O Poder dos Inquietos
A melhor época da nossa vida
Os anos que passei na África Ocidental continuam sendo uma parte importante da minha identidade. Grande parte do que sou resulta das várias experiências desafiadoras e gratificantes que vivi naquele lugar. Mas, aos poucos, fui percebendo que precisaria deixar aquilo para trás e partir para a experiência seguinte.
Comecei a pensar sobre o que faria em seguida e quais seriam minhas metas para o futuro. Será que eu passaria trinta anos falando sobre a África a todas as pessoas que conhecesse? Nesse caso, como eu seria diferente de todas as pessoas que continuam revivendo uma guerra que acabou décadas atrás? Dava para ver que eu precisaria de muito mais do que meu passado. E, se levar a sério a ideia de deixar um legado duradouro neste mundo, você também precisa.
A melhor época da nossa vida
Todos nós temos experiências que influenciam o resto da nossa vida e determinam nossa visão de mundo. Para muitos, essas experiências ocorrem no colégio ou na faculdade – aqueles anos nos quais nos sentimos mais apegados aos colegas e ao mundo externo. Para outros, os tempos áureos provêm de uma experiência em comum vivida em um grupo fechado, como uma unidade militar ou time esportivo. E outros vivenciam seus dias de glória em uma longa viagem ao exterior, no início de um novo relacionamento ou em um emprego especialmente apaixonante.
Orgulhamo-nos muito dos nossos dias de glória porque eles representam uma época de rápidas descobertas e avanços. Olhando para trás, algumas vezes nos referimos a esse período como “a melhor época da vida”. Aquele em que encaramos um desafio e o enfrentamos com sucesso. Quando ele chega ao fim, sentimos uma mistura agridoce de realização e tristeza.
E, não muito tempo depois do nosso período áureo, entramos em uma nova fase da vida, em que precisamos deixar o passado para trás e seguir adiante para um novo momento. Se essas experiências foram realmente tão significativas, elas não deveriam nos motivar a enfrentar desafios ainda maiores? Como seria o futuro se aplicássemos as lições que aprendemos e partíssemos para experimentar coisas ainda melhores?
Quando optamos por deixar esses períodos para trás, não estamos nos livrando deles – não poderíamos nos esquecer mesmo se tentássemos. Na verdade, estamos dizendo: “Uau, foi incrível. Que sorte eu tenho de ter vivido essas experiências. Meus dias de glória foram tão importantes para fazer de mim o que sou hoje que preciso encontrar um jeito de viver mais experiências como aquelas”.
Tente pensar nestes termos: não importa onde esteja na vida ou quantos anos tenha, comece a pensar em todos os dias como o primeiro dia da sua vida. O reconhecimento de que tudo o que temos é o dia de hoje implica uma combinação de boas e más notícias. A boa notícia é que os fracassos já passaram. Não há necessidade de continuar chorando pelo leite derramado.
A má notícia é que os sucessos também já ficaram no passado. É divertido olhar para trás e revivê-los de vez em quando, mas o que passou, passou – tudo o que temos é o presente e, na melhor das hipóteses, algo que podemos construir com o tempo para fazer uma diferença duradoura no mundo. Se gostar da ideia de viver mais dias de glória e não quiser deixar de se sentir vivo, precisa trabalhar no desenvolvimento de um legado. O melhor momento de fazer isso foi ontem. Se você ainda não começou, pode começar hoje.