O Poder dos Inquietos
O plano de ação
A maior parte das atividades de recrutamento e manutenção do seu pequeno exército se encaixa em um dos três passos a seguir:
Passo 1: Recrute seu pequeno exército Passo 2: Treine e recompense seu exército Passo 3: Peça ajuda ao seu exército
Os passos se relacionam uns com os outros e, em alguns casos, podem ocorrer simultaneamente, mas vamos segmentá-los um pouco mais para simplificar.
PASSO 1: RECRUTE SEU PEQUENO EXÉRCITO
Entre e-mails, mensagens de texto, redes sociais, mídia tradicional e interações off-line não faltam mensagens competindo pela nossa atenção. Para se destacar da multidão, você precisa de uma plataforma, uma boa razão pela qual as pessoas deveriam prestar atenção em você e um ambiente receptivo que encoraje os interessados a se envolverem.
A PLATAFORMA
Antes de mais nada, você precisará de uma plataforma para se dirigir ao seu pequeno exército. Na batalha de Agincourt, o exército de Henrique V conseguiu derrotar os franceses apesar da enorme inferioridade numérica. De acordo com Shakespeare, a vitória começou quando o Rei Henrique subiu em uma carroça de feno, que serviu como uma plataforma improvisada para uma mensagem inspiradora. Apesar de lutar na lama contra um exército cinco vezes maior, os ingleses conquistaram a improvável vitória, em grande parte, por causa do uso criativo de uma plataforma – neste caso uma carroça de feno usada pelo Rei Henrique – para falar aos seus homens.
Felizmente, os exércitos modernos não requerem o uso de carroças de feno, nem precisam combater muitas batalhas na lama. Desde o advento da internet, as plataformas normalmente consistem em diferentes tipos de sites e o desenvolvimento criterioso de uma lista de endereços, como blogs, fóruns, podcasts, perfis de rede social ou algo novo. Os comunicadores mais eficazes usam dois ou mais desses métodos para falar com os seguidores de maneiras diferentes.
O MOTIVO
Depois de criar uma boa plataforma, você pode começar a dizer ao mundo que está em busca de ajuda. As pessoas que ficam sabendo do seu trabalho e se importam o suficiente para ver o que você está fazendo, constituem o grupo dos interessados e normalmente não passam muito tempo nessa categoria. Com todas as outras mensagens competindo pela atenção deles, a maioria dos interessados tomará uma decisão rápida de ficar com você por um tempo ou retornar às outras distrações.
Para transformar os interessados de meros observadores a seguidores, você precisará se concentrar em perguntar e responder o motivo. Ele se refere ao questionamento que todos fazemos quando avaliamos uma pessoa, organização ou até uma fonte de informações, como um livro ou site. A questão é: “Por que eu deveria me importar com isso?” ou, dito de outra forma, “O que eu ganho com isso?”
Atualmente, há centenas de milhões de blogs sendo atualizados regularmente. Por que alguém se importaria com o seu ou com o meu blog? Além do fato de ser possível comprar qualquer livro que quisermos em um varejista na internet, uma loja física de uma rede de livrarias oferece em média 120 mil livros. Por que deveríamos prestar atenção a qualquer um desses em particular? Se conseguir virar a mesa e analisar seu projeto com esse tipo de lógica brutalmente honesta, você verá rapidamente se está proporcionando um bom motivo para convencer os interessados a se tornarem seguidores. Se a resposta for desanimadora, você não precisa desistir – mas provavelmente precisará rever sua estratégia.
Quando decidi criar um site para registrar minha jornada visitando todos os países do mundo, mostrei o conceito inicial a alguns amigos. Todos eles acharam interessante, mas um deles aplicou imediatamente a mentalidade do “motivo”. “Parece divertido”, ele disse. “Mas como alguém como eu se beneficiaria disso?”
A pergunta dele me incomodou, porque, tirando outros malucos aventureiros viciados em viagens, não consegui pensar em um bom motivo pelo qual alguém se interessaria pela minha meta. Ponderando sobre a questão, percebi que deveria fazer mais do que simplesmente escrever um diário das minhas aventuras ao redor do mundo. O site que acabei desenvolvendo inclui relatos de viagens, mas também vários outros tópicos voltados para atingir grandes metas e a criação de uma vida de liberdade pessoal. Tendo a liberdade como a meta principal, meus seguidores poderiam viajar como eu –ou poderiam sair em busca de algo que seja mais significativo para eles. Sem uma resposta melhorada à questão do “motivo”, o projeto poderia ter sido interessante, mas não muito útil para qualquer outra pessoa além de mim.
