O Poder dos Inquietos
Responsabilizar-se pela ação
De todas as coisas difíceis de aceitar, esta definitivamente é uma das mais difíceis: sua competência é sua melhor segurança. Você tem a capacidade de lidar com qualquer recessão ou qualquer evento externo. Não se trata de pensamento positivo, visualização nem nada mágico ou místico. Você não precisa usar um cocar indígena e fazer a dança da chuva. Na verdade, você precisa mudar seu modo de interpretar os eventos e agir para mudar as circunstâncias.
Há algumas maneiras de fazer isso, mas todas envolvem os conceitos que já analisamos neste livro: definir os termos da sua vida não convencional, superar o medo e combater as convenções mudando as regras do jogo.
OPÇÃO 1: TRABALHAR POR CONTA PRÓPRIA
Não acho que todo mundo deveria necessariamente ser um empreendedor ou um microem-presário ; como veremos no exemplo a seguir, é possível conquistar a independência profissional trabalhando para alguém. No entanto, é justo dizer que muitos de nós queremos conquistar a “plena independência” dando o salto para o trabalho autônomo. Para mim e muitos outros, trabalhar por conta própria (mesmo se apenas em parte) constitui a melhor maneira de cortar o cordão umbilical da dependência.
Também acredito que nossas percepções, no que se refere ao risco e ao empreendedorismo, são extremamente influenciadas pelo que ouvimos no noticiário. Ficamos sabendo quantos negócios fracassam sem considerar todos os que têm sucesso – ou o fato de a maioria dos empreendedores abrir mais de um negócio ao longo da carreira.
Se você pertencer a esse grupo, que tipo de negócio gostaria de abrir? O ideal seria um projeto “independente de localização”, o que significa que você poderia trabalhar em qualquer lugar do mundo. Isso não significa que você vai necessariamente fazer as malas e se mudar para Ruanda, mas é bom ter a liberdade de viajar por aí se quiser. A maioria das microempresas se baseia exclusivamente na internet ou é principalmente on-line com um pequeno componente off-line. Essa não é a única maneira, mas certamente facilitará em muito sua vida e seu trabalho.
O NEGÓCIO DE 100 DÓLARES
Da mesma forma como você não precisa da permissão de ninguém para viver a própria vida, também não precisa de muito dinheiro para abrir um pequeno negócio. Eu
abri cinco negócios na última década e cada um custou menos de mil dólares. Na verdade, antes de gastar os primeiros 100 dólares, eu já sabia com bastante clareza se o negócio teria sucesso ou não.
É verdade que nenhum deles fez de mim um milionário. Mas essa nunca foi a meta – a meta foi me sustentar para não precisar arranjar um emprego formal e, pensando dessa forma, cada um dos meus cinco negócios teve sucesso.
Não sou o único a fazer isso. Recentemente, divulguei que estava em busca de histórias de negócios de 100 dólares que levaram a um longo histórico de sucesso e lucratividade. Veja apenas algumas das várias centenas de histórias que recebi:
• A âncora de um noticiário de TV, em Denver, foi
demitida e abriu uma empresa chamada “Yoga at Work” pelo custo de nove dólares por um registro de domínio, e se dedicou ao negócio em meio expediente. Em seis meses, ela já estava ganhando dois mil dólares por mês.
• A empresa de instalação de pisos de mosaico criada
quando o fundador foi demitido de uma concessionária de automóveis. Ele foi a uma livraria com 18 dólares na carteira para comprar “algum livro de negócios”, mas acabou usando o dinheiro para tomar um café folheando livros e teve a ideia para a nova empresa. Depois de um início tumultuado e uma parceria difícil, a empresa gerou mais de 150 mil dólares em seu terceiro ano.
• A empresa de “50 dólares e um vidro de óleo” que
cresceu para se transformar em um negócio de seis milhões de dólares em cinco anos.
• O projeto “Retro Razor” criado em um quarto em
Seattle depois que o fundador ficou sem lâminas da Gillette em uma viagem à Itália (custo: 75, 87 dólares para o estoque inicial). A Retro Razor firmou uma parceria com a Amazon
(www.amazon.com) e as vendas decolaram.
