O Poder dos Inquietos
Do que você tem tanto medo?
“Ele foi tão simpático!”, me contou o comissário de bordo mais tarde. “Ele agiu como um sujeito comum. ” Gostei da ironia – Brad Pitt pode ser simpático, mas a maioria das pessoas comuns que conheço não viaja com dois guarda-costas e um degustador particular a tiracolo. Para a maioria de nós, quando as pessoas têm uma comitiva ou começam a participar sozinhos de corridas de revezamento de 200 milhas, é difícil comparar nossa vida com a deles.
Se é que existe algo como o verdadeiro destemor, ainda não encontramos. Quando ouvi a história de Sloane, a primeira pergunta que me veio à mente foi: “Como ela foi de Pittsburgh às Filipinas?” Em outras palavras, como alguém supera o medo que todos nós temos de fazer algo incrivelmente ousado? No caso dela, não foi por ser destemida; foi somente porque ela encontrou um jeito de aceitar o medo e trabalhar com ele para realizar algo mais importante.
Quando escolhe questionar as convenções, você vai contra todo tipo de pessoas que se ressentem da sua decisão de seguir o próprio caminho. Com preparação e coragem, normalmente, é possível encontrar uma maneira de enfrentar essas pessoas e, em outras ocasiões, você pode simplesmente fazer o que quiser e ignorá-las.
Mas cuidado: os obstáculos mais difíceis que a maioria de nós deve superar são o resultado direto de nossos próprios medos e inseguranças. É interessante ter uma ideia desses obstáculos interiores antes de se preocupar com os outros. Se você for uma rara alma que não tem medo de nada e já está no caminho da mudança pessoal, poderá pular este capítulo e seguir em frente na leitura. Mas, se for como o resto da humanidade, as informações apresentadas a seguir são para você.
Do que você tem tanto medo?
O medo começa com uma preocupação indefinida, uma voz lá no fundo da sua cabeça dizendo que você não é bom o suficiente, que você não conseguirá fazer nada importante ou significativo e que é melhor desistir de cara e parar de tentar se destacar. A mensagem implícita é: “Quem você pensa que é?”
Costumamos imaginar essas palavras vindas de outras pessoas, talvez alguém que nos magoou há muito tempo ou uma pessoa negativa presente na nossa vida. Essas vozes não são totalmente irrelevantes –as consequências do desprezo e da agressão são reais –, mas também é verdade que elas podem ser produzidas ou exageradas pelas nossas inseguranças. Como os maiores desafios que enfrentamos normalmente são internos, precisamos lidar com eles primeiro.
Quando refletimos profundamente sobre nossas inseguranças, normalmente descobrimos três medos específicos: o medo do fracasso, o medo do sucesso e o medo da mudança. O maior deles é o medo da própria mudança. Sempre que damos um grande salto, sabemos que, não importa o que vai acontecer, nossa vida provavelmente será diferente. Para muitos de nós, é assustador dar esse salto.
Se todos os outros fatores forem iguais, geralmente resistimos à mudança até a dor da transformação ser menor que a dor de permanecer na situação atual. É por isso que profissionais incompetentes ou até hostis conseguem permanecer em um emprego por muito mais tempo do que deveriam, porque os gestores não querem o transtorno de procurar e treinar alguém para substituir a “laranja podre”. Também é por isso que as pessoas aceitam todo tipo de situações improdutivas ou pura e simplesmente nocivas, desde empregos que sugam sua energia sem produzir um retorno à altura até relacionamentos disfuncionais. Para romper o ciclo, o medo do desconhecido deve se tornar menos intenso do que a aceitação passiva da situação atual. Isso pode ser feito de duas maneiras: intensificar a dor da situação atual e reduzir o medo da situação desejada.
Algumas vezes não cabe a nós decidir entre as duas opções. Vamos analisar um exemplo que chamo de um “momento decisivo” – você entenderá por que na história a seguir.