O Poder dos Inquietos
Descobrindo o que você realmente quer
A ideia ficou na cabeça dele e, em vez de negligenciá-la, Bernard escolheu lhe dar ouvidos. Ele pediu demissão, cumpriu diligentemente o aviso prévio, pagou a multa pela rescisão do contrato do aluguel de seu apartamento, comprou uma bicicleta e saiu pedalando sem saber o que aconteceria quando sua jornada chegasse ao fim. Os primeiros dias foram difíceis, mas, com o tempo, ele estabeleceu uma rotina, pedalando o dia inteiro e encontrando um lugar para ficar à noite.
Ao final da viagem, Bernard se mudou para Chicago sentindo-se invencível. Ele começou uma nova carreira e continuou viajando todo verão. Sem exageros: ele contou aos leitores do diário on-line que mantinha, que a viagem de bicicleta havia mudado sua vida para sempre, permitindo-lhe atingir seu pleno potencial e fazendo-o descobrir quem ele verdadeiramente era.
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Descobrindo o que você realmente quer
No decorrer deste livro, analisaremos como nossa vida está intimamente conectada com a dos outros, como algumas dessas pessoas contam com você e como você pode melhorar a vida de outras pessoas ao redor do mundo. Mas não vamos pensar nisso por enquanto. A primeira parte deste capítulo se concentrará nas suas metas e desejos pessoais.
Acredito em ajudar os outros, mas também acredito no individualismo implacável. Os sonhos malucos e as grandes ideias que temos quando somos jovens podem ser mais do que meras fantasias. Afinal, não se trata só de você – mas também não há nada de errado em fazer as coisas exclusivamente para si mesmo.
Quanto a mim, gosto de passar horas correndo sozinho, ouvindo música e pensando nos meus projetos e planos. Gosto de viajar sozinho pelo mundo, chegar à cidades desconhecidas sem uma programação nem obrigações. Algumas pessoas podem chamar isso de egoísmo, mas acredito que minhas razões são mais complexas do que isso – sem a energia que consigo acumular passando um tempo sozinho, sei que não seria capaz de ajudar ninguém.
Os seus sonhos enaltecedores e ideias grandiosas só pertencem a você e a mais ninguém, e você não precisa se desculpar por elas nem se justificar. Se já souber exatamente quais são essas ideias e sonhos, ótimo. A maioria de nós, contudo, precisa de tempo para pensar a respeito e esta seção pretende ajudá-lo a fazer isso. Como normalmente precisamos de algum tempo para descobrir o que queremos, dou, desde já, minha opinião: na verdade a maioria de nós não quer ficar sentada na praia e relaxar todos os dias pelo resto da vida. Alguns se cansam depois de apenas alguns dias; outros podem passar semanas ou meses felizes. Mas, da mesma forma como inevitavelmente nos perguntamos “Isso é tudo?” no que diz respeito a carreiras ou vidas convencionais, depois da satisfação inicial de tomar sol e caipirinhas na praia, mais cedo ou mais tarde estaremos nos fazendo as mesmas perguntas sobre a vida à beira-mar – ou sobre qualquer outra vida de fantasia.
Recentemente, eu estava caminhando em um bairro desconhecido da cidade e passei por um posto de gasolina que vendia bilhetes da loteria. Por um instante eu pensei: não seria divertido comprar um bilhete e sonhar? Depois percebi que, em geral, eu já tinha a vida que queria. Eu sentia que estava no 90° lugar no ranking de felicidade e realização. É claro que queria ir ainda mais longe, mas sabia que um bilhete de loteria (mesmo um premiado) não me levaria ao meu objetivo.
De tempos em tempos, a maioria de nós fantasia em ganhar na loteria. Não acho que isso seja necessariamente prejudicial; só acredito que existe uma alternativa melhor: criar seu bilhete premiado, não pelo súbito acúmulo de riqueza, mas pela redução gradual das opções e distrações até chegar ao que você decidir ser essencial para sua vida. Eis minha proposta: criar sua vida não é bem como ganhar na loteria. É melhor.
Em vez de viver no mundo da fantasia, a maioria de nós deseja uma vida de aventuras e crescimento pessoal. Joseph Campbell percebeu isso anos atrás, quando escreveu sobre o sentido da vida. “As pessoas dizem que estamos buscando um sentido para a vida”, ele começou a dizer, antes de esclarecer: “Não acho que seja isso que estamos verdadeiramente buscando. O que buscamos é a experiência de estarmos vivos”.