O AMBIENTE RECEPTIVO
Você quer que as pessoas se sintam encorajadas a participar de algo maior que elas ou de algo que as conecte com outras pessoas. A mensagem deve ser: “Venha se unir a mim. Faça parte de algo maior. Há outras pessoas que veem o mundo de maneira similar”.
Esse é o tipo de mensagem que me fez mudar para a África e trabalhar de graça. E também é a mensagem que nos transforma de meros interessados a seguidores ou verdadeiros fãs de qualquer pessoa ou organização que consideramos interessante. A mesma inspiração pode ser transmitida por produtos e serviços que trazem um valor significativo à nossa vida.
No entanto, é preciso tomar cuidado com um ponto. Enquanto os interessados o analisam, certifique-se de estar convertendo as pessoas certas a seguidores e verdadeiros fãs. Não cometa o erro tão comum de acreditar que “todo mundo” é um recruta potencial para sua causa. Além de algumas pessoas simplesmente não se encaixarem no seu público, outras podem ser mais prejudiciais do que benéficas. As pessoas erradas sugarão sua energia, o distrairão do que mais importa e até tentarão fazê-lo desistir.
Quem você está tentando tocar com sua mensagem? Mantenha sempre em mente que não pode ser “todo mundo”. O mercado-alvo define tanto quem não faz parte do seu público quanto quem de fato faz. Deixe claro aos interessados quem é seu público-alvo e mostre seu diferencial em relação a todos os outros. Por exemplo, um polêmico congressista americano chamado Ron Paul atrai cidadãos de tendências libertárias que acreditam que o governo federal deve ser eliminado ou significativamente reduzido. A maioria das pessoas ama ou odeia essa postura e poucas se mantêm indiferentes. Uma declaração de missão como essa é uma boa maneira para atrair os seguidores desejados e, ao mesmo tempo, afastar os outros.
Apresentar opiniões controversas de tempos em tempos também ajudará a conquistar mais seguidores e evitar interessados que não se ajustem bem à sua forma de pensar. Há uma velha piada sobre o presidente que solicita “só a metade de um economista” por estar farto de conselheiros lhe dando opiniões e depois dizendo: “Bem, por outro lado...” O fato é que se recusar a apresentar uma verdadeira opinião é sempre o caminho mais seguro. Em vez disso, escolha o caminho do risco com uma posição firme e clara.
PASSO 2: TREINE E RECOMPENSE SEU EXÉRCITO
Depois de proporcionar uma razão convincente para as pessoas prestarem atenção em você e começar a converter interessados em seguidores, é hora de aprofundar o relacionamento. Isso é feito satisfazendo as necessidades do seu exército e ajudando seus menbros a obter o que querem. Para ilustrar melhor essa ideia, pense em dois elementos inerentes a qualquer grupo de seguidores: motivação e recompensas.
A MOTIVAÇÃO
Por que você lê os livros que lê e ouve certos músicos ou bandas? Por que visita determinados sites repetidas vezes? Provavelmente porque, de alguma forma, você é motivado pelo que aprende ou pela experiência. Se deixar de ser motivado por alguém ou algo que está acostumado a seguir, você poderá dar mais uma ou duas chances, porém, cedo ou tarde, deixará de prestar atenção. Outros atributos podem ser opcionais, mas a motivação é obrigatória.
A motivação ocorre de três formas: inspiração, educação e entretenimento. Ao decidir como treinar seu exército, você deverá analisar essas três formas para criar sua combinação com base em quem você é e quais são suas metas. Normalmente, o mais eficaz é encontrar uma combinação de duas ou três formas de motivação, mas, das três, a inspiração é aquela que mais atrai seu exército.
É nesse ponto que você, por ser uma pessoa única, tem uma vantagem sobre grandes empresas ou outras organizações: você pode ser você mesmo. Você pode mostrar os fracassos e os sucessos em um nível pessoal. Foi o que Leo Babauta fez quase à perfeição em seu popular blog Zen Habits, no qual escreve sobre simplicidade e determinação de metas. Em menos de um ano, Leo desenvolveu uma base de assinantes de mais de 100 mil leitores ávidos e se tornou um blogueiro em período integral.
Muitos desses leitores foram atraídos pela modéstia com a qual Leo se apresenta – um sujeito comum em busca de um estilo de vida saudável e simplificado. O componente educacional dos textos de Leo é importante (alguns dos posts mais vistos incluem “10 dicas para parar de fumar” e “Elimine a barriguinha em 30 dias”), mas o lado inspirador e pessoal de Zen Habits é um fator de atração ainda mais poderoso. Eu não fumo, mas, quando descobri o site, li o post de Leo sobre parar de fumar para ver como ele conseguiu. Mesmo se não aprender alguma coisa no site de Leo todos os dias, normalmente me sinto inspirado após a leitura. É por isso que continuo voltando e suspeito que muitos outros leitores se sintam da mesma forma.
AS RECOMPENSAS
Quando se trata de recompensar seu exército, você não precisa sacar o talão de cheques. No entanto, seguidores e verdadeiros fãs também gostam de ser recompensados de outras maneiras – normalmente por meio do trabalho que você realiza para eles, uma comunicação regular e o maior reconhecimento pessoal possível. Se passar um tempo sem recompensar seu exército, ele tende a se amotinar – ou, pior ainda – parar de prestar atenção em você.
Em uma manhã de dezembro, abri um pequeno pacote que recebi pelo correio. “Estranho”, pensei. “Não me lembro de ter comprado nada esta semana. ” Abri a caixa e encontrei um iPod novo – um presente de agradecimento de uma gráfica comercial que utilizei várias vezes naquele ano. Também recebi vários cartões de Natal de outros fornecedores, mas a gráfica foi a única que me mandou um iPod. Você pode imaginar como minha fidelidade àquela empresa foi reforçada depois de receber o pacote inesperado.
Você não precisa enviar iPods a todo o seu exército (apesar de que isso, sem dúvida, seria impressionante), mas proporcionar outros tipos de recompensas inesperadas e reconhecimento fortalecerá o relacionamento com sua rede. O autor Jack Canfield sugere enviar, todos os dias, três notas pessoais ou cartas de agradecimento escritas à mão. Algumas pessoas podem considerar esse conselho obsoleto, agora que a grande maioria utiliza o e-mail, na verdade, isso faz o conselho ser mais válido do que nunca. Uma nota pessoal ou uma carta de agradecimento escrita à mão, especialmente se for inesperada, quase sempre provocará um grande impacto no destinatário.
O princípio-chave é ir além do esperado. Eu não presto muita atenção a cartões de Natal recebidos de fornecedores, mas uma microempresa que me envia um iPod definitivamente supera minhas expectativas. De forma similar, um leitor on-line que me manda pelo correio um cartão escrito à mão alegra meu dia mais do que qualquer e-mail.
PASSO 3: PEÇA AJUDA AO SEU EXÉRCITO
Só depois de atrair os interessados, convertê-los a seguidores ou verdadeiros fãs e aprofundar o relacionamento, é que você realmente poderá pedir ajuda a eles. Teoricamente, você pode pedir pequenas coisas no começo – se cadastrar para receber e-mails seus, confirmar o cadastro, preencher um questionário e assim por diante. Mas, para ir além do básico, você precisará ter desenvolvido um relacionamento sólido e provado que vale a pena ajudá-lo em um nível mais significativo. Quando estiver pronto, o que seu exército pode fazer por você? Como você pode pedir a ajuda deles ou mobilizá-los para a ação? Veja a seguir cinco ideias diferentes.
OPÇÃO 1: PARA AJUDÁ-LO A DIVULGAR SUA MENSAGEM
A ajuda mais básica que um seguidor pode oferecer é trazer novos interessados à sua campanha. Os seguidores têm os próprios círculos de influência e podem divulgar a mensagem aos amigos e conhecidos com muito mais eficácia do que você conseguiria fazer sozinho. Quando eles endossam você ou seu trabalho, os amigos e seguidores deles prestarão atenção.
