O Poder dos Inquietos

Chris Guillebeau · Capítulo 6 de 58

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O Poder dos Inquietos

Para onde estamos indo

Felizmente, não precisamos ser macacos enjaulados. Somos livres para subir a escada, pegar as bananas e até escapar da jaula. Você já ouviu dizer que é mais fácil pedir perdão do que permissão? Isso é uma grande verdade, mas as boas notícias vão ainda mais longe: há poucas coisas pelas quais você precisa pedir perdão ou permissão.

Se você estiver preso em uma jaula, é hora de romper as grades que o cercam e se salvar. Você não precisa da permissão de ninguém para subir a escada, e não precisa se desculpar por escapar. Se a vida de sonambulismo for o “mundo real” dos chatos e medianos, a alternativa é o mundo dos vivos, o mundo da aventura. Venha se unir ao mundo dos vivos; ele está aberto a todos aqueles dispostos a abraçar a vida como a aventura que deveria ser.

Para onde estamos indo

Analisaremos várias ideias instigantes ao longo deste livro. A ideia mais importante, explorada ao longo de cada capítulo, é a que já mencionei anteriormente: você não precisa viver como os outros esperam que você viva. Eu lhe garanto que, apesar de parecer óbvia, a ideia não é tão simples assim. Colocá-la em prática requer persistência, coragem e determinação. O lado bom, contudo, é que muitas coisas que costumam nos ser apresentadas como pré-requisitos na verdade são relativamente desnecessárias. Entre outras coisas, você não precisa ser especialmente inteligente, popular, rico ou privilegiado em qualquer outro sentido. Essas qualidades, na verdade, algumas vezes podem até prejudicar seus verdadeiros objetivos.

A primeira parte do livro, “Uma vida notável”, concentra-se na filosofia que fundamenta o questionamento da autoridade e a escolha de um novo caminho para si mesmo. Veremos como determinar os termos da sua vida, superar os obstáculos internos do medo e da insegurança, e enfrentar os obstáculos externos representados por guardiões e críticos.

A segunda parte, “Revolucione o trabalho”, mostra como mudar a forma de pensarmos sobre como e onde passamos a maior parte do nosso tempo produtivo. Veremos como usar nossa competência para nos dar segurança, em vez de depender de um empregador. Analisaremos como recrutar e mobilizar nosso “pequeno exército”. E examinaremos a importante questão do dinheiro – de quanto você precisa e como obter isso.

A terceira parte, “O poder da convergência”, estende a discussão sobre vida e trabalho. Examinaremos a prática da exclusão radical, a busca da abundância, oportunidades de viagens econômicas e a criação de um legado, não importa qual seja sua idade.

E, por fim, a Conclusão vincula as “ideias perigosas” que exploramos ao longo do livro e o ajuda a ponderar sobre o desenvolvimento das suas ideias.

Além dos valores da liberdade pessoal e ajuda ao próximo, algumas outras ideias constituem os fundamentos do livro. Veja, a seguir, uma breve descrição de cada uma delas.

 

O DINHEIRO, POR SI SÓ, NÃO TEM VALOR ALGUM

Precisamos de dinheiro para viver no mundo moderno e devemos encontrar uma maneira de conseguir o que precisamos, sem prejudicar os outros. No entanto, o dinheiro, por si só, não tem valor algum – o valor só é produzido quando o dinheiro é trocado por outras coisas. O dinheiro é importante porque muitas pessoas não sabem do quanto realmente precisam para fazer as coisas que querem fazer. Elas, muitas vezes, superestimam ou subestimam demais o dinheiro necessário para ter a vida que desejam.

De acordo com pesquisas científicas praticamente unânimes, a busca da riqueza só pela riqueza não o levará muito longe. Uma determinada quantia de dinheiro produz felicidade e um pouco mais de dinheiro produz um pouco mais de felicidade, mas a correlação entre dinheiro e satisfação na vida não pode ser estendida além desse ponto. Dessa forma, consideramos o dinheiro como uma ferramenta para conseguir o que se quer, mas não um objetivo por si só.

ESCOLHER ENTRE VOCÊ E OS OUTROS É A ESCOLHA

ERRADA

Você precisará fazer algumas escolhas difíceis para conseguir escapar da jaula, mas, felizmente, escolher entre você e os outros não é uma delas. É possível beneficiar a si mesmo e, ao mesmo tempo, fazer do mundo um lugar melhor para todas as pessoas. Na verdade, a meta é encontrar a máxima convergência possível entre esses valores. Permita-se sonhar e depois se dedique a planejar o trabalho.

