O Poder dos Inquietos
Utilize o poder da sua carteira para ajudar os outros
sem trabalhar para um empregador. 14
Em vez de determinar a meta de acumular riqueza (capital), decidi me concentrar mais em desenvolver minhas fontes de renda de forma a me permitir fazer tudo o que quero sem as restrições de um emprego formal. Também substituí metas voltadas ao acúmulo de riqueza por metas orientadas mais à experiências de vida. Eu queria abrir um negócio, mas também queria viajar. Escolhi sacrificar parte do acúmulo de riqueza em prol das viagens, abrindo mão de uma renda adicional para me possibilitar outras experiências mais gratificantes.
A independência financeira “plena” na forma do acúmulo de um grande capital continua sendo uma meta válida, mas optei por transferi-la à categoria “parabéns se eu conseguir”. Como tenho tudo que preciso para viver e não sinto a necessidade de sacrificar muitas das coisas que valorizo, não me preocupo tanto com isso. Mais cedo ou mais tarde vai acontecer e, no meio tempo, quero usufruir da vida que mais valorizo.
Utilize o poder da sua carteira para ajudar os outros
Da mesma forma como o dinheiro é uma ferramenta para ajudá-lo a conseguir o que realmente quer – lembre-se sempre de que o dinheiro não tem valor por si –, ele também pode ser uma ferramenta para ajudar os outros a conquistar a mesma liberdade. Todos os anos tento fazer algum depósito na minha conta de investimento de longo prazo, mas também faço vários investimentos em organizações sem fins lucrativos com base em uma porcentagem da minha renda. Minha meta é doar 20% ou mais, mas, para fins de transparência, devo observar que não consegui atingir essa proporção todos os anos. No entanto, sempre consegui doar pelo menos 10% – o “dízimo” é o mínimo que configurei em uma dedução automática da minha conta bancária para me assegurar de não perder de vista a meta.
Chamo esse princípio de “investir nas pessoas”. Uso as palavras “doação” e “caridade” aqui por serem mais comuns, mas devo deixar claro que não considero esse princípio um ato de generosidade; eu o vejo como um ato de responsabilidade e gratidão. Consegui realizar muito por conta própria, mas não ignoro os grandes privilégios que existem por ter nascido em um país rico. Também reconheço os inúmeros privilégios sociais que me permitiram escolhas relativamente irrestritas e abertas. Muito é exigido quando muito é dado.
Se você estiver se perguntando o que isso tem a ver com ser inconformado, eu diria que a essência é fazer escolhas de uma forma diferente. Se você viver na pobreza, não pode se dar ao luxo de ter tantas opções – ou, dito de outra forma, os pobres têm pouca liberdade. Ajudar as pessoas a elevar o nível de liberdade e aumentar o número de oportunidades é uma resposta natural ao reconhecimento da liberdade na nossa vida. Naturalmente, doar dinheiro não é a única forma de ajudar, mas é uma forma importante que não deve ser negligenciada ao pensar nas finanças pessoais.
Ao pensar pela primeira vez em investir nas pessoas, você pode não saber por onde começar. Eu valorizo especialmente instituições que se concentram não apenas em levantar fundos, mas também em conectar os doadores aos beneficiários finais do trabalho de caridade. É por isso que este livro e o site AONC apoia ativamente um projeto da Charity: Water na Etiópia. Se você não souber ao certo por onde começar a investir nos outros, eu adoraria que você se unisse à nossa causa. Na verdade, se comprou este livro, já está ajudando com uma pequena contribuição. Saiba mais no site
<www.charitywater.org/aonc>.
É natural eu me empolgar com o projeto no qual estou envolvido, mas também relaciono a seguir algumas outras organizações nas quais acredito valer a pena investir. Nenhuma dessas organizações é de natureza política ou religiosa; elas se concentram exclusivamente em reduzir a pobreza, capacitar microempresários ou desenvolver a infraestrutura de países e comunidades ao redor do mundo.
Partners in Health: Fundada pelo Dr. Paul Farmer, essa organização se posiciona na vanguarda das questões de saúde pública no Haiti na África e em outros lugares do
mundo. Saiba mais no site <www.pih.org/>. Care: Tenho um respeito especial pela Care por causa das várias decisões corajosas tomadas pela organização nos últimos anos de recusar fundos vinculados a práticas ineficientes e obsoletas de desenvolvimento na África.
Saiba mais no site <www.care.org>. Kiva: Fazer uma doação à Kiva é como emprestar dinheiro a um amigo, com uma garantia de 98% de receber o dinheiro de volta. Saiba mais no site
<www.kiva.org>.
Oxfam International: A Oxfam é um conglomerado composto de 15 organizações menores, divididas por país. A meta coletiva era acabar com a pobreza e a injustiça até 2012. Esse prazo era muito curto, mas sua ajuda será muito bem apreciada de qualquer maneira. Encontre o
escritório mais próximo no site <www.oxfam.org>. Médicos sem Fronteiras: Essa organização, conhecida ao redor do mundo pelo nome francês Médecins Sans Frontières, leva equipes médicas para as zonas de guerra, desastres naturais e países com um sistema de
saúde insuficiente. Saiba mais no site <www.msf.org.br>.
Em vez de fazer uma única doação, costuma ser melhor se comprometer mensalmente com uma organização de sua escolha, mesmo se a doação for pequena. A maioria das organizações de desenvolvimento internacional recebe a maior parte de seus fundos apenas na ocorrência de algum desastre, e uma doação mensal as ajudará a receber uma renda fixa, mesmo se a atenção do mundo não estiver voltada a elas.
Uma última dica sobre doações: depois de doar, não olhe para trás. Há uma velha piada sobre um mendigo que aborda um homem bem-vestido e pede dinheiro para comprar cachaça. O homem lhe dá o dinheiro, mas depois hesita. “Ei, espere aí”, ele diz. “Como vou saber que você não vai pegar o que lhe dei e gastar em comida?”
Você provavelmente não quer reservar uma grande parcela do seu investimento nas pessoas financiando cachaça para quem não tem sequer o que comer, mas a questão é que você não é responsável pelo que acontece depois de doar. Normalmente, prefiro doar a organizações de confiança porque elas são mais transparentes na prestação de contas pelos fundos, mas, no final, são elas que decidem o que fazer com o dinheiro, não você. Depois de doar, não olhe para trás. A partir desse ponto, o destino do seu dinheiro não está mais nas suas mãos e você não pode se responsabilizar por isso.
Quando comecei a escrever sobre minhas ideias, fui convidado a escrever vários artigos para outros blogs. Um amigo de Portland, J. D. Roth, gentilmente publicou um dos meus artigos em seu excelente site de finanças pessoais, o
<www.getrichslowly.org>. Recebi vários feedbacks positivos – foi quando comecei a receber todas as mensagens de estudantes que se arrependeram de terem se comprometido com um financiamento estudantil –, mas também recebi muitas críticas. Um dos comentários, que reproduzo a seguir, foi especialmente revelador para mim:
“Eu adoraria ver como será a vida de Chris quando ele estiver velho demais para trabalhar. Espero que todas as memórias de viagens ao redor do mundo e todas as doações de dinheiro sejam uma fonte de consolo para ele quando estiver comendo ração de cachorro em um albergue de indigentes. ”
Eu repassei esse comentário para minha família e alguns amigos. Nós rimos muito e alguém sugeriu que eu emoldurasse e pendurasse a mensagem no meu escritório. Por mais bizarro que seja, quanto mais pensávamos a respeito mais percebíamos que o “sujeito da ração de cachorro”, como nos referíamos a ele, estava parcialmente certo. Espero que minha dieta seja um pouco melhor do que a que ele sugeriu e espero ter meu quarto no albergue de indigentes, mas não me surpreenderia se encontrasse consolo nas minhas memórias. O que mais temos no fim da vida?
Gostaria de concluir este capítulo com as palavras de D. H. Lawrence: “A vida é para ser gasta, não poupada”. Concordo plenamente.
LEMBRE-SE
• Dinheiro e felicidade se correlacionam até certo
ponto, mas não muito depois desse ponto.
• O seu comportamento em relação ao dinheiro deve
se alinhar aos seus valores.
• Pense em “investir em si mesmo” gastando mais em
experiências de vida do que em “coisas”.
• Um bom programa de investimento também inclui
investir nos outros. Não é uma questão de culpa,
mas de gratidão.
INTERLÚDIO
O QUE ELES DIZEM SOBRE OS VENCEDORES
Hugh MacLeod, artista em período integral e autor de Ignore Everybody, afirmou: “Se você quiser fazer muitas pessoas odiarem você, tudo o que precisa fazer é ganhar muito dinheiro fazendo algo que adora”. Também é possível substituir “ganhar muito dinheiro” por várias outras frases que exprimem algum tipo de sucesso:
“...tudo o que precisa fazer é se divertir muito...”
“...tudo o que precisa fazer é ajudar muitas pessoas...”
“...tudo o que precisa fazer é ser melhor que os outros...”
Uma coisa é certa: ao se dedicar a uma jornada não convencional, você chamará atenção e atrairá críticas. E, se tiver sucesso na sua missão, pode esperar muito mais atenção e críticas.
Algumas pessoas adoram falar mal dos vencedores. Eu as chamo de vampiros sugadores de energia – elas não contribuem com nada positivo para o mundo, mas adoram atacar e tentar sugar a vida dos outros. A visão de mundo dessas pessoas se baseia em uma perspectiva de escassez, na qual ganhar e perder é visto como um jogo de soma zero. O simples fato de você estar ganhando não implica que alguém deva perder, mas nem todo mundo entende isso. Pessoas autoconfiantes e focadas muitas vezes são rotuladas como arrogantes por pessoas destituídas dessas qualidades. De acordo com a perspectiva da escassez, os vencedores são vistos com desconfiança porque “devem” ter tirado algo de alguém para chegar ao topo. É mais fácil rebaixar os vencedores que tentar se elevar no nível deles.
“Grandes espíritos sempre foram violentamente oprimidos por mentes medíocres”, afirmou Albert Einstein, que na infância foi considerado apático e com
um desenvolvimento mental mais lento que o normal. Veja outras coisas que foram ditas sobre vencedores:
“Lance Armstrong é uma vergonha para a
competição. ”
Chefe do Tour de France no retorno de Lance em 2009
“O Coldplay é a banda mais insuportável da
década. ”
Jon Pareles, do New York Times
“Não gostamos do som deles e a guitarra não
tem nada a ver. ”
Decca Recording Company ao rejeitar os Beatles em
1962
“Os rabiscos grotescos de uma criança
apresentam uma ingenuidade, uma simplicidade
que provoca sorrisos, mas os excessos dessa
escola são nauseantes e repugnantes. ”
Emile Cardon sobre Monet, Renoir e os outros
Impressionistas
É interessante saber o que as pessoas dizem, mas isso não significa que você precisa deixar que elas o impeçam de tentar atingir suas metas. Quando começar a atrair vampiros, parabéns: você está no caminho certo. Não desista. Nós contamos com sua determinação.