O Poder dos Inquietos
Capítuplo 6 - Pós-Graduação Versus Blogosfera
CAPÍTUPLO 6
PÓS-GRADUAÇÃO VERSUS BLOGOSFERA
“Algumas pessoas se educam sem ir à faculdade;
as outras se educam depois que se formam.”
MARK TWAIN
Por que as pessoas vão à faculdade ou fazem uma pós-graduação? Supostamente, a resposta é que elas gostariam de aprofundar seu conhecimento ou se qualificar para uma carreira que necessita mais do que seu nível de instrução atual. Para algumas áreas e algumas pessoas isso, sem dúvida, faz sentido. Outras pessoas entram no ensino superior só porque isso parece ser a coisa certa a fazer. Eu deveria saber disso: eu fui uma delas.
Minha carreira na faculdade foi relativamente medíocre, tirando dois fatos. Em primeiro lugar, eu pulei o ensino médio e entrei diretamente na faculdade. Eu não era nenhum gênio, só estava entediado com o colégio e não era bom em seguir regras. Depois de um ano desastroso e um ano mais decente no qual recebi o prêmio “Aluno com a maior melhoria”, decidi considerar o prêmio como um diploma e simplesmente não voltei às aulas.
Sim, abandonei os estudos, apesar de ter tido a sorte de não seguir o caminho convencional dos alunos desistentes. No mesmo ano em que larguei o colégio, matriculei-me em uma escola técnica local. Quando a secretaria da escola finalmente percebeu que eu nunca terminara o ensino médio, eu já tinha concluído o primeiro trimestre inteiro. Minhas notas não eram perfeitas (uma letra A e duas letras B), mas eles concordaram em me deixar continuar. “Isso aqui não é nenhuma Stanford, você sabe”, um dos administradores me disse.
Alguns trimestres mais tarde, eu tinha acumulado créditos suficientes para me transferir para uma universidade “de verdade”. Da mesma forma como a escola técnica, a nova universidade estava longe de ser prestigiosa (uma pequena universidade estadual com 3 mil alunos), mas eu gostava do fato de ser um estudante universitário sem ter um diploma do ensino médio.
Minhas notas variavam enormemente – Letra A para a disciplina na qual eu viria a me formar (sociologia) e várias letras C e D em disciplinas nas quais me limitei a passar. Em um padrão que se mantém até hoje, eu me empenhava mais do que qualquer outra pessoa que conheço em disciplinas que me agradavam...e, para todo o resto, bem, os resultados não eram nada bonitos.
Outro fato que se destacou na minha experiência universitária foi que logo percebi que não era difícil tirar notas boas (pelo menos nas disciplinas que me interessavam) sem precisar me empenhar muito. Estudando meticulosamente o catálogo do curso, comecei a me matricular no número máximo de disciplinas todos os trimestres. No primeiro trimestre que fiz isso, também precisei fazer uma disciplina na minha antiga escola técnica. Aquilo me deu uma ideia: eu não poderia me matricular em mais disciplinas na universidade porque já tinha atingido o limite máximo, mas não havia nenhuma regra contra estudar em várias instituições simultaneamente.
Em uma febre de matrículas, me inscrevi em mais disciplinas a cada trimestre – na universidade, na escola técnica, em uma segunda escola técnica e em um curso por correspondência em outra universidade de outra cidade. Fazendo até 40 horas de créditos em um semestre, tirei dois diplomas de bacharelado já no fim do meu segundo ano. Enquanto isso, meus colegas do ensino médio estavam ainda concluindo o primeiro ano da faculdade.
Não me arrependo de nada na minha experiência universitária, mas também não tenho nenhuma ilusão de ter aprendido alguma coisa concreta com as disciplinas que fiz. Na verdade, o que aprendi foi como blefar nos testes, como memorizar rapidamente (e esquecer rapidamente) e como tirar boas notas. Essas, sem dúvida, são habilidades importantes na faculdade e na vida, mas também podem constituir um obstáculo na criação de qualquer coisa que tenha um valor duradouro.
Alguns anos mais tarde, estava trabalhando como voluntário na África Ocidental, prestes a voltar, e me perguntei se tinha perdido algo. No voluntariado, eu atuava como um executivo em Desenvolvimento Internacional, mas tinha conseguido o cargo sem muito treinamento. Planejando minha volta no ano seguinte, matriculei-me em um programa de mestrado em Estudos Internacionais na Universidade de Washington. Na minha carta de admissão, apontei para o fato de não ter como fazer o teste necessário na Libéria. “Estamos nos focando no desarmamento, depois nos concentraremos no abastecimento de água potável, em eletricidade e, em seguida, pensaremos em testes padronizados”, eu escrevi. Também observei que só estava me candidatando para a Universidade de Washington. A maioria dos candidatos à pós-graduação tenta vários programas, de forma que minha estratégia era deixar claro que estava apostando todas as minhas fichas naquela instituição e que eu definitivamente estudaria lá se fosse aceito.