O Poder dos Inquietos

Chris Guillebeau · Capítulo 11 de 58

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O Poder dos Inquietos

Princípios de uma vida não convencional

Muitas vezes, esse conceito é apresentado como algo secundário. Já participei de inúmeros seminários sobre empreendedorismo e muitas das discussões seguiram o mesmo formato: em uma apresentação de uma hora, o palestrante passa 55 minutos falando sobre como enriquecer. Os cinco minutos finais consistem em um lembrete para “certificar-se de retribuir”.

“Tudo se resume a isso”, o apresentador algumas vezes diz nesse ponto, apontando para a tela que mostra fotos de sua visita a um orfanato do outro lado do mundo. Considerando que essa questão só é levantada ao final de uma longa discussão sobre ganhar dinheiro, sempre penso nisso como um ato falho, no sentido de se tratar daquele momento forçado no qual dá a sensação de que talvez a vida seja mais do que tudo aquilo que foi mostrado como a parte central da apresentação.

Para evitar o equivalente a esse ato falho no seu planejamento de vida, comece a pensar seriamente, desde o começo, sobre como você efetivamente mudará o mundo. Estas perguntas podem ajudar:

• Quais necessidades você pode satisfazer? • Quem o vê como um líder?

• O que o incomoda no mundo?

• Como você pode melhorar a situação? • O que você tem a oferecer ao mundo que ninguém mais

tem?

Não há necessidade de esperar para levar a sério a possibilidade de afetar positivamente as pessoas ao seu redor. Como uma regra, se você não souber o que fazer em algum determinado dia, dedique pelo menos parte do seu tempo ajudando alguém. Em vez de deixar isso em segundo plano, você pode construir uma vida focada na busca implacável do que você deseja, paralelamente à missão de fazer a diferença – começando hoje mesmo.

Princípios de uma vida não convencional

Um dia você atingirá a convergência entre conseguir o que realmente quer ao mesmo tempo que também ajuda os outros de um modo único. Chamo isso de “domínio do mundo”, uma situação na qual você tem uma vida de aventuras e se concentra em deixar um legado que faça uma grande e revolucionária diferença para os outros. Não há necessidade de se acomodar ou se conformar com menos que isso.

Enquanto busca seguir seu plano de ação, trabalhe na sua lista de coisas a fazer na vida e em outras metas que faz do mundo um lugar melhor; esses princípios podem ajudá-lo na implementação do seu planejamento.

Quase sempre há mais de uma maneira de realizar algo. Ao seguir o caminho convencional da faculdade, você aprende rapidamente os padrões e comportamentos aos quais se espera que você se conforme. Espera-se que você faça um determinado número de créditos a cada semestre; siga um caminho relativamente padrão que o leve das disciplinas básicas até a cerimônia de formatura alguns anos mais tarde.

Depois, você entra no seu primeiro “emprego de verdade”. Espera-se que você comece de baixo. Em algum momento você é promovido para o meio da pirâmide organizacional, onde a maioria das pessoas passa a maior parte da carreira. Algumas são promovidas a posições seniores (sócio, diretor, professor titular em uma importante instituição), mas isso normalmente só acontece depois de passar muito tempo em cargos inferiores. É bem verdade que expectativas específicas e cargos variam de um setor para outro – mas quase todos seguem um padrão similar de aprendiz, iniciante, nível médio e executivo.

Em cada estágio do processo, normalmente há um caminho de progresso mais rápido ou um atalho que lhe permitirá pular vários passos nos quais todos os outros passam anos ou décadas. O caminho alternativo (também chamado de “escolha não convencional” neste livro) não apenas é mais eficiente como também costuma ser mais eficaz.

Quando se vir diante de uma escolha entre abundância e escassez, escolha a abundância. A escassez constitui a mentalidade padrão para a maioria de nós. É um hábito difícil de romper, mas quase sempre vale a pena. A escassez envolve acumular e a abundância envolve compartilhar. Analisaremos esse ponto em mais detalhes no Capítulo 9, mas, em resumo, a escolha da abundância normalmente inclui recusar-se a ver o mundo como uma competição de soma zero. Ninguém precisa perder para que você ganhe (e vice-versa).