Se você for um escritor, poderá pedir aos leitores para ajudá-lo a divulgar seus livros, histórias, artigos ou blogs. Seja específico – não se limite a dizer “Por favor, converse a respeito com alguém”, mas sim “Por favor, repasse esta mensagem a três pessoas” ou “Por favor, divulgue este post na sua rede social on-line”. Se você for um artista plástico que depende de galerias ou cafés para divulgar seu trabalho, pergunte a todos os seus conhecidos se eles têm algum contato no setor. Use o fenômeno dos “vínculos fracos” (que analisaremos a seguir) em seu benefício, descobrindo, por exemplo, que é possível entrar em contato com galerias de arte famosas e que, antes, você não se sentiria à vontade em abordar por conta própria.
Se for um palestrante, professor ou consultor, provavelmente já sabe que a melhor coisa a fazer é desenvolver alguma experiência para poder ser contratado por empresas e planejadores de eventos. Mesmo se for um iniciante, isso pode ser feito informando seu pequeno exército que você está disponível. Você pode precisar trabalhar de graça no começo, mas, depois de acumular alguma experiência e desenvolver boas referências, poderá voltar à sua rede e pedir que seus membros o ajudem a encontrar oportunidades pagas.
OPÇÃO 2: PARA AJUDÁ-LO A ENTRAR EM CONTATO COM AS PESSOAS
Você também pode entrar em contato com o quarto e o quinto grupo de pessoas da sua rede – seus aliados e amigos dos amigos. Lembre-se de que os aliados estão em uma jornada similar à sua. Os desafios que eles enfrentam também serão similares, e eles provavelmente conhecem muitas pessoas na área que você ainda não conhece.
Você deve se conectar com aliados potenciais assim que possível. Ao lançar um novo projeto, apresente-se ativamente a todas as pessoas que o influenciaram ou que atuam em áreas similares. Conte o que você está fazendo e como foi inspirado pelo trabalho deles. Ajude-os sempre que puder, sem pensar em cobrar mais tarde. Não tente vender ou pedir nada nesse ponto; a meta é desenvolver um relacionamento.
Um dos fatos mais interessantes das redes sociais é que a maioria dos usuários adora apresentar e conectar as pessoas umas às outras. Talvez o mais interessante seja que os conhecidos dos seus seguidores podem acabar ajudando mais do que as pessoas que você conhece diretamente. Isso acontece em razão do fenômeno social conhecido como a “força dos vínculos fracos”. Veja a Seção “Recursos on-line” deste livro para mais informações, mas tudo o que você precisa saber agora é que a expressão “vínculos fracos” se refere a pessoas que você não conhece, mas que seus amigos e aliados conhecem.
Vínculos fortes = pessoas que você conhece diretamente
Vínculos fracos = conhecidos da sua rede (amigos de amigos)
O interessante é que, apesar de os conhecidos da sua rede serem chamados de “vínculos fracos”, quando você é indicado a eles por um amigo no qual eles confiam, o relacionamento é imediatamente fortalecido. À medida que recruta seu pequeno exército, é bem provável que algum conhecido seu saiba exatamente como ajudá-lo a entrar em contato com as pessoas que você precisa conhecer.
OPÇÃO 3: PROPORCIONE APOIO FINANCEIRO
Enquanto desenvolve seu pequeno exército, seus seguidores podem apoiar financeiramente seu trabalho mesmo se a meta principal não for operar um negócio. Em um popular artigo on-line, Kevin Kelly, ex-editor da revista Wired, sustenta que é possível para um músico, banda ou praticamente qualquer artista ganhar uma boa renda estável com uma base de apenas mil fãs verdadeiros. Lembre que um verdadeiro fã é alguém que comprará praticamente tudo o que você produzir. Esses fãs se mostram dispostos a viajar para assistir aos seus shows, divulgam ativamente comentários positivos sobre seu trabalho, o defendem de críticas e divulgam constantemente seu trabalho aos amigos.
Esse modelo constitui uma evolução da tradição das artes clássicas, na qual artistas individuais eram sustentados por patronos que apreciavam o trabalho deles. Na época, um artista podia ter apenas um patrono ou patrocinador disposto a sustentá-lo em troca de projetos encomendados e dedicatórias artísticas. A beleza do modelo do pequeno exército está no fato de que, se puder contar com mil fãs, o artista não precisará depender de uma única fonte de apoio. Alguns fãs inevitavelmente mudarão de hábitos ao longo de uma carreira artística inteira, mas, se os artistas forem capazes de manter uma base razoável de fãs, eles serão capazes de manter e até aumentar o apoio financeiro recebido.
OPÇÃO 4: DESENVOLVA SEU NEGÓCIO
Se bem operada, com o tempo, uma microempresa atrairá clientes potenciais (interessados), clientes (fãs) e clientes fiéis (verdadeiros fãs). Quando tiver desenvolvido uma base suficiente de cada grupo, você poderá fazer várias coisas para alavancar o relacionamento e desenvolver seu negócio.
Com o apoio dos verdadeiros fãs do seu negócio, você poderá criar um programa de continuidade para aumentar sua renda mensal. Você pode criar um funil começando com produtos básicos e levando a produtos mais elaborados, o que lhe permitirá atender clientes em estágios diferentes do
relacionamento com você. 12 E, o mais importante, você pode redefinir o diálogo com seus clientes tirando a ênfase da venda e aproximando-a da satisfação das necessidades das pessoas que recorrem a você em busca de ajuda e inspiração. Em vez de vender produtos, você se concentra em solucionar problemas. Em vez de atrair o ceticismo, você conquista a confiança das pessoas.
Para um bom exemplo de como isso funciona, vamos analisar o interessante modelo de serviços gratuitos (rádio, TV e internet). Muitos deles promovem uma ou duas vezes ao ano uma campanha para levantar fundos, em que táticas de pressão social são utilizadas para convencer os espectadores a se unir ao grupo de assinantes pagantes – uma aplicação direta da conversão de interessados e seguidores (ouvintes ou espectadores) em verdadeiros fãs (contribuintes).
Agora, esse mesmo modelo pode ser adaptado à internet. Alguns empreendedores criativos estão descobrindo que podem fazer basicamente a mesma coisa com a própria rede de seguidores e fãs: dê tudo de graça sem restrições e peça que o pequeno exército decida o quanto pagar. Como a maioria de nós não tem como abrir facilmente uma estação de rádio pública, analisaremos dois exemplos de pessoas que conseguiram adaptar, com sucesso, esse modelo em diferentes mídias.
Exemplo 1: O cronista de viagens
David Rowell criou o The Travel Insider, um site e newsletter por e-mail sobre o transporte aéreo. Toda sexta-feira, desde novembro de 2001, ele envia uma longa e detalhada mensagem resumindo os acontecimentos da semana no mundo do transporte aéreo. Alguns leitores se incomodam com sua postura bombástica, mas, com o tempo, David se beneficiou de sua reputação “sem papas na língua” e desenvolveu uma base de seguidores fiéis.
Todo o conteúdo é oferecido gratuitamente por David aos seus leitores, mas, por se tratar de um trabalho em período integral, ele naturalmente precisa de apoio financeiro. Uma vez por ano, David promove uma campanha para levantar fundos, pedindo contribuições aos leitores. Um grupo de cerca de 800 assinantes normalmente ajudam contribuindo com valores que variam de cinco ou dez dólares a 250 dólares ou mais – em média são 50 dólares. Durante o resto do ano, David não menciona muito sua necessidade de apoio financeiro. Ele recebe contribuições adicionais de tempos em tempos, mas a maior parte de sua renda anual provém de contribuições recebidas durante a campanha. Esses verdadeiros fãs e vários seguidores ficam felizes em “pagar” com satisfação pelo boletim informativo gratuito que David lhes envia toda sexta-feira.
Exemplo 2: A tira cômica on-line
Em um pequeno escritório que contém mais consoles de video game do que computadores, Mike Krahulik e Jerry Holkins criam, a cada três semanas, uma tira cômica de quadrinhos repleta de piadinhas internas lida por centenas de milhares de jogadores de video games. O tom do Penny Arcade, a tira de quadrinhos, costuma ser libertino e algumas vezes nem os que os inspiraram entendem as piadas. Mike e Jerry seriam os primeiros a dizer que o humor do Penny Arcade não é para todos. Na verdade, a tira se volta ao próprio pequeno exército deles.
Mike e Jerry admitiram gostar de criar as tiras, mas, no início, não faziam ideia de como operar qualquer tipo de negócio. Isso não foi um grande problema no começo, mas, então, eles começaram a promover convenções de video games para alguns milhares de seus amigos mais próximos. Não foi fácil passar de uma tirinha on-line a uma convenção internacional de jogos. Eles precisavam de um exército, e o encontraram em seus fãs extremamente fiéis, que se prontificaram a trabalhar como voluntários na convenção. Em 2007, eles passaram do centro de conferências local ao enorme centro de convenções de Washington, no centro de Seattle.
Além das convenções de video game, o Penny Arcade também utiliza sua ampla rede para ajudar hospitais infantis. Isso é feito por meio de uma campanha anual de levantamento de fundos chamada Child’s Play. Desde 2003, o exército de jogadores de video game levantou mais de 2, 5 milhões de dólares em doações para enviar brinquedos e jogos para hospitais infantis, provando que uma subcultura muitas vezes considerada um tanto quanto misantropa (constituída em grande parte de jogadores de video game do sexo masculino) também pode se mobilizar em prol de uma boa causa.
OPÇÃO 5: UNA-SE À CAUSA, LITERALMENTE
Você também pode pedir que seus seguidores literalmente se unam a você em algum lugar para ajudar a promover sua causa. Isso requer um comprometimento maior do que a maioria dos seguidores estará disposta a assumir, mas tudo bem – se tiver uma boa causa e tiver desenvolvido os relacionamentos certos, algumas pessoas não hesitarão em aderi-la enquanto outras podem continuar a apoiá-lo dos bastidores.
Quando se trata de pedir às pessoas que literalmente se unam à sua causa, as possibilidades se estendem do significativo ao fanático. Dean Karnazes, um ultramaratonista que ficou famoso por pedir pizza na estrada enquanto corria noite adentro, estabeleceu a meta de correr 50 maratonas em 50 dias. A ideia em si já era interessante, mas, felizmente, Dean e seus patrocinadores tiveram o bom senso de determinar com cuidado a razão pela qual as pessoas se importariam com isso.
Para determinar o motivo e proporcionar uma boa razão, Dean decidiu-se contra a ideia original de correr sozinho cada maratona em percursos não oficiais. Em vez disso, ele correria cada maratona em um percurso oficial com outros corredores que se cadastravam para correr com ele. Em algumas ocasiões, mais de 50 corredores, incluindo algumas pessoas que nunca tinham corrido mais de 15 quilômetros, se ofereceram para correr todo o trajeto de 42 quilômetros com Dean. Juntos, eles levantaram fundos para instituições de caridade ao mesmo tempo em que divulgavam os benefícios da corrida por todo o país.
Gary Parker, o cirurgião da Califórnia que passou 17 anos morando na África, me ofereceu uma chance de me unir fisicamente à causa dele. Eu e muitas outras pessoas aceitamos a oportunidade com entusiasmo. Uma dessas pessoas foi Scott Harrison, de 30 anos, um ex-promotor de casas noturnas em Nova York que se cansou da vida de baladas e quis se envolver em algo mais significativo. No que originalmente chamou de “um ano de penitência”, Scott se uniu a nós em Benin para documentar o trabalho da nossa organização e saber mais sobre desenvolvimento internacional.
No fim do primeiro ano, Scott estava pronto para voltar a Nova York, mas não queria mais promover festas. Dessa vez, Scott decidiu promover a necessidade de água potável e saneamento por toda África. Scott tinha um mailing de 12 mil pessoas da época em que trabalhava como promotor de casas noturnas. A lista incluía amigos, colegas, modelos e celebridades. Em vez de começar do zero, Scott decidiu partir de sua lista. Ele escreveu a todas as pessoas que conhecia, divulgando a ideia: fundar uma instituição de caridade internacional que doasse 100% da receita diretamente aos programas de ajuda humanitária. O dinheiro seria utilizado para financiar instituições locais sem fins lucrativos nos países mais destituídos do mundo e, para fins de prestação de contas, eles utilizariam imagens do Google Earth, provando quando e onde os banheiros públicos e poços tinham sido instalados.
Diante da história convincente e uma maneira de ajudar, o pequeno exército de contatos de casas noturnas de Scott se apresentou para a ação. Contando principalmente com voluntários e alguns membros do staff pagos por meio de doações, Scott desenvolveu a Charity: Water, de apenas uma ideia a uma organização de cinco milhões de dólares em menos de três anos. O conselho de administração voluntário da organização é responsável por pagar o salário de Scott e os custos administrativos da organização, enquanto a Charity: Water continua a repassar 100% de sua receita diretamente aos parceiros em campo.
