Galatéa

António Joaquim de Carvalho · Capítulo 3 de 40

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Galatéa

Egloga. Primeira Parte.

EGLOGA.

PRIMEIRA PARTE.

 

INTERLOCUTORES.

POLYFEMO, E LAURINDO.

 

POLYFEMO.

Ah! Campos, campos meus! Vós, que algum dia Me servieis de amavel companhia:

Vós, que os ouvidos daveis ao meu canto, Prestaimos boje, para ouvir meu pranto; Se bem, que assáz me custa magoar-vos, Depois de com meu canto deleitar-vos;

Mas eu adoçarei a vossa mágoa,

Dando-vos de meus olhos rios de agua: Com ella florecei para os viventes,

E á custa do meu mal vivei contentes,

Que eu não vos lograrei, não; nem já gora A minha morte póde ter demora;

Os Ceos a mandem, que em tormentos fortes Huma morte he melhor, que muitas mortes. Ah! Campos, se vós fosseis animados,

E ponderasseis bem os meus cuidados, De mim aprenderieis, que a ventura,

Ao que nasceo feliz, he que procura:

E Aquelle, que nasceo já desgraçado,

Sempre lhe foge com semblante irado.

Mas quem he, que este monte vem subindo? Pelo trage he Pastor: sim, he Laurindo,

Que talvez magoado d'escutar-me, Quer meios procurar de consolar-me: