Lady Susan

Jane Austen · Capítulo 21 de 36

Páginas do PDF

Lady Susan

XXI - Miss Vernon ao Sr. De Courcy

Espero que isto não sej a causado por nada negativo e que não descubra agora que a j ulguei com m uita benevolência. Seu com portam ento com sir Jam es dem onstra, sem dúvida, um a grande sensatez m ostrando seu desconforto, m as não consigo ver nisso nenhum a espécie de incentive Receba um a saudação, m inha querida senhora.

Sua, atenciosam ente, Catherine Vernon

* * *

XXI - Miss Vernon ao Sr. De Courcy

Senhor, Espero que m e desculpe esta liberdade que tom o. Vej o-m e obrigada a isso pela m aior angustia. Se não fora assim , envergonhar-m e-ia por lhe im portunar desta m aneira. Sou m uito desgraçada por causa der sir Jam es Martin e não encontro outra m aneira para pedir aj uda do que lhe escrevendo. Já que m e proibiram falar com m eu tio e m inha tia do assunto, receio que recorrer a vos poderá ser um engano, com o se só atendesse à letra e não ao espírito das ordens de m am ãe. Mas se não tom ares m eu partido e convencê-la de que troque de atitude, não m e sentirei aliviada, j á que não suporto a esse hom em . Nenhum ser hum ano além de vos tem oportunidade de se sobrepor a ela. Se tivesse a infinita bondade de m e defender ante ela e de lhe persuadir de que obrigue sir Jam es a ir-se, estarei m ais que agradecida pelo que m e é possível expressar. Nunca gostei dele, não é um a fantasia súbita, eu lhe garanto, senhor, eu sem pre pensei nele com o um tolo im pertinente e desagradável, e agora ele está cada vez pior. Eu preferiria trabalhar para ganhar o m eu pão do que casar com ele. . Não sei com o m e desculpar por esta carta. Sei que é tom ar um a liberdade m uito grande e sei o terrivelm ente furiosa que ficaria m am ãe ao sabê-lo, m as devo correr esse risco.

Sua hum ilde servidora, F. S. V.

* * *

XXII - Lady Susan à Sra. Johnson

Churchill

Isto é intolerável! Minha querida am iga, nunca antes havia m e sentido tão furiosa e tenho que m e desafogar escrevendo a ti, que sei que com preenderá m eus sentim entos. Quem se apresentou na terça-feira? Sir Jam es Martin! Im agine m eu assom bro e irritação. Bem sabe que não desej ava vê-lo em Churchill.

Que lástim a que não tivesse podido conhecer suas intenções de antem ão!

Não satisfeito em vir, convidou-se a si m esm o a ficar uns dias. Queria tê-lo envenenado! Reconduzi, entretanto, a situação com o m elhor pude e contei m inha história com grande êxito a Sra, Vernon e fosse qual fossem seus sentim entos, não se opôs a m inhas opiniões. Obriguei, do m esm o m odo, a Frederica a que se com portasse cortesm ente com sir Jam es e lhe dei a entender que estava absolutam ente decidida a seu m atrim ônio com ele. Ela m urm urou algo sobre sua desgraça, m as isso foi tudo.

Ultim am ente, acreditei que essa união era a m elhor decisão, especialm ente ao contem plar com o o afeto pelo Reginald avançava rapidam ente e ao não estar com pletam ente certa de que esse afeto não term ine sendo correspondido. A m eus olhos, um apego baseado na com paixão m e faz m enosprezar a am bos, m as não tenho a segurança de que não vá produzir-se este desenlace. Reginald não se afastou de m im nem um ápice, m as ultim am ente m enciona a Frederica com espontaneidade e sem necessidade. Em um a ocasião, disse inclusive algo adulando sua pessoa.

Ele foi quem m ostrou m ais assom bro ao aparecer m eu visitante e, ao princípio, observava sir Jam es com atenção. Isso m e agradava, em bora tam bém interviessem seus ciúm es, m as, infelizm ente, foi-m e im possível lhe atorm entar j á que sir Jam es, em bora m uito cavalheiresco com igo, m uito em breve deu a entender a todo m undo que seu coração estava dedicado a m inha filha.

Não tive grandes dificuldades em convencer a De Courcy, quando estivem os a sós, de que estava perfeitam ente j ustificado m eu desej o de casá-los. O assunto parecia ficar resolvido com odam ente.