No entanto, como veremos no próximo capítulo (e ao longo do livro), nem tudo diz respeito apenas a você. Apesar de não precisarmos abrir mão das nossas ambições pessoais, no fim das contas, a maioria de nós não se satisfaz com uma vida absolutamente egocêntrica. Na verdade, nossa vida se torna mais significativa quando combinamos nossos próprios desejos com uma estratégia ativa para, ao mesmo tempo, ajudar os outros.

NEM SEMPRE É PRÁTICO MUDAR O MUNDO

Todas as ideias apresentadas neste livro foram concebidas para serem extremamente práticas, e não apresento nenhum conhecimento teórico de sala de aula. Contudo, mantenha em mente que os críticos podem utilizar a ideia de “ser prático” para marginalizar nossas escolhas voltadas à liberdade. Nunca esqueça que mudar o mundo nem sempre constitui uma empreitada prática. Ao longo da história, a maioria das pessoas que promoveu revoluções fundamentais nas ciências exatas e humanas ou nas artes foi constantemente acusada de não ser prática. Em outras épocas, era considerado impraticável pensar que as mulheres são iguais aos homens, que os seres humanos não deveriam escravizar os outros e que os criminosos deveriam ser reabilitados em vez de meramente punidos e assim por diante.

O mesmo pode se aplicar às suas escolhas. Nem sempre é uma questão de encontrar o caminho mais fácil – escapar da jaula pode ser mais difícil do que se conformar com os outros macacos –, mas você, normalmente, sempre tem uma opção.

 

É POSSÍVEL PLANEJAR O FUTURO SEM POSTERGAR SUA

VIDA AGORA

O conceito de adiamento da gratificação, ou sacrificar o agora em prol do futuro, pode ser útil para estimulá-lo a investir em um fundo de aposentadoria. Mas ele também pode atuar como uma racionalização eficaz para evitar a vida. Se você só pensar em um futuro hipotético, poderá negligenciar a incômoda sensação de que deveria fazer mais por sua vida agora.

Não há nada de errado em pensar no futuro, mas a vida não começa aos 65 anos. Em outras palavras, é interessante planejar o amanhã, mas isso não precisa afetar todas as decisões que você tomar hoje. Isso nos leva à última etapa da preparação para mergulharmos no resto do livro: um lembrete de que o tempo é limitado.

 

LEMBRE-SE

A vida é curta (jamais se esqueça disso) Não perca tempo tentando controlar sua vida. Como uma regra, é preferível fazer algo a não fazer nada. Isso pode nem sempre ser o caso – se você estiver em dúvida se vale a pena assaltar um banco para comprar rosquinhas com o dinheiro do roubo, pode ser interessante pensar em outra maneira de comprar rosquinhas –, mas, em termos gerais, tendemos a nos arrepender mais daquilo que não fizemos do que das coisas que fizemos.

De forma similar, a maioria das pessoas começa a

pensar em deixar um legado só no fim da vida. Se você ainda não tiver chegado a esse ponto, comece a pensar imediatamente no que quer deixar para os outros. Depois, comece imediatamente a viver com essa visão em mente.

Se não souber por onde começar, pense primeiro em

suas motivações. O que o motiva? Por que você escolheu este livro? Como você se sente sobre o que leu até agora? A propósito, se você não estiver familiarizado com essa forma de pensar, não se preocupe – veremos inúmeras maneiras no decorrer deste livro.

Você deve ter ouvido a velha história do xamã famoso

por curar a insônia. Um executivo estressado que não

conseguia dormir finalmente encontra o xamã na floresta e ele concorda em ajudá-lo. O xamã envia instruções e, duas semanas mais tarde, o executivo envia uma nota dizendo que foi curado. “Muito obrigado! Tenho dormido muito bem!”, diz o recado. O xamã envia sua resposta: “Sem problemas. Volte quando estiver pronto para acordar”.

Lembre que o objetivo deste livro é transformar seu

modo de pensar a vida e o trabalho. Se você estiver vivendo como um sonâmbulo, chegou a hora de acordar. A jornada começa aqui.