Galatéa
Galatéa.
Quando te virem, brincaráõ contentes.
Verás a fonte, que turbada a vejo,
Corre alegre a dar a nova ao Téjo.
Verás o Téjo, que sem ti bramia,
Quão plácido vem ver-te á praia fria.
Verás o Melro, o Rouxinol suave
Convertendo a tristeza em canto grave.
Verás saltando os tenros Cabritinhos
Alegrarem os tristes Cordeirinhos,
Verás curvar-se o tronco a dar-te as frutas; Correr o rio, vir trazer-te as trutas.
Hoje farás feliz, farás contente
A Aldêa, o rio, a fonte, o gado, a gente.
GALATÉA.
Feliz me fazes tu: viver me fazes:
Aos meus bons dias novos dias trazes.
ÁCIS.
Como posso eu fazer a alguem ditoso,
Quando só por ser teu, sou venturoso?
Sem ti rustico sou, humilde, e pobre:
Comtigo sábio sou, sou rico, e nobre.
GALATÉA.
Demos graças a Amor: Amor cantemos,
Que assim nos téce a Santa paz, que temos.
ÁCIS.