O Poder dos Inquietos

Chris Guillebeau · Capítulo 39 de 58

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O Poder dos Inquietos

Parte 2: Enriquecendo nossa vida por meio da abundância

(Você não precisa necessariamente enviar a mensagem, mas, se realmente estiver preocupado com a possibilidade de perder alguma muito importante, talvez seja interessante fazê-lo.)

Parte 2: Enriquecendo nossa vida por meio da abundância

Os atos de redução e exclusão radical levam à questão do que deveria ser mantido. Depois de banir as coisas desnecessárias ou indesejáveis da sua vida, o que você deve manter?

Proponho adotar uma vida de abundância, repleta até a borda de coisas de que você aprecia e que deixarão um legado. Analisaremos mais profundamente o legado no Capítulo 11, mas tudo começa com uma vida plena. No fim do dia, quero estar cansado – não atolado em tarefas que me deixam com um sentimento de “O que eu realmente realizei hoje?”, mas com um senso de empolgação.

Vamos retomar algum dos pontos que analisamos no Capítulo 2: a lista de coisas a fazer na vida, o mundo ideal, as metas. Você quer mais ou menos dessas coisas? E como pode obter mais? Acredite se quiser, parte da resposta começa com o estresse – mas o tipo bom de estresse. Como ilustra Mihaly Csikszentmihalyi em seu livro clássico A descoberta do fluxo, os momentos dos quais mais nos orgulhamos podem ser bastante estressantes:

“Os melhores momentos da nossa vida não são os momentos passivos, receptivos, descontraídos. Os melhores momentos normalmente acontecem quando levamos nosso corpo ou nossa mente ao limite em uma tentativa voluntária de realizar algo difícil e significativo. ”

Quanto a mim, tenho interesse em descobrir o que sou capaz de realizar com minhas 168 horas semanais. Tire as horas de sono e você fica com 98 horas por semana. Tire um dia do Shabat, um conceito que examinaremos logo adiante, e fica com 74 horas. Isso quer dizer que você tem 74 horas, ou 4. 440 minutos para dedicar a atividades que curte fazer.

Eu não quero desperdiçar esses minutos. Quero correr maratonas, abrir negócios, criar sites, escrever, conversar com pessoas divertidas, ajudar organizações sem fins lucrativos, viajar a vinte países por ano e, de vez em quando, dormir. Já mencionei que tomo café? Eu adoro café.

Sei por experiência própria que, se não fizesse essas coisas, ficaria extremamente infeliz. Sempre que fico tempo demais parado, sinto que meu cérebro está atrofiando. Tenho interesse em reduzir o estresse inútil e desnecessário, mas jamais deixo passar uma oportunidade de fazer algo interessante.

SAIBA COMO DESCONTRAIR E RECARREGAR AS

BATERIAS

Acredito que seja melhor passar a maior parte dos nossos 4. 440 minutos semanais em projetos e relacionamentos significativos, mas também é interessante se conhecer e saber qual é a melhor maneira de relaxar. Por ser uma pessoa naturalmente introvertida, eu normalmente gosto de relaxar sozinho. Especialmente quando estou viajando em um país distante, cujo idioma eu não falo, algumas vezes passo dias inteiros interagindo muito pouco com as pessoas. Esses dias podem ser solitários, mas não acho que a solidão seja algo negativo se nos permitir desacelerar e refletir sobre o mundo no qual vivemos.

Quando não estou viajando, tento tirar um dia de Shabat por semana, desde as 18h de sábado até as 18h de domingo. Quando faço isso, passo 90% do tempo off-line, o que significa que posso entrar na internet para ler os jornais, mas não leio e-mails nem me dedico a nenhuma atividade relacionada ao trabalho.

EVITE O PARADOXO: SAIBA A DIFERENÇA ENTRE

SIM E NÃO

Quando se vê diante de oportunidades, distrações e demandas pelo seu tempo, como saber se deve dizer sim ou não? Como sempre, a decisão cabe a você, mas veja algumas ideias:

• Diga sim a um trabalho que deixará um legado.

(Para mais detalhes, veja o Capítulo 11.)

• Diga sim a um trabalho que leve a algum resultado.

(Defina o trabalho em termos de produção e não de tempo.)

• Diga sim a atividades divertidas.

• Diga não a um trabalho que não leve a nenhum

resultado (como reuniões desnecessárias).

• Diga não a atividades inúteis e improdutivas. • Diga não a coisas que você só faria por obrigação.

• Faça uma checagem rápida dos seus instintos: sim

ou não? Se não se sentir bem, diga não. Caso se sinta ligeiramente intimidado, mas também empolgado, diga sim.

 

Como é possível reduzir acentuadamente certas informações ao mesmo tempo em que aumenta o volume de outras informações e atividades? A resposta é que a dedicação a menos atividades e informações equivale a dedicar-se mais a outras. É possível ter quase tudo o que quiser, mas não é possível ter tudo ao mesmo tempo. (Ou, nas palavras do guru da produtividade David Allen, “Qualquer coisa, mas não tudo”.)

A prática da arte da exclusão radical é benéfica por duas razões: em primeiro lugar, ela elimina o desnecessário da nossa vida. Mas, igualmente importante, quando você diz “não” a algumas coisas, tem a chance de dizer “sim” a muitas outras. Se todos os outros fatores forem iguais, prefiro me arrepender de algo que fiz do que de algo que não fiz por medo ou outras obrigações. A vida é melhor se bem aproveitada. Pessoas contidas não mudam o mundo e prefiro passar meu tempo exaurido com atividades e projetos significativos. E você? Depois de dormir e de um dia de descanso, como passará os 4. 440 minutos dessa semana?

LEMBRE-SE

• Você provavelmente poderá ter o que quiser, mas

talvez não ao mesmo tempo. A exclusão radical é o processo de eliminar o desnecessário ou até abrir mão de quase tudo por um período.

• Criar uma lista de coisas para deixar de fazer

normalmente ajuda a eliminar várias horas de tarefas no decorrer da semana.

• Perguntar-se “Qual é a pior coisa que pode

acontecer se eu não fizer isso?” pode ajudá-lo a se sentir melhor quando eliminar uma obrigação.

• Depois de eliminar o desnecessário, comece a se

abrir a tudo o que sempre quis fazer. Não se trata de um paradoxo, mas sim de uma vida de abundância.