O Poder dos Inquietos
O grande desastre de 2008 no meu apartamento
Eu adoro viajar e não me incomodo com o estresse e os inconvenientes logísticos que incomodam tanto algumas pessoas. Você pode me jogar em voos atrasados, procedimentos absurdos de checagem de segurança ou viagens aparentemente intermináveis de ônibus e eu passarei por todas essas situações com um sorriso no rosto. Mas, me coloque para me mudar de um lugar ao outro e eu quero morrer. Do início ao fim, não há nada no processo que me dê qualquer prazer. Eu me sinto culpado por ter tantas coisas, não gosto de encaixotá-las, eu me preocupo com a possibilidade de deixar algo para trás e me incomoda o fato de ter de levar tudo aquilo comigo. Em um dia de mudança, eu regrido ao nível evolucionário mais inferior da humanidade: sou capaz de pegar caixas e empilhá-las em um caminhão de transporte e nada mais.
Recentemente, em um dia de inverno, Jolie e eu voltamos de férias e encontramos nosso apartamento inundado por causa de um problema no encanamento do vizinho. Um cano havia estourado durante os feriados de Natal e Ano Novo e, por um tempo ninguém notou. Enquanto estávamos viajando, uma equipe de manutenção de emergência entrou nos dois apartamentos, desmontou nossa cama e levou as partes para a sala de estar – bem como todas as nossas roupas e todos os outros objetos do quarto. O carpete do quarto até o corredor também havia sido, deixando um generoso suprimento de pregos no chão para serem pisados por algum distraído.
Inicialmente fiquei irritado, mas tentei agir partindo da premissa de ter sido um acidente e de que todas as pessoas envolvidas em reparar a situação estavam agindo de boa-fé. Montamos um acampamento na sala achando que isso só seria necessário por uma ou duas noites. Essas noites viraram uma semana, depois duas e praticamente um mês inteiro. Passamos esse tempo todo dormindo em um colchão na sala, uma situação que apelidamos de “acampamento urbano” em uma tentativa de manter o bom humor.
Enquanto estávamos acampados, aprendi uma importante lição: quanto maior o número de seguradoras envolvidas em um projeto de construção, maiores as chances de nenhuma delas assumir a responsabilidade. Cada representante com quem conversamos concordava que não éramos culpados pelos danos, mas ninguém estava disposto a nos pagar um hotel durante o conserto.