O Poder dos Inquietos
Altos e baixos
Para mim, uma viagem típica dura duas ou três semanas e vou várias vezes ao ano a cada principal região do mundo. Nesse período, visito vários locais, normalmente em pelo menos dois continentes diferentes. Em geral, pelo menos uma das paradas incluirá um lugar em que já estive algumas vezes antes, e conheço pelo menos um lugar novo. Por ter passado um tempo viajando, consigo me virar com relativa facilidade e não sou acometido do choque cultural que muitas vezes pega de surpresa os novos viajantes.
Meu estilo de viagem não inclui necessariamente visitar pontos turísticos ou museus. Muitas das perguntas que me fazem em entrevistas são rudimentares. Que tipo de mochila devo usar? Nenhuma. Qual é a coisa mais esquisita que eu já comi? Sou vegetariano, de forma que minha dieta não inclui muitas das coisas “esquisitas”. Qual é meu país preferido? Não tenho só um, mas, entre outros, gosto muito da África do Sul, de Hong Kong, da Macedônia, da Jordânia e do Chile.
Em vez de me obcecar com a bagagem, gosto de explorar, ler em bancos de praça e ser espontâneo. Não alego ser um especialista em todos os lugares que visito e não seria um bom guia turístico. Mas, depois de quase mil carimbos no meu passaporte ao longo da última década, me sinto bastante à vontade me virando em praticamente qualquer lugar do mundo.
Eu trabalho e viajo ao mesmo tempo. Se ficar em albergues ou casas de amigos, de tantos em tantos dias me hospedo em um hotel de negócios para pôr em dia as centenas de e-mails que recebo diariamente. Se tiver um post importante a ser publicado de manhã nos Estados Unidos, mas estiver na Ásia, deixo meu despertador para me acordar a tempo de checar o feedback recebido na primeira hora depois de o post ir ao ar.
Como posso estar em qualquer lugar, tento me adequar ao horário dos outros ao trabalhar em um projeto em grupo. No Kuwait eu dormia da meia-noite às 4h da manhã, levantava para uma conferência telefônica pelo Skype e saía para uma corrida na praia antes de voltar para a cama. (Se quiser correr no Kuwait, onde a temperatura pode chegar a 48 graus durante o dia, 4h da madrugada é um excelente horário para fazer isso.) Pode ser estressante, mas trabalho onde quer que seja e, em geral, não tenho problemas com isso.
Altos e baixos
Fiz o necessário para transformar meu sonho em uma meta viável, mas posso dizer que nem tudo foi um mar de rosas. Na Mongólia, fui despejado de uma hospedaria à meia-noite quando apareceu um hóspede disposto a pagar mais pelo quarto. Tanto no Paquistão quanto na Arábia Saudita quase fui deportado por chegar sem visto. Nos dois casos, acabou dando tudo certo – mas passei uma longa e perturbadora hora em um escritório de imigração acompanhado de um guarda, esperando nervosamente para ser admitido no país.
Desafios e problemas fazem parte da aventura, mas também tenho muitas experiências positivas. No aeroporto de Heathrow, em Londres, tive a chance de passar quatro horas na sala de espera da primeira classe da Virgin Atlantic. Os serviços oferecidos incluiam um tratamento gratuito de spa e escolhi um corte de cabelo. Naturalmente, pedi para me sentar no lugar de Richard Branson, o magnata dos negócios, fundador do Virgin Group. O cabeleireiro riu e disse: “Você não é o primeiro a pedir isso”.
Em outras palavras, os bons momentos compensam os ruins. Da mesma forma como pessoas contidas e refreadas normalmente não mudam o mundo, sinto que uma viagem medíocre não leva a muitas memórias. Eu recebo de bom grado tanto o champagne (da Virgin Atlantic) quanto os mosquitos (em hospedarias e longas viagens de ônibus em lugares exóticos). Se tiver uma experiência ruim ou não gostar de um determinado lugar, posso simplesmente fazer as malas e partir para a próxima.
FUNDAMENTOS DO TRAVEL HACKING
Este livro não é sobre travel hacking e algumas das informações apresentadas aqui não serão relevantes a todos os leitores. Para os interessados, contudo, leia a seguir alguns dos meus travel hacks preferidos que me ajudaram a conhecer o mundo. Para mais informações, veja a Seção “Recursos on-line”.
• Quando conquistar um status de elite com uma
companhia aérea, você poderá solicitar uma “correspondência de status” em várias outras companhias e se tornar um passageiro preferencial em todos os grandes grupos de companhias aéreas. (Mas cuidado, algumas companhias aéreas só permitem uma correspondência de status por passageiro.)
