

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Galatéa

Galatéa.

Tu, que es no coração manso cordeiro.

Hoje tornado em lobo carniceiro!

 

ÁCIS.

Eu cordeiro não sou; porém se o fôra

Tornar-me em lobo foi preciso agora.

 

LAURINDO.

Castiga-nos o Ceo, se nos vingamos;

Mas tambem quer, que a vida defendamos.

 

ÁCIS.

Se mais piedade do ladrão eu tinha,

Nem eu era já teu, nem tu já minha.

 

GALATÉA.

Se a amavel vida o ímpio te roubava,

N'huma só morte duas mortes dava.

 

ÁCIS.

Esses extremos no meu peito os guardo

Para atear de amor o fogo, em que ardo. Vamos, vamos, formosa Galatéa,

Alegrar com teu rosto a triste Aldêa: