O Poder dos Inquietos
Por que você precisa do seu pequeno exército e quem o apoiará
Ao longo do caminho, ele conheceu Susan, outra voluntária, e se casou com ela. Gary e Susan tiveram dois filhos e a família Parker morava a bordo do navio. Todos os dias, enquanto eu dormia conforta-velmente na minha cama antes de ir a uma Starbucks para tomar meu café da manhã, eles viviam voluntariamente em Serra Leoa – o país mais pobre do mundo, de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas.
Quando li a história de Gary, pensei que se um cirurgião podia abrir mão de 17 anos de atendimento em um consultório particular na Califórnia para trabalhar em países devastados pela guerra, o mínimo que eu podia fazer era ir ver o que estava acontecendo lá. O exemplo de abnegação de Gary me intrigou e eu quis fazer parte daquela história. Parte da atração era a ideia de ajudar os outros, mas minhas motivações iam além de razões puramente altruístas. Vagando atordoado depois do 11 de Setembro, vi a oportunidade de fazer parte de algo maior do que eu para fugir da minha depressão.
Alguns meses depois, Jolie e eu deixamos nossas vidas confortáveis, fomos a Serra Leoa e nos mudamos para o mesmo navio onde Gary, Susan e seus filhos moravam. No total, passamos quatro anos trabalhando com eles em oito países africanos diferentes, e esses anos me influenciaram muito mais do que qualquer coisa que aprendi na faculdade ou no meu trabalho como empreendedor até então. Gary era um líder que eu estava disposto a seguir e me alistei entusiasticamente em seu pequeno exército de voluntários.
Por que você precisa do seu pequeno exército e quem o
apoiará
Talvez você não esteja pronto para se mudar para os confins do mundo e passar quatro anos trabalhando de graça. Mas, se chegou até este ponto do livro, provavelmente está comprometido com pelo menos uma grande meta a ser atingida no decorrer de um longo período. Não importa qual, você descobrirá que precisará de alguma ajuda ao longo do caminho. Se quiser ser um artista, precisará do apoio de fãs e patrocinadores. Se seus planos envolverem alguma espécie de projeto empreendedor, necessitará de um grupo de clientes fiéis para garantir uma renda confiável ao longo do tempo. Até metas extremamente individualistas, como escrever um livro ou visitar todos os países do mundo, podem se beneficiar, em muito, do apoio de um pequeno exército de parceiros leais.
Por que as pessoas estariam dispostas a segui-lo? Porque elas acreditarão na sua causa e porque seu trabalho ajudará de alguma maneira. Na verdade, se der às pessoas uma razão boa o suficiente, muitas delas o seguirão por toda a vida, permitindo-lhe estender seu projeto ou se dedicar a outra meta depois de atingir a primeira. Neste capítulo, veremos como desenvolver uma rede de aliados e seguidores, como melhorar a vida deles e como mobilizá-los para que eles também possam ajudá-lo. O capítulo analisa cada parte do processo, mas, antes, uma importante ressalva.
Advertência: Utilizarei os termos “líder” e “seguidor” aqui, mas quero deixar claro que o relacionamento nem sempre é de uma mão só. A liderança tem pouca relação com cargos e tudo o que diz respeito à influência. Se você
for um líder, nunca esqueça que seus seguidores são pessoas reais, que têm muito a contribuir. Não importa aonde sua jornada de liderança o leve, sempre lembre que seus seguidores são muito mais que um número.
Um pequeno exército normalmente consiste em cinco grupos de pessoas que se conectam com você de maneiras diferentes. Os interessados ouviram falar de você e se mostram curiosos em relação ao que está fazendo. Antes de se comprometer, eles querem saber por que deveriam se importar. Por que eles deveriam se interessar pelo que você tem a oferecer?
Os seguidores, que constituem a maior parte da equipe, ficam sabendo da sua causa, consideram-na intrigante e buscam ativamente ter mais contato com você. Se tiver um site, eles se cadastrarão para receber newsletter e lerão regularmente. Se tiver um negócio, eles comprarão regularmente de você. Eles também seguem outras pessoas e organizações, de forma que você não tem atenção exclusiva – mas eles se interessarão por você e se mostrarão ansiosos para saber mais. Eles já passaram para seu lado da cerca.
Os verdadeiros fãs são seguidores supercomprometidos. Normalmente, representam entre 2% a 4% da sua base de seguidores e são totalmente comprometidos com seu sucesso. Os verdadeiros fãs gritam em shows, vão a eventos esportivos mesmo quando o time está no último lugar, postam comentários em blogs e procuram avidamente qualquer notícia do herói deles. Quando um músico lança um novo álbum, os verdadeiros fãs o comprarão sem esperar para saber o que os críticos têm a dizer. E, se você tiver qualquer tipo de negócio, os verdadeiros fãs comprarão quase tudo o que você vender.
Os aliados são pessoas com ideias afins que realizam as próprias campanhas em áreas similares. Eles são seus colegas. Alguns deles também podem ser seguidores ou verdadeiros fãs do seu trabalho, mas vocês estão em uma jornada similar.
Por fim, amigos de amigos representam sua rede estendida. A ideia é: quando você precisar de uma ajuda específica, pode não saber necessariamente a quem pedir – mas alguém que você conhece provavelmente pode ajudar a encontrar a pessoa certa e apresentá-la a você.
Observe que essas categorias não são completamente distintas umas das outras. Você pode ser um seguidor (ou até um verdadeiro fã) e também ser um aliado. As pessoas também podem passar de uma categoria à outra enquanto interagem com você e todas as outras pessoas na vida delas. Em vez de pensar demais sobre a categorização, é mais importante dedicar seu tempo recrutando e mantendo seu pequeno exército – e depois o mobilizando para a ação.