Nenhum deles pôde evitar dar-se conta de que sir Jam es não é nenhum Salom ão, m as proibi expressam ente a Frederica que se queixasse ao Charles Vernon ou a sua m ulher. Assim , eles não poderiam tentar interferir. Minha im pertinente filha, entretanto, não desej ava outra coisa, conform e acredito, que encontrar a oportunidade de ir a eles.

Tudo transcorria com calm a e, apesar de que eu contava as horas até a partida de sir Jam es, m inha m ente estava com pletam ente satisfeita com o estado das coisas. Im agine, pois, o que senti quando todos m eus planos se alteraram .

E, além disso, pela pessoa que m enos razão m e tinha dado para recear.

Reginald veio esta m anhã a m eus aposentos com um sem blante excepcionalm ente solene e, depois de alguns prólogos, inform ou-m e com m uita verborréia que desej ava discutir com igo sobre o quanto inadequado e cruel seria perm itir que sir Jam es Martin obtivesse a m inha filha contra a opinião dela. Fiquei m uda de assom bro. Quando percebi que não podia tom ar com o brincadeira seus com entários, exigi com serenidade um a explicação e lhe roguei que m e dissesse os m otivos dessa atitude e o nom e da pessoa que lhe tinha encom endado que m e adm oestasse.

Então, disse-m e, acrescentando a suas palavras uns quantos cum pridos insolentes e am ostras de ternura desconj urada que eu escutei com perfeita indiferença, que m inha filha o tinha inform ado de alguns fatos que a im plicavam a ela m esm a, a sir Jam es e a m im , que lhe tinham intranquilizado m uitíssim o.

Em resum o, descobri que lhe tinha escrito um a carta, solicitando sua intervenção e que, ao recebê-la, ele tinha ido falar com ela sobre a questão, para inteirar-se dos particulares e para confirm ar seus verdadeiros desej os.

Não m e cabe a m enor duvida de que a garota aproveitou a oportunidade para tratar de fazê-lo se apaixonar. Estou convencida disso pela m aneira em que ele falava dela. Muito bem fará um am or assim a ele! Desprezarei sem pre ao hom em que pode contentar-se com um a paixão que nunca esteve em seu ânim o inspirar, nem solicitar. Detestá-los-ei a am bos para sem pre. Não pode ser que sinta verdadeiro apego por m im ; se assim fora, não teria escutado a m inha filha. E ela, entregar-se ao am paro de um j ovem com o qual m al trocara um par de frases!

Igualm ente hum ilhada m e sinto por sua insolência e sua credulidade. Com o se atreveu a pensar em dizer ao Reginald o que disse contra m im ? Não deveria ter m ostrado confiança em que eu devia ter bons m otivos para tudo o que tenho feito?

Onde está sua fé em m eu bom j ulgam ento e bondade para com ela.

Onde a desconfiança que o autêntico am or haveria oposto a um a pessoa que m e difam ava m ais ainda tratando-se, não de um a pessoa, m as sim de um a m enina descrente, sem talento nem educação, e a quem eu o tinha ensinado a desprezar?

Mantive a calm a, m as até a paciência m ais extrem a acaba por ceder e espero ter sido o bastante veem ente. Esforçou-se, esforçou-se com veem ência, para apaziguar m eu ressentim ento, m as é inepta a m ulher que, havendo sido insultada por um a acusação, deixa-se influir pelas adulações. Finalm ente, ficou tão alterado com o eu, tendo m ostrado, entretanto, sua irritação de m odo m ais patente que eu.

Eu m e m ostrava serena, m as ele deu rédea solta à indignação m ais agressiva. Isso m e faz pensar que se apaziguará ainda m ais rapidam ente e, talvez, desapareça para sem pre, enquanto m inha indignação encontrá-la-á fresca e im placável.

Encerrou-se agora em seus aposentos.

« Que am argos devem ser seus pensam entos!» , poderia pensar-se, m as os sentim entos de algum as pessoas são incom preensíveis. Ainda não m e tranquilizei o suficiente para ver a Frederica. Ela não tem que esquecer com facilidade o que hoj e ocorreu. Há de dar-se conta de que ter exposto sua terna história de am or em vão e que se tem exposto para sem pre ao desprezo do m undo inteiro e ao rancor m ais estrito de sua ofendida m ãe.