Veja mais detalhes na Seção “Recursos on-line” neste livro.
Características de bons e maus negócios
Bom Mau
Cria produtos ou
serviços que se vendem Troca tempo por dinheiro. sozinhos.
Independe do clima Depende do clima econômico. econômico.
Independe de
localização (pode ser Localização fixa. operado de qualquer
lugar).
Horário flexível, de Horário fixo, como uma loja forma que o ou posto de atendimento que proprietário pode recebe os clientes em horário decidir como comercial. administrar seu tempo.
Altas margens de lucro Baixas margens de lucro e
e fluxo de caixa regular. fluxo de caixa irregular.
A propriedade A propriedade intelectual não pertence ao fundador do intelectual pertence ao negócio (normalmente na fundador do negócio. forma de uma franquia).
Observe que um negócio não precisa necessariamente ter todas as características de um “bom” negócio e nenhuma característica de um “mau” negócio. A questão é que, quanto mais características “boas” seu projeto apresentar,
mais fácil será para ele ter sucesso e se tornar sustentável.
Tendo passado quase toda a minha vida adulta como um autônomo, admito que possuo uma inclinação ao empreendedorismo. Neste ponto da minha vida, sou incapaz de me imaginar trabalhando em um emprego tradicional. Fui recentemente ao meu banco para abrir uma nova conta e o processo levou 45 minutos. Depois dos primeiros 15 minutos, comecei a ficar angustiado. Puxei conversa com a mulher que estava me ajudando a abrir a conta e perguntei: “É isso que você faz o dia todo? O que acontece se não tiver ninguém querendo abrir uma conta?” Ela suspirou e disse: “Bom, eu faço pesquisa. E algumas vezes serviço administrativo. Antigamente nós podíamos usar a internet nessas ocasiões, mas isso não é mais permitido”.
Pessoalmente, prefiro a liberdade a um salário regular, “estabilidade no emprego” ou qualquer outro benefício do trabalho tradicional. Mas sei que nem todo trabalho é tão monótono quanto o de um atendente de banco, de forma que é justo dizer que trabalhar por conta própria não é a única opção. Vamos analisar outras alternativas.
OPÇÃO 2: VIRAR UMA ESTRELA DO ROCK E REDEFINIR OS TERMOS DO SEU TRABALHO
Allan Bacon, que se descreve como um “sujeito normal de 40 anos de idade”, tinha um excelente emprego que incluía um cargo seguro, um bom salário, um bônus confiável e todos os benefícios. Só havia um problema: apesar de todas as vantagens, o ambiente era enlouquecedor.
“Era como mergulhar sem um snorkel. Quanto mais eu tentava avançar, mais estressado ficava e mais difícil era respirar”, contou Allan. Na tentativa de encontrar um snorkel, Allan deu início a uma série do que ele chamou de “Experimentos de Vida” – ações pequenas e médias que o ajudariam a se preparar para mudanças maiores. Os “Experimentos de Vida” incluíram coisas como visitar museus de arte durante o almoço a aceitar um cargo de nível inferior que lhe ofereceria mais oportunidades.
Em um ano, o cargo inferior se expandiu para incluir mais responsabilidades e um salário mais alto do que o emprego anterior. Encorajado pelo sucesso, o próximo experimento de Allan o levou a se mudar temporariamente para Paris com a esposa e as três filhas. “Eu queria que minhas filhas conhecessem outro lugar e não realizar uma simples viagem turística”, ele disse. “Será que nós nos mataríamos em um pequeno apartamento? Será que enlouqueceríamos por ter de viver em Paris sem falar francês?”
Ninguém se matou nem enlouqueceu em Paris e a confiança de Allan cresceu ainda mais. Quando retornou da viagem, ele decidiu voltar a trabalhar na empresa, mas só em esquema de meio expediente. Assim ele poderia manter os benefícios e uma renda estável (apesar de menor) ao mesmo tempo em que abria a própria consultoria. Um ano depois, ele já tinha deixado de trabalhar em horário fixo no escritório, apesar de continuar a trabalhar em meio expediente para a empresa. Essa mudança lhe possibilitou a liberdade que ele tanto ansiava, sem sacrificar o relacionamento com uma empresa que ele apreciava – além de continuar a lhe proporcionar uma renda estável.
Allan atribui a causa fundamental da transição a seus “Experimentos de Vida”, incluindo até as coisas mais simples, como visitar museus de arte ou se dedicar à fotografia nos fins de semana. Nas palavras dele, o impacto dos experimentos foi muito maior que os experimentos em si.
É muito comum eu receber e-mails de funcionários de empresas estáveis como o Google e a Microsoft, que começam uma longa mensagem dizendo: “Sinto-me culpado porque meus amigos acham que tenho tudo, mas não gosto do que faço”. Não acho que essas pessoas sejam mal-agradecidas; se você não gosta do lugar onde passa a maior parte do seu tempo, não vejo como você pode “ter tudo”. A história de Allan é um bom exemplo de alguém que conseguiu resgatar sua independência sem se desligar completamente da estabilidade oferecida pelo mundo corporativo.
OPÇÃO 3: REDEFINIR SEU EMPREGO CONTRATANDO UM CHEFE
Susan V. Lewis é uma profissional de marketing e designer além de ser dotada do superpoder de fazer as coisas acontecerem. Depois de uma série de empregos variados e gratificantes (incluindo repórter esportiva, diretora de programação e pintora), ela passou cinco anos em um escritório onde seus colegas não aceitavam muito bem o trabalho que ela vinha realizando.
Susan se sentia frustrada e queria mudar, mas não queria se unir às milhares de outras pessoas em busca de um emprego usando métodos convencionais. “Mais de 300 pessoas se candidatam para qualquer emprego que poderia me interessar ou para o qual me qualifico”, disse Susan. “Não é fácil provar minhas qualificações em uma única página para a análise de um computador ou um especialista desinteressado de RH. ”
Para evitar competir com centenas de concorrentes aparentemente qualificados no papel, Susan precisava mudar as regras e criar o próprio jogo. Em vez de procurar um emprego, ela decidiu sair à caça de um chefe. Ela montou um site descrevendo o projeto, no qual postou seu currículo e informações sobre seu histórico, explicou o tipo de pessoa que estava procurando e convidou chefes em potencial para se
candidatar. 9
Susan não via muito valor em pequenos ajustes nas regras. Em vez disso, ela levou o processo de contratação de um chefe até o fim, entrevistando vários candidatos e, finalmente fazendo uma oferta formal, incluindo termos e condições, para a empresa da qual ela mais gostou. Além de “candidatos a chefe” em sua cidade preferida, Dallas, ela também recebeu candidaturas de empresas em Boston, São Francisco, Toronto, Nashville, Austin, Chicago e Nova York.
Ironicamente (ou não), a melhor oferta que recebeu veio de uma empresa que nem pretendia contratar um novo empregado na época. Eles tinham uma ideia para um novo cargo no marketing, mas, antes de ouvir falar sobre o projeto de Susan para contratar um chefe, eles não tinham planos para preencher o cargo por um tempo.
Susan é uma profissional esforçada, mas seu sucesso não foi apenas um resultado de seu poder super-heroico de fazer as coisas acontecerem. Quando 300 pessoas se candidatam para uma única vaga, você precisa achar um jeito de se destacar. Grande parte do sucesso de Susan se deu graças à sua capacidade de revolucionar o processo de busca de emprego e fazer algo totalmente diferente.
Eu entendo as objeções a usar Susan como um exemplo: nem todo mundo pode criar um site promovendo suas qualidades, o conceito já foi usado, “isso nunca daria certo na minha área de atuação” e assim por diante. O fato é que, quando Susan deu início ao projeto, as pessoas lhe disseram que ela não teria sucesso. Ela ousou ser diferente e, com isso, conseguiu mudar as regras do jogo de contratação no auge da crise econômica, quando os índices de desemprego se aproximavam dos 10%.