Quando não souber ao certo se deve dar um salto de fé, salte. Você se arrependerá muito mais das coisas que não fizer do que de qualquer coisa que fizer, de forma que é melhor experimentar coisas novas. Você também não precisará se preocupar com a exaustão. Se você faz o que adora, por que ficaria estafado? (Se precisar se preocupar com algo, preocupe-se com a possibilidade de se arrepender de uma decisão que você realmente queria tomar, mas que acabou não tomando por medo.)

A inteligência não é um pré-requisito, mas a determinação é. Para dominar o mundo, ou fazer o que deseja, você não precisa ser particularmente inteligente. Na verdade, em alguns casos, inteligência demais pode ser um obstáculo, já que pessoas inteligentes são muito boas em complicar o simples. No entanto, você precisará ser relativamente determinado. Isso porque vivemos em um mundo convencional, e fazer o que deseja pode ser surpreendentemente difícil. Se você temer o sacrifício ou não tiver a capacidade de se ater às suas crenças, poderá ser tentado a desistir ao longo do caminho.

Você pode ter sonhos e metas ilimitados, mas não prioridades ilimitadas. Quase todas as vezes que parto em uma viagem internacional, acabo conversando com alguém que se diz interessado em fazer o mesmo. As pessoas normalmente dizem algo como “Uau! Gostaria de poder fazer isso”.

A realidade é a seguinte: sei que há muitas pessoas que não podem viajar ou fazer as mesmas escolhas que eu. Tendo morado nos países mais pobres do mundo durante quatro anos, conheço muitas dessas pessoas. No entanto, a maioria das pessoas com as quais interajo atualmente, bem como a maioria dos leitores deste livro, não pertence a essa categoria. As pessoas com as quais converso atualmente que me dizem que “gostariam” de poder fazer alguma coisa, mas se sentem incapazes, normalmente, fizeram inúmeras escolhas que as impedem de fazer o que desejam. Elas escolheram priorizar outras coisas em detrimento do que afirmam desejar. Notei que algumas delas podem até parecer um pouco ressentidas com as pessoas que escolhem avançar por um caminho diferente. Quando me ofereci para ajudar uma amiga a planejar sua viagem à Europa, ela aceitou com entusiasmo. Mas depois ela disse: “Sabe, nem todo mundo pode simplesmente largar tudo e viajar pelo mundo como você”. Eu dei de ombros e ajudei mesmo assim, mas continuei incomodado com o que ela disse. Pensando a

respeito, percebi que a observação refletia uma forma comum de inveja. Aquela amiga ganhava mais de 6, 5 mil dólares por mês e, certamente, teria condições de ir aonde quisesse, mas viajar não era uma prioridade para ela.

À medida que fizer cada vez mais escolhas próprias, você deparará com feedbacks como esse com mais frequência. Muitas pessoas não se sentem à vontade com a mudança e ideias diferentes. Elas farão de tudo para racionalizar as próprias escolhas quando encontram alguém que escolheu coisas diferentes. Não estou dizendo que as pessoas não deveriam priorizar o trabalho em um escritório ou a decoração da casa, só estou sugerindo que elas reconheçam abertamente que essa é a prioridade para elas.

 

Depois de ajeitar algumas coisas, os estágios de crescimento são exponenciais. Leva muito tempo para pequenas empresas renderem mil dólares por mês. Eu me lembro de ter ficado nas nuvens quando ganhei esse valor pela primeira vez. Tudo bem que eu trabalhei dia e noite durante várias semanas para ganhá-lo –quando você está apenas começando como um empreendedor algumas vezes é melhor não fazer contas.

Mas passar de mil dólares para cinco mil dólares por mês normalmente não é cinco vezes mais difícil. Por alguma razão que ninguém sabe ao certo, costuma ser apenas duas vezes mais difícil. Em outras palavras, se conseguir encontrar um jeito de ganhar mil dólares trabalhando por