ADVERTÊNCIA: COMO DERROTAR SEU PEQUENO
EXÉRCITO
Tudo isso parece muito simples. Recrute pessoas que se interessem o suficiente pelo seu trabalho para ajudá-lo, dê a elas continuamente uma motivação para acompanhá-lo em sua jornada e ataque para tomar o castelo. Bem, é basicamente assim que a coisa funciona, mas, se é tão simples, por que todo artista, empreendedor ou qualquer pessoa com uma grande meta não segue esse modelo?
Em primeiro lugar, entenda que não é fácil conquistar um número significativo de seguidores e verdadeiros fãs. Você pode seguir várias pessoas (eu acompanho cerca de 100 newsletters e blogs), mas só é possível ser um verdadeiro fã de algumas delas. Em seguida, é difícil conquistar a confiança, mas muito fácil perdê-la. Se quiser destruir o relacionamento com seus seguidores, tudo o que precisa fazer é abusar da confiança deles. Para derrotar seu pequeno exército, basta deixar de cumprir suas promessas e não se desculpar quando cometer um erro. Se você decepcionar as pessoas sem dar uma explicação ou sem se desculpar, boa sorte ao tentar reconquistar essa confiança.
Infelizmente, evitar esse erro costumar ser mais difícil do que parece. Ninguém começa uma campanha para mudar o mundo achando que acabará decepcionando as pessoas. O problema normalmente surge quando o projeto está tendo sucesso e não quando está fracassando. Quando as coisas vão bem e você descobre que pode usar atalhos que ninguém parece notar, você pode se viver diante da tentação de usar cada vez mais atalhos. Mais cedo ou mais tarde, todo mundo acaba notando, mas, quando isso acontece, pode ser tarde demais. Se quiser manter o ritmo e seus seguidores felizes, não ceda à tentação.
Em resumo, sua meta como um líder é desafiar as pessoas sem insultá-las. Você quer instigar seus seguidores a melhorarem suas vidas de uma maneira significativa. Se continuar a satisfazer as necessidades da sua base de fãs, não será difícil manter a confiança deles. Quando você conseguir fazer isso e estiver disposto a trabalhar por um bom tempo, seu exército terá sucesso e você também.
O que tiras de quadrinhos, instituições de caridade internacionais, cronistas de viagem, ultramaratonistas, músicos e microempresários têm em comum? Para ajudá-los a ter sucesso, todas essas campanhas recrutam um pequeno exército de seguidores. Elas ajudam os seguidores a obter o que querem e depois convertem os seguidores em verdadeiros fãs. Elas alavancam relacionamentos com aliados e amigos de amigos para conseguir as conexões e os recursos necessários.
Lembre que nossa vida está conectada com outras pessoas por todo o mundo. Ao identificar uma causa específica e recrutar um pequeno exército, você pode atingir um sucesso muito maior do que conseguiria agindo por conta própria. A antropóloga cultural Margaret Mead disse algo que tem sido repetido em cerimônias de formatura desde então: “Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos sensatos e comprometidos é capaz de mudar o mundo. Na verdade, é a única coisa que realmente acontece!”
Margaret Mead estava certa. Seu pequeno exército pode ajudá-lo a atingir suas metas. Eles podem ajudá-lo a ajudar os outros. E, ao mesmo tempo, eles próprios serão ajudados, em uma situação em que todos saem ganhando. O que você está esperando?
LEMBRE-SE
• Pondere com cuidado como você pode ajudar as
pessoas a obter o que elas querem. Se sua campanha inspirar os outros ou satisfizer uma necessidade importante, você está no caminho certo.
• Crie pelo menos três maneiras pelas quais seus
seguidores poderão se conectar com você, como um blog com feed RSS, um perfil em um site de relacionamento social ou um evento presencial.
• Comunique-se em pelo menos dois veículos. Por
exemplo, se escrever um blog, complemente os posts escritos com um podcast ou mensagem de vídeo ocasional.
• Peça diretamente que as pessoas se unam ao seu
exército e depois peça ajuda específica.
• Determine uma meta: dentro dos próximos x meses,
terei y novos seguidores no meu pequeno exército.