O Poder dos Inquietos
Os cinco macacos enjaulados e a alternativa óbvia
Jolie e eu voltamos para começar uma nova vida em Seattle, Washington. Entrei na pós-graduação, passei a trabalhar em período integral em um novo negócio relacionado à publicação e viajava a vinte países por ano, ao mesmo tempo em que treinava para correr em maratonas. O tempo que passei na África me proporcionou uma boa experiência em liderança, de forma que apliquei essas habilidades trabalhando como voluntário em uma organização sem fins lucrativos, onde atuei como presidente do conselho de administração.
Em outras palavras, mantive-me ocupado, mas voltei a sentir que algo estava faltando. Eu não sabia o que queria, mas sabia que encontraria o que desejava em outro lugar. Sempre gostei de conhecer lugares novos e os anos que passei na África me ajudaram a me familiarizar com situações desafiadoras em viagens. Decidi visitar todos os países do mundo, uma jornada que me levou a mais de 160 países. Depois, comecei a escrever a respeito, primeiro, em um site que cresceu para incluir dezenas de milhares de leitores regulares e, depois, no livro que está em suas mãos.
Minha história ainda não chegou ao fim e certamente desconheço o que ainda está por vir. Uma parte importante da filosofia sem gurus é que ninguém é melhor que os outros e que você já sabe a maior parte do que precisa saber – nós só vamos preencher algumas lacunas. Se você estiver apenas começando sua jornada não convencional, a melhor maneira de entender o processo é falando sobre macacos.
Os cinco macacos enjaulados e a alternativa óbvia
Você já ouviu a história dos cinco macacos em uma jaula? Cinco macacos são jogados em uma jaula por um sádico que odeia macacos. Água e comida suficientes são disponibilizadas no chão da jaula, salvando-os da inanição ao mesmo tempo que são forçados a viver uma vida entediante olhando pelas grades todos os dias. A comida deixada no chão é ruim, mas suficiente. No entanto, um grande e sedutor cacho de bananas foi pendurado no teto da jaula. E o sádico também deixou uma escada que chegava até o teto.
Depois de superar o choque de ser enjaulado, um dos macacos sobe a escada e estende o braço para pegar uma banana. De repente, uma mangueira de incêndio aparece do nada. Um forte jato d’água é lançado no macaco no alto da escada, mas não somente nele – todos os outros macacos também são atingidos pela água, em um exercício de punição coletiva pelos pecados de um macaco amante da liberdade.
Ao longo dos próximos dias, a experiência se repete várias vezes. Um macaco tenta pegar as bananas, todos os macacos são atingidos pela água e logo o grupo começa a bater em qualquer macaco ousado o suficiente para tentar subir a escada. As bananas continuam penduradas ao teto, mas simplesmente estão fora do alcance dos macacos. Aos poucos eles são levados a aceitar que estão fadados a viver uma vida sem bananas.
Um dia o experimento muda. O sádico tira um macaco da jaula e o substitui por outro. Sem saber das consequências do banho frio, o novo macaco imediatamente começa a subir a escada para pegar as bananas e os outros macacos o puxam para baixo antes de chegar ao topo até ele desistir de subir.
No dia seguinte, outro macaco é substituído, depois outro e o processo se repete: o novo macaco corre para as bananas, é puxado para baixo e se adapta. Cinco dias depois, já não havia nenhum macaco do grupo original e nenhum novo macaco enjaulado jamais fora atingido com o jato de água fria – mas todos eles aprenderam que não deviam subir a escada. Um dos macacos finalmente pergunta: “Ei, por que não podemos comer as bananas?” Os outros encolhem os ombros e dizem: “Não sabemos ao certo...só sabemos que não podemos”.
Da mesma forma como os macacos na jaula ignorando as bananas penduradas no teto, a escolha de uma vida chata e medíocre representa viver como um sonâmbulo. Gostaria de poder dizer que se trata de uma conspiração, mas não é o caso. Nenhum sádico nos jogou em uma jaula. Na verdade, trata-se de um padrão contagiante de nos conformar com o “suficiente”. Sem nos dar conta do mundo que nos cerca, a vida de sonambulismo nos oferece pouco risco e pouca gratificação. Ninguém, nem eu, pode criticar os sonâmbulos por sua escolha. Só há um grande problema: para aqueles que aspiram uma vida de aventuras, a vida de sonambulismo não apresenta apelo algum.