O Poder dos Inquietos

Chris Guillebeau · Capítulo 50 de 58

Páginas do PDF

O Poder dos Inquietos

Os projetos de desenvolvimento de legado demandam muito trabalho

entusiásticas que queiram viver de modo diferente e mudar o mundo.

Método principal: Escrever (também criei produtos multimídia e realizo um número limitado de eventos). Resultados: Pelo menos dois artigos por semana, um livro por ano, colunas regulares como convidado, total de 300 mil palavras anuais (explicarei esse critério a seguir).

Métricas: Número de visitantes do site/assinantes/visuali-zações de página/estatísticas em

redes de relacionamentos sociais/e-mails com elogios. 20

Usei o exemplo de escrever por se tratar de uma área que conheço, mas existem inúmeras outras opções possíveis de projetos de desenvolvimento de legado. O Dr. Gary Parker mora na África e realiza cirurgias reconstrutivas de graça para pacientes que não contam com uma assistência médica adequada. Acredito que a maioria das pessoas concordaria que se trata de um projeto extremamente significativo de desenvolvimento de legado. Como costuma ser uma boa ideia ter algum treinamento antes de se meter a fazer cirurgias, achei mais fácil escolher escrever.

Os projetos de desenvolvimento de legado demandam

muito trabalho

Quando estiver envolvido em algum tipo de projeto de desenvolvimento de legado, será interessante se concentrar nele. Se for como a maioria de nós, você enfrentará algum tipo de conflito entre o trabalho de desenvolvimento do seu legado e atividades improdutivas. Michael Bungay Stanier, um consultor e líder corporativo, explica o conceito da seguinte forma: cada tarefa e cada projeto ao qual escolhemos nos dedicar cai em uma das seguintes categorias: “trabalho inadequado”, “trabalho adequado” ou “trabalho excelente”. Todos nós sabemos que devemos eliminar ao máximo o “trabalho inadequado”, mas o mais importante é entender a distinção entre o “trabalho adequado” e o “trabalho excelente”. Um “trabalho adequado” é um trabalho útil e produtivo. Não há nada de errado com isso, mas o problema é que temos “trabalho adequado” demais. Um “trabalho excelente”, porém, é revolucionário e leva à inovação. Enquanto a maior parte do “trabalho adequado” é reconfortante, o “trabalho excelente” é, ao mesmo tempo, reconfortante e incômodo por nos impelir a ir cada vez mais longe.

O que Michael chama de “trabalho adequado”, eu chamo de “trabalho de desenvolvimento do legado”. A meta é reduzir ao máximo as atividades improdutivas e aumentar o trabalho voltado ao desenvolvimento do legado. Sinto-me bem quando vejo que pelo menos 50% do meu trabalho está direcionado ao meu legado. Caso contrário, tenho aquela deprimente sensação de ter desperdiçado um dia que nunca poderei recuperar. Sei que algumas pessoas podem pensar que é um erro basear o bem-estar pessoal e a autoestima na produtividade. Quanto a mim, a sugestão é: faça o que for preciso. Se der certo para você, não questione. Se não der certo, encontre alguma outra maneira de se manter motivado o suficiente para se concentrar no desenvolvimento do seu legado.

Confesso que o processo de avaliação costuma ser, de certa forma, subjetivo. Como, em geral, sei quando estou trabalhando no meu legado e quando estou só voltado a atividades inúteis, a subjetividade não me incomoda. No entanto, se você for uma pessoa que gosta de números ou quiser algo mais mensurável, é possível aplicar estimativas mais concretas a esse conceito.

Jim Collins, autor de Empresas feitas para vencer e outros livros clássicos de estratégia de negócios, está na invejável posição de fazer o que quiser com seu tempo. Jim gosta de dedicar grande parte de seu tempo ao trabalho, mas, com todos os sucessos que conquistou com seus livros, artigos e palestras, isso não o ajuda a reduzir as incontáveis oportunidades disponíveis a ele. Por ser absolutamente determinado a passar a maior parte do tempo desenvolvendo seu legado, Jim carrega consigo um cronômetro. O cronômetro tem três contadores diferentes: um para “criar”, um para “ensinar” e um para “outros”. A categoria “outros” inclui tudo o que não se encaixa nas outras categorias, e ele cronometra 100% de seu dia de trabalho. Ao final do dia, o tempo passado em cada categoria é registrado em uma planilha e os dados resultantes são anotados em um quadro branco.

Jim acompanha a média dessas três categorias e a compara com a meta de dedicar pelo menos 50% do tempo pesquisando e escrevendo, outros 30% ensinando e os 20% restantes na categoria “outros”. É um desafio passar apenas 20% do tempo em tudo o que não se relaciona a lecionar ou ao processo criativo, e é por isso que ele controla obsessivamente a métrica.

Jim também sabe exatamente quanto tempo precisa dormir para ser produtivo e, além de um registro do trabalho semanal, ele também monitora as horas de sono. Ele sabe que, se passar sete ou dez dias dormindo menos do que o necessário, ainda consegue lecionar e realizar tarefas da categoria “outros”, mas tem dificuldade de criar –sua categoria mais importante de trabalho. Jim faz questão de manter essa disciplina, apesar de receber inúmeros convites para dar palestras e prestar consultoria por quantias elevadíssimas. Em vez de se deixar atrair apenas pelo dinheiro, Jim aceita apenas 18 convites por ano, e presta aproximadamente um terço desses serviços gratuitamente para organizações sem fins lucrativos. Jim é viciado em viver intensamente e em deixar um legado que perdurará por muito, muito tempo. Além do café (bem, pelo menos na minha opinião), viver intensamente é um bom vício