Galatéa

António Joaquim de Carvalho · Capítulo 36 de 40

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Galatéa

Galatéa.

Quando te virem, brincaráõ contentes.

Verás a fonte, que turbada a vejo,

Corre alegre a dar a nova ao Téjo.

Verás o Téjo, que sem ti bramia,

Quão plácido vem ver-te á praia fria.

Verás o Melro, o Rouxinol suave

Convertendo a tristeza em canto grave.

Verás saltando os tenros Cabritinhos

Alegrarem os tristes Cordeirinhos,

Verás curvar-se o tronco a dar-te as frutas; Correr o rio, vir trazer-te as trutas.

Hoje farás feliz, farás contente

A Aldêa, o rio, a fonte, o gado, a gente.

 

GALATÉA.

Feliz me fazes tu: viver me fazes:

Aos meus bons dias novos dias trazes.

 

ÁCIS.

Como posso eu fazer a alguem ditoso,

Quando só por ser teu, sou venturoso?

Sem ti rustico sou, humilde, e pobre:

Comtigo sábio sou, sou rico, e nobre.

 

GALATÉA.

Demos graças a Amor: Amor cantemos,

Que assim nos téce a Santa paz, que temos.

 

ÁCIS.