• Se estiver diante de um dilema, visite os fóruns do
site <www.flyertalk.com>. Alguns especialistas que participam desses grupos de discussão são ainda
mais experientes do que eu e, se fizer a pergunta certa, vários oferecerão conselhos gratuitos para determinar o melhor itinerário ou resolver seu problema de viagem.
• Se estiver em busca de hospedagem e os preços dos
hotéis forem altos, veja o site <www.hostels.com>, que oferece um grande banco de dados de hospedarias e estabelecimentos menores. Além de dormitórios, muitos estabelecimentos oferecem quartos privativos com café da manhã e acesso à internet. Se preferir companhia, pode se hospedar de graça com a ajuda do CouchSurfing
(www.couchsurfing.com), uma comunidade de pessoas do mundo todo dispostas a hospedar e ser hospedadas de graça.
• Você pode encontrar hotéis com desconto no site
<www.priceline.com>, normalmente não tão bom para comprar passagens aéreas, mas a empresa tem uma vantagem em relação aos clientes por não revelar os lances mínimos. Para contornar isso, procure no Google “lances mínimos em hotéis na Priceline” para encontrar vários sites que disponibilizam essa informação. Usei essa estratégia para ficar no Marriott de Bruxelas por 60 dólares (normalmente 240 dólares), no Sheraton de Praga por 45 dólares (normalmente 195 dólares) e muitos outros hotéis por todo o mundo.
• Se passagens aéreas transatlânticas forem caras
demais, procure um cruzeiro de reposicionamento. Esses cruzeiros diferem dos cruzeiros normais por partir de um porto e desembarcar em outro com tarifas bastante atrativas.
• Eu uso passagens aéreas ao redor do mundo para a
maioria dos meus voos mais longos. Pode levar algum tempo descobrir o caminho das pedras, mas, se viajar bastante, valerá a pena dedicar um tempo para descobrir como funciona o processo de reservas. Normalmente, reservo meus bilhetes pelos grupos de companhias aéreas OneWorld ou Star Alliance.
• Sem muito esforço, a maioria das pessoas pode
acumular facilmente pelo menos 25 mil milhas por ano sem alterar nenhum hábito. Isso basta para uma passagem grátis – e, para quem gostar de um bom desafio, é possível acumular até 100 mil sem muita dificuldade.
• É possível solicitar o resgate das milhas dos
programas de fidelidade em companhias aéreas parceiras e o valor costuma ser melhor do que fazendo o resgate em sua companhia local. Usei esse tipo de resgate para ir à Mongólia (Korean Airlines, com o programa Delta SkyMiles), Kuwait (Qatar Airways, com pontos da American Express) e dezenas de outros lugares.
Nem todas as pessoas gostariam de viajar pelo mundo, mas essa é a vida que eu sempre quis. Escrevi partes deste livro em pelo menos dez países. Em uma ocasião, me vi sem inspiração e comprei um cruzeiro só de ida de Los Angeles a Vancouver em uma superpromoção. Passei o dia enfurnado no meu camarote e sentado no deck, rabiscando observações para editar posteriormente. O navio passou por baixo da Ponte Golden Gate em São Francisco enquanto eu esboçava o próximo capítulo. Não foi uma viagem tão aventureira quanto uma noite passada em um ônibus percorrendo a Albânia (2008) ou um voo para a Ilha de Páscoa, na Polinésia oriental (2007), mas gostei muito da paisagem.
Assim que cheguei em casa, acessei a internet e comecei a procurar voos para o Timor-Leste. O tempo está se esgotando para atingir minha meta e ainda tenho muitos países a visitar.
LEMBRE-SE
• A maioria das pessoas tem pelo menos um lugar
que gostaria de conhecer “algum dia”. Poupando apenas dois dólares por dia, normalmente é possível chegar lá em dois anos ou menos.
• Trabalhar em qualquer lugar do mundo raramente
envolve sentar-se na areia com o laptop. Não é para qualquer um e nem sempre é fácil – mas, para mim e muitos outros, vale muito a pena.
• Como acontece com a maioria das coisas na vida, se
escolher levar a sério a ideia de viajar, você encontrará maneiras alternativas de atingir praticamente qualquer meta que determinar.
• O conceito do travel hacking ajuda a reduzir custos e
permite experiências mais interessantes do que o
planejamento convencional de viagens.
• O seu estilo particular de viagem é melhor do que a
ideia de diversão e aventura de qualquer outra pessoa. Descubra o que você gosta e estruture suas viagens de acordo com suas preferências.