O Poder dos Inquietos
O que realmente queremos da vida?
Como parte da experiência de estar vivo, acredito que estejamos em busca do nosso lugar no mundo. Onde nos encaixamos em um planeta habitado por sete bilhões de pessoas? Essa é basicamente a questão central da vida, e encontrar a resposta começa pela descoberta do que realmente queremos.
O que realmente queremos da vida?
Vamos estender essa analogia que chamo de “planejamento da vida” e analisar algumas maneiras práticas de descobrir o que
você realmente quer. 2 É mais ou menos como planejar um casamento, porém, muito mais importante. Não há nada de errado em fazer planos para um grande e significativo dia; só acho que é ainda melhor fazer planos para uma grande e significativa vida.
O planejamento da vida começa com um triste fato: muitas pessoas não fazem ideia do que realmente querem fazer ou realizar. Em vez de avançar na direção de um destino, elas se limitam a “evitar a vida”, vagando sem um objetivo ou propósito.
Elas não são totalmente culpadas disso. Nossos sistemas formais de educação não dedicam muito tempo a orientar os jovens a descobrir qual é sua missão na vida. As avaliações das nossas habilidades e conhecimento, que normalmente assumem a forma de testes padronizados, se concentram quase totalmente em planejamento ocupacional em vez de ideias mais abrangentes e amplas.
Como muitos adultos não descobriram o que realmente querem, eles têm dificuldades de transmitir os valores do autoconhecimento aos filhos. Os líderes espirituais, por sua vez, oferecem respostas para as profundas questões da criação, mortalidade e ética, mas normalmente dão pouca orientação prática para o que deveríamos fazer no dia a dia. E, assim, o ciclo se perpetua.
Em algum ponto, no entanto, cada um de nós deve assumir a responsabilidade pela própria vida, mesmo se ninguém nunca nos ensinou a pensar sobre o que queremos. O que mais nos prejudica é a falta de compreensão e autoconsciência. Isso nos distancia da grandeza e nos mantém vivendo vidas chatas e medíocres. Para romper o padrão de sonambulismo, precisamos descobrir o que queremos e encontrar uma maneira de realizar isso.
Alguns anos atrás, li o livro Wishcraft, de Barbara Sher. Uma das coisas que ela diz no início repercutiu na minha vida por um bom tempo: “Não importa quais sejam seus sonhos, comece a levá-los muito a sério”. Aquela época da minha vida foi um período de intensa reflexão e percebi que, apesar de ter me divertido bastante até então, não vinha dando a devida importância aos meus sonhos. Resolvi começar imediatamente, e minha vida mudou radicalmente desde então.
Se precisar de ajuda, veja algumas maneiras diferentes de descobrir o que você realmente quer. Sinta-se livre para usar qualquer uma das três abordagens esboçadas nas páginas a seguir, modificá-las da maneira que achar melhor ou fazer algo completamente diferente.
Não importa o que escolher, certifique-se de ter pelo menos uma ideia geral antes de prosseguir.
1. CRIANDO SEU MUNDO IDEAL
Neste exercício clássico, anote em detalhes como seria seu dia perfeito, ideal, começando do momento em que acordar, passando pelo que você comerá no café da manhã e tudo o que você fará a cada hora, inclusive com quem você terá contato. Quanto mais detalhes você conseguir incluir no plano melhor.
Feito isso, comece a fazer planos para orientar sua vida visando se aproximar do dia perfeito que imaginou. Se levar esse exercício a sério, você aprofundará em muito seu autoconhecimento, mesmo se não realizar muitas mudanças com base nessas informações. Você pode até começar a tomar decisões mais conscientes sobre como planejar seu tempo e onde se concentrar. Repito esse exercício todo fim de ano e isso sempre acaba me levando a realizar várias melhorias no ano seguinte. Você poderá encontrar uma planilha mais detalhada e orientações para esse exercício na Seção “Recursos on-line” no fim do livro.
Como já disse, esse exercício é um clássico da literatura de desenvolvimento pessoal e pode ser útil se você nunca parou para pensar sobre o que realmente gosta de fazer. O exercício, contudo, tem dois grandes pontos fracos, e, se você não considerá-los, poderá realizar importantes melhorias na sua vida, mas ainda ficará se perguntando: “Isso é tudo?”
O primeiro é que, no final, não se trata só de você. Você precisa fazer mais do que criar um mundo ideal para si mesmo, porque a maioria das pessoas, na verdade, não quer passar todos os dias em um castelo com alguém levando café da manhã na cama para elas; querem usar seus talentos para realizar algo significativo. Retornaremos a esse conceito em outro momento, mas, como prometi que a primeira parte seria mais sobre suas metas, vamos deixá-lo em suspenso por enquanto.
O segundo é a questão de todo este livro: atingir grandes metas e viver uma vida notável. Como fazer isso? O exercício do mundo ideal, em geral, não aborda essas metas. Você define o tipo de trabalho que faz, como se exercita e assim por diante, mas a verdadeira missão na vida não está incluída nessas definições. Dessa forma, para se manter concentrado ao longo do tempo em algo significativo, você deve incluir algum tipo de processo de determinação de metas ao plano. Penso que, se alguma coisa vale a pena ser feita, é melhor fazer até o fim; dessa forma, incluí o “estabelecimento de metas radicais” no meu planejamento de uma vida não convencional.
2. ESTABELECIMENTO DE METAS RADICAIS
Quando você começa a pensar sobre o que deseja da vida, o exercício do mundo ideal o ajuda com a estrutura. Para complementar a estrutura, contudo, você precisa de foco – e é nesse ponto do processo de planejamento que entra o que chamo de “estabelecimento de metas radicais”. O estabelecimento de metas radicais começa com uma “lista de coisas a fazer na vida”, incluindo coisas que você gostaria de fazer em algum momento da sua vida. Uma lista de coisas a fazer na vida, também conhecida como uma lista de “coisas a fazer antes de morrer”, é composta de uma longa lista, como o próprio nome diz, de todas as coisas que você gostaria de realizar antes de morrer.
Há inúmeras variações desse tipo de lista. Algumas têm exatamente 100 itens, outras 30 ou outro número qualquer. Para ver exemplos de ideias e metas de outras pessoas, procure “coisas a fazer antes de morrer” na internet – mas, antes de consultar várias listas, tente refletir sobre quais seriam os itens da sua lista.
Se você nunca fez sua lista, verá que se trata de um exercício divertido e revelador. Passe uma tarde, ou apenas meia hora, relacionando uma série de atividades e experiências que gostaria de vivenciar algum dia. Se tiver dificuldade de começar, este truque pode ajudar: imagine-se daqui a muito tempo (se tudo der certo) no seu leito de morte. Na hora de partir, que memórias você gostaria de ter? Do que você se arrependeria de não ter feito? As ideias que lhe vierem à mente nesse tipo de visualização são excelentes candidatos para entrar na sua lista de lista de coisas a fazer na vida.
Uma lista típica inclui uma ampla variedade de metas, desde as mais triviais (“provar 100 frutas diferentes”) até as mais difíceis (“acampar na Antártica”). Tudo bem se a lista acabar sendo tão diversificada quanto esses exemplos sugerem – afinal, a lista é sua. No entanto, um problema resultante de uma ampla variedade de metas é que uma lista abrangente demais pode facilmente perder o foco. No que você deve se concentrar em um determinado momento? Você pensa em comer frutas ou comprar um saco de dormir para sua viagem à Antártica? Em vista disso, para refinar ainda mais as ideias, gosto de pegar a lista geral e organizá-la em metas mensuráveis com um prazo aproximado.
Metas de um ano: Tenho o hábito de repassar essa lista algumas vezes ao ano e crio as metas para o próximo ano todo mês de dezembro. Eu segmento a lista em categorias específicas, como escrever, saúde, negócios, amigos, família, trabalho, viagens, renda e caridade.
Metas de cinco anos: Esta lista é revista uma vez ao ano e contém algumas das “grandes coisas” que você espera fazer no futuro próximo. Observe que, à medida que algumas das metas da lista de um ano são concluídas, elas são substituídas por outras metas da lista de cinco anos.
Metas para a vida: Essa lista é repassada uma vez por ano e inclui tudo o que você quer fazer, mas somente metas que não tenham um prazo definido ou que levarão muito tempo para serem atingidas.
A propósito, certifique-se de incluir algumas ideias realmente grandes nessa lista. O interessante de determinar grandes metas é que, assim que passamos a levar a sério o planejamento para essas metas, elas tendem a ser atingidas muito mais rapidamente do que inicialmente esperamos. Isso ocorre porque tendemos a superestimar o que somos capazes de realizar em um único dia, e subestimar o que somos capazes de realizar em períodos mais longos.
3. PLANEJANDO PARA OS FELIZES ACASOS
Sempre fiz malabarismo com muitos projetos ao mesmo tempo e gosto do processo de tentar manter todas as bolas no ar. Não consigo ficar feliz se não estiver envolvido em muitas coisas simultaneamente. No entanto, é importante me certificar de ter tempo também para ideias espontâneas. Falaremos sobre isso mais adiante, mas o que gostaria de dizer agora é que muitas pessoas se surpreendem com tudo o que sou capaz de fazer ao mesmo tempo. Não falo por todas as pessoas organizadas do mundo, mas vou lhe revelar um segredo que se aplica a muitos de nós: não somos tão superdisciplinados quanto você pensa. É verdade. O que muitos de nós fizemos foi criar uma estrutura em torno do nosso trabalho que nos permite improvisar. Nós levamos as metas a sério e nos empenhamos muito, mas toda a disciplina normalmente resulta do desenvolvimento de uma boa estrutura.
ALGUMAS SUGESTÕES
(O QUE INCLUIR E O QUE DEIXAR DE FORA)
Não quero dizer a você quais devem ser suas metas. A vida é sua, e você faz as regras. No entanto, princípios podem ser bons pontos de partida, então, pense nas ideias a seguir como sugestões para você considerar.
O que incluir
• Todo o tempo que desejar para os entes queridos. • Todo o tempo de que precisar para pensar ou
planejar.
• Trabalho divertido, gratificante e desafiador. • Algum tipo de independência financeira (veremos
esse ponto em detalhes no Capítulo 8).
• Algumas metas “aventureiras”, como escalar o
Kilimanjaro ou viajar a pé pelo Nepal.
• Alguma espécie de metas de viagens, com base nas
suas preferências pessoais (veja o Capítulo 10 para mais informações e ideias).
• Algo que outras pessoas não entendem, mas que faz
todo o sentido para você.
O que deixar de fora
• Drama e pessoas que gostam de reclamar. • Atividades improdutivas ou qualquer